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domingo, 4 de julho de 2010

FOTO PESSOAL



“SANGUE DE MARESIA…”


Corre-me nas veias, sangue com odor a maresia…

Não há vida que sorria
Ao povo que do mar nasceu,
Se não puder ver surgir
As águas do viver seu…

Engolem-se lágrimas,
Sorve-se a Esperança trazida
Em garrafas de Vida…

MAS…SEM MAR, NÃO HÁ VIDA!

Personagem presente, na ausência…
Nostalgia à deriva nas ondas da evidência,
És tu, MAR-OCEANO,o lado lúdico
Da impaciência
Do viver do exilado, do outro lado da Terra!

Está em guerra, o português,
Sempre que, longe da PÁTRIA
Não pode molhar os pés
Nas lágrimas do marulhar
Do seu bocado de Mar…

TERRA MOLHADA DE PEIXE A ESCORRER
ÁGUA SALGADA…

Desterro de quem viu a vida naufragada
Nos óleos orientais
Das palmeiras perfiladas…

Cruzados do ACHAR um outro mundo
Com MAR…
Soluços de impaciência!
MAR- MÚSICA a marulhar, no ir e no vir,
No sangue a fluir,
No partir e no chegar…
Azul-vermelho da Vida do povo do NAVEGAR…
Andrajoso, corajoso,
Ansioso por se DAR,
O povo do meu país come as lágrimas do suar…

MAR- SOFRIMENTO-POESIA!
Verdade do dia-a-dia!
Sinto-te a vida a pulsar
No beijo da ardente Despedida…
LÁBIOS- VIDA… ressonância bíblica…
Bebida do sofrer na água inesgotável, arável…
Fonte da IMAGEM- PÁTRIA- FLORIDA!



C7G-44/29 (mds) -FEV/010

quarta-feira, 26 de maio de 2010

POEMA: "ALENTEJO EM DOR...!


Alentejo ardente!
À beira das estradas, o sol queima
sem sequer aquecer!
Árvores sedentas, agonizam lentamente
sob esse sol abrasador.
Choram as poucas lágrimas da seiva
com as quais se vão alimentando,
à espera de novas gotas de água,
que cairão chorando…
…chorando de pena por tanto tardarem
para as alimentar!
Raros sopros de vento fazem oscilar
as ervas e os arbustos, fraquitos,
que procuram fugir a tão tórrido tormento.
Sofro com a dor destes seres
no seu elemento natural ,arfantes e doridos!
Tal como eles, também sofro de sede…
…sede de alegria, de paz, da harmonia das risadas sonoras,
denunciadoras de um espírito sereno.
Quero essa chuva abundante em mim,
quando as minhas nuvens rebentarem…por fim!


C8H-11/AB/09

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Andorinhas...por onde andais?


Há anos já ,que não dou pela chegada triunfante das nossas andorinhas.O tempo e o mundo modificaram-se, de tal modo,que tudo se tem tornado adverso para esses seres maravilhosos que,pontualmente, batiam às nossas janelas,numa atitude de saudação, quando vinham de terras e tempos distantes. Maquinalmente, misteriosamente, dirigiam-se à casinha, nos beirais,onde logo começavam a preparar o ninho, para que a família nascesse e se desenvolvesse a tempo de, na hora exacta,estar pronta para um novo "adeus".Até cá chegarem, percorriam milhares de quilómetros; muitas, ficavam pelo caminho,incapazes de resistirem à fome e ao cansaço.
Mulherzinha já,pensava nelas como pensava nos navegagores d'outras eras, que iam ficando pelo caminho pelas mesmas razões, morrendo,muitas vezes, nos largos oceanos,quando demandavam "as canelas e as pimentas" que haveriam de transformar as vidas dos séculos passados.E então, comecei a vê-las com outros olhos...Era já mais conhecedora das coisas do mundo...e, tive a ousadia de comparar o sacrifício humano ao das valentes avezinhas, também elas em atitude épica, sem bases de apoio para tão longas viagens, dispondo, apenas, de um misterioso sentido de orientação e resistência física ,com ajuda de um outro "astrolábio" que lhes dava a vontade indómita, própria dos seres "tocados" pelo bafo do Senhor.
Não sou romântica no tratamento deste tema!- ou melhor- não quero ser vista como tal, (embora saiba que todos continuamos a sê-lo!).É impossível ver romantismo nas situações que as pobres aves observam, lá do alto, quando passam sobre o Sudão, o Darfur,o Médio Oriente, Israel, a faixa de Gaza,o Ruanda e o Uganda, o Iraque, o Afganistão,etc Sinto que elas "viveram"os horrores dos genocídios, da fome das populações mais desprotegidas do mundo,dormindo ao ar livre, sem tecto, sem comida nem água,à mercê de "serpentes" armadas de metralhadoras...
E oiço-as falar de como foi difícil atravessar desertos, encorajando-se, umas às outras,no sentido de chegarem, o mais depressa possível, aos beirais de Portugal e às casas que cá deixaram,(se não as tivermos destruído,entretanto!).
Em termos de auto-análise,entendo que, como ser humano, levo cada "tombo" de vez em quando,que só a fé e a força de vontade no compromisso sagrado comigo própria,me ajudam a resistir aos terrores da vida e às "metralhadoras" do ódio, do autoritarismo, das injustiças, da inveja, da prepotência medíocre, de quem me pode "atacar".
Somos, decididamente, como as andorinhas: às vezes, vestidas de preto e branco, no nosso interior...Outras vezes, mais cinzentos, mas lutando sempre com denodo, porque a vida está mais "ali", à frente dos nossos olhos e nos nossos olhos!,sendo que a esperança é a última a morrer!
Cada um de nós, na resistência e na luta,faz a sua Primavera!Chegamos a nós, quando o sonho está quase, quase, a avançar...
Quando "chego"a mim...reconstruo logo o meu ninho...vejo o meu bom e o meu mau, tento fugir das minhas guerras, acalmo e...escrevo!
Passo, então, de andorinha a GARÇA-REAL...