segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Poema meu!








POEMA:

MEDITAÇÃO À SOMBRA DO VELHO MAR

À sombra, porque a sombra não tem cor…

Por vezes passo horas a meditar à sombra
desse mar-velho, resignado, absoluto.

E doem-me sempre
as cores das coisas que não consigo entender.

Olhei para a espuma antiga das ondas sempre-a-rolar…
mas não consigo entender se aquela sombra onírica
é branca, acinzentada, ou mesmo se a água do velho elemento
é azul ou esverdeada.

Nada é tão verdadeiramente distinto
como o “ramalhete rubro
das papoilas” vermelhas do pic-nic de Cesário…

E será que algumas rosas brancas, quando largam gotas de orvalho,
choram por não serem amarelas, ao nascerem no velho atalho?

Poderei eu pintar o meu poema de meditar
à sombra do velho mar,
com matizes coloridos, a brilhar?

Todas as manhãs começo o meu-dia-a-SER!
Hoje Sou, à sombra do mar que vem pelo areal
e foge a esconder-se na crista das ondas,
um poema-construir,
onde enganarei a sombra das memórias das gaivotas
que o foram tentando desvendar.

Enquanto SOU, sinto-me absoluta!
Porque o absoluto-sem-MIM-não-é-VIDA-nem-ETERNIDADE!
E porque o meu Absoluto não-é-teu, mar sombrio,
mas sim de um INFINITO que não consegues suplantar,
mesmo que te desfaças a fazer caretas contra as falésias
que queres dominar…

Maria Elisa Ribeiro
JLH/018 

Boa noite, meus amigos!

 

Boa noite, amigos!






 Poema da série "GOTAS POÉTICAS"




GOTAS POÉTICAS
Que nítida raiava a tua face, quando
minha voz sussurrava ao teu ouvido!
Era, decerto, um sol indefinido
que de muitos sonhos me acordava.
As brisas murmuravam sob o céu,
as flores estendiam seus aromas
e sob os raios de sol, tua face
era mais quente que qualquer outra chama.
A abelha, com artes divinas,
fazia do suco das flores a cera e o mel.
Eu, com teus lábios,
ia registando triunfos, em tiras de papel.
O sol trouxe recados
de calor e esperança,
de ansiedade e vida
que, brilhantes, raiarão
na nossa face,
quando essa voz murmurar
aos nossos sentidos.
Maria Elisa Ribeiro
SET/015-Foto Google

domingo, 16 de agosto de 2020

DE UM SOPRO…




DE UM SOPRO…
…um poema enfrenta o mundo carcomido de tédio.
…nele, sinto a memória engalanar-se na recordação
da música do sol de Capri,
onde areias ondulantes das brisas de mar
temperam os sorrisos das humanas incertezas …
De um sopro,
… voam gaivotas a romper as nuvens brancas da ilha azul
de mar temperado pelo sopro dos deuses,
enquanto o poema sorri do tormento do vento
que não vence a luz do sol,
e ouve a música-natura do meu claro-escuro-sopro-poético,
em frenética ânsia de sonho…
De um sopro,
… o pôr do sol deita-se a meu lado
impelido pela força do rebentar da noite…
...respiro a aragem envelhecida do dicionário
que expele lexemas dourados
a suspirar liberdade…
…e meus dedos acariciam sua pele macia de poema que anseia ultrapassar
promontórios fragmentados de sonhos-a-pretender-viver.
De um sopro, enfim,
cai a noite…tiro a máscara da dúvida…
e oiço a música do mar revolto a cantar pigmentos de sereias
a-passear-no-dorso-do-meu-poema.
Maria Elisa Ribeiro
NOV/13


sábado, 15 de agosto de 2020

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Boa tarde, meus amigos!

 De Rudyard Kipling, in O Citador, Net:

És Um HOMEM, Se...
Se és capaz de conservar o teu bom senso e a calma,
Quando os outros os perdem, e te acusam disso,
Se és capaz de confiar em ti, quando te ti duvidam
E, no entanto, perdoares que duvidem,
Se és capaz de esperar, sem perderes a esperança
E não caluniares os que te caluniam,
Se és capaz de sonhar, sem que o sonho te domine,
E pensar, sem reduzir o pensamento a vício,
Se és capaz de enfrentar o Triunfo e o Desastre,
Sem fazer distinção entre estes dois impostores,
Se és capaz de ouvir a verdade que disseste,
Transformada por canalhas em armadilhas aos tolos,
Se és capaz de ver destruído o ideal da vida inteira
E construí-lo outra vez com ferramentas gastas,
Se és capaz de arriscar todos os teus haveres
Num lance corajoso, alheio ao resultado,
E perder e começar de novo o teu caminho,
Sem que ouça um suspiro quem seguir ao teu lado,
Se és capaz de forçar os teus músculos e nervos
E fazê-los servir se já quase não servem,
Sustentando-te a ti, quando nada em ti resta,
A não ser a vontade que diz: Enfrenta!
Se és capaz de falar ao povo e ficar digno
Ou de passear com reis conservando-te o mesmo,
Se não pode abalar-te amigo ou inimigo
E não sofrem decepção os que contam contigo,
Se podes preencher todo minuto que passa
Com sessenta segundos de tarefa acertada,
Se assim fores, meu filho, a Terra será tua,
Será teu tudo que nela existe
E não receies que te o tomem,
Mas (ainda melhor que tudo isto)
Se assim fores, serás um HOMEM.
Rudyard Kipling
Nenhuma descrição de foto disponível.
Susana Duarte, 

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Boa tarde, meus amigos!

 





O MUNDO RESPIRA

Chega com o amanhecer
o anónimo e invisível respirar brilhante do mundo.
Chegam as aves, as flores abertas, chega a vida
que faz a Vida com que se respira, até ao ar do crepúsculo…
…se o Futuro o quiser…
Levantam-se os trevos de quatro folhas…vivos, fortes,
orvalhados, prontos a embelezar as pedras empoeiradas
dos caminhos onde, até a caruma humedecida de orvalho
faz lembrar o cheiro a ouro, que os montes de trigo deixam no ar.
Parecem saltar os grãos já crescidos, com o conúbio das noites.
A luz do novo dia espalhou-se. Cheira a terra molhada.
Abro a janela, apanho a brisa na face e o vento nos cabelos.
Estendo o corpo a saudar o mundo de girassóis,
abertos até ao céu e carregados de insectos famintos de sede ...
O canto das milhentas cigarras cantoras, lembra-me, de repente,
sinfonias de grandes compositores.
Entretanto, preparei o café da manhã, para beber naquela nossa mesa
tão grande, tão só como eu a cantarolar a tristeza escondida…
Maria Elisa Ribeiro
AGT/017-----Foto do Google

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Boa noite

BREVES
Sinto que demos o nosso último abraço…
Vais partir e deixarás para trás espaços vazios
que adivinhavam a tua ausência, ao verem que
há tempo os percorrias sem alma, sem aquela alegria
que me animava a alma…
Sei que colarei meus lábios à parede onde
tantas vezes me encostaste, para me fazeres sentir
que já estavas comigo…
Eternamente, terei nos lábios o sabor do beijo
que ,hoje, nos não daremos…
Depois, limparei vestígios de ti,
fecharei janelas e portas,
apagarei a luz da entrada que já não serve para nada,
e sairei também…
Irei para onde possa recordar que, no fim de contas,
tive da vida muito mais do que jamais esperei…
Maria Elisa Ribeiro
JULH/018
A imagem pode conter: noite
Susana Duarte, Rosa Fernandes e 14 outras pessoas
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domingo, 9 de agosto de 2020

sábado, 8 de agosto de 2020

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

POEMA
CÓPIAS-DE-NÓS-OUTRORA-COMO-HOJE
trago à luz a mão que me escreve e me torna um rasto de
pedaços de frases. que gritam línguas de estranhos contornos e sonoridades.
ecos de uma onda de memórias. que me querem afastar ,em ondas de espuma,
do dia dos novos rumos das aves.
o tempo foi das palavras esfomeadas num silêncio entre sílabas, ao abandono.
a chuva embacia-me o olhar e mancha-me o sorriso.
o oceano geme vagas descontroladas da minha fome de anexar
fonemas-em-despedidas-de-silêncio.
sacio-me.
crio-me, talvez, num poema onde prendo vocábulos
à pena que desliza pelo branco papel, numa súbita vertigem
de luz a gritar mares de Distantes origens.
quase-poema…
quase -falta-de-poema…
quase Eu -para-ser-um-tema…
escorre música de uma velha janela voltada para os tempos
da infância…Que distância!
o mar, bem sei, fala todas as linguagens do mundo…
ele é uma fotografia do que não é possível esquecer…
…horta de algas…cave-sótão de marés…tempestade de encharcar poesia-na-memória-construtora de novos mundos…
Trago à luz a mão de um mar medieval que continua a chamar pelo nome,
[o nome-de-Portugal…
…e as asas tenras das velas latinas saltaram muros de frustrações
e aportaram às canelas
de todas as convicções…
Cópias de nós permanecemos, no Outrora de sistemáticas ilusões
de ONTEM-NO-HOJE...
Maria Elisa Ribeiro- Portugal
JLH/018
A imagem pode conter: céu, nuvem, ar livre e água
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quarta-feira, 5 de agosto de 2020

VIDA-NA-VIDA

As palavras gritam o sangue vermelho que corre nos caules
das pétalas das rubras rosas, esfuziantes de vida.
A seiva rubra explode no vermelho da Primavera
(que não grita!)
mas que responde e expande toda a beleza colorida
(do mundo das flores)

(beleza em sangue beleza exangue)

das amendoeiras e laranjeiras em flor,
das avelaneiras
frondosas e coloridas,
dos pássaros em voos atrevidos
e dos preciosos pinheiros pátrios.________________

Abelhas, borboletas e demais insectos dançam nos frontispícios
da beleza solar, da primavera ciclicamente a chegar…
…sempre a voltar…sempre a cortar os ares…
…sempre nova…sempre única…
…sem que eu a possa imitar!

Maria Elisa Ribeiro
JNH/018

terça-feira, 4 de agosto de 2020

domingo, 2 de agosto de 2020