quinta-feira, 14 de julho de 2016

Editorial de www.publico.pt


EDITORIAL
Guterres, acto II


DIRECÇÃO EDITORIAL

14/07/2016 - 07:37


Ainda não é claro qual dos candidatos é favorito. Ninguém aposta num nome só. Nem diplomatas, nem analistas.




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Editorial


Num editorial de Abril, o New York Times escreveu de forma desapaixonada sobre a corrida ao cargo de secretário-geral da ONU, essencialmente fazendo a lista dos então oito candidatos (já são mais) e fazendo um mínimo desvio ao tom de quase absoluta neutralidade apenas para se congratular com o facto de, “felizmente”, o método de selecção ter mudado e já não serem os países a fazer lobby nos bastidores tentando convencer os cinco membros do conselho de segurança a escolher o “seu” candidato.

Nessa altura, o editorial foi paginado com uma única fotografia – a de Helen Clark, ex-primeira-ministra da Nova Zelândia, o que foi interpretado como sendo uma sugestão de que aquela era a candidata favorita.

António Guterres era referido dentro de um grupo de candidatos de segunda linha, depois de Clark e da búlgara Irina Bokova, e era apresentado como “António Manuel Oliveira Guterres”, um pormenor que demonstra o desconhecimento que existia há três meses em relação a Guterres num jornal cuja sede é na mesma cidade onde está a sede da ONU e que acompanha a vida da organização de forma atenta e constante.

Não é o board de editorialistas do New York Times que vai escolher o próximo secretário-geral da ONU, mas em Abril estávamos claramente no acto I do processo. Hoje, passada a segunda ronda de entrevistas, há nomes que já caíram. Entre os muitos critérios (região de origem, género, experiência, perfil e carisma), o conselho de segurança vai dizer, num voto secreto, o que pensa sobre cada um dos candidatos. É o acto III, para a semana. Não há um candidato favorito. Ninguém aposta num nome só. Nem diplomatas, nem analistas. Há muitas apostas para shortlists, mas variam muitíssimo. Guterres está em algumas delas, mas em nenhuma é dado como favorito. O NYT já sabe que ninguém usa os seus dois nomes do meio, mas continua a não ser claro se os 20% de hipóteses que Guterres dizia ter nesta corrida subiram de forma significativa.

No fim, e apesar da abertura inédita, a última palavra caberá aos cinco membros permanentes do conselho de segurança. Como antigamente.

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