quarta-feira, 24 de julho de 2013

O ESTADO DO PAÍS, NUM PAÍS SEM ESTADO CREDÍVEL...









O ESTADO DO PAÍS NUM PAÍS SEM ESTADO CREDÍVEL…


Com a reconhecida insensibilidade e incompetência no contacto com o povo, o primeiro-ministro de Portugal fez conhecer, ontem, o seu novo desgoverno.

Acobertado por SUA Exa, o PR, passos coelho volta a insistir nas “bofetadas” constantes a um povo que não aguenta mais os seus dislates narcisistas, a sua prepotência e a sua notória incapacidade para ser mais do que ele julga que é…

Os portugueses foram confrontados com outros ministros-tipo-mais-do-mesmo… mas o que mais doeu foi ter escolhido para Ministro dos Negócios Estrangeiros um “dinossauro” do PSD que tem no seu currículo, nada mais, nada menos, que o cargo de administrador dos ladrões que estiveram ligados ao desfalque do BPN, essa vergonha nacional que continua a dar que falar, na medida em que os corruptos não estão presos, muito não se sabe da fraude em que todos os que se “alambuzaram” estão calados, e o estado já lá teve que pôr biliões de Euros dos 6, 7, 8 ou mais, que de lá foram roubados. Sim, o estado põs lá muito dinheiro …dinheiro de pobres, pensionistas e reformados!
  Vergonha faltou , também  e nesta hora, ao novo ministro…Se a Ética comandasse, ele teria negado o “tacho”…Mas estes tipos, quando se fala de “pompa e circunstância” do dia-a-dia, ficam tão perdidos de vaidade ,que não sabem o que é a MORAL.
No passado dia 10 deste mês, o PR, com o seu habitual modo de se apresentar aos portugueses, aquele ar de pessoa entendida e prepotente, disse  que “queria “ um novo governo, depois das demissões de gaspar e portas, um governo do qual fizesse parte o PS…Será que Sua Exa pensava , a sério, que a esquerda lhe daria os créditos para que ele continuasse sem se incomodar com o povo  a passar, repousadamente, o tempo que lhe falta para ter mais uma reformazita?
Não creio! Acho que ele sabia que tal não seria possível, o que lhe dava uma certa legitimidade para nos impor o tal governo “ recauchutado “do seu primeiro-ministro! E assim foi! Feliz da vida, depois de ter ido dar uma volta às ilhas Selvagens onde se reencontrou com as cagarras, chegou e aceitou portas como VICE PRIMEIRO-MINISTRO-penso que o mesmo nunca pensou chegar tão longe, nas suas ambições de chefe da Direita portuguesa!-e acalmou, por conseguinte, o seu coraçãozinho, sem tempo nem apetência por grandes trabalhos!

Mas, calma! que o POVO não se resigna  nem admite mais miséria! Estaremos todos nas primeiras filas de mais uns milhares de manifestações e protestos, porque eles podem cortar-nos tudo, mas ninguém corta “a raiz ao pensamento”!
“Esta gente”, os políticos e as suas incompetências metem tal nojo, que não tenho escrito sobre esta matéria, pois nem os jornais televisivos quero  ver. Mas, creio que, depois do que se passou nestes últimos tempos-remediados-com outra versão do mesmo descalabro, não podia deixar de dar uma satisfação a quem, habitualmente, me segue, no Blog- http://lusibero.blogspot.com.
A verdade, meus amigos, é que temos a certeza que a dança de cadeiras em nada contribuirá para inverter  a contínua caminhada do nosso país para o empobrecimento e o caos.
Estão a fechar Farmácias, pensões, hotéis, lojas, etc, a um ritmo alucinante. O desgoverno está desacreditado e perdeu legitimidade, como demonstra o descontentamento popular. Famácias, amigos??????’Onde já se viu? Onde estão os doentes de Portugal? Pois…uns vão morrendo, outros não podem comprar a medicação. Outros estão a racionar o que deviam comprar e não podem!

O governo de Direita, entretanto, num rasgo de falsidade e confronto com o povo, vai apresentar, amanhã, no Parlamento, uma moção de confiança, que só eles irão aprovar porque têm a maioria, juntos psd e cds! Não é o mesmo que uma moção de censura, embora reprovada por eles, por muito que o queiram! É uma peça de teatro trági-cómica!
Voltaremos a falar destes temas…infelizmente, amigos!
Mealhada, 24 de julho de 2013
Maria Elisa Rodrigues Ribeiro








Nos Momentos Felizes, a Mão Anda SozinhaUma coisa para mim é clara: tenho de proteger os meus ovos, que são os meus livros. Se racionalizar as coisas, perco-as. Estaria a fechar portas a mim mesmo e a essas coisas, que não sei bem se me pertencem, e emergem com essa força. Nos momentos felizes, a mão anda sozinha. A cabeça está a ver ao longe e fica contente, porque são as palavras certas que a cabeça não encontraria. É a mão. 

António Lobo Antunes(1942 -    )

  , in "Diário de Notícias (2004)"

terça-feira, 23 de julho de 2013

O Escritor e Poeta Tomás da Fonseca,(1887-1968)--através de http:// pimentanegra.blogspot.pt






Tomás da Fonseca e os Sermões da Montanha




«Sermões da montanha» é um dos mais famosos livros do ex-padre católico e filósofo português Tomás da Fonseca, aparecido em 1909 . Os argumentos apresentados são contundentes e quase todos actuais. Mesmo alguns dados desactualizados permitem-nos uma útil visão para o passado não distante, lembrando-nos das terríveis pressões e limitações que os nossos antepassados sofreram da parte do retrógrado e todo-poderoso clero católico. Por isso venho aqui apresentar alguns extractos muito interessantes dessa memorável obra do ateísmo lusófono.
Escrito na forma de diálogos com o povo, assim fala o Autor na:
Página 360:
«...o protestantismo é a religião católica reformada. Não quer isso dizer que seja boa, porque não pode haver religiões boas. Dizer-se que uma religião é boa, equivale a proclamar os benefícios do câncer, as vantagens da varíola ou os confortos da sífilis. O que todavia quero dizer acerca da religião protestante é que é menos má. E é menos má porque foi expurgada dum grande número de abusos, intolerâncias e absurdos. Lutero e seus discípulos fizeram ao cristianismo o mesmo que fazemos à s árvores que caducam: podaram-no, fizeram- lhe raspagens, procuraram limpá-lo. Curaram-no? Não, apenas lhe tiraram alguns dos parasitas que roíam a sua decrepitude, a fim de o poderem conservar mais algum tempo. Assim, por exemplo, desfizeram-no dos santos, amputaram-lhe a missa, desafogaram-no dos cardeais, chegando mesmo a extrair-lhe essa grande verruga que o tem cada vez mais canceroso: o pontífice romano, com a sua corte e o seu sacro colégio, a sua infalibilidade. Eles não têm os sacramentos católicos, não observam o celibato dos pastores, não crêem na substanciação, não reconhecem a existência do Purgatório, não querem ofícios nem indulgências; não têm latim, nem confissão, não usam bulas e, sobretudo, não resgatam as almas por dinheiro, pois a isso se opõe a Bíblia, que eles consideram como seu guia principal e único.
Por aqui já podem ver que é uma religião um pouco mais leve para o povo. Sobretudo mais humana, tanto para os que a seguem como para os que a pregam. A sua condição primeira é que cada um tenha e saiba ler a Bíblia. Mas parta que se saiba ler a Bíblia, o que é preciso? Ter aprendido a ler. Pois é o que fazem: o bom protestante é obrigado a saber ler. Eles próprios se comprometem a ensinar todo aquele que os procure. Ao contrário do que manda a Madre Igreja, que só prega a revelação e a fé. Só o latim da missa, mas esse mesmo baixinho, para que ninguém ouça nem saiba o que se diz. Posto isto, que direis se eu vos provar que quanto menos religião tiver o povo, mais progresso e felicidade sentirá?...»
Página 362:
«...A verdade completa, doa a quem doer. Comecemos pelas estatísticas oficiais. O resumo que delas vou apresentar não é recente mas, embora colhido em antigos boletins, assim nos serve ainda melhor do que se fosse tirado dos últimos publicados, porque são estatísticas do tempo em que o papado regia ainda os seus estados e as comunidades religiosas gozavam de todas as regalias. Por elas se vê que, de 1841 a 1851, houve na protestante Inglaterra , em média anual, 4 assassinatos por cada milhão de habitantes, ao passo que na católica Irlanda esse número excedeu a 33. Na Bélgica, nação católica, mas centro admirável de livre- pensamento, com escolas laicas e universidades livres, dirigidas por livres-pensadores, anarquistas, ateus e protestantes, esse número baixou para 18 (relatório de 1852). A França, igualmente católica, embora também cheia de dissidentes, mas com um operariado menos culto e pior organizado do que o da Bélgica, dá já um contingente de 31 homicídios (Estatística de 1851). A Áustria, talvez a mais católica das nações, depois da Espanha, apresenta logo um contingente de 36. E a Baviera, mais católica ainda, contribui para a hecatombe com 68 assassinatos. Da Espanha não possuímos relatório algum oficial, mas cálculos têm sido feitos, sobre documentos respeitantes à criminalidade naquele país, que dão para o homicídio a verba monstruosa de 250 por milhão, anualmente.
Agora a Itália, país católico por excelência, onde assiste o representante de Cristo e onde, ao tempo do relatório que me serve de guia (1848), não havia ainda quem fizesse sombra à marcha dos negócios eclesiásticos, pois só 22 anos depois é que o papa deixou de ser rei de Roma. Dividindo por províncias, temos: na Sardenha, 20 crimes de morte por milhão; na Lombada, 45; na Toscada, 56; nos estados pontifícios (estamos ainda 24 anos antes das invasões de Garibalda) 143; na Sicília da Máfia, 190; em Nápoles, 174; e assim por diante. Isto na terra dos cardeais, onde nesse tempo ainda havia conventos como entre nós há capelas; terra que por isso mesmo tinha obrigação de ser um modelo de santidade! Acontece isto na terra dos grandes santuários, das magníficas catedrais, onde os milagres se dão todos os dias. Isto onde os padres, frades e freiras atingiam, nesse tempo, o número de 120.000. Só na cidade de Assis havia 12 conventos; em Foligno, 12 de frades e 12 de freiras; em Spoleto, 22; em Terni, 5; em Norni, 5 de freiras e 7 de monges; em Perugia, 34 pelo menos. Em Roma então era uma farra: 74 conventos de frades e 50 de freiras. Pois bem, é precisamente neste distrito da piedade e do milagre que os homicídios chegam a 115 por cada milhão de católicos. Em Nápoles e na Sicília havia 15.455 frades e 13.000 freiras, número que não se encontrava em qualquer outro país. Também em país nenhum do mundo os crimes se multiplicavam como lá, sobretudo os homicídios. Esta mesma proporção se mantém em todos os outros ramos da criminalidade.
Página 364:
«...Vejamos agora se o desenvolvimento intelectual e o progresso acompanham a mesma escala. Primeiro, em povos com a mesma origem, para que não se diga que é uma questão de raças. ´Está admitido, diz o Professor belga Emile de Laveleye, que os escoceses e os irlandeses têm a mesma origem. Uns e outros foram submetidos aos ingleses. Até ao século XVI, a Irlanda era muito mais civilizada que a Escócia. A fértil Eire foi, durante a primeira metade da Idade Média, um dos focos de civilização, quando a Escócia não passava dum covil de bárbaros. Desde que os escoceses adotaram a reforma religiosa protestante, ultrapassaram até os ingleses. O clima e a Natureza opõem-se a que a Escócia seja rica como a Inglaterra; contudo, Macamby prova que, desde o séc. XVII, os escoceses sobrepujaram os ingleses em quase tudo. A Irlanda, pelo contrário, dedicada ao seu ultramontanismo (doutrina da ligação com o papado), fica pobre, miserável, agitada pelo espírito de rebelião e parece incapaz de se tornar a levantar por suas próprias mãos´. O mesmo autor nota ainda o contrate que se observa na própria Irlanda, entre o Connaught, exclusivamente católico e o Ulster, onde domina o protestantismo. O Ulster é rico pela indústria. Connaught apresenta a imagem da miséria humana mais completa. Mas tal fato dar-se-á apenas nestes povos? Não. Basta que olhemos as duas Américas. Ao norte, os Estados Unidos fulgem entre o maior esplendor: grandeza, ordem, civilização.
Voltando os olhos para o Sul, vemos a decadência e as guerras intestinas, o atraso moral e social, acompanhados com abusos e dificuldades de toda a ordem. É porque ao norte o povo é protestante, indiferente ou ateu, e, ao sul, católico-romano, com a intolerância própria do ultramontanismo. E este fenômeno singular não é de sangue, como vimos. Também não é de clima, nem de raça, como vamos provar. Na Suíça, os cantões de Lucerna, Alto-Valois e os florestais diferem inteiramente dos de Neufchatel, Vaud e Genebra. Os últimos sobrepujam em tudo os primeiros: na instrução, na literatura, nas belas-artes, na indústria, no comércio, na riqueza, no asseio, etc. Agora a pergunta: a que raça pertencem os primeiros? À germânica. Que religião professam? O catolicismo. E os outros referidos cantões que tanto diferem pelo seu progresso e cultura, são de raça latina e professam o protestantismo. O culto, pois, e não a origem racial, é a causa da superioridade ou decadência do povo. Se olharmos agora para o cantão de Appenzell, notaremos que a parte interior, habitada por católicos, e a exterior pelos protestantes, divergem tanto entre si como Neufchatel e Lucerna. Dum lado a instrução, o progresso, a força e a harmonia; do outro, a ignorância e a pobreza, o mal estar e a desordem, o definhamento e a morte.»
Na página 367:
«...Quais são as nações mais ricas, mais prósperas e felizes do mundo? Toda a gente sabe isso, porque na boca de todos andam os nomes da Inglaterra, Alemanha, EUA, Canadá, Suécia, Japão... Pergunta-se: que religião professam? É católica alguma dessas nacionalidades? Não! São protestantes, budistas ou livres- pensadoras. Grande parte dos seus habitantes não tem mesmo religião alguma.
Mas os povos católicos? ... que é Portugal e quem somos nós, portugueses? Escravos duma nacionalidade exausta, com um povo devorado até aos ossos, cheio de fome, sem liberdade, fanatizado, escravizado, inconsciente, miserável... É católica a Espanha. Mas que é a Espanha? Uma nação depauperada, como nós também exausta e decadente, também enferma e aviltada. O jesuitismo minou-a desde os alicerces...É católica a Itália. Mas essa só agora começa a libertar-se, fazendo substituir o templo pela escola, o frade pelo professor, o devoto pelo industrial. Porque a Itália tem sido um foco imenso de miséria moral e econômica. ...É católica a Áustria. Mas como Portugal, e a Espanha, a Áustria é uma nação vencida, onde vegeta um povo miserável, em perpétuo conflito consigo próprio, os negócios sempre mal... Isto sem sairmos da Europa, porque o mesmo acontece nas duas Américas. Pois que são o Paraguai, o Brasil, o Chile, o Equador, o México, a Bolívia, católicos, comparados com os povos do norte, protestantes?
...Laveleye, que nos fornece o melhor destes dados, acentua, em conclusão, que o catolicismo é, com efeito, a causa principal da decadência duma nacionalidade...»

sábado, 20 de julho de 2013

TROVA DO VENTO QUE PASSA

«Trova do Vento que Passa»




Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.
Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
Manuel Alegre
há alguns segundos ·

sexta-feira, 19 de julho de 2013

O Pensamento de Miguel Torga (1907-1995)

A Intimidade do EscritorHá quase um ano sozinho, na antiga vida de solteirão. Tem sido duro, mas útil. De vez em quando faz-me bem estar só e desamparado. É nessas horas que sinto mais profundamente a significação de uma mulher ao lado do artista. A história literária exibe prodigamente o cenário feminino e mundano que aconchega os criadores e lhes embeleza a vida. Mas diz-nos pouco das companheiras quotidianas, domésticas e anónimas, a verem nascer a obra, a aquecê-la com chávenas de chá, e a renunciarem à alegria de a conhecer na emoção virginal de um leitor apanhado de surpresa. E nada de mais significativo e decisivo do que essa ajuda e do que essa renúncia. As Récamiers são o estímulo de fora, higiénico e lisonjeiro; enquanto que as outras, íntimas e apagadas, empurram o carro trôpego da criação debaixo de todos os ventos, e sem aplausos no fim. O seu lema é a aceitação calma e confiante dos desânimos, dos rascunhos, das mil tentativas falhadas. E quando a obra, finalmente acabada, empolga o público, já tem atrás de si um tal cansaço, uma tal soma de horas desesperadas, que só com um grande amor a podem ainda olhar. 
Por esse amor não existir, é que a mulher de Tolstoi disse a conhecida barbaridade: «Vivi quarenta e oito anos com Lev Nicolaievitch sem chegar nunca a saber que homem ele era». De qualquer maneira, estou só, e sinto-me em penitência. Considero-me a cumprir a pena de usufruir um bem anos a fio, e só de vez em quando ter consciência dele. 

Miguel Torga, in "Diário (1947)"

quinta-feira, 18 de julho de 2013

NOTA DE REFLEXÃO SOBRE PORTUGAL, NO MOMENTO PRESENTE


Penso nos dias de fragilidade nacional que estamos a viver, com angústia crescente.

E salto para o século XIX, a que EÇA de Queirós se refere nas suas obras, descrevendo um país igual ao que, hoje, temos.

Um Presidente indefinível "faz de conta" que o povo não conta; um primeiro-ministro prepotente e mentiroso afirma "alto e bom som" que "não me demito!", não querendo aceitar largar o poder, quando tem consciência de que o mesmo povo o odeia, o não pode ver e muda de canal, constantemente, para não o ver nem ouvir!

Penso no que tem sido afirmado nos órgãos de comunicação social sobre a desistência dos serviços de saúde , por parte dos pobres-cada-vez-mais-pobres, sem dinheiro para comprar os medicamentos ou para chamar uma ambulância que os leve, em caso de necessidade, a um qualquer serviço de saúde; penso no cada vez mais notório recurso a psiquiatras por causa de mentes em depressão , que têm levado ao aumento de suicídios; penso que é cada vez mais penosa a ida ao supermercado ou à loja, pois voltamos para casa deprimidos , com três sacas na mão e 70/80 Euros gastos no espaço de um segundo...

Em que penso, facebook? Chorarias se te dissesse tudo em que penso, no Portugal que definha...onde há fome...onde não há esperança...onde não se vê um rosto feliz, senão o dos que auferem ordenados e pensões , em alguns casos superiores, ao ordenado do presidente dos Estados Unidos...


Penso ainda no PS(partido socialista) que corre o risco, nestas conversações com a DIREITA, de perder a pouca credibilidade que ainda tinha...Imensos economistas, de reputada competência, afirmam, alto e bom tom, que Portugal não pode aguentar mais austeridade do que aquela em que vivemos. O POVO bem o sabe, porque o sente na vida de hoje.

O PSD foi contra o PS ,no tempo de Sócrates, por causa do PEC IV; e , assim que ganhou as eleições de há dois anos , criou, mentindo ao povo em toda a linha, um PEC V ao quadrado, em que se passa tudo e MAIS AINDA que aquilo de que vos falo.


Cavaco pediu, ordenou! um entendimento quase impossível entre o seu partido, o partido de extrema direita de PORTAS e o Partido Socialista que todos anunciam impossível de se concretizar, pois passos do PSD não quer abdicar de mais medidas de austeridade. Vai o PS "assinar" , agora, ou depois de novas eleições que são mais que certas?Os portugueses não aguentam mais e todas as críticas que se fazem ao "actual" desgoverno são a prova de que estamos mesmo com " a cabeça já no precipício".


Os Psicólogos, pela boca do Bastonário, pedem que se tome nota do elevado número de suicídios que pode estar a ser uma das consequências da crise. Que pai pode ver os filhos com fome...sem emprego...a emigrar, numa onda que faz lembrar a dos anos de Salazar?

Mealhada, 17/18 de Julho de 2013
Maria Elisa Ribeiro

POEMA: ..........AI, AMA.......

Poema inédito: 




"……………AI, AMA……………"




Tudo se ia movendo,
………………enquanto nos dedos fomos espremendo o ar que ia passando…………………..

Tudo-foi-andando com o tempo-a-voar, nos enganos que fomos-sendo.

Na noite, levantam-se margens abruptas a suster as gotas
de suor-lágrimas das nossas inconfessáveis confissões .
Seres descalços no Nu do Tudo-feito-Nada,
sorrimos a este mundo Presente-num -Agora onde o Passado,
…………………………………………………………………….sem o sabermos,
…………………………………………………………………….foi projectando um Depois………………..

O circo-vida envolveu-nos em salpicos de nevoeiro.

Eu, criança-murmúrio-abafado na corrida para a alegria,
esqueci os aplausos de excitação da magia e procurei ouvir
…………………………………………………………uma rota-de-escuta-de-rumos-transversais .

No corpo dos dedos, tenho um fervor de palavras
pronto a actuar no cenário das tuas mãos, engasgadas de mensagens …
….quase a escalar montanhas de saudades em-mim-alojadas,
…sempre receosas de Lá não chegarem …………………………………………………………………

Um espelho baço…uma fenda na parede-de-MIM,
não previu a névoa ,que podia ter um fim .

Veio logo a Primavera …escorreita e saltitante,
instalar-se no leito das
borboletas, num canto do meu jardim…

(Ai, Ama, será que ‘inda estou em mim?)

Pulsa-me, nos lábios, uma dor que ‘inda não teve fim…
Caminha-me nas palavras
a actuar no profundo azul do sonhar, ess’outra part’a-viver……………………………………….

(-Ai, Ama, que circo me levaste a ver?)

Tudo vai-indo…
em baforadas do Momento-nas-brisas-do-vento-Ter-Sido……………………………………….
Tudo se Foi e se Vai…

ERA UMA VEZ…

(-“ Ai, Ama…como era, dessa vez?)


Maria Elisa Rodrigues Ribeiro

REG: (VDS)-FEV/013-(76)

Texto sobre o poeta José Régio(1901-1969)

I
n memoriam de José Régio





Escrito por Henrique Veiga de Macedo







Palavras proferidas na sessão da Assembleia Nacional, de 21.1.1970.




Ainda bem que nesta Casa se evoca, com palavras trespassadas de justiça e emoção, a memória de José Régio e se presta eloquente homenagem à sua preclara figura de intelectual de eleição e à sua multímoda obra de poeta, de prosador, de educador.




Este meu sentimento não nasceu agora, andava já no meu coração. Há bem pouco chegou-me às mãos, com as palavras de uma honrosa e generosa dedicatória do autor, o último livro de Álvaro Ribeiro, esse extraordinário pensador que da vida tem feito sacerdócio todo votado à cultura, à «restauração do perene significado da filosofia» e à «demonstração de que existe uma filosofia portuguesa e, mais ainda, de que existe um modo português de filosofar».




Deixai-me ler, de modo a ficarem bem registadas, como merecem, na nossa inteligência e na nossa sensibilidade, estas afirmações da carta que acompanhou esse livro admirável, intitulado precisamente A Literatura de José Régio:




«Por este mesmo correio, tenho o gosto de oferecer a V. Exa. um exemplar do meu livro A Literatura de José Régio.




Poeta de alta estirpe intelectual, José Régio foi já comparado a Camões. Morreu, e creio que nenhum funcionário representativo do Estado compareceu ao funeral, aliás religioso. Em vida não foi mais do que um modesto professor liceal; em espírito uma glória da Pátria e um ferveroso servidor de Deus».




Álvaro Ribeiro tem razão, e é sob a impressão forte das suas palavras que ousei pedir licença para interromper a voz autorizada do ilustre Deputado que é a do professor Silva Mendes, velho amigo dos tempos, para mim inesquecíveis, da campanha de educação popular em que pudemos, um e outro, e muitos, muitíssimos mais, trabalhar pela expansão do ensino e pela ascensão cultural do povo português. Não podia de modo algum – agora que estou a retomar contacto com o pensamento e a arte de um dos nossos maiores escritores contemporâneos e me é possível avaliar, uma vez mais, a profundidade do seu espírito aberto e inquieto em busca da verdade –, não podia de modo algum, dizia, deixar de me congratular por ver esta Câmara dar público testemunho da respeitosa veneração e do vivíssimo apreço devidos pelos homens justos, quaisquer que sejam as sua crenças religiosas ou ideias políticas, ao poeta da Encruzilhadas de Deus, ao romancista de A Velha Casa, ao dramaturgo de Benilde ou a Virgem-Mãe, ao crítico, ao ensaísta, ao pedagogo, ao pensador.




Na verdade, «de braços abertos para os seus contemporâneos que se dedicaram a estudos especulativos» – atrevo-me a reproduzir outra afirmação de Álvaro Ribeiro – inscrita no prefácio do livro que o mesmo me ofertou –, na verdade, «de braços abertos para os seus contemporâneos que se dedicaram a estudos especulativos, e de inteligência compreensiva para os seus ensaios mais tímidos ou mais ousados, José Régio mereceu de todos os pensadores sérios a bendição que lhe tem sido recusada por aqueles que se ocupam apenas de literatura. A obra de José Régio anuncia o advento de uma nova arte poética, tal como significou em notável e brunino opúsculo o novel filósofo António Telmo.




Mestre de uma geração ingrata, avançado precursor de uma literatura que ascende para tributos divinos, José Régio contribuiu para o entendimento final de que a palavra vive da sua relação com o pensamento».




Até por isto, numa Assembleia como esta em que a palavra só se legitimará se servir um pensamento e se este servir a vida portuguesa e a dignidade do homem nos seus mais profundos e permanentes anseios e direitos, seria imperdoável não se exaltasse, como está a fazer o Deputado Manuel de Jesus Silva Mendes, o glorioso poeta que foi José Régio. Que foi e que é, pois o seu grito de beleza e de bondade há-de repercutir-se pelos tempos fora, a despertar nos homens de boa vontade aqueles sentimentos puros e aquelas ideias nobres sem as quais não haverá no Mundo nem compreensão, nem paz… nem poesia."










in http://liceu-aristotelicoblogspot.pt









Marcadores: Henrique Veiga de Macedo

terça-feira, 16 de julho de 2013

Poema de Fernanda Botelho



Amnésia

Posso pedir, em vão, a luz de mil estrelas:

apenas obtenho este desenho pardo

que a lâmpada de vinte e cinco velas

estende no meu quarto.





Posso pedir, em vão, a melodia, a cor

e uma satisfação imediata e firme:

(a lúbrica face do despertador

é quem me prende e oprime).





E peço, em vão, uma palavra exata,

uma fórmula sonora que resuma

este desespero de não esperar nada,

esta esperança real em coisa alguma.





E nada consigo, por muito que peça!

E tamanha ambição de nada vale!

Que eu fui deusa e tive uma amnésia,

esqueci quem era e acordei mortal.





Fernanda Botelho





Biografia


Escritora portuguesa natural do Porto. Após o curso de Filologia Clássica nas Universidades de Coimbra e Lisboa, fixou-se na capital para dirigir o departamento de turismo da Bélgica. Para além da sua colaboração em revistas como Graal, Europa ou Távola Redonda, iniciou-se na poesia com As Coordenadas Líricas (1951). Em 1960 o seu romance A Gata e a Fábula recebeu o prémio Camilo Castelo Branco. A sua obra de ficção caracteriza-se pela análise, ao mesmo tempo sarcástica e delicada, da trama de relações presentes numa realidade assente no antagonismo entre o quotidiano banal e a inquietação existencial. Publicou, além das obras citadas, o volume de novelas O Enigma das Sete Alíneas (1956) e os romances O Ângulo Raso (1957), Calendário Privado (1958), Xerazade e os Outros (1964), Terra sem Música (1969), Lourenço é Nome de Jogral (1971, Prémio Nacional de Novelística), Esta Noite Sonhei com Brueghel (1987, Prémio da Crítica), Festa em Casa de Flores (1990, Prémio Eça de Queirós), Dramaticamente Vestida de Negro (1994) e As Contadoras de Histórias (1998, Prémio de Ficção da Associação Portuguesa de Escritores)











Faleceu a 11 de Dezembro de 2007




Biografia retirada da net


















NOTA: com o meu PC avariado, sirvo-me do da minha filha,onde, como é lógico, não tenho as minhas pastas.A foto de Fernanda Botelho, grande poetisa portuguesa falecida em 2007, pô-la-ei no facebook.






Maria Elisa Ribeiro


"LUSIBERO"




segunda-feira, 15 de julho de 2013

UM TEXTO SOBRE AS PROFECIAS DO PROFETA DANIEL- TEXTO PUBLICADO POR:WWW.historialivre.com/teologia/pdaniel.htm

NOTA: VI, HOJE, NO CANAL "HISTÓRIA" , UM PROGRAMA SOBRE ESTA TEMÁTICA, QUE ME FASCINOU.E PENSEI: " POR QUE NÃO O DAR A LER, AOS AMIGOS QUE GOSTAM DE ARTIGOS SOBRE RELIGIÃO?"IDENTIFICADA A FONTE, COMO MANDA A ÉTICA, É ESSE TEMA QUE VOS DEIXO, HOJE.




"Teologia - História Livre
As Profecias de Daniel
Marcos Emílio Ekman Faber
As Profecias de Daniel
O Livro de Daniel pode ser chamado de o Apocalipse do Antigo Testamento tamanho é o número de revelações sobre os tempos do fim, nenhum outro livro veterotestamentário escreve tanto sobre os tempos finais. É este livro que dá suporte a compreensão de muitas profecias do livro de Apocalipse. A seguir estão seis das grandes profecias de Daniel sobre os reinos da Terra e a vinda do anticristo, assim como o Reino final e eterno de Jesus Cristo.
A imagem do sonho de Nabucodonosor
Daniel 2:1-49

No sonho do rei da Babilônia, Nabucodonosor vê uma grande estátua. A cabeça da estátua era de ouro, os braços e o peito de prata, o ventre e os quadris de bronze, as pernas de ferro e os pés de ferro e barro. Uma grande pedra é cortada sem auxilio de mãos, esta pedra choca-se com a estátua e a destrói. A pedra transforma-se numa grande montanha que cobre toda a Terra.
Daniel explica ao rei que cada parte da estátua é a representação de um reino, sendo a cabeça de ouro o reino da Babilônia, mas que todos os reinos que se sucederão irão passar e o último reino, o da grande pedra, irá ficar para sempre.
Os reinos do sonho de Nabucodonosor são: A cabeça de ouro o reino da Babilônia do próprio Nabucodonosor; o peito e os braços de prata são o reino da Pérsia; o ventre e os quadris de bronze são o reino Greco-Macedônico fundado por Alexandre Magno; o reino de ferro é o reino de Roma; e o último reino representado na estátua é o reino dos tempos do fim, um reino que mescla o poderio romano, porém que não é puro, pois representa a união de diversos reinos.
O escritor Arno Froese, no livro Como a Democracia Elegerá o Anticristo, afirma que este último reino será formado com a unificação da Europa, através da União Européia, e Roma estará representada pela força política e ideológica da Igreja Católica Apostólica Romana. Como as nações continuarão a ter sua autonomia, mas farão parte de um grande reino unificado, é preciso lembrar que estes reinos forjarão alianças entre si, como de fato já está acontecendo. É bom lembrar, também, que todo código de Leis do mundo contemporâneo é baseado no código de Leis romano organizado pelo imperador romano Justiniano, mais um ingrediente que garante a presença romana neste reino. É este poderoso reino, forjado da unificação de 10 poderosas nações, que lançará as bases que sustentarão o governo do anticristo.
Há outra interpretação que afirma que o G-8, grupo das sete mais ricas e industrializadas nações (EUA, Canadá, Japão, França, Grã-Bretanha, Alemanha e Itália) mais a Rússia, chegarão ao número de 10 nações que representariam os 10 chifres.
Porém, o mais importante é que este último reino será destruído por Jesus, que criará um reino justo e eterno e que jamais poderá ser destruído.
A visão dos quatro animais e o Ancião de Deus
Daniel 7:1-28

Daniel escreve sobre seu sonho onde viu 4 animais que saíam do mar.
O primeiro era um leão com asas de águia, porém lhe foram arrancadas às asas e ele foi colocado de pé e lhe foi dado mente de homem. É uma referência a Nabucodonosor que perdeu o reino, ficou louco e teve que se humilhar e reconhecer sua fraqueza.
O segundo animal era um urso que tinha 3 costelas na boca, lhe foi ordenado que saísse a comer carne. As três costelas representam uma presa que o Urso já havia devorado anteriormente, mas que não saciou seu apetite. É a representação do reino Medo-Pérsa.
O terceiro animal era semelhante a um leopardo com 4 cabeças e 4 asas a este foi dado domínio. Ter 4 cabeças significa que este animal estava olhando em todas as direções a procura de novas caças, o que sugere um império em constante busca por expansão territorial. É o reino Greco-Macedônico formado por Alexandre Magno e que depois foi dividido por seus 4 generais.
O quarto animal era terrível e muito forte, tinha 10 chifres, pisava e devorava a todos o que sobejava. Seria o Império de Roma. Com a queda de Roma, outro reino toma seu lugar, o reino dos 10. Os chifres representam 10 reinos e podem representar seu grande poderio militar. O chifre que ao surgir derruba três outros chifre, tem olhos e boca de homem, sugere o reino do anticristo.
Até que entra em cena o Ancião de dias que se assenta num tribunal, mata ao animal dos chifres e retira o poder dos outros animais, porém lhe conservando as vidas.
Aproximou-se do Ancião um como o Filho do Homem, que recebeu o domínio, e a glória, e o reino sobre todas as nações, o seu domínio é eterno e não poderá ser destruído. Este é o reino de Jesus Cristo que será eterno.
O carneiro, o bode e o pequeno chifre
Daniel 8:1-27

Nesta profecia, Daniel tem uma visão de um carneiro com dois chifres, porém um é maior do que o outro. O carneiro dava marradas para o Ocidente, para o Norte e para o Sul e nenhum animal o podia resistir. Então Daniel vê um bode que vem do Ocidente, o bode tinha um grande chifre entre os olhos. Ao chegar perto do carneiro, o bode quebrou os dois chifres do carneiro e o venceu. O bode engrandeceu-se sobremaneira e ninguém o podia vencer, mas quebrou-se o seu chifre, e em seu lugar nasceram outros quatro chifres, de um destes chifres nasceu um pequeno chifre que cresceu até chegar ao exército dos céus, teve o domínio sobre os exércitos e tudo que fez prosperou. Engrandeceu-se até ao “príncipe do exército; dele tirou o sacrifício diário e o lugar do seu santuário foi deitado abaixo”. (v. 11).
Daniel ouve uma conversa entre santos que perguntam até quando durará toda aquela profanação. “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado” (v. 14) é a resposta.
Então, Gabriel é enviado a Daniel para explicar-lhe a visão que tinha visto.
O carneiro com 2 chifres é o reino da Medo-Pérsia e o bode é o rei da Grécia e o chifre entre os olhos é o primeiro rei,ou seja, Alexandre Magno. O grande chifre é destruído prematuramente, Alexandre morre aos 33 anos tendo construído um grande império e reinado por somente por 11 anos. Nascem 4 chifres em seu lugar, o reino de Alexandre foi dividido entre seus 4 generais. Mas se levantará um rei feroz muito poderoso, causará muitas destruições,destruirá os poderosos e o povo santo, fará prosperar o engano, mas este rei será destruído sem uso de força humana. Alguns comentaristas afirmam que o rei em questão era Antíoco IV, que em seu reino agiu desta forma, mas creio que seja uma profecia com relação ao reino do anticristo. O anticristo será vencido sem que haja necessidade de força humana, pois Deus irá vencer o anticristo na batalha do Armagedom.
As setenta semanas
Daniel 9:20-27

A profecia das 70 semanas é revelada a Daniel por Gabriel. Gabriel, enviado de Deus, relada a Daniel que as 70 semanas representam o tempo até que a transgressão e o pecado cessarão, para selar a vitória e a profecia e para ungir o santo dos santos.
Desde a saída da ordem para restaurar e edificar Jerusalém até o Ungido, Jesus Cristo, serão 7 semanas e 62 semanas. O Ungido será morto após as 62 semanas.
Ou seja, o tempo do cativeiro irá durar 7 semanas (um dia da semana contando como um ano,portanto o cativeiro durará 70 anos, como de fato ocorreu). Haverá a reconstrução de Jerusalém e após 62 semanas nascerá o Ungido, Jesus Cristo, totalizando 69 semanas. A crucificação e a ressurreição de Jesus cessaram a contagem das semanas, criando um hiato de tempo, o tempo da Igreja. A última semana ocorrerá após o arrebatamento da Igreja. Com o governo do anticristo que durará 7 anos. Na metade da semana irá cessar os sacrifícios no Templo, o que sugere a reconstrução do templo em Jerusalém e a retomada dos sacrifícios. Após as 70 semanas Deus vencerá o anticristo e julgará a humanidade. Iniciando-se o Reino Milenar de Cristo.

Os reis do Norte e do Sul
Daniel 11:1-45

Confesso que tive muita dificuldade em compreender a totalidade deste capítulo e resisti muito em colocá-lo neste trabalho, mas Deus me constrangeu a tentar.
Dividi a análise em duas partes:
Primeira Parte: Versículos 1-20
O versículo 2 relata o reino da Pérsia e sua luta contra a Grécia. A partir do versículo 3, é relatado o reino da Grécia, iniciando com o reino de Alexandre Magno e depois com os 4 reis que assumem seu lugar e dividem o império (vv. 3 e 4). Depois é descrito o reino do Sul, que ao que parece é o Egito (v. 8), que luta contra o reino do Norte, provavelmente Roma ou Síria. Após, Daniel relata batalhas entre estes reinos do Norte e do Sul, onde o Norte vencerá, o que me faz acreditar que o Reino do Norte é Roma e não a Síria.
Segunda Parte: Versículos 21-45
A partir do versículo 21 é descrito um rei vil, que tomará o trono através de intrigas, ele fará alianças com outros reinos e governará pelo engano. Este rei atacará e subjugará os reinos do Sul. “Dele sairão forças que profanarão o santuário, a fortaleza nossa, e tirarão o sacrifício diário, estabelecendo a abominação desoladora. Aos violadores da aliança, ele, com lisonjas, perverterá, mas o povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e ativo. Os sábios entre o povo ensinarão a muitos; todavia, cairão pela espada e pelo fogo, pelo cativeiro e pelo roubo, por algum tempo.” (vv. 31-33). Este, ao que parece, é o reino de Antíoco IV, como ocorrera no capítulo 8, mas creio que seja uma alusão ao reino do anticristo. A descrição dada ao vil e corrupto rei é compatível com o reino do anticristo, que perseguirá ao remanescente do povo de Deus e profanará o Templo.
O Tempo do fim
Daniel 12:1-13

Daniel escreve sobre os tempos do fim.
Na profecia, Miguel, o grande príncipe, se levantará. Haverá angústia como nunca antes, mas naquele tempo serão salvos todos que estão escritos no Livro da Vida. Os que já morreram ressuscitarão, uns para a vida eterna e outros para a condenação.
Deus diz a Daniel que o livro deve ser encerrado e selado, e que no futuro o livro será estudado e esquadrinhado e o conhecimento se multiplicará. Mas o tempo que a profecia se realizará fica em mistério. “Quando se acabar a destruição do poder do povo santo, estas cousas todas se cumprirão.” (12:7b).
Muitos serão purificados, embranquecidos e provados; mas os perversos procederão perversamente, e nenhum deles entenderá, mas os sábios entenderão.” (12:10).
Conclusão
O livro de Daniel é uma grande demonstração da soberania de Deus e de Seu controle total e absoluto sobre a História da humanidade. Nada acontece sem a permissão e o conhecimento de Deus. Ao revelar os reinos seqüentes aos da época de Daniel, Deus está nos dando uma confirmação de que Suas profecias serão cumpridas. Uma vez crendo e entendendo o livro de Daniel, podemos ter certeza de que as predições do livro de Apocalipse se cumprirão, assim como toda a Palavra do Senhor, pois Deus nos diz: “Porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir.” (Jeremias 1:12). Nada escapa ao controle soberano de Deus.
Bibliografia
Bíblia Sagrada, traduzida em português por João Ferreira de Almeida, edição Revista e Atualizada no Brasil. 2ª. edição. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.
BALDWIN, Joyce G. Daniel: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova / Mundo Cristão, 1991.
FROESE, Arno. Como a Democracia Elegerá o Anticristo. Porto Alegre: Editora Actual, 1999. 

domingo, 14 de julho de 2013

Poema de SOPHIA de MELLO BREYNER (1919-2004)








Evadir-me, esquecer-me
Evadir-me, esquecer-me, regressar
À frescura das coisas vegetais,
Ao verde flutuante dos pinhais
Percorridos de seivas virginais
E ao grande vento límpido do mar.



Sophia de Mello Breyner Andresen
Obra Poética I
Caminho

sábado, 13 de julho de 2013

Edição da NET

NOTA: esta mulher, presidente do Parlamento português, há dois dias insurgiu-se, vergonhosa e ditatorialmente, contra o povo que assistia à sessão plenária, nas "Galerias" da Assembleia da República. mandando-o para a rua e chamando "carrascos" a quem pedia a demissão deste desastroso governo que nos pôs na bancarrota e na miséria!








EXIGIMOS A DEMISSÃO IMEDIATA!

Apenas uma rectificação: A nossa Presidente da A.R. está ligeiramente distraída. É que a senhora não foi eleita. foi convidada pelos "compadres" do partido...

Pois é. A arrogância tirana deste governo contin...Ver mais

POEMA DE JOSÉ SARAMAGO










POEMA DE JOSÉ SARAMAGO:


"Há mentiras de mais e compromissos
(Poemas são palavras recompostas)
E por tantas perguntas sem respostas
Mascara-se a verdade com postiços.


Não vida, nem sombra, nem razão,
É jaula de doidice furiosa,
Eriçada de gritos, angulosa,
Com estilhaços de vidro pelo chão.


E carrego de mais esta jornada
E protestos não servem, nem suores,
Já mordidos os membros de tremores,
Já vencida a bandeira e arrastada.

Depois se me apagaram os amores
Que a viagem fizeram desejada.
José Saramago - Os Poemas Possíveis

NEO-REALISMO:ARTIGO PUBLICADO NA NET, de acordo com a identificação.









DE poesiatavolaredonda.blogspot.pt:

O NEO-REALISMO: MANUEL da FONSECA


"NEO-REALISMO

Movimento literário que, assentado num compromisso político-social, uniu, na década de 40, uma geração de escritores que fizeram parte, entre outros, Alves Redol, Manuel da Fonseca, Afonso Ribeiro, Joaquim Namorado, Mário Dionísio, Vergílio Ferreira, Fernando Namora, Mário Braga, Soeiro Pereira Gomes ou Carlos de Oliveira. O Neo-Realismo encontrou como elemento de divulgação de seus ideais literários e políticos, principalmente a revista Sol Nascente e o jornal O Diabo. Opunham-se decididamente contra os intelectuais da revista Presença, que, segundo eles, encontravam-se fechados numa espécie de egotismo e esteticismo estéreis.

Formado no pensamento marxista, defendiam as concepções do materialismo dialético e rejeitavam a concepção inócua do socialismo utópico de que fora imbuído o romance realista oitocentista. Baseavam-se no romance norte-americano de Steinbeck, Caldwell ou Hemingway, e no romance brasileiro nordestino dos anos 30. Faziam, portanto, uma literatura de denúncia social e de intenção pedagógica, marcada pelo forte anseio de atingir a transformação histórica. É considerado marco inicial do movimento o livro de Alves Redol, Gaibéus, que é de 1940. Na poesia, surgiu a coletânea Novo Cancioneiro, publicada entre 1941 e 1942.

Manuel da Fonseca contribuiu com o Neo-Realismo tanto com textos em prosa com em poesia. Os poemas de Rosa dos Ventos, de 1940, os contos de Aldeia Nova, de 1942, e o romance Cerromaior, de 1943, são significativos para a consolidação do movimento em Portugal.

Manuel da Fonseca, mais tarde, saindo do Alentejo, deixa o espaço mítico, sobre o qual versam Cerromaior, Aldeia Nova e O Fogo e as Cinzas, e parte para a cidade grande, para descobrir novos caminhos literários. É quando produz Um Anjo no Trapézio, de 1968. Neste texto, segundo a crítica, o autor renova a sua arte de contar. Abandona os ambientes das pequenas praças, das feiras, das tabernas, povoadas de gente simples, mas que viviam com a dignidade, para se preocupar com aquela gente que vive nos becos e na imundície da cidade grande.

Aqui se inclui um fragmento do conto O Largo, com o qual Manuel da Fonseca inicia o livro O Fogo e as Cinzas, de 1951. O texto está impregnado de saudosismo e de linguagem poética:

Antigamente, o Largo era o centro do mundo. Hoje é apenas um cruzamento de estradas, com casas em volta e uma rua que sobe para a Vila. O vento dá nas faias e a ramaria farfalha num suave gemido; o pó redemoinha e cai sobre o chão deserto. Ninguém. A vida mudou-se para o outro lado da Vila.


Jayme Ferreira Bueno* é professor de Literatura Portuguesa e publicou Távola Redonda: uma experiência lírica, que resultou da tese de doutorado em Letras na Universidade de São Paulo.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

O PENSAMENTO DE FERNANDO PESSOA

O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o príncipio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.
Fernando Pessoa

POEMA DE DAVID MOURÃO FERREIRA (1927-1996)







Do Tempo ao CoraçãoE volto a murmurar    Do cântico de amor 
gerado na Suméria      às novas europutas 
Do muito que me dás ao muito que não dou 
mas que sempre conservo entre as coisas mais puras 

De uma genebra a mais num bar de Amsterdão 
a não perder o pé numa praia da Grécia 
De tantas       tantas mãos          que nos passam pelas mãos 
a tão poucas que são as que nunca se esquecem 

De ter visto o começo e o fim da Via Ápia 
De ter atravessado o muro de Berlim 
De outros muros que não aparecem no mapa 
De outros muros que só aparecem aqui 

ao barro deste céu que te modela os ombros 
ao sopro deste céu que te solta o cabelo 
ao riso deste céu que vem ao nosso encontro 
quando sabe que nós não precisamos dele 

Da pertinaz presença          E da longevidade 
do corvo         do chacal            do louco          do eunuco 
ao rouxinol que morre em plena madrugada 
à rosa que adormece em caules de um minuto 

Do que foi noutro tempo a saúde no campo 
à lepra que nos rói a paisagem bucólica 
Do tempo          ao coração minado pelo cancro 
Dos rins             ao infinito incubado na cólera 

Do tempo ao coração            mas com pausa na pele 
como «Roma by night» entre dois aviões 
como passar o Verão numa vogal aberta 
como dizer que não         que já não somos dois 

Dos rins ao infinito       A este       que não outro 
Ao que rola dos rins    Ao que vai rebentar-te 
na câmara blindada e nocturna do útero 
E nos transfere o fim para um pouco mais tarde 

Da curva de entretanto       à entrada do poço 
De soletrar em mim       a ler       nas tuas mãos 
como é rápido       e lento      e recto       e sinuoso 
o percurso que vai do tempo ao coração. 

David Mourão-Ferreira, in “Obra Poética” 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

lusibero tem página no facebook

https://www.facebook.com/mariaelisa.ribeiro.75

SITUAÇÃO POLÍTICA EM PORTUGAL







NOTA:
ACABEI DE VER NA TVi24 AS NOTÍCIAS DA TARDE, ONDE SE PODE VER E OUVIR A EXALTADA E INDIGNA REACÇÃO DA PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA, A SENHORA ASSUNÇÃO ESTEVES,AO PROTESTO DO POVO NAS GALERIAS, PEDINDO A DEMISSÃO DE TODA A "TRUPE" QUE CONTINUA A RESISTIR, AO AMOR DOENTIO PELO LUGAR .

COM VOZ MAIS QUE EXALTADA A QUE EU CHAMARIA HISTÉRICA, A DITA PERSONAGEM ESGANIÇOU-SE DE TODO, GRITANDO ÀQUELAS DEZENAS DE PESSOAS QUE "SAÍSSEM JÁ".FÊ-LO NUM TOM PREPOTENTE E DITATORIAL, PRÓPRIO DE QUEM ESTÁ NO PODER...MAS ESQUECEU-SE DE QUE O PARLAMENTO É A CASA DA DEMOCRACIA! É A CASA DO POVO!

AMEAÇOU , ALTO E BOM TOM, QUE "ELES" TÊM QUE REFAZER AS REGRAS DE ACESSO ÀS GALERIAS!

E TEVE A CORAGEM DE CITAR SIMONE DE BEAUVOIR QUE DISSE MAIS OU MENOS ESTAS PALAVRAS, AO REFERIR-SE AO HOLOCAUSTO: " NÃO DEVEMOS SUBMETER-NOS AOS NOSSOS CARRASCOS!"

A POBRE SENHORA ASSUNÇÃO ESQUECEU QUEM SÃO OS CARRASCOS DESTE POVO E DESTE PAÍS! NÃO LHE PUSERAM , NA FRENTE, UM ESPELHO, PARA ELA VER BEM A SUA TRISTE CARA, A SUA DECLARADA PREPOTÊNCIA, O SEU CARTÃO DE MILITANTE DO PARTIDO DO passos coelho!

USAR AS PALAVRAS DE UMA GRANDE MULHER QUE SOFREU AS POLÍTICAS HITLERIANAS, PARA ABANDALHAR A FOME E A NECESSIDADE DESTE POVO, QUE CONTINUA A SOFRER ÀS MÃOS "DELES", SÓ MOSTRA COMO TODOS "ELES" SÃO IGUAIS!

ENTÃO , AQUI, QUEM SÃO OS CARRASCOS, SENHORA ASSUNÇÃO ESTEVES??????????????O POVO QUE CLAMA POR JUSTIÇA E COMPETÊNCIA, OU Va EXa QUE PROFERE ESTE TIPO DE DISCURSO BAIXO E MAIS QUE RASTEIRO??




Maria Elisa R. Ribeiro

MENSAGEM

MEUS AMIGOS:
ESTOU A TENTAR RESOLVER O PROBLEMA DESTA PUBLICAÇÃO SOBRE A FORMAÇÃO DE PORTUGAL!


OBRIGADA E DESCULPEM ESTE INCÓMODO

Maria Elisa