quinta-feira, 12 de maio de 2016

Poema meu









POEMA :

VAGUEIAM OS OLHOS

Vagueiam-me os olhos, sempre por outras paragens.
A loucura esgueira-se por entre fendas da memória
como fio de brisa num arrozal…como rasto de jacto
num céu-igreja-azul…
e, como fio último de luz a escorregar pelos ombros
dos anjos,
vagueiam-me os olhos, sempre por outras paragens.





Sento-me para me Pensar.
Vejo a espuma a morrer no areal,
vinda das águas do mar.




Ergue-se a Luz.
Os jardins reaparecem nas asas das aves, que se roçam
pelos botões de rosa-a-abrir.




À luz pintalgada do sol, filtrada pelas árvores verde-escuro,
junta-se o som violino de brisas inquietas
no amanhecer do Pensar…




Impressas na face, estão-me rosáceas bordadas a ponto-cruz…
…ponto-cruz com cores de infância onírica
bordada a raios de púrpura luz
dos rótulos dos armários,
onde guardei imagens do teu abecedário.




Mas, só a Verdade conta…
E então, nasce o poema, tecido com letras preocupadas,
depois de me ter repousado, por um momento, no pensamento…




Complexos padrões do céu desconhecem
os momentos da transparência
de um beijo claro-como-água,
que fechei à chave,
no ouro do portal da minha mágoa…




Pequenos moinhos de vento, esparsos pelas colinas,
cantarolam uma estranha melodia,
na peculiar forma do confronto da harmonia
com o dia.




Vagueia-me o olhar pelas paisagens de Não-Saber…




Maria Elisa Ribeiro
Junho/2014

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