terça-feira, 28 de abril de 2015

Boa noite, amigos!




Á história dos amores de D. Pedro e D. Inês!

Na história de Portugal, houve uma mulher que se tornou raínha depois de morta. Sabe de quem falamos?


Em 24 de agosto teve lugar, na Sé de Lisboa, o casamento do Infante Pedro I de Portugal, herdeiro do trono português, com D. Constança Manuel, filha de D. João Manuel de Castela, príncipe de Vilhena e Escalona, duque de Penafiel, tutor de Afonso XI de Castela, «poderoso e esforçado magnate de Castela», e neto do rei Fernando III de Castela.

Todavia seria por uma das aias de D. Constança, D. Inês de Castro, que D. Pedro viria a apaixonar-se. Este romance notório começou a ser comentado e mal aceite, tanto pela corte como pelo povo.

A 7 de janeiro de 1355, o rei cedeu às pressões dos seus conselheiros e aproveitando a ausência de D. Pedro, numa excursão de caça, foi com Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves, Diogo Lopes Pacheco e outros para executarem Inês de Castro em Santa Clara, conforme fora decidido em conselho. Segundo a lenda, as lágrimas derramadas no rio Mondego pela morte de Inês teriam criado a Fonte das Lágrimas da Quinta das Lágrimas, e algumas algas avermelhadas que ali crescem seriam o seu sangue derramado.

Quando D. Pedro soube da terrível tragédia, cheio de dor e angústia, declarou guerra ao pai. Assaltou castelos, matou todos os que passavam à sua frente... Ao fim de alguns meses, o país não aguentava mais e, após negociações, assinou-se a paz. Porém, depois da morte de D. Afonso IV, em 1357, D. Pedro subiu ao trono e mandou procurar os assassinos de Inês. Diogo Lopes Pacheco conseguiu fugir para França, mas Pêro e Álvaro foram executados. Retiraram-lhes os corações (um pelo peito e outro pelas costas) e queimaram os seus corpos, enquanto D. Pedro I se banqueteava.

Dois anos mais tarde, D. Pedro I mandou desenterrar Inês de Castro, sentou-a no trono e, perante todo o povo português, corou-a Rainha de Portugal e obrigou todos os nobres presentes na coroação, a beijar a mão da sua amada. Mais tarde, mandou construir um túmulo para inês e outro para si, encontrando-se os dois no Mosteiro de Alcobaça, virados um para o outro.

Pára tudo, JÁ! «Portugal: 41 anos depois do 25 Abril»

● PORTUGAL GLORIOSO ● 25.4.15 ● 00:07







"A Verdade Sem Medos ... podem bloquear-me, denunciar-me, reportar-me como inimiga ou terrorista, ou raio que os parta a todos até me podem vir prender, mas uma coisa vos posso garantir, ninguém me vai calar, nem a mim nem a esta Grande Senhora.... a partir de hoje este vídeo vai ser a minha publicação diária, sem tréguas ....."
Morgana Vasconcelos

"O que chamamos democracia começa a assemelhar-se tristemente ao pano solene que cobre a URNA onde já está apodrecendo o cadáver.

Expresso da Meia-Noite 25-04-2014 em directo SIC-N
Tema: 25 de Abril, 40 Anos depois
Ricardo Costa com: - Maria José Morgado, Procuradora-geral Adjunta - Maria de Sousa, Cientista - Joana Amaral Dias, Psicóloga - Hélia Correia, Escritora.







Opinião

Quadratura do círculo
26.04.2015
CARVALHO DA SILVA







O Programa de Estabilidade apresentado pelo Governo à Comissão Europeia e o documento Uma década para Portugal, elaborado por um grupo de economistas a solicitação da direção do Partido Socialista (PS), têm sido tomados por vários analistas e comentadores políticos como quase-programas de governo. Em alguns desses comentários enaltece-se o facto de as propostas estarem a surgir cedo e de serem "bem distintas", o que poderá contribuir para que "os eleitores possam fazer escolhas claras e seguras".

Respeito essas opiniões e a sua bondade democrática, mas considero que o documento do PS (docPS), podendo ser valorizado como contributo para a clarificação em vários aspetos, está muito longe de prefigurar uma verdadeira alternativa. Tendo em conta as relações de forças existentes no cenário político nacional e europeu e no interior do PS, ou surge como uma séria análise crítica que não se fique por "paradigmas" económico-financeiros e contabilísticos, ou nos próximos meses assistiremos a uma progressiva aproximação entre as duas "propostas programáticas".

O Tratado Orçamental e outros condicionalismos das políticas europeias, o peso da nossa dívida pública e os constrangimentos dela resultantes colocam-nos dentro de uma gaiola, e o docPS, no diagnóstico apresentado, faz de conta que estamos em plena liberdade, não questiona as grades que nos aprisionam e, num exercício teórico da quadratura do círculo, diz-nos que vamos conseguir cumprir os saldos orçamentais positivos que o tratado impõe e, simultaneamente, atingir taxas de crescimento muito significativas. Precisamos, sem dúvida, de apostar no crescimento e na melhoria das condições de vida dos portugueses, mas isso não se obtém com milagres. São indispensáveis mudanças estruturais que o permitam.

No que se refere às questões do trabalho e dos rendimentos diretos e indiretos dos trabalhadores, o docPS é de um silêncio arrepiante. Nada diz sobre as inúmeras maldades a que os trabalhadores foram sujeitos: perdas salariais, destruição da contratação coletiva, redução da remuneração do trabalho extraordinário e dos dias de férias e feriados, liberalização acentuada das relações laborais, aumento do horário de trabalho na Administração Púbica, entre muitas outras, donde resultou que, desde 2010, em cada ano, vão passando mais de três mil milhões de euros do fator trabalho para o fator capital.

Sobre o salário mínimo nacional não há proposta. A aparente contrapartida é a criação de um "complemento salarial anual" para as famílias que, mesmo trabalhando, estejam com rendimentos abaixo da linha da pobreza. O salário jamais pode ser mera retribuição de subsistência: o salário deve ser remuneração justa em função da riqueza produzida e tem de ser pago pelas empresas e serviços e não pelas contribuições dos cidadãos. Por outro lado, a perspetiva de se criar um "regime conciliatório" para despedimento é uma aberração, no plano conceptual e perante o existente desequilíbrio nas relações de poder entre patrão e trabalhador.

Quanto às medidas enunciadas para a redução da taxa social única (TSU) o mínimo que se pode dizer é que o PS parece querer engrossar o ataque ao sistema da Segurança Social. É verdade que se apresentam duas ideias com interesse quanto à busca de novas fontes de financiamento para o sistema, mas o avanço de propostas concretas para redução da TSU consubstanciam a conceção de um sistema de segurança social ao serviço do fator capital.

Antes do 25 de Abril é que os descontos dos trabalhadores se usaram para financiar empresas e a guerra colonial. Depois, com forte contributo do PS, construiu-se um sistema que procura dar dignidade às pessoas quando já não podem trabalhar. Não acenem aos trabalhadores com a cenoura de poderem receber agora mais uns tostões quando estão a desproteger o futuro, nem arranjem mais argumentos para as empresas não pagarem salários justos.

É de assinalar o empenho na execução dos fundos europeus, o imposto sobre as heranças ou a reposição de alguns mínimos sociais e do RSI, mas isso não chega. A quadratura do círculo só é interessante como exercício teórico.

Digam lá....


O que é preciso fazer para receber um prémio de €15,8 milhões?


Nicolau Santos





No dia 11 de Julho de 2013, António Horta Osório recebeu em Londres o prémio de melhor banqueiro do mundo, que lhe foi atribuído pela revista Euromoney, numa escolha que envolveu a análise de cem banqueiros de todo o planeta. E a semana passada, quase quatro anos depois de ter tomado posse como presidente do Lloyds, que tinha sido intervencionado para evitar o seu colapso, Horta Osório anuncia que a instituição voltou aos lucros e que vai distribuir dividendos pela primeira vez desde 2008. Uma indiscutível história de sucesso, que lhe vai dar direito a receber um prémio acumulado de €15,8 milhões. Como referia um texto recente to The Guardian, o Lloyds bem pode mudar a sua campanha «Helping Britain Prosper» para «Helping Horta Osório Prosper». Será a ironia cáustica injusta?

Digamos que, nos tempos que correm e, tendo em atenção que o Lloyds só se aguentou porque o Tesouro britânico lhe deitou a mão em 2008, injetando-lhe 20 mil milhões de libras dos contribuintes (e ficando com uma participação no capital superior a 40%, que tem vindo a reduzir), o montante do prémio que Horta Osório vai receber é, no mínimo, obsceno – ou pornográfico, como preferirem. Mas é o que resulta do contrato que assinou (e onde são estabelecidos seis objetivos para se chegar aos prémios para a equipa de gestão) e dos resultados que obteve: o banco volta a dar lucro (mais de €2 mil milhões em 2014), as ações subiram 193% em três anos, o melhor resultado da Europa e o segundo melhor do mundo, e serão distribuídos €733,7 milhões em dividendos (dos quais 178,3 milhões para o Tesouro britânico).


Quantos despedimentos são necessários para receber um prémio de €15,8 milhões? Pois aqui as contas não enganam: são precisos pelo menos 15 mil despedimentos (e se contarmos com os 9 mil que estão na calha, representam mais de 18% dos trabalhadores que o Lloyds tinha quando Horta Osório chegou ao Lloyds)

Ou seja, como resultado do plano trianual que definiu, Horta Osório voltou a colocar o Lloyds a flutuar, através da venda de mais de 205,7 mil milhões de ativos considerados não estratégicos, do abandono de muitos mercados (o país estava em mais de 30 países, agora está apenas em seis), de redefinições estratégicas (aposta na concessão de crédito às pequenas e médias empresas, na banca de retalho, no crédito à habitação e nos serviços digitais), no fecho de agências (foram encerradas mais de 200) e, claro, em despedimentos. Desde que Horta Osório tomou conta do Lloyds foram despedidas 15 mil pessoas e o programa para os próximos três anos prevê o despedimento de mais 9 mil, num total de 24 mil pessoas, bem como o encerramento de mais 150 balcões.

Parafraseando a pergunta «quantos pobres são necessários para fazer um rico», bem se pode questionar «quantos despedimentos são necessários para receber um prémio de €15,8 milhões» (ou de 30 milhões quando se considera toda a equipa de gestão)? Pois, aqui as contas não enganam: são precisos pelo menos 15 mil despedimentos (e se contarmos com os 9 mil que estão na calha, representam mais de 18% dos trabalhadores que o Lloyds tinha quando Osório chegou).

Não se retira mérito a Horta Osório e à sua equipa. Mas é surpreendente que entre tantos elogios que lhe são dirigidos não se relevem os danos colaterais do seu sucesso. E para quem recebe um salário base de €1,37 milhões por ano e prémios da dimensão atrás descrita, o mínimo que se lhe pode pedir é um pouco de pudor quando vem a Portugal e aproveita para dizer aos portugueses que têm «progressivamente viver dentro das suas posses».

Reprodução
O Mediterrâneo está a transformar-se numa vala comum para os emigrantes que fogem das guerras do norte de África. Perante o drama, a União Europeia reuniu-se em cimeira e decidiu triplicar os fundos financeiros para uma operação militar que resgate os náufragos e que os empurre de volta para os países de origem. A Europa fecha a sua fortaleza.

Quando se perguntar o que faz a Europa perante esta mortandade no Mediterrâneo, lembre-se desta história que lhe vou descrever e da sua moral. É uma história de um caso, um só caso, outros haverá, mas dá que pensar: um dos amigos dos mais respeitáveis líderes mundiais é um dos chefes do terror do Exército Islâmico no norte de África. Em todo o caso, é dele e dessa cultura de morte que os emigrantes fogem. Vão encontrar, do lado de cá, muitos dos amigos e ex-patrões desse chefe do terror e de outros como ele. E são estes amigos e ex-patrões que vão colocar navios de guerra no Mediterrâneo para não deixarem passar as balsas de emigrantes.

O assunto tornou-se notícia porque Abdelkhadim Belhadj foi identificado pela Interpol como um dos líderes do exército do Estado Islâmico, que tem semeado o terror na Síria e no norte de África. Não se surpreenda: como eu até há dias, não sabe quem é este cavalheiro. Pois ei-lo na foto ao lado de McCain, o senador republicano que foi candidato à presidência dos Estados Unidos (e de dois outros senadores), a trocarem prendas. Ou poderíamos vê-lo a ser recebido por Laurent Fabius, ministro dos negócios estrangeiros de Hollande, em maio de 2014. Claro que isso foi no tempo do reconhecimento. Agora, é um dos chefes do Estado Islâmico.

Abdelhakim Belhadj foi treinado pelos homens de Saddam e chefiou depois o Grupo Islâmico Combatente da Líbia, opositor de Kadafi, entre 1995 e 1998, tendo colaborado com os serviços secretos britânicos durante esse período. Mas depois foi para o Afeganistão, apoiando Bin Laden. Diz-se que foi um dos responsáveis do atentado de Madrid em 11 de Março de 2004. Seria preso na Malásia, onde foi interrogado pela CIA e pelos seus antigos patrões. Mas foi libertado em 2010, instalando-se no Qatar, até à queda de Kadafi.

As forças da Nato, que foram decisivas nos meses de guerra e de desagregação do regime líbio, nomearam então Abdelkhadim Belhadj governador militar da capital, Tripoli, apresentando-lhe desculpas pelo interrogatório e prisão pela CIA e pelo MI6. Não demorou muito nesta função (como explica nesta entrevista), porque criou um partido e deslocou-se para a Síria, fundando o Exército Sírio da Liberdade, que recebeu o apoio militar e político dos países ocidentais, na guerra contra o regime dos Assad.

A Interpol identifica-o agora como o chefe do grupo que mais teme: Belhadj terá criado campos de treino do Estado Islâmico em Derna, Sirte e Sebrata, na Líbia, e criado um grupo na Tunísia, em Djerba.

Entrvista concedida, há dois anos, ao "Jornal da Mealhada".


Entrevista a Maria Elisa Ribeiro, pedagoga, poetisa... mulher

08 Mar 2012, 10:40






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"A mulher e o homem completam-se… se o homem não quiser controlar…"

«Acabaram-se os tempos de dizer: “No meu tempo…” Isso acabou! Que se mentalizem os pais e encarregados de Educação que esses tempos de paternalismo acabaram… Hoje, somos forçados a estar junto dos filhos e netos com uma postura que lhes incuta confiança, para que continuem a respeitar-nos, como pessoas do seu tempo.»



Assinala-se a 8 de março, mais um Dia Internacional da Mulher. O Jornal da Mealhada assinala a data com a entrevista (o testemunho?) de uma Mulher no verdadeiro sentido - humanista e literal - do termo. Entrevistámos a mulher, a mãe, a avó, a pedagoga, a cronista, a poetisa, a militante Maria Elisa Ribeiro.

Bairradina, colaboradora do Jornal da Mealhada e mulher activa da nossa comunidade, Maria Elisa Ribeiro falou-nos de passado e de futuro, de Política e de Pensamento, de Arte e de Obra, de Sabedoria e Beleza, com a sensibilidade de alguém que, nas suas próprias palavras, busca a perfeição, a fraternidade, a justiça, a igualdade e a liberdade



Jornal da Mealhada (JM) - Por que causas podem/devem, ou poderiam/deveriam, lutar as mulheres, neste ínicio do século XXI?

Maria Elisa Ribeiro (MER) - A Mulher, como a entendo, não tem o direito de parar de “lutar”! Tal como as nossas antecessoras dignas de serem chamadas “MULHERES”, a luta são sistemática e contínua, em todas as frentes sociais, políticas, humanas, em suma. Continuam por ser cumpridas atitudes relacionadas com a realização feminina, em todos os campos de passível intervenção, onde “os olhos” da MULHER vêem as coisas de modo diferente, mais justo e humano. Devemos continuar a luta pelo reconhecimento de que, como parte pensante e actuante desta Humanidade em que nos integramos, por direito, a mulher é parte indispensável do pensamento, da vida dos seres humanos a quem dá vida, nas horas do parto, é continuidade da espécie humana, motor de amor, em todas as vertentes. Afirmação inequívoca do nosso valor, tão distante e tão próximo da educação judaico-árabe-cristã, essa é, ainda ,a maior luta da Mulher! Depois …daí advirão outras importantes conquistas, sem as quais o mundo não será – NUNCA! - perfeito, fraterno, justo, igualitário, livre…

JM - Ainda há "sufragistas", dispostas a lutar da forma como lutaram as sufragistas do inicio do século XX?

MER - Sim, penso que sim! Não daquelas que despiam o soutien e o penduravam no ar do vento que, a certa altura, varreu o nosso país. E, por conseguinte, já não lhes chamo “sufragistas”… Essas, ligadas aos séculos XVIII e XIX, na história da América, principalmente, foram as verdadeiras “amazonas” do direito da Mulher ao voto. Mas, veja-se o que se passa com as mulheres “acorrentadas” às ideias e vontades dos HOMENS-TIPO-MACHOS de países como as “ARÁBIAS”, o IÉMEN, o IRÃO, o AFEGANISTÃO, o IRAQUE, a ARÁBIA SAUDITA, os outros do mesmo teor educacional, onde, para ir a um BANCO, as mulheres entram por um lado e os machos poderosos por outra… os países onde não podem conduzir um carro, onde não podem consultar um médico…onde não podem aprender a ler, escrever e educarem-se, de acordo com normas humanas… Então, essas mulheres, minhas irmãs de sexo e dor, NÃO SÃO SUFRAGISTAS? quando sabemos que, milhares delas “sonham”…”sonham ,apenas”, as liberdades que as mulheres ocidentais já conquistaram?

JM - Maria Elisa Ribeiro é uma bairradina - apesar de haver quem, no nosso concelho, pense é de outra nacionalidade. De que forma é que o local onde nasceu condicionou a mulher que hoje é?

MER - Sou “bairradina” de gema, de coração e vida. Muitos pensaram que fosse italiana (assim me chamavam os meus alunos, até os esclarecer…). Fui para Itália, embalada por um sonho que tinha a ver com o futuro dos meus filhos… Não deu certo… Ao voltar, fui colocada, como Professora do Quadro, na Escola Secundária da MEALHADA. Apaixonei-me por esta, então, vila, de tal modo que nunca mais daqui saí; aqui comprei casa, aqui me envolvi com as gentes, com os problemas, com a vida local, a nível pessoal, humano e político. Nasci na CURIA. Não tive uma infância feliz. Por isso, desde pequenina muito consciente de que poderia haver “UM FUTURO A CHAMAR PELO MEU CONTRIBUTO”, para além dos sofrimentos a que era sujeita, na AUSÊNCIA DOS MEUS PAIS, EMIGRADOS em São Tomé e Príncipe, fiz os possíveis por me afastar de memórias tristes, estudar, estudar e estudar para lutar contra a predestinação local e ser ALGUÉM.

Na realidade, o local onde nasci condicionou a mulher que hoje sou…porque de lá saí!

JM - Como pedagoga - mais do que professora do ensino primário ou do ensino secundário - marcou uma geração de estudantes, pela forma austera, séria, mas também honesta e dedicada com que dava a Educação e a Instrução necessária. Tem consciência da marca que deixou aos seus alunos? Deixou discípulos?

MER - Tenho plena consciência de que marquei gerações de alunos, que tive a subida honra de acompanhar! Fi-los compreender a importância da Educação e da, consequente, Instrução – ou vice-versa!... Exigi deles o que exigia a mim própria! Nunca ultrapassei esse limite e, ainda hoje, quando me dirigem a palavra sinto como os marquei, no sentido positivo. É claro que tenho a consciência de que ninguém agrada a “gregos e troianos”! Ninguém é perfeito! Mas uma coisa é verdade: nunca revalidei para segundo lugar, um único aluno! Além de alunos, foram todos “meus filhos” pois, nos seus problemas, eu via e vivia os problemas dos meus próprios filhos. Tive a possibilidade de ser portadora de tremendos segredos… coisas tão graves que tentei ajudar a resolver, sem que ninguém se apercebesse disso, pois, tal como hoje, acreditem que a escola pode ser um ringue de boxe!

Se deixei discípulos? Sem dúvida! Muitos dos meus alunos são hoje meus colegas e personalidades importantes, nos contextos diversos da vida do país.

E sinto-os como “discípulos, quando me falam…quando olham nos meus olhos daquela maneira especial, onde eu via o mundo a brilhar…sinto nas suas, as minhas palavras de então… e como os recordo! Que saudades tenho dos alunos que já não voltarei a ter…

JM - Reformou-se, de certa forma, incomodada pelo rumo que estava a levar a gestão da escola pública. É verdade? De que forma se fazia sentir isso na sua acção?

MER - Tinha já 37 anos e tal de serviço quando senti que as ministras de Sócrates, andavam “ao DEUS-dará”, no que concernia à dignidade dos Professores e às expectativas dos alunos. Aposentei-me, plenamente consciente da atitude tomada. Podia continuar… mas nada valia a minha dignidade, a honra de trabalhar sem ter que andar escada acima e escada abaixo, a perder tempo que era precioso para a minha valorização e, consequentemente, para a dos alunos. Estão melhor as ministras… bons “tachos”, super ordenados… mas não têm a paz que me repousa no espírito! Não terão nunca, porque não foram fiéis a si próprias… não fizeram de sua vontade… fizeram a vontade de outros que, afinal, parece que não têm nenhuma Licenciatura! Devo dizer da dignidade de todos os meus colegas ao cumprirem ordens superiores… da dignidade dos seus trabalhos, em favor de uma Escola válida… Pelo que me dizem, hoje, acho que não o conseguiram… por falta de apoio!

JM - É mãe e avó de raparigas. Ser mulher hoje é diferente de quando tinha a idade das suas netas?

Repare que tenho duas netas, de 14 e 17 anos, bem como um neto de 13.

O mundo modificou-se, de tal modo, que é impossível elas, as netas, “sonharem” o que foi a vida da avó… Quando as sento ao pé de mim e conversamos, elas sentem estar a falar com uma pessoa da idade delas… esquecem que sou a avó, porque não deixo que haja uma brecha entre nós… só assim, se pode falar com os jovens! Acabaram-se os tempos de dizer: “No meu tempo…” Isso acabou! Que se mentalizem os pais e encarregados de Educação que esses tempos de paternalismo acabaram… Hoje, somos forçados a estar junto dos filhos e netos com uma postura que lhes incuta confiança, para que continuem a respeitar-nos, como pessoas do seu tempo. O respeito e os valores da sociedade, contudo, partem de casa, do seio da família…Que ninguém se esqueça disso! Ser mulher, hoje, é portanto ser igual a elas (mesmo que mais velha!) porque respeito a época em que vivem e estou a par dos seus problemas…nem imaginam como!

JM - Entre 2001 e 2005 foi eleita deputada na Assembleia Municipal da Mealhada, nas listas do MOI, um movimento independente e de cidadania. Gostou da experiência?

MER - Riquíssima! Adorei estar no meio político, empenhada numa causa justa e de ver tudo quanto se pode fazer “quando a alma não é pequena”. Acima de tudo, tomei contacto com realidades do nosso concelho, boas e más, tomei consciência do que certas pessoas são capazes de fazer pelo poder, conheci todas as nossas aldeias e fiz amizade com gente que não mais me esqueceu. Cansou-me, psicologicamente, o estar na Assembleia Municipal, por me ter apercebido de que as pessoas, muitas delas! têm mais caras do que o feijão frade. Cumpri, sempre que pude, a minha obrigação de estar presente, em respeito a quem, em menos de dois meses, pôs na mó de cima, um Movimento de cidadania, que foi falado em todo o país, também pelos factos rocambolescos que provocou nos adversários mais directos… Fiquei a saber, então, quem eram certos vultos concelhios e nacionais, do chamado Partido Socialista… Experiência enriquecedora!

JM - O mundo seria diferente se houvesse mais mulheres nos cargos de poder?

MER - Sem dúvida! E isto sem querer que me chamem convencida ou feminista! Feminina, sim! Feminista como o que já passou pela nossa sociedade? não!

As mulheres têm outra sensibilidade para certos problemas das sociedades. O Homem é mais racional e a falta de sensibilidade cega-os, por vezes; não pretendo dizer -Deus me livre -! que as mulheres são superiores… não são! A mulher e o homem completam-se… se o homem não quiser controlar… Mas a parte feminina do cosmos “Vê” certos problemas com uns olhos diferentes… menos racionais… Ou seja: a mulher é um válido contributo para o equilíbrio do mundo!

JM - Nas primeiras eleições democráticas para o poder local, em 1976, o Municipio da Mealhada tinha uma presidente da Câmara e uma presidente de Junta de Freguesia. Depois delas, a Câmara esteve vinte anos sem um vereador do sexo feminino e nunca mais teve presidentes de junta mulheres. Hoje temos, apenas, três vereadoras - graças às quotas - e quatro deputadas municipais em 31 lugares. O que é que se passou?

MER - Estamos a falar do Concelho da Mealhada, um Concelho do interior, onde a vida, em termos políticos, é vivida no masculino. As mulheres, infelizmente, ainda não têm a justiça do descanso! Chegam do trabalho, extenuadas e com as tarefas domésticas para cumprirem, não só as do dia, mas também a preparação das do dia seguinte. É compreensível que se afastem da política… Os governos, por outro lado, dominados por homens, não criam condições para que as mulheres tenham outra visão dos problemas do país. A sociedade é, e será por muito tempo ainda, machista… Aos homens não interessa que as mulheres participem activamente nas tarefas da condução de um país. Recorde, Dr., as recentes afirmações do Cardeal Monteiro de Castro, ao PÚBLICO ONLINE DE 17/02/012…”…a função essencial da mulher é a “ educação dos filhos…” ESSENCIAL, repare… Mas esse discurso, vou guardá-lo para outra ocasião, se me permite, pois diz muito daquilo de que lhe falava no princípio desta entrevista, sobre a educação-judaico-árabe-cristã…

A falta de mais mulheres na política não se resolve com essa história das “quotas”… As senhoras não são peças de venda nos negócios!

JM - Éramos mais progressistas em 1976 do que somos hoje?

MER - Éramos, enganadoramente, progressistas! Éramos um povo saído de um período obscurantista que tinha, em muitos casos, a ideia de que ser progressista era ser mal educado com senhoras, jovens e velhos… Hoje, que somos “progressistas”, o país voltou para a Idade Média do obscurantismo, novamente. Não há dinheiro,”saquearam-no” de tal modo que não nos podemos dar ao luxo de ser “P’ra frente”, não há humanismo, justiça é para quem a paga e o povo não pode… saúde é para quem tem dinheiro e benesses sócio-políticas… o povo morre “como tordos”… PROGRESSISTAS? VALHA-ME DEUS… Progressistas, hoje, são os meninos barbudos do CDS que dizem aos portugueses que, se não estão bem, que emigrem!

Tenho fé, no entanto, que voltemos a ser aquele povo desejoso de Justiça, que aderiu à Revolução dos cravos, agora tão murchos que dá pena…

JM - Apesar de ter dedicado a sua vida ao ensino e ao estudo da Língua portuguesa, a descoberta da Poetisa Maria Elisa Ribeiro foi tardia. A que se deveu isso?

MER - Bem…a POESIA foi sempre uma realidade da vida da PROFESSORA… Todos os meus livros estão cheios de versos que surgiam, à margem, como rasuras… Sempre usei as SENSAÇÕES para dar aulas… consegui pôr alunas a escrever poesia, alunas que detestavam os textos poéticos! Não tive, foi Tempo, ao longo de todos estes anos de docência, de me dedicar por inteiro à obra poética… Havia aulas para preparar, centenas de testes para corrigir, leituras de pesquisas a fazer, trabalhos para ver… O trabalho foi para mim, tão absorvente, que nunca me pude sentar à secretária, em casa, com a disposição de escrever o que sentia. O meu dever para com os meus alunos estava em primeiro lugar, pois o Futuro deles dependia, em grande parte, do que eu fosse como Professora de Português e Literaturas. Com a aposentação, dei conta , certo dia, de que estava a escrever Poesia… e foi uma revelação ver surgir, nesse dia, um conjunto de 17 poemas, diferentes em forma e temática, que me deixou… impressionada comigo! Aí, pensei. ”Ora cá está o gosto tremendo e espectacular por todos os poetas que estudei e ensinei!” A partir daí, não mais parei e tenho, neste momento, várias centenas de poemas para passar, no PC! Hoje, corro os livros à procura dos versos que escrevi, rasurados, nas margens das notas dos mais usados… É como aquela sensação de encontrar uma nota de 10 Euros num sítio, de repente, sem contar…

JM - Alguns dos seus poemas são profundamente eróticos. Concorda com a afirmação de que a sua poesia é extraordinariamente feminina? Há uma poesia feminina?

MER - Engraçado que ainda ontem estive a ler um texto de DERRIDA e de JÚLIA KRISTEVÁ sobre esta pergunta que acaba de me fazer! É claro que há uma poesia feminina! Como já lhe disse, noutro contexto, as mulheres têm outra sensibilidade. Sinto que sim, que a minha poesia é extremamente feminina! Escrevo SENSAÇÕES, SENTIDOS…porque o ser humano é matéria e é espírito. Não sou, de modo nenhum, uma poetisa erótica…falo dos meus sentidos e exponho-os em cada poesia como se de uma tela impressionista se tratasse…Talvez, sensual, com elegância de termos que sugerem mais do que dizem…Mais do estilo FLORBELA ESPANCA que NATÁLIA CORREIA…Um pouco FIAMA HASSE …mas mais Mª ELISA RIBEIRO! O AMOR move a nossa vida…não vivemos sem ele…demonstro que não é possível ser feliz sem a integralidade do HOMEM-SER-COSMOS! Se demonstro carência afectiva? Com toda a certeza! Não tive pais que me educassem e dessem amor…não fui feliz no casamento do qual, apesar de tudo, trouxe dois seres maravilhosos, que são os meus filhos… Isso é tudo? Não…então vivo sonhos na poesia! Mas não pense que não trato outros temas… Lá está a SAUDADE, o MAR, a Morte de Cristo, o amor a NOSSA SENHORA, a Infância…o monte, as flores, as aves…faço da Poesia o depositário fiel das minhas ânsias, dos meus desejos, dos meus sonhos. Não pretendo fingir…é impossível não ser como sou, porque eu sou a minha poesia e a minha poesia é O QUE SOU…

JM - Para quando um livro de poemas de Maria Elisa Ribeiro?

MER - Não sei…não vendo “a alma” por 5%, que algumas editoras oferecem…Estou a ser avaliada por várias Editoras…Vejamos…A vontade é grande…Vejamos se o sonho se cumpre. Entretanto, nesse aspecto, ele é “a bola colorida/ entre as mãos duma criança.”

JM - A sua prosa e a sua poesia têm uma grande aceitação na internet, nomeadamente nos seu blogue (http://lusibero.blogspot.com) e na edição online do Jornal da Mealhada. A que se deve isso?

MER - Penso que os amigos, quer do blog quer do FACEBOOK, pelo que afirmam nos comentários, se identificam com o modo como escrevo…com esta naturalidade da expressão de sentimentos… vêem a ALMA da mulher-poetisa que se desnuda, espiritualmente…vêem a genuinidade e não a falsidade…e como o Dr. Nuno já pôde ver acham genuína e diferente a poesia que faço…É impossível meter versos sobre versos, sem sentir o que eles dizem…O POETA é o dono da sua própria Mensagem…A Mensagem é a verdade-do-mundo-em-que-sou…

JM - Já escreveu vários textos no Jornal da Mealhada sobre "As Mulheres na História". Quem é a mulher que mais a marcou na sua vida?

MER - Uma pergunta, particularmente difícil. Não sou capaz, no contexto histórico, de encontrar uma mulher que me marcasse, porque seria impossível…Seria uma mulher perfeita e perfeito não há ninguém…Há muitas que admiro , mas não há uma que destaque…Todas as mulheres dedicadas a causas nobres do engrandecimento do mundo, me põem em suspenso, a respiração.

JM - É a mulher que gostaria de ter sido?

MER - Não… e sim… É difícil responder, de modo linear, a essa questão… Fui muitas coisas que queria ser… Não fui outras… A vida continua e eu continuo aquela especial procura do que ainda não pude encontrar…

Boa tarde, meus amigos!


O NEPAL, ANTES E DEPOIS DO TERRAMOTO


Há um antes e depois do sismo para o património do Nepal


JOANA AMARAL CARDOSO

27/04/2015 - 17:56


Pelo menos quatro dos sítios classificados como Património da Humanidade pela UNESCO foram atingidos. Templos, pagodes e outro edificado centenário reduzidos a escombros.





A torre Dharhara, na praça Durbar de Katmandu, colapsou
DEVENDRA M. SINGH E PRAKASH MATHEMA/AFP








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O devastador sismo que atingiu sábado o Nepal matou mais de 3700 pessoas e deixou mais de 6500 feridos, mas os danos patrimoniais que causou destruíram também parte da memória do país. Pelo menos quatro dos sete locais classificados como Património da Humanidade pela UNESCO foram atingidos e alguns dos monumentos mais importantes do Nepal estão agora reduzidos a escombros.

O símbolo imediato da destruição causada pelo sismo de magnitude 7,8 na escala de Richter, no sábado, é a histórica torre Dharhara (1832), em Katmandu – agora uma pilha de escombros de tijolo com apenas alguns pedaços da sua estrutura branca visíveis, antes uma obra encomendada pela rainha e um promontório há dez anos reaberto ao turismo ao qual se acedia por uma escada em caracol. Com 60 metros de altura, nela morreram pelo menos 60 das perto de 200 pessoas que lá ficaram presas durante o sismo, que há muito se temia que pudesse atingir violentamente a zona oeste do pequeno país devido à sua posição tectónica de risco. Restam apenas, de acordo com a agência de notícias Reuters, dez metros irregulares do edifício que tinha nove andares e um minarete de bronze datado do século XIX.

Na praça da torre, o sismo, cujo epicentro se situou a 50 kms de Katmandu, destruiu ainda o templo a Shiva, um pagode majestoso também conhecido como Maju Deval, e outro pagode menor, o Narayan, relata a CNN. Que descreve ainda como agora, entre os destroços e as pedras, um buldózer trabalha entre “testemunhas chocadas e tristíssimas e um sentido de perda insubstituível visual e espiritual”. Locais de culto, mas também de reunião, de comércio local ou de peregrinação para turistas, estes dois templos foram arrasados enquanto outros elementos da praça monumental parecem ter resistido, como é o caso das casas-templo dedicadas a Kumari e a Shiva-Parvati, relata o canal de notícias norte-americano.

Já no sábado, o New York Times dava conta da violência com que foram atingidos quatro dos sete sítios classificados como Património Mundial da Humanidade – o templo de pedra em forma de búzio na praça Durbar de Bhaktapur, a escassos quilómetros da capital, toda a praça do século III Durbar em Patan, pavimentada com tijolos vermelhos, a praça Durbar de Basantapur, onde vivia a família real nepalesa até ao século XIX e por fim um dos mais antigos monumentos budistas nos Himalaias, a stupa de Boudhanath – as stupa são estruturas circulares que albergam relíquias budistas. Esta última, que é não só um santuário budista mas também um local onde convergem refugiados tibetanos, está no entanto envolta em relatos contraditórios. O diário canadiano National Post corrobora o New York Times, escrevendo que ficou praticamente destruída, só restando a sua cúpula, mas a CNN indica esta segunda-feira que foi uma stupa próxima que foi arrasada.

No mesmo local, a CNN faz o apanhado do que terá resistido: o templo Sundari Chowk, o Krishna Mandir (1637), o Bishwa Nath Mandir (século XVII) , guardado por elefantes de pedra, e o pagode Bimsen Mandir (século XVII).


As imagens partilhadas no Twitter por nepaleses e estrangeiros no Nepal mostram isso mesmo: a praça Durbar de Basantapur arrasada, dois dos seus templos são uma pirâmide de escombros. “Parte-me o coração”, twitou o utilizador Funny Gooner. Já a praça de Patan mostra apenas toros de madeira e parte de um pagode de pé, sendo que a estátua dourada do rei Bhupatindra Malla que ali ficava foi também reduzida a pó. A jornalista e realizadora Subina Shrestha, que vive em Katmandu, escreveu esta segunda-feira no Twitter que em Patan são os jovens da cidade que estão a proteger o património arquitectónico. "Não há autoridades para tomar conta da situação", nota.


Katmandu fica no sopé dos Himalaias, um vale onde se concentram os sete locais Património da Humanidade que agregam vários conjuntos e complexos monumentais que são testemunhos do cruzamento de várias civilizações e religiões – do budismo ao hinduísmo, passando pelo tantrismo ou pelo edificado dos Newar (indígenas do vale de Katmandu).


A UNESCO destaca os três palácios históricos em Katmandu, Patan e Bhaktapur, os dois centros hindus (Pashupatinath e Changu Narayan) e os dois centros budistas (Swayambunath e Boudhanath). Já se sabe que as praças Durbar – o nome dado às praças fronteiras a templos no Nepal – das povoações de Katmandu, Patan e Bhaktapur foram afectadas. Só em Katmandu, a Durbar concentra o complexo de Hanuman Dhoka, que inclui o Palácio Real dos reis Malla e da dinastia Shah. Dos complexos religiosos destacam-se, em Swayambhu, o mais antigo monumento budista do vale, uma stupa; em Bauddhanath está a maior stupa do país. Já em Changu Narayan fica um povoado tradicional Newar e também um exemplar, num templo hindu a Vishnu, de uma das mais antigas inscrições da região, datadas do século V. No que toca a Swayambunath, um mosteiro no cimo de uma colina nos arredores da capital e que é conhecido como o “Templo dos Macacos” devido à colónia de animais que ali reside e que atormenta os visitantes, bem como ao templo hindu de Pashupatinath, ainda não se sabe se sofreram danos.


A fragilidade destas estruturas é clara na descrição feita pela UNESCO dos materiais que a compõem: templos “feitos de tijolo cozido, tijolo de adobe [cozido ao sol] e estruturas de madeira”; os povoados Newar são descritos como “únicos” pela sua “ornamentação intrincada” em “tijolo, pedra, madeira e bronze”, exemplos “marcantes” de manufactura e artesania.

Em Maru, também na zona de Katmandu, o templo de Kasthamandap, um dos mais antigos pagodes do Nepal, é agora apenas uma pilha de madeira e pedra. “Estava a acontecer uma campanha de doação de sangue; o sismo aconteceu, aprisionando/matando pessoas”, relatava Kashish Das Shrestha no Twitter no sábado.

“É uma perda irreparável para o Nepal e para o resto do mundo”, disse à AFP o responsável pelo departamento de História e Arqueologia da Universidade de Madras. “O restauro completo não é possível devido aos extensos danos nos locais históricos do Nepal”, atestou P.D Balaji.

No sábado, a directora-geral da UNESCO tinha já enviado condolências e assinalado a perda de vidas e também os “extensos danos, incluindo nos monumentos históricos e edifícios no sítio Património da Humanidade do Vale de Katmandu”, prometendo que a agência das Nações Unidas está a postos para “ajudar o Nepal a reconstruir e a fortalecer a sua resiliência”.

Um homem doente...


Carrilho condenado por difamação por ter dito que padrasto da apresentadora a teria violado


MARIA JOÃO LOPES

27/04/2015 - 22:08


Advogado do professor universitário ainda poderá recorrer da decisão.




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O professor universitário Manuel Maria Carrilho foi condenado nesta segunda-feira a uma pena de multa de cerca de 6 mil euros, por três crimes de difamação, e ainda a uma indemnização por danos morais no valor de 25 mil euros. Em causa estavam declarações proferidas em órgãos de comunicação social, nas quais o ex-ministro da cultura afirmava que o padrasto da ex-mulher, a apresentadora Bárbara Guimarães, a teria violado quando ela era jovem.

A advogada Cristina Pombo, que representa o ex-padrasto de Bárbara Guimarães neste processo, mostrou-se “satisfeita” com a decisão do tribunal. Porém, apesar da sentença condenatória, Cristina Pombo lamenta que, ainda assim, tal não tenha o mesmo impacto público que tiveram as declarações reproduzidas nos órgãos de comunicação social: “Lamentamos que a reposição da honra não tenha o mesmo impacto público que teve a devassa”, afirmou aos jornalistas.

O teor da sentença foi confirmado ao PÚBLICO pelo advogado de Manuel Maria Carrilho, Paulo Sá e Cunha. Questionado sobre se pretende recorrer da decisão, o advogado explicou que nesta segunda-feira foi apenas lida a decisão no tribunal e que decidirá quando a ela tiver acesso: “Primeiro vou ter de ler [a sentença], só depois decido”, disse ao PÚBLICO.

A decisão de primeira instância do tribunal da comarca de Lisboa condenou o professor de filosofia a uma pena de multa de 320 dias à taxa diária de 20 euros por dia, o que perfaz 6400 euros, valor ao qual se terão de somar ainda os custos do processo. Além disso, Manuel Maria Carrilho foi também condenado a uma indeminização cível no valor de 25 mil euros, por danos morais. A advogada do padrasto de Bárbara Guimarães terá pedido 260 mil euros de indemnização, não só por danos morais, mas também patrimoniais.

Manuel Maria Carrilho estava acusado de sete crimes de difamação com publicidade – por estarem em causa declarações proferidas em órgãos de comunicação social. Inicialmente chegou a estar acusado de oito crimes de difamação, mas no final o Ministério Público acabaria por retirar um deles. Acabou condenado por três crimes que ficaram provados, respeitantes a declarações que o ex-ministro socialista fez em três órgãos de comunicação social e que terão sido dadas como falsas.

Contactado, o representante de Bárbara Guimarães sublinhou que a apresentadora não faz quaisquer declarações sobre a decisão judicial, remetendo apenas para as declarações proferidas pela advogada do ex-padrasto. O PÚBLICO tentou também contactar Manuel Maria Carrilho, por telefone e por mensagem, mas não obteve resposta. Com Mariana Oliveira

Através de Carlos Tomás, in !Notícias sem Censura"



CASO MADDIE: O que a Judiciária não disse – Ah pois é!!!

Situações investigadas pela PJ não estão no relatório entregue ao Ministério Público. Provas mal recolhidas, versões contraditórias e testemunhas por ouvir, houve de tudo um pouco no caso Maddie. Gonçalo Amaral não tem dúvidas de que a política mandou nas investigações

por Carlos Tomás (jornalista, quando me deixam)

O relatório que a Polícia Judiciária entregou ao Ministério Público e que esteve na base do arquivamento do caso Madeleine McCann, desaparecida de um apartamento da Praia da Luz, em Lagos, Algarve, a 3 de Maio de 2007, omitiu dados importantes relacionados com a investigação. Esta é a ilacção que se pode tirar das informações constantes no livro escrito pelo ex-coordenador operacional da PJ nomeado para dirigir as investigações do caso Maddie, Gonçalo Amaral. O 24horas comparou as duas versões e são muito diferentes.

O relatório que a PJ entregou oficialmente ao Ministério Público salienta que a relação com as autoridades estrangeiras, nomeadamente com as inglesas, sempre foi excelente. Gonçalo Amaral, na PJ desde 1982 e quase a completar 49 anos, tem uma opinião diferente. Segundo ele é verdade que a colaboração com os britânicos foi boa, mas só até os McCann terem sido constituídos arguidos no processo. A partir dessa altura “de forma inexplicável”, as relações entre a PJ e as autoridades inglesas esfriaram e os entraves à investigação começaram a aparecer.

De acordo com o antigo responsável pelo Departamento de Investigação Criminal de Portimão da PJ, não há dúvidas: Maddie morreu no interior do apartamento onde os McCann se encontravam hospedados, no complexo turístico Ocean Club. O relatório oficial diz outra coisa: “Não se sabe o que aconteceu naquele dia, nem onde se encontra a menina”.

Mas as críticas do ex-responsável da PJ vão mais além e não poupam os próprios colegas: “O piquete da PJ que foi enviado para o local agiu mal. A reportagem fotográfica e as filmagens efectuadas não retratam o ambiente que se vivia na altura da sua chegada ao local. O relatório elaborado pela equipa diz que os gémeos se encontravam a dormir nos seus berços, mas as fotos mostram os berços vazios e sem lençóis ou qualquer outra roupa de cama. Só aparecem os colchões. A casa estava cheia de gente e nas fotos não aparece uma única pessoa. Houve claramente um desrespeito pelas formalidades a cumprir neste tipo de casos.”

Sobre este aspeto, o relatório da PJ apenas admite que o local foi contaminado. Porém, Gonçalo Amaral salienta que se as pessoas que se encontravam no local tivessem sido fotografadas isso permitiria uma análise às roupas que vestiam e compará-las com eventuais descrições de suspeitos vistos nas ruas da Praia da Luz com uma criança ao colo.

Apartamento não foi arrombado
O relatório da Judiciária não o refere concretamente, mas admite que, a confirmarem-se as visitas aos apartamentos onde as crianças dormiam de 30 em 30 minutos, seria quase impossível um estranho ali ter entrado e saído por uma pequena janela sem que ninguém o visse.

Gonçalo Amaral, no seu livro “A verdade da mentira”, vai mais longe: “A casa não tinha qualquer sinal de arrombamento e a única impressão digital que foi encontrada na referida janela pertencia a Kate Healy.” Ou seja, a janela que a mãe de Maddie disse estar fechada e que encontrou aberta não tinha quaisquer sinais de ter sido forçada. Os McCann disseram que os estores estavam fechados e depois subidos, mas isso, segundo a investigação determinou, só seria possível através do interior da casa.

A Judiciária também não alude a este pormenor no seu relatório oficial, embora confirme que a impressão digital recolhida na janela era de Kate. Gonçalo Amaral acrescenta que também foi recolhida uma impressão palmar que pertencia… a um agente da própria PJ que não usou luvas na recolha de provas.

E a PJ não explica, no seu relatório final, por que motivo as roupas dos McCann e dos filhos não foram de imediato confiscadas para análise laboratorial. Gonçalo Amaral diz no livro que tal foi inviabilizado porque os McCann, naquela altura ainda não eram suspeitos e se estava a apostar na tese de rapto. Só meses mais tarde é que essa diligência aconteceu, mesmo assim com resultados positivos para a investigação.

Pistas por explorar
A PJ admite oficialmente que a recosntituição dos acontecimentos de 3 de Maio de 2007 teria sido fundamental para a investigação. Com a reconstituição dos factos, as autoridades queriam apurar várias coisas, nomeadamente determinar exactamente a que distância Jane Tanner passou por Gerry McCann e o amigo com quem ele se encontrava a conversar, Jeremy Wilkins, na rua que dá acesso ao apartamento onde a menina estaria a dormir. Jane disse que viu um homem com uma criança ao colo junto ao apartamento onde os McCann se encontravam instalados. A rua tem cerca de dois metros de largura e é mal iluminada. A PJ continua sem perceber como foi possível Jane ter passado pelos dois homens sem que estes a tenham visto, nem ao suposto raptor.

Gonçalo Amaral não tem dúvidas de que todos os elementos do grupo que jantou no Tapas Bar prestou falsas declarações, mas lamenta que a reconstituição não tenha sido feita apenas porque, diz a PJ, os amigos dos McCann não aceitaram vir a Portugal. O coordenador é da opinião que tal diligência poderia ter sido feita apenas com a presença dos pais de Maddie.

Ainda segundo a PJ, não se sabe o que aconteceu entre as 17h30 e as 22h00 do dia 3 de Maio de 2007 e os pais terão sido as últimas pessoas a contactar com a menina. Gonçalo Amaral, no seu livro, desmente a teoria. Segundo ele, às 19 horas desse dia David Payne, que organizou a viagem turística a Portugal, terá estado meia-hora no apartamento dos McCann cerca das 19 horas. O motivo da visita permanece um mistério, mas terá sido ele a única pessoa exterior à família McCann a ver Maddie.

Outra pista que ficou por explorar prende-se com um casal polaco que foi visto com uma criança semelhante a Maddie a circular no Algarve. A PJ tentou seguir-lhes o rasto, mas acabou por o perder, uma vez que o casal regressou à Polónia e as autoridades locais nada conseguiram fazer. A pista permanece, no entanto, em aberto.
Numa coisa o livro de Gonçalo Amaral e o relatório da PJ são consensuais: houve milhares de denúncias de supostos avistamentos de Maddie em várias partes do mundo. Todos eles foram investigados e revelaram-se infundados.

Registos telefónicos apagados
Trata-se de outra surpresa no livro lançado por Gonçalo Amaral e que levou à sua desgraça. Afinal a PJ conseguiu ter acesso aos registos telefónicos dos McCann, mas, para espanto das autoridades, nenhum deles utilizou os telemóveis durante a semana de férias que gozou em Portugal. A única chamada que aparece é de Gerry para Kate, às 23h17 do dia 3 de Maio – Madeleine já tinha desaparecido -, mas curiosamente tal registo apenas consta no telemóvel de Kate e não aparece no pertencente a Gerry.

Gonçalo Amaral não tem dúvidas que os registos foram apagados. O relatório da PJ nada refere sobre este facto. O ex-coordenador da PJ diz ainda que os ingleses escutaram os McCann, mas nunca forneceram informações à PJ e lamenta que um juiz de turno do Tribunal de Portimão não tenha autorizado escutas aos McCann. Também nisto o relatório da PJ é omisso.

O mistério da família irlandesa

É uma espinha atravessada na garganta de Gonçalo Amaral, até Outubro de 2007, pelas investigações relacionadas com o caso Maddie. Curiosamente, apesar da sua aparente importância, estas diligências também não são referidas no relatório final elaborado pela PJ e enviado para o Ministério Público, que ditou o arquivamento do mediático caso. Tratam-se de testemunhos de uma família irlandesa que garante ter visto um homem com uma menina parecida com Maddie numa das ruas da Praia da Luz.

De acordo com Gonçalo Amaral, após ter conhecimento do desaparecimento de Maddie através dos órgãos de Comunicação Social, a família irlandesa comunicou às autoridades locais que tinha visto um homem na rua, com uma criança ao colo, loira, com pijama cor-de-rosa e braços caídos. A descrição que os irlandeses efectuaram corresponde à roupa que Maddie vestia na noite em que desapareceu e a descrição do homem a Gerry McCann. O chefe de família irlandês e dois filhos vieram a Portugal em segredo e foram interrogados pela PJ, reforçando a tese de que a menina que seguia ao colo do homem era Maddie e que quem a transportava era… o pai. Esteve marcada uma segunda inquirição aos irlandeses (família Smith), mas, com o afastamento das investigações de Gonçalo Amaral, a diligência nunca foi realizada e os Smith caíram no esquecimento.

De Thomas Piketty, economista francês, ontem, em Portugal!


ENTREVISTA
"A dívida de Portugal vai ser reestruturada. É tão simples quanto isso"


BÁRBARA REIS e SÉRGIO ANÍBAL

28/04/2015 - 00:24


Thomas Piketty é visto como o "economista da esquerda", mas repete que "há questões que estão para além da esquerda e da direita". Critica as "más instituições" e "más decisões" da Europa, que criou "uma crise a partir do nada".




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"Os governos europeus estão a falar muito e a fazer muito pouco"


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Há dois anos, Thomas Piketty saltou com o seu livro “O Capital no Século XXI” para linha da frente do debate económico mundial. À esquerda aplaudiu-se a forma como colocou o dedo na ferida da desigualdade. À direita colocou-se em causa a metodologia e as soluções, que incluíam aumentar fortemente os impostos sobre os mais ricos. Mesmo depois de sujeito a um dos escrutínios mais apertados alguma vez feito a um economista, Piketty continua a dizer que nada mudaria nas suas conclusões.

Esta segunda-feira esteve em Portugal. Participou numa conferência na Fundação Calouste Gulbenkian e encontrou-se com vários líderes políticos. Todos à esquerda, incluindo António Costa e Sampaio da Nóvoa. Ao PÚBLICO disse que aumentar os impostos sobre os mais ricos não é a prioridade para a Europa, defendeu que a preocupação deve ser o combate ao desemprego e caminhar para um imposto comum sobre as empresas. Em relação à Grécia e Portugal, diz que o caminho a seguir para resolver o problema da dívida é mais inflação e uma reestruturação.

Tornou-se uma estrela pop da noite para o dia, o seu livro O capital no século XXI vendeu mais de 1,5 milhões de exemplares. Em que é que a sua vida mudou?
A minha vida não mudou muito, sou apenas mais um académico, continuo a dar aulas em Paris, a escrever livros. O sucesso do meu livro mostra que há uma procura grande em muitos países para a democratização do conhecimento económico. Muitas pessoas em Portugal, França, Japão, Brasil, China, estão cansadas de ouvir que “isto é demasiado complicado” e que as questões da economia e das finanças devem estar nas mãos de um pequeno grupo de peritos que sabem o que se deve fazer. O que tento mostrar é que a história da riqueza, da desigualdade e da dívida pública não é apenas história económica, mas também história política, social, cultural. Há sempre alternativas. Quando se olha para a história da dívida pública, há muitos exemplos de dívidas públicas ainda mais elevadas do que as de hoje, de 200% do PIB, na Alemanha e França no século XX, no Reino Unido no século XIX. Houve sempre diferentes formas de lidar com isto. Não é verdade que não há alternativas. Não há soluções fáceis. Todas as soluções são difíceis.

A revista Time considerou-o uma das pessoas mais influentes do mundo, ao pé de Marine le Pen, Obama e o Papa. Sente que está a mudar o mundo?
Prefiro a comparação a Obama, e entre o Papa e Le Pen, o Papa! Isto é apenas um livro, sejamos modestos. A democratização do conhecimento económico pode contribuir para a democratização da economia e da sociedade, mas isto é apenas um livro.

Já viu algumas das suas ideias serem posta em prática por governos?
Somos todos parte do debate político. Quando estive no Chile, a Presidente Michelle Bachelet disse-me: “A reforma fiscal que estou a fazer é directamente inspirada no seu livro.” Não me parece. A Bachelet está a fazer uma boa reforma, mas provavelmente tê-la-ia feito com ou sem o meu livro. O livro não é: “Aqui está a solução!” O livro quer que cada um tire as suas conclusões. Temos de ter uma opinião mais informada.

Ainda agora, o líder trabalhista britânico, Ed Miliband, “substituiu Keynes por Piketty”. Teve um papel directo nesta mudança?
É preciso mais tempo para os livros terem esse tipo de efeito. Sou parte da conversa global. O que escrevo pode contribuir, mas estas discussões já existiam nestes países antes de o livro sair. O Reino Unido é um caso interessante: quando o anterior governo trabalhista introduziu um “imposto sobre mansões”, há cinco anos, os conservadores de Cameron, que estavam na oposição, começaram por dizer que era um erro. Mas quando foram para o poder introduziram um imposto ainda mais alto do que o dos trabalhistas. Há questões que estão para além da esquerda e da direita. Quando temos propriedades que valem milhões e pessoas "sentadas" em cima delas e, no outro lado da sociedade, jovens com níveis de desemprego altíssimo, é uma questão de bom comum dizer que vamos tentar reduzir os impostos dessas pessoas e aumentar os impostos dos grandes proprietários.

Reuniu com Miliband recentemente?
No ano passado.

Esta mudança recente nos trabalhistas nasceu aí?
Não me parece. Todos temos um pouco de influência. Esta é uma das coisas bonitas da democracia. Nunca sabemos quem teve que influência. E não estou à procura disso. Não se escreve um livro para um primeiro-ministro ou para líderes. Escrevemos livros para quem lê livros. Se os políticos lêem livros, óptimo. É bom para eles e é bom para nós. O mais importante é quando oiço pessoas dizerem-me que normalmente não lêem livros académicos, grandes, cheios de quadros e notas de rodapé, e que compreenderam tudo o que leram.

Educar os políticos…
Os políticos são escravos da opinião pública. Por isso o importante é contribuir para transformar a opinião pública dominante, mais do que convencer os políticos.

O seu livro foi muito lido e gerou um enorme debate nos EUA sobre desigualdade. Vêm aí novas presidenciais. Acredita que a América vai alguma vez mudar neste aspecto?
Nos EUA há uma grande preocupação com a crescente desigualdade. A América tem uma história mais complexa da desigualdade do que normalmente pensamos: os EUA inventaram formas muito progressivas de taxar riqueza no período entre as guerras mundiais. Entre 1930 e 1980 a taxa de imposto mais alta aplicada aos ricos foi em média de 82%. Isto não acabou com o capitalismo americano. Depois de Reagan isto mudou e os EUA deixaram de ser progressistas nesta matéria. Agora, estão numa fase talvez semelhante à fase entre as guerras e sentem que a desigualdade foi longe de mais. Cada país tem a sua história. Estas coisas podem mudar mais depressa do que pensamos. Todos concordamos que é justificável existir algum tipo de desigualdade. A questão é quando a desigualdade se torna excessiva. Os EUA podem estar a chegar a um momento de viragem.

Já se reuniu com a equipa de Hillary Clinton?
Sim, reuni-me com pessoas que trabalham com Hillary Clinton e também com Elizabeth Warren, outra possível candidata democrata às presidenciais. Uma das grandes questões em que ela está a trabalhar, e que poderá ser agarrada por Hillary, é a dívida dos estudantes: reestruturar as dívidas das propinas. Devemos reestruturar a dívida da Grécia ou de Portugal? E a das pessoas?

Em França, o Presidente Hollande aplicou a sua ideia da taxa sobre os ricos, mas a seguiu deixou-a cair. O que falhou, os políticos ou a política?
O governo, que não tinha um plano claro e coerente em termos de reforma fiscal. O problema é que durante a campanha Hollande foi muito vago sobre o que iria fazer em termos de impostos se ganhasse as eleições. Depois houve, enfim, muita improvisação. Nos primeiros dois anos no poder, aumentaram muito os impostos. Não tanto em relação a esse imposto dos 75% – porque isso afecta apenas uma pequena parte da população – mas o IVA, que antes diziam que nunca o fariam, e o imposto sobre o rendimento, que não tinham anunciado que iam fazer. O que aconteceu foi que os impostos aumentaram muito entre 2012 e 2013 e o resultado foi um crescimento muito baixo da economia. Começou com Sarkozy e continuou com Hollande. Ambos optaram por aumentos excessivos de receitas de impostos. Sabemos porquê: ambos queriam reduzir o défice muito depressa, seguindo as ideias de austeridade que dominaram a Europa em 2011/2012. A consequência foi matar o crescimento. Que em França e na zona euro foi perto de zero. E o que vimos é que quando temos crescimento baixo e desemprego alto não conseguimos reduzir o défice e a dívida pública. Hoje a situação na zona euro é muito má porque tomámos decisões erradas em 2011 e 2012. Se compararmos com os EUA, a diferença é muito clara: em 2010, os EUA e a Europa tinham a mesma taxa de desemprego, défice e dívida pública. Cinco anos depois, o desemprego desceu nos EUA e aumentou imenso na Europa. Porquê? Porque tentámos reduzir a dívida pública demasiado depressa. Claro que temos de reduzir a dívida, mas se o fizermos muito depressa, matamos o crescimento.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

MUNDOCIÊNCIA



30 raros e deslumbrantes fenOmenos naturais
Curiosidades, Lugares 6 de abril de 2015 Lucas


Nosso planeta é mais bizarro e bonito do que você pode imaginar.

1. Relâmpagos vulcânicos acontecem quando um raio é produzido em uma pluma vulcânica.



Eles se parecem com a entrada para o inferno!



2. Mas aqui está a verdadeira porta para o inferno, uma cratera no Turcomenistão que está em chamas desde 1971.



3. Bolhas de gelo inflamáveis: bolhas congeladas de metano, presas debaixo do Lago Abraão, no Canadá.



4. Relâmpago do Catatumbo, na Venezuela: esse fenômeno ocorre durante 140-160 noites por ano, 10 horas por noite e até 280 vezes por hora.



5. Caranguejos vermelhos da Ilha de Natal: Todo ano, aproximadamente 43 milhões de caranguejos migram para colocar seus ovos no mar. A maioria das estradas são fechadas pelas autoridades durante a migração, que geralmente acontece por 7 dias.



6. Todo ano, milhões de borboletas monarcas migram do Canadá e EUA para o México, criando essa cena surreal.





7. Eu decididamente não gostaria de viver perto de Wagga Wagga, na Austrália. Quando chove muito, milhares de aranhas cobrem os campos com teias de aranhas.



8. Círculos de Fadas da Namíbia: sua origem é desconhecida, mas acredita-se que os responsáveis por esses curiosos círculos são cupins de areia.



9. Nada de alienígenas! Esses desenhos submersos perto da costa do Japão são criados por um baiacu macho, a fim de atraia fêmeas.



10. Essas rochas esféricas na Nova Zelândia foram criadas pelo acúmulo de sedimentos que se juntaram no fundo do mar por mais de 60 milhões de anos.



11. O Grande Buraco Azul de Belize: com seus 300m de diâmetro, 124m de profundidade e sua forma circular quase perfeita, o Grande Buraco Azul é um grande abismo submerso.



12. Milhares de estorninhos criam padrões incríveis em áreas do Reino Unido pouco antes do pôr do sol durante o meio do inverno.



13. Isso é o que acontece quando milhões de sardinhas migram para o norte ao longo da costa leste da África do Sul.





14. A Calçada dos Gigantes, na Irlanda do Norte, contém cerca de 40.000 colunas de basalto interligadas, resultantes de uma antiga erupção vulcânica.




15. “As pedras que se movem sozinhas”, no Vale da Morte, EUA. Trata-se de um fenômeno no qual rochas deslizam pelo solo que tem uma fina camada de gelo, onde elas criam longas faixas que dão a impressão que elas se movem sozinhas.



16. Pororoca na Amazônia, Brasil: acontece quando a primeira onda da maré vêm em forma de uma onda que percorre um rio contra a corrente.



17. Atacama florido: quando chove muito, esse é o cenário do deserto normalmente mais seco do mundo.



18. Arcos circum-horizontal: esse raro fenômeno ocorre pela refração dos raios de sol nos cristais de gelo que formam em uma nuvem cirrus. Não é um arco-íris.





19. Nuvens lenticulares: muitas vezes confundidas com OVNIs, essas nuvens em forma de lentes se formam na troposfera sob condições muito específicas.



20. Nuvens Mammatus: esse incrível padrão de nuvens se forma com ar descendente sob a bigorna de uma nuvem cumulonimbus após uma tempestade muito forte.



21. Nuvens nacaradas são compostas de minúsculos cristais de gelo.



22. Undulatus asperatus: é um tipo proposto de nuvem em 2009, e parecem muito tempestuosas, mas tendem a se desfazer sem realmente se transformar em uma tempestade.



23. Lago Natron, na Tanzânia: é um lago extremamente salgado e alimentado pela riqueza de minerais termais.



24. Lago Manchado, no Canadá: esse lago surreal contém elevadíssimas concentrações de sulfato de magnésio, cálcio e sódio.



25. Ondas bioluminescentes: acontecem quando há na areia espécies de fitoplânctons bioluminescentes, que quando molhadas pelas marés, convertem a energia química em energia luminosa.



26. Dinoflagelados bioluminescentes em condições adequadas criam a assustadora maré vermelha.



27. Pilares de luz surgem quando cristais de gelo refletem a luz solar ou lunar na atmosfera da Terra.





28. Eucalipto arco-íris: essa árvore enorme tem como principal característica seu colorido e espetacular tronco.



29. Flores de gelo: no inverno polar, quando se forma gelo no oceano, estruturas que são compostas de umidade atmosférica congelada e de salmoura sugada da superfície congelada do mar se formam.



30. Chaminé de neve no Monte Erebus, Antártida: é o vulcão ativo mais ao sul da Terra.





Veja mais aqui: http://misteriosdomundo.org/30-raros-e-deslumbrantes-fenomenos-naturais/#ixzz3YX9GZSuS