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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

POEMA: VIDA, contínuo APELO...

Foi-se acercando a Noite…catedral de meio mundo.



Lento era seu caminhar carregado de sonhos

por viver…

Pelo luar iluminada, pelas estrelas acarinhada,

Espalhava no desejo qualquer coisa de sagrado!



E eu senti-o…o chamamento dos deuses do firmamento

primitivo…

Não se explica um APELO, mediaticamente simbólico,

cósmico, rizomático, original…

Mas é bem fácil vivê-lo, na plenitude da consciência

dos Sentidos ,a ferver, ousados…atrevidos…

…na ponta da tua sapiência melódica!



E encontro-me no paraíso do bulir das tuas mãos

confusas…suadas … sabiamente atrapalhadas

no caminho do prazer…

Olhares cúmplices…corpos entrelaçados…

… despontam gigantescos aromas

que nos fazem sucumbir!



Confundimos nossa pele…trocámos língua por língua…

De teus dedos, já nem sei…sinto-os na minha ínsua…

Aparecem paraísos, espalhados por meu corpo,

que deslizam já perdidos no meio do amor louco…

Águas transparentes de lisas brancas areias

atrevem-se a navegar por minhas fendas, orgulhosas!

Habituados à luta que os genes perpetuaram

na cósmica do nosso ser, vivo de ti em mim

até ao amanhecer…



O dia segue-se à noite.

Rodeio teu corpo…assim…

…tocas-me de leve…assim…

…e dou por mim a morrer-vivendo

debaixo de teus anseios…assim…

“Assim”, a vida respira pelos poros dilatados

libertando nossas fragrâncias,

há tanto tempo guardadas…



Desapareci, por momentos, da entidade que sou.

Foi como se uma nuvem cinzenta,

grávida de água perene,

percebesse a grandiosidade do momento,

tão solene

que o mundo ACONTECEU…



No fundo da Natureza rebentam ondas de choque

do mar, zangado, ciumento, que bate sempre mais forte

nos líquenes rochosos, musgosos, quase doentes.



Tua face de maresia distante, respira meu espírito

relaxado e ofegante…

Sinto que sou vidro quente, desfazendo-se, lentamente,

na plenitude ondulante de um movimento alternado,

que voa das estrelas para o mar…

do mar para as copas das árvores…

das árvores para farrapos de nevoeiro…

de mim para ti, inteiro…



Um vento estrangulado pelos gemidos da vida, quase falou…

Do céu, feliz, escorregou um fio de gotas de diamantes

em forma de estrelas cadentes, orgulhosas e brilhantes!

… A Noite calou-se…

A Vida aconteceu…



Marilisa Ribeiro-

C11L-190. (ERTS)-FEV/011


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

POEMA: MEU SOL...

MEU SOL





Abriu o Sol!

Minha vida resplandece de ternura

na beleza do toque dos sussurros de amor.



E sei e sou e tenho e dou e canto!



Desfile de sentimentos num estado da vida- agora,

mostro meu ângulo brilhante, que seduz,

no instante-do-teu-olhar-que-enamora!



Afastou-se a Noite, sulcada por torres de soturnos castelos!



Ornada de flores do Universo

que falam aromas celestes,

um brilho suave e diverso expande-se, no céu

confuso, triste, disperso…



E corro pela vida fora com o supremo ideal do Amor!

Ergo-me da nulidade, lançando aos ares pedaços de mortalhas inibidoras…

Aliso minha pedra angulosa e agreste

em laços de respeito, liberdade e fraternidade.

Rejeito religiões ininteligentes, formais, mecanicistas.

Agarro com determinação, aragens de novas comunhões, com

(à cabeça)

amor, na determinada procura da VERDADE!



Vou,

de mãos dadas com o teu calor,

romanticamente,

apanhando lírios, papoilas rubras, miosótis loucos de azul-celeste,

molhados no orvalho-sémen do desabrochar!

O vento, passando pelas colinas do Outrora-desespero,

segreda-me verdades das preces, da pura alma que te entrego.



Saúdas meu amanhecer sereno,

no amplexo desenfreado do fragor vivido…

Dás-me rosas do teu odor, que parecia adormecido…

Oras comigo o ideal da consciência emotiva!

Dás-me teus laivos de vida… tenho fome

da felicidade esquecida.

Grutas agrestes ofereciam-me MEDO…

mas eu encontrei o segredo do caminho para ti…

Venci o Medo!

Trabalho o meu ser ferido e dou-to, rejuvenescido!

Meu INFINITO perdeu-se

na espuma do Mar, que levanta ondas de maré

para o poder reencontrar.



LEITO…pétalas de rosas…

…minhas rosas odorosas, de rubro torpor,

caminham contigo ao lado…



Granito desfeito no leito…

Veias de rubro, azulado sangue…

Lava de amor a escorrer-me do peito…

Festas de MAIO nas tuas acácias floridas…



C-R-11L/(ero)-48/JAN/011

sexta-feira, 29 de abril de 2011

POEMA: SILABÁRIO




Medito a dois passos da indefinição…

Afundo-me no ar volátil que se dilui nas vagas que respiro,
nas nuvens que se movem empurradas por ímpetos,
nas folhas das árvores tocadas por movimentos místicos…

Brincam comigo, às escondidas, sons de flauta e violino
que, difundidos no FADO,
ajudam a minha construção do cosmos.
São acordes divinais…perdidos no meu deserto…
e vogam ao sabor do céu aberto.

Tomo conta de mim
no orgulho vibrante, poderoso,
da consciência da pedra bruta que luta,
que se aproxima e se afasta, do Monossílabo que SOU…

(Escrevo-me cartas de amor…conto-me os meus defeitos e aceito-os…
Amo-te mais no DEPOIS…comigo própria…
É quase um diário que escrevo, onde me lamento num refúgio…
Sou um paradoxo…oponho-me ao meu oposto!
Sou música –física, num recomeço constante do bamboleio hesitante
da alma!
Vejo que, nos teus olhos, reside o segredo do meu olhar, que escondeste
Na fortaleza do teu brilhar…

Desagrego-me e grito…)

Onde será o espaço do coração?
Dói-me a noite…
Dói-me o dia…
No meio deste vazio…confio!
Se ao menos o sol abrisse a porta fechada do meu estar
num solo definido…
Mergulharia no teu mar_________
Sorveria as sensações __________
E sempre que a vida te escolhesse, como ao virar uma folha,
seria eu o teu palco de emoções!

Rasgarei a mordaça da rotina da inquietação
E saltarei aquele velho muro da indecisão
Que me impede de mostrar êxtases…
…na melancolia do medo de não poder chegar
ao mapa do teu coração…

(AMO…
Se vivo…?

OH, pássaro louco, em desvairada correria!
A Noite, azulada e eterna, é a da minha fantasia…)

R/CL/11/ 30-MRÇ-( mqc)011

sábado, 23 de abril de 2011

Poema: trinados...





Angustiada, como qualquer sem-abrigo
Perdido na sociedade,
Procuro o som do luar,
Que se espalha em difusa claridade.
Sinto, a bater em meus olhos,
A ilusão da Verdade…que se não sabe!
Enxergo, ao longe,
O clarão da Vontade, que me invade…

Cheira-me a terra viva, ferida pela charrua,
Que espera a semente, que geme…

Saltita o vento, levando gotas de água da noite,
Qual fermento da vida, em crescendo…

Cheira-me a guitarras de Coimbra…
Ainda escura, sem a luz da lua.
Dobres delicados, em airosos trinados,
Choram, enlevados, nas margens do rio:
fugidio, luzente, brilhante,
Inconstante... como o olhar sem luar
Do amante arredio…

Tempero o meu andar a esmo
com sons de claridade...

Os cálculos impostores das brumas da vida
deixo-os no quarto escuro da mágoa...da ferida
escondida no armário, por trás de muro,
que me queria sofrida!

A custo, subo a calçada empedrada,
regada pelo som dos trinados de baladas seculares...

A vida canta!O rio chora cascatas de águas escorregadias...
Eu deslizo...Espero o brilho soalheiro que põe a terra a brilhar,
sob raios de fulvo luar...
...com árvores a rebentar...uvas a maturar...
...ninhos a pulsar...mosto da uva a espreitar...




CAD4D -77-ABL/08