sexta-feira, 8 de julho de 2016

Poema meu (REGº)













FOMOS-UM-NO-OUTRO



*sentem-se sós. As minhas longas noites,

como se carregassem nos ombros

o peso de um mundo, onde não sabemos amar



*confio. No nascer de um novo dia

em que o sol tenha o poder de espalhar

seus raios cintilantes, pelos ombros da noite fria



*sorriem. Teus olhos perdidos no lago do mar inerte,

no intervalo que vai do dia para a noite



*…e logo se abrem os meus, tais rosas primaveris

a espalharem odores subtis, como o afago das borboletas

a beberem sucos das violetas



*é de todos o mais belo. O nosso amor sem diamantes,

simples , grande, natural como o brilho das estrelas,

sem reinos, sem castelos, sem feudos desgastantes,

sem outros presentes mais sensíveis, que o calor dos abraços

com que me tapas os ombros



*foste tu. Quem me levou a fazer odes à vida,

à cor do sangue vermelho que me corre pelas veias,

num olhar que suplanta o brilho da lua



*foste-tu-no-eu- que- te espera na imensidão do mar-a-amar,

quem me levou a guardar segredos nas pétalas rubras das rosas,

desfolhadas por um vento atento aos anjos

que descem à terra, para te poderem celebrar.



*escrever-te-ei na nudez da Noite, com um traço mais preciso, se eu quiser um poema

onde a minha pele arda, rasgada pelo veneno que o teu sorriso exala.





Maria Elisa Ribeiro/014


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