quarta-feira, 30 de março de 2011

POEMA: MALANDRINHOS....

Foto google




Minhas pestanas, longas, longas,

penduram-se no teu olhar!

Dos meus olhos, grandes, grandes,

sai vida a cantarolar!



De teus olhos, loucos, loucos,

sai perfume de prazer!

Enrolo-me, pouco a pouco,

só para te ver crescer...



Minha entrada original

anseia por teu descer...

Oferece-te uma chave

para lá poderes morrer...



...morrer, de tanto viver...

...cansado de remexer...

a cama de erva macia,

que só tu sabes fazer...



Caminho devagarinho,

para não espantar a ave,

que, no delírio do ninho,

começa uma luta suave...



C11L-31/MRÇ/011

domingo, 27 de março de 2011


foto minha no Convento de STA CLARA-COIMBRA

foto minha

foto google

BOSQUE DA VIDA…






Entre bosques e serranias, aprendi a amar

os deuses do silêncio das horas, escondidos em ervas rasteiras…



(O silêncio, hoje, é o ruído da canseira dos movimentos do AMOR…)



Imaginava-os minúsculos, com poderosos músculos,

para me susterem nas brincadeiras…



(Como tu, hoje, ao conduzires-me na hora da sensual magia…)



Irradiava, então, luz e calor, no fervor das tropelias loucas,

de quem nada sabia de outro amor que não o da Natureza fresca,

presa por raízes, onde se escondiam perdizes, codornizes,

Pássaros do chão, nos ninhos da criação…



(Era a Hora da consumação no cio…)



Os insectos perdiam-se, loucamente, por entre os odores do farto pinhal!



(Hoje…eu e tu…não é igual?)



ÉTER, deus do silêncio, punha um dedo na boca, a lembrar-me que,

na catedral da vida, fazer ruídos era atitude louca…



(Agora, na hora de explodir de Amor, tapas, com a tua, a minha boca…)



Hoje, MULHER, revelo-me ao mergulhar em mim!

Sou fogo de amor…chama de paixão…

Exalto-me e consumo-me consciente da minha singularidade sensual…

E ao som da música da Primavera que escorre, em brasa,

da minha entrada mais funda, seduzo o mundo teu,

o que me dás na hora quente, em que nos fundimos em sexo ardente!



Imobilizo-me no tempo que dura o meu poema-música…

E sou Drama-Comigo-Própria!Ajo e reajo na consciência de MIM!

Vejo urzes e giestas…penso-as…sinto-as…no “leito –chão” com defeito,

ao qual dou a perfeição que advém da nossa união de amor!



Um relâmpago feito de Ideias, atravessa, impune, a Noite da Vida…



(É teu corpo dentro do meu…Sou EU…parte do teu!)



O meu rouxinol interior desata a cantar sons de flor,

chuva de odores temporais, palavras de suspirar…



(Cheiro de sémen…semente no fundo de MIM/GENTE/ MULHER…)



Hoje, secretária das minhas recordações,

forço-as a ligarem-se por associações de alegria

para frutificarem em PALAVRA-POESIA!

Hoje, Gaia, Mãe Natureza, caracteriza-me no conceito de Amor-Dádiva!



(Eu…agora…momento de SER-MULHER na oferta do tesouro meu, a desabrochar…)





C11L-27/MRÇ/011--- (mqc-17)

sexta-feira, 25 de março de 2011

Memórias literárias: 50 anos do romance "Aparição" de Vergílio Ferreira




Completaram-se, no passado ano, os 50 anos da publicação da obra de VERGÍLIO FERREIRA (VF), “APARIÇÃO”. Não permiti, como Professora de Português, deixar passar, em branco esta data, pelo valor do autor, como escritor e da obra, em particular, pelo que representa no estudo do EXISTENCIALISMO português, de meados do século passado.
Embora tenha já publicado no blogue e nos jornais onde escrevo, durante o presente ano, um texto sobre VF, nascido em 1916 e falecido em 1996, não quis chegar ao fim do ano passado, sem lembrar esta data, pelo amor que tenho à obra do escritor, de um modo geral, pelo respeito que me merecem as Doutrinas Existencialistas e pela riqueza literária desta obra, em particular.
No ano posterior à sua publicação, em 1960, por conseguinte, foi VF agraciado com o Prémio Literário “CAMILO CASTELO BRANCO”, tal o impacto de “APARIÇÃO” nos meios literários nacionais. Outros prémios se seguiram, dos quais destaco: em 1985 -“Prémio do Centro Português da Associação Nacional de Críticos Literários”; em 1990, Prémio Femina; em 1991, Prémio Europália; em 1992,o significativo PRÉMIO CAMÕES…
Declaradamente agnóstico, mais para o fim da sua vida, embora de formação católica, tendo, inclusivamente, frequentado o Seminário durante mais de 6 anos, é com o romance “APARIÇÃO” que VF se apresenta como um ser humano angustiado com o problema da existência de DEUS e com a verdade fatal que a todos atinge, na figura sinistra da MORTE.
Li esta obra muito cedo, talvez cedo demais para compreender com maturidade o “recheio” filosófico da mesma. O romance nada me dizia e só a minha teimosia me fazia voltar à página anterior, constantemente, para perceber de que tipo de” aparição” aquilo tratava…
Nos programas do 12º ano de PORTUGUÊS de 1996, esta e outras obras entraram como alternativa, de leitura obrigatória! Enveredei pela escolha desta obra , com uma responsabilidade extrema, como se pode calcular, pois os alunos tinham que perceber, comigo, par a par, o tema que, finalmente, percebi que tínhamos em mãos! “APARIÇÃO”, afinal, não era nenhum fantasma…SANTO DEUS! Quanto andei, para lá chegar…
A “APARIÇÃO” É... nós, seres humanos, é cada um de nós, de cada vez que vencemos etapas da nossa realização pessoal, a caminho do aperfeiçoamento, possível e permitido, por Alguém Superior ao homem! É cada um de nós, aos nossos próprios olhos, sempre que afastamos os escolhos que nos impedem de nos cumprirmos! (capítulo II, página 23, 18ª edição, BERTRAND): ” Meu pai optou… Mas eu, sentia como sinto, que alguma coisa ficara por explicar e que era EU próprio… que me aparecera…quando a vi fitar-me do ESPELHO…”. Depois, continuando a sua descoberta, através da personagem “ALTER-EGO”, DR. ALBERTO SOARES, no capítulo IX, página 88 e seguintes, diz isto: ”O instante em que me afirmo é uno como um tronco. (…) Somente agora que são EU, não os entendo. SEI que mudei, mas não SINTO ter mudado (…)”.
Ora acontece que, em meados do século XX, a Europa é assolada por uma vaga de fundo de ideias sobre a existência do HOMEM (O EXISTENCIALISMO!), liderada por filósofos e ideias de filósofos como SARTRE, SIMONE DE BEAUVOIR, MALRAUX, CAMUS, HEIDEGGER, JASPERS e tantos mais que questionavam, não só o papel do homem na Terra, como também a existência de DEUS. Por conseguinte, para conseguir SER, ou nos apoiamos na ideia de DEUS ou não…VF esteve num seminário, quando jovem, por um período superior a seis anos, que o marcaram, profundamente, quer pela rigidez das regras do internato, quer pela solidão inerente e pelo desconforto, que moldaram o carácter do jovem seminarista, tornando-o mais introspectivo e permeável às ideias dos filósofos existencialistas ateístas e teístas.
Esta dor de DEUS e a angústia da SUA existência provocavam fracturas emocionais indescritíveis no escritor e em todos os seres pensantes; notou-se isso já no romance”MANHÃ SUBMERSA”… Mas é em “APARIÇÃO” que vêm “à tona de água” todos os problemas de fé provocados também, a nível existencial, pela rigidez da vida, no seminário. Como corrente humanista, o Existencialismo teve como precursores o filósofo Sócrates e SANTO AGOSTINHO.
Em termos restritos e mais recentes, remonta a KIERKEGAARD que dizia estar o Sujeito implicado, ao longo da vida, na sua realização pessoal pelo que, o homem, é ”LIBERDADE ABSOLUTA”, “ESTANDO CONDENADO A SER LIVRE”…
No romance “APARIÇÃO”, o DR. ALBERTO SOARES não consegue, como Professor de Filosofia, passar aos seus alunos a “Mensagem” da “Liberdade Absoluta” e acaba por ser mal interpretado pelo louco Carolino, seu aluno- problema, que, a certa altura, entende ser um deus, capaz de, com as suas mãos, dar a VIDA ou tirar a VIDA a qualquer ser! tenta então matar o Professor, desfaz o pescoço de uma galinha “enquanto o diabo esfrega um olho” e acaba por matar a estranha SOFIA CERQUEIRA, a qual, segundo o narrador- autor, já desde pequenina “que tinha percebido tudo”, onde é que a vida nos vai levar, sendo, por isso, a coisa mais natural do mundo vivê-la em toda a plenitude …do mal, principalmente e se possível!
Neste romance, VF. apresenta-nos a ideia do filósofo HEIDEGGER de que o Homem é “UM-SER-PARA- A- MORTE” já que, abandonado por um deus que o condenou a uma liberdade com a qual ele não sabe o que fazer!, o pobre HOMEM não pode, sequer, impedir a sua fatalidade final…
Convém, no entanto, penso eu, vermos que o Homem nunca é só um determinado fim, no sentido de que nunca está completo… E nós, seres humanos, sabemos bem como HOJE não somos o que fomos ONTEM e vice-versa…
Ao dizermos EU, no nosso dia-a-dia, já estamos a SER e a caminhar para a nossa concretização ou realização, como se preferir. Em nós está a presença de nós próprios, como o pai de Alberto lhe explicou, naquele dia em que ele, pequenino, se viu ao espelho e pensou que alguém estava no seu quarto. É, decididamente, uma obsessão, esta tentativa de explicarmos a existência de DEUS… como difícil deve ser a insistência em negá-Lo… ALBERTO SOARES (CAPÍTULO III) explica o seu ateísmo de um modo breve e repentino… pouco ou nada esclarecedor, por consequência: ”DEUS está morto, PORQUE SIM!”. No capítulo IX, afirma: ”DEUS MORREU, DEUS NÃO É A MINHA META, É O MEU PONTO DE PARTIDA.”
A ensaísta MARIA JOAQUINA NOBRE JÚLIO, in “O DISCURSO DE VERGÍLIO FERREIRA COMO QUESTIONAÇAO DE DEUS” diz o seguinte, numa citação de Maria Leonor Carvalhão Buescu e Carlos Ceia, in “PORTUGUÊS 12º Ano, página 380,1ª tiragem de 1999: ”A par do alto conceito que VF tem do homem, penso que ficou claro (…) o alto conceito (…) que tem de DEUS.
DEUS é, para ele, mistério insondável e não é o DEUS manipulável das religiões, mas O ABSOLUTAMENTE OUTRO. (…) Quando fala de deuses, no plural, concebe-os como criações dos homens, ídolos (…) sempre inferiores e não o GRANDE-DEUS, o SUPER-DEUS. (…) Não sendo politeísta e muito menos panteísta, não crê nesses deuses manipuláveis ou criados pelos homens…DEUS é, para ele, outra coisa, ABSOLUTAMENTE TRANSCENDENTE AO HOMEM E AO MUNDO (…)”.
A este ponto, convém recordar que Kirkegaard diz que a vida se apresenta hoje de tal modo problemática ao homem, que se torna absurdo demonstrar a existência de DEUS!
O grande escritor português deu, com esta “tremenda” obra, uma pequena amostra do incomensurável, indefinível, inexplicável problema que é, o ter-se a ideia de DEUS. Não nos satisfaz, pois cada um de nós tem a sua própria resposta… ou não tem nenhuma! Sem respostas… resta-nos a força interior, emocional da… FÉ!
Ainda hoje, como poetisa, eu trato este tema que me é tão caro, pelo receio da HORA FATAL...


BIBLIOGRAFIA:
“O Discurso de Vergílio Ferreira como Questionação de DEUS”- Mª Joaquina Nobre Júlio, in “Português A”- 12º Ano,TEXTO EDITORA –Lisboa, 1999,1ª tiragem;
“Uma leitura DE APARIÇÃO de VERGÍLIO FERREIRA, BERTRAND EDITORA /NOMEN, 1995

terça-feira, 22 de março de 2011

MADRUGADAS …


foto google




Madrugadas de cheiro a alecrim
no rosmaninho selvagem…
carregadas de orvalho, que desliza despudorado
e lânguido…
Folhas de árvore, lambidas pelo mistério da noite,
abrem-se, sensuais, aos raios do sol, penetrante…

Épica viagem do orgasmo da nocturna NATUREZA!

O precioso líquido derrama Vida a esmo…segredo puro…
…ilha dos amores desencantada…Ogígia**** desbravada…vida namorada…
Louros, silvas, giestas…ervas doces a acordarem em festa!
Madrugadas, prenúncios do dia,
entremeadas por pedaços do prazer da noite!
Noite vivida…sentida…sofrida no arfar do Amor letal…
…vital…senhor da minha eternidade material…

Noite de estrelas estendidas sobre o corpo do MUNDO,
espalhando luz e cor na minha melancolia,
roubando-me sentimentos de abulia…

Ergo histórias sensuais na noite,
nos pináculos da felicidade erecta,
que toca os céus de uma intrigante meta…
Anulo-me na deliciada impressão de que estou
a alvorecer, vinda da rota do prazer…
Almofadas pelo chão…orvalho sacro na minha mão…
Afago o corpo, descansado…
… num novo cansaço!

Cheira-me a ti, esta madrugada serena e louca,
que a natureza morreu de paixão….

Abro a janela.
Espreito a mata, onde o dia se atrasou…
Parece que deus envelheceu…a noite continua tensa
sem o calor espasmódico da tua presença…

Ciente do orvalho desta noite imensa,
sinto o fogo, divindade intensa, no centro da TERRA,
minha ilha DO sempre…eternidade permanente,

Lá …naquele ORIENTE…
ESTE…ardentemente…

OGIGIA= ilha dos amores, de "ODISSEIA"

C11L-(vds)116/ MRÇ/011

segunda-feira, 21 de março de 2011

Dia Mundial da POESIA e dia da árvore


Dia lindo! Que associação de ideias mais bela!A poesia e a árvore!Árvore= Natureza!
Haverá algum espírito poético que consiga existir, sem aludir a estes dois factores?
Passa-me pela mente a "ODE TRIUNFAL" , de FERNANDO PESSOA, na sua fase literária sensacionista! O poeta chega a comparar os motores das fábricas a florestas tropicais!
"...Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical...Rasgar-me todo, abrir-me...a perfumes e óleos...Desta floresta estupenda..." É um autêntico orgasmo poético!e fá-lo, à semelhança de WALT WHITMAN, seu inspirador, o qual celebra a natureza e faz da sua poesia um hino à vida!
A poesia de hoje consegue pôr-nos perante a questão de o que é que a POESIA comunica.Isto advém da dificuldade que os leitores modernos sentem, perante uma poesia para a qual o intelecto não está preparado, por falta de cultura intelectual, tornando os textos pouco evidentes, à primeira impressão.Um poema deve ser um processo de exploração contínua, pois a MENSAGEM que veicula, pode não ser imediata e naturalmente ,visível.
Penso que um poema é sempre a dramatização de um tema que a subjectividade do poeta cria e que expõe conforme se sente, no momento que o faz.Por vezes, bastantes vezes!- o poema que o mesmo acaba por apresentar aos leitores nada tem a ver com a primeira tentativa de escrever o que sente...Diz REYES: "Na ordem do espírito, poesia é sempre o que já FOI."
Também por esse motivo, não se pode nem se deve julgar a poesia de todos as correntes e épocas literárias pelo mesmo critério, pois se mudam os tempos e a linguagem literária,os temas são os mesmos de sempre!
Tudo funciona em termos da subjectividade do sujeito poético!
O que varia ,em qualquer poema são os processos de que o poeta se serve , a seu bel-prazer, nos aspectos técnicos e formais , distintos de entidade poética para entidade poética!O leitor é, muitas vezes e também, preguiçoso no confronto com o texto poético e recusa-se a fazer um esforço suplementar para encontrar a mensagem!Outras vezes , por falta de conhecimentos de interpretação, de atitudes de procura de filosofias e de cultura ,em geral, é levado a dizer/ pensar: "Mas o que é que o tipo quer dizer com isto?"E então , desiste ...ÀS vezes , a mensagem do poema , em si, está numa única palavra...
O TEXTO POÉTICO É UM MISTÉRIO! Tudo depende de como o poeta vê o mundo em que está inserido e por que valores se rege!Se o leitor estiver fora dessas coordenadas, pode perder até, uma obra de arte!

domingo, 20 de março de 2011

COIMBRA...JARDIM DA SEREIA...onde o CHÁ É POESIA!




Casa De CHá do JARDIM DA SEREIA...

Inaugurada a 8 de FEVEREIRO do ano em curso, poderia parecer mais uma casa destinada à restauração, mas por vários motivos não o é... Tentarei dizer-vos porquê, a meu modo, como faço sempre , quando acho que vale a pena alongar-me.

A cargo da supervisão da ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE PAIS E AMIGOS DO CIDADÃO DEFICIENTE MENTAL (APPACDM), existe ,hoje, como resultado da força de vontade e teimosia desta ASSOCIAÇÃO, que encontrou eco no humanismo de SUA EXa O SR .PRESIDENTE DA CÂMARA, DR. BARBOSA DE MELO.Esta instituição fez todas as obras necessárias para "põr em pé" a antiga casa da guarda do Jardim, entregou-a à APPACDM...e esta faz o que vemos ,agora, quando lá vamos "tomar um chá"!SOMOS ,então, atendidos, pelo sorriso largo e sincero, de utentes de centros de integração na sociedade, dignissimamente transformados em impecáveis "empregados de mesa", altivos, integrados, felizes com o seu trabalho! Tudo é modelarmente preparado pelos funcionários, de tal modo que o cheiro a chá e a amor pelo trabalho se espalharam pela cidade, que acolheu com toda a alegria, esta iniciativa!

O cansaço é muito, mas é tão bonito o trabalho e o contacto são com as pessoas, que os funcionários quase não têm tempo de se queixar! O humanismo de mãos dadas com a dignidade humana, dão-nos a garantia de sermos servidos com amor, com um cheiro a esforço, com um gosto...impossíveis de descrever!

A CASA DE CHÁ, CHEIRA A ChÁ DE AMOR!

Estive lá com a minha família e saí de lá engrandecida com o sorriso de quem me atendeu, como se eu fosse uma raínha!

Está em boa companhia o Jardim da SEREIA...O seu verde , que já foi grandioso, voltará a ser SOMBRA, a ser descoberta de paraísos perto da nossa vontade de repousar, sabendo que, na HORA do CHÁ , estamos no sítio ideal!

OS MEUS PARABÉNS E O MEU SENTIDO "OBRIGADA", A TODOS OS QUE PUSERAM DE PÉ ESTE DIGNO PROJECTO!

Mª ELISA

POEMA: NAUTILUS...

FOTO GOOGLE



Mitifiquei o amor no momento da trasfega

de uma confluência cósmica.

O tremor dos astros, atónitos, aliou-se,

para fazer cair meu ninho sobrenatural,

no imortal ensejo de fugir à refrega.



A Lua, ciosa, segurou o seu brilho natural,

que costumava plasmar em teus olhos…

Amedrontada, escondi-me numa concha de nácar

que gritava sons de Mar, para me apaziguar.



Encontrei –me numa convulsão de assimetrias

de emoções, que inibiu a força das minhas ilusões…

A utopia não aconteceu…a retesia continuou

para desespero da alma… que não acreditou…



Na cosmogenia da vida, procuro o telurismo meu

que, de súbito, desapareceu, tornando-me vulnerável.

Planos inclinados do Universo procuram a desesperada alquimia,

na Geometria das operações imperfeitas…

Tintas da cor do mar, apagaram os tons descríveis do teu olhar…

Os cheiros das vidas marinhas devolveram-me a sintonia!



O vulcão dentro de mim, alma –poesia que me alimenta,

força-me a estar atenta …

Coros de deuses e anjos, desalinhados, desafinados da harmonia

hierárquica mística, preparam-se para ouvir o nascer do dia.



Febo, robusto, aparece, imortal, por cima

da montanha vermelha, coberta de lava resvalante…

Apolo, pega na sua flauta de PAN e, a seu lado,

toca as notas da mais bela melodia, no alvor de um novo dia!



É a Vida do HOMEM-SER a acontecer!



Do alto do firmamento inquieto,

detecto uma fina voz, de estrela perdida do “rebanho “ de luz,

confusa com a fúria dos elementos, que lutam pela vida!



Que resta ao Homem, na agonia que os próprios astros consomem,

em desusada euforia?





Atravessa-me um brilho natural, uma luz de luar amigo…

…o que tratou do meu abrigo numa concha de madrepérola…

…no fundo de um mar de magia, com meu cunho de aura-fogo!

Cala-se a Noite. Não toma partido no meu encontro-vida!

Tem medo que me desfaça, tal NÁUTILOS atirado contra a carcaça

portentosa, da imersa montanha, poderosa…



E…

acordo do pesadelo!

A meu lado…

uma concha deslumbrada,

cintilante,

cambaleia

no seu odor de água salgada…









C11L- (MQC)-69/ MRÇ-2011

sábado, 19 de março de 2011

19 de MARÇO: "DIA DO PAI!

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Uma criança, qualquer ser humano, nasce da união entre um pai e uma mãe.
consagrado que está o DIA da MÃE, também o está o DIA do PAI.
Aos pais que o sabem ser, àqueles que cumprem os seus deveres de Amor, Ajuda, Ternura, Apoio de todos os géneros, endereço o meu abraço maior e sentido.
Neste país em crise de valores e de finanças, é importante o ombro amigo do nosso homem, junto dos filhos.
Não falo do peso da publicidade nos apelos à bolsa dos possíveis compradores, como acontece, normalmente, nos "DIAS DE...";falo da genuinidade de sentimentos que nos assola (ou não!) neste dia, em que um simples abraço pode marcar a diferença, no peso dos anos dos nossos "velhotes"!
FELIZ DIA DO PAI, HOMENS DE PORTUGAL!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Poema: EGO (EU II)


Eu...estátua de pedra vulgar,

na raridade da multiplicidade...



Eu...fruto de sons e energias misturadas...

...sagradas e infernais...

Eu...Mar de Fogo fundido com o grito dos animais...

...Eu...animal -verbal...palavra-magma...

som racional confundido no esquecimento do Tempo...



EU...palavra-fonte-da- palavra!

Reminiscência de cultos mágicos da PEDRA,

reescrita nas cavernas de Cronos...



EU...

do Nascer!

Acto humano...abrir a porta de Entrada para me tornar Saída...



NASCI NO MEU ACONTECER!



Eu...viagem para tribos incompreendidas- distantes-

-ignoradas-esquecidas e maltratadas!



Eu...FALA! EU....COMUNICAÇÃO (diz o deus do Tempo!)...

diz a Palavra que geme ,ao nascer, no ar que a envolve na Vulva do Viver!



Na cósmica energia do Universo que me fala

eu guardo-te, palavra...

remexo-te...

amasso-te...

dou-te a vida!



Avelaneira florida na Primavera de SEr,

atiro ao chão o caroço da NÃO-MENSAGEM!



Barco engalanado no triunfo da Viagem,

deito fora o engano da Imagem da NÃO -MENSAGEM!



Árvore verde do mundo a criar semente

trago-te no Ventre...ávida e consciente.



Diatribe pessoal , refrega de mim comigo,

Eu fujo da guerra dos dicionários e procuro abrigo no lexema-grafema-

-fonema-signo de paz=MENSAGEM!



Eu, anarquia lexical

em busca de uma pauta musical com sabor sintáctico

para dar à luz coragem-Liberdade-justiça!



Romance de mim, no âmago da minha revolução,

recuso ser o escritor ordeiro, sem alma por inteiro!



Luto por ti e contigo, Mensagem, na aragem dos Ventos

dos quatro cantos do Universo...

...disperso...

...doente...

...frio...tantas vezes adverso.



Sublevo-me!Escrevo!

Renego a pedantocracia da mediocridade, na LUZ!

Luz-palavra-reacção-------------------EGO!



Divagação intelectual banida do estilo de vida,

que o POETA adopta ao reescrever, escrever, reescrever

até à ponta do dedo com sangue, que segura a pena!



EGO...POESIA...AMOR...VIDA !



C11L-25( MRÇ)-/011