sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

LITERATURA PORTUGUESA: ANTERO DE QUENTAL


: ANTERO DE QUENTAL

“ANTERO DE QUENTAL (A.Q) foi uma das almas mais atormentadas pela sede de INFINITO, pela fome de eternidade. Há sonetos seus que viverão enquanto viver a memória dos homens, porque serão traduzidos, mais tarde ou mais cedo, em todas as línguas dos homens atormentados pelo olhar da ESFINGE”-MIGUEL DE UNAMUNO.

Ao começar a estudar, ou mesmo só a ler, a poesia deste homem ímpar, na nossa história literária, vemos que a mesma é marcada por duas fundamentais características do seu carácter que, ao reflectirem-se na sua obra, nos mostram, pelo menos, dois lados distintos do poeta, ou, se quisermos, dois “Anteros”: um, o Antero APOLÍNEO, que exalta A LUZ, A RAZÃO e o AMOR; o outro, é um ANTERO NOCTURNO, marcado pelo Pessimismo, pelas Dúvidas existenciais, pelos cantos à NOITE, à MORTE, ao descanso FINAL.
O seu nome vem, muitas vezes, ligado ao aparecimento e implantação do REALISMO, em PORTUGAL. Na realidade, A.Q. foi um dos membros da difusão das ideias revolucionárias que a estética literária realista trazia consigo, tendo feito parte do grupo de estudantes de Coimbra, ao qual pertenciam EÇA DE QUEIRÓS, OLIVEIRA MARTINS E BATALHA REIS, conhecido como “A GERAÇAO DE 70”(1870), que tomou parte na célebre “QUESTÃO COIMBRÔ e nas “CONFERÊNCIAS DO CASINO”. Cada vulto da Literatura Portuguesa é ímpar nas suas características e AQ não foge à regra. Ele pensou PORTUGAL e o HOMEM, nos seus ensaios revolucionários e na sua POESIA, também ela, revolucionária!
Viveu tempos conturbados do Pensamento, integrado na vida buliçosa do meio coimbrão, dos anos de 1870. Nessa altura, a Universidade fervilhava de novas ideias e novos ideais, como consequência da Revolução Francesa, que espalhava por toda a EUROPA uma nova forma de vida, baseada nos princípios de LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE. Os jovens da Universidade de Coimbra, ajudados pela rapidez com que os comboios traziam até nós as obras que falavam das novas ideias, elegeram AQ como seu mentor.
Conhecido pela sua honestidade, pelos seus princípios perante a vida, acharam que seria o Homem ideal para lutar por uma nova sociedade, neste PORTUGAL adormecido. Estava a sociedade portuguesa, neste momento, pelas vozes de Eça de Queirós, principalmente, mas também de Oliveira Martins (OM) e de BATALHA REIS (BR), a tentar deixar a mentalidade romântica, para se lançar, em cheio, no REALISMO/NATURALISMO.
AQ ajudou os jovens revolucionários, participando nas “CONFERÊNCIAS DO CASINO” com uma palestra que, só vos digo!... fez cair “o CARMO E A TRINDADE”! Intitulava-se essa conferência ”CAUSAS DA DECADÊNCIA DOS POVOS PENINSULARES, NOS ÚLTIMOS 300 ANOS”.
Nesse documento, que provocou escândalo, AQ “batia” forte e feio, na MONARQUIA, NA IGREJA E NOS DESCOBRIMENTOS PORTUGUESES, que, segundo Antero nos deram riquezas fátuas, pois não nos ensinaram a trabalhar, mas sim a viver “dos rendimentos”… É claro que, nessa altura, a Monarquia pôs logo fim, à “orgia” revolucionária dos estudantes de Coimbra.
Em meu entender, a única coisa que mete medo aos grandes e poderosos é a força do Pensamento dos “pequenos, pois ainda não conseguiu “cortar” a sua raiz…embora, muitas vezes lhes tenha mandado cortar a própria cabeça….
Foi só este o contributo de AQ para a implantação do REALISMO, em PORTUGAL; este e as sessões literárias a que assistia e onde dava opiniões para um mundo melhor. Para além disso, ANTERO enveredou por uma linha romântica, da qual toda a sua poesia é um verdadeiro documento. Até a sua personalidade, com tendências depressivas, ajudou ao clima de tragédia que rodeou a sua vida. As muitas leituras de múltiplos e variados autores revolucionários ajudaram a contribuir para o seu desassossego de alma.
PROUDHON e as teorias de um socialismo, perfeitamente utópico! levaram-no a sofrer com as injustiças praticadas sobre os pobres, os desprotegidos e os infelizes, de um modo geral.
No capítulo poético, a vida de AQ dividiu-se em quatro partes principais: o tema da MULHER; o que reflecte o período revolucionário do tema do Socialismo utópico, onde AQ demonstra uma grande preocupação com as injustiças sociais; o tema do pessimismo e o tema do retorno à ideia de Deus.
Vejamos a sua atitude romântica, perante a MULHER, que, para ele é o anjo do ideal, sem mal nem impureza, atitude contrária à do romântico ALMEIDA GARRETT, na colectânea “FOLHAS CAÍDAS”…. O poema “IDEAL”: “AQUELA QUE EU ADORO, NÃO É FEITA/ DE LÍRIOS NEM DE ROSAS PURPURINAS, /NÃO TEM FORMAS LÂNGUIDAS (…) NÃO É A CIRCE (…) NEM A AMAZONA (…) É como uma miragem que entrevejo (…) NUVEM, SONHO IMPALPÁVEL DO DESEJO.”E a mesma visão se encontra no poema “BEATRICE”…
A busca do ideal, não a confinou A.Q. apenas à MULHER! O poeta lutou como um verdadeiro romântico, por um mundo marcado por ideais de justiça, de fraternidade, de humanismo. Apoiou-se, no entanto, ao contrário dos românticos que privilegiavam o SENTIMENTO, na RAZÃO, a quem chegou a chamar, numa belíssima Personificação, “irmã do amor e da justiça”.
E isto leva-nos à segunda fase da poesia anteriana, a do apostolado social, onde a sua elevação de carácter e o amor à revolução de ideias, costumes e sistemas, o levam a considerar que “A POESIA É AVOZ DA REVOLUÇÂO”, facto comprovado no soneto “A um poeta”, onde pede aos mesmos que não “adormeçam”, enquanto o povo sofre, e que transformem o mundo “num campo de batalha de novos ideais de vivência”: “Ergue-te, pois, soldado do Futuro/E dos raios de luz do sonho puro/Sonhador, faze espada de combate!”
Quanto ao tema do socialismo utópico: através de um certo paganismo, influenciado pelas leituras das obras de Hegel, Proudhon, Michelet, Marceau, Schopenhauer e outros, ele empreendeu uma luta tenaz pelo desenvolvimento, pela melhoria de vida dos operários e infelizes não bafejados pela sorte. Nesta fase poética. A, Q. divinizava a IDEIA, a RAZÃO e a JUSTIÇA.
A seguir, no seu percurso, parece antever “UM PALÁCIO DA VENTURA”, uma onda de esperança na FELICIDADE que se demonstra não ser verdade… “O cavaleiro andante” das causas perdidas cai, desta fase de PESSIMISMO, num período de desespero metafísico, em que retorna, APARENTEMENTE, às suas origens cristãs, mas que, apesar de poemas como “NA MÃO DE DEUS”, não é senão uma ilusão, pois o deus a que se reporta e na mão do qual quer descansar, é a MORTE, a NOITE ESCURA, a DESILUSÃO, que pedem descanso eterno! Oliveira Martins, um dos inúmeros estudiosos da sua obra, afirma:”ANTERO é um poeta que sente, mas é um raciocínio que pensa. Pensa o que sente; sente o que pensa”. Doente e cansado, com o encargo da adopção de dois filhos de um amigo falecido, na flor da vida, desanimado, sobretudo, por não ver o mundo a rejuvenescer, caiu num estado de PESSIMISMO, que marca a sua terceira fase literária, num poema “O palácio da ventura”, onde mostra ser como um cavaleiro andante, nos mistérios do universo, em busca da felicidade que parece estar ali, ali mesmo! mas que redunda em pura ilusão!:”MAS JÁ DESMAIO (…) dentro encontro só, cheio de dor, /Silêncio e escuridão nada mais!”
Quanto a mim, depois de ter lido e intuído a poesia de Antero, cheguei à conclusão de que a busca de uma relativa felicidade faz parte de um caminho longo e sempre inacabado, porque cheio de “pedras”, de desilusões insuperáveis, de decepções tremendas, restando-nos a Esperança de podermos viver um pouco melhor, num FUTURO que não sabemos se teremos ou quando acabará.
Falta referir-me à última fase dos sonetos de Antero, do Pensamento marcado por um tal desânimo que, aliado ao isolamento, ajudou a que, em 11 de Setembro de 1891, num banco de jardim, nos Açores, sua terra natal, ele desse um tiro na cabeça. Nesta última fase, parecia que o poeta tinha reencontrado a fé da sua infância, ao deixar-nos poemas como “NA MÃO DE DEUS”, “À VIRGEM SANTÍSSIMA”, “A UM CRUCIFIXO” ou “SOLEMNIA VERBA”… Pura ilusão! Este deus de que Antero falava era, nem mais nem menos que a MORTE, A NOITE ETERNA, o DESCANSO FINAL a que ele chama, no soneto “NOX”, ”NOITE DO NÃO-ser….

NOTA: texto longo, que é, apenas, uma ajuda para quem tem que conhecer ANTERO de QUENTAL, mais profundamente. O texto não dispensa aulas de PORTUGUÊS por parte de alunos, e é somente uma súmula da história literária deste grande poeta, destinada a um público menos especializado na matéria.

BIBLIOGRAFIA
“História da literatura Portuguesa” de António José Saraiva e Óscar Lopes, 1979, 11ªedição, PORTO EDITORA;
“Dimensão Literária”de Vasco Moreira e Hilário Pimenta, PORTO EDITORA;
“História da Literatura Portuguesa-XVII/XX, de António José Barreiros, 5ªedição, EDITORA PAX.

Maria Elisa Rodrigues Ribeiro

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011


“… deus EM RUÍNAS…”



Eu, ser humano em ruínas,
“deus- homem” destroçado,
procuro a minha reconstrução…
Mas os deuses invejosos,
ciosos das suas perfeições fictícias,
não consentem que levante a minha habitação.

Os deuses falham, também…
Não são perfeitos… pois não!
E eu dedico-me a espreitar a vida interior,
à espera da revelação.

Pequenos , na grandeza que supõem ter,
esses deuses imperfeitos,
exilados do mundo das perfeições,
perderam a magia com que os via…

Seres banais, como os mortais,
condeno-os a progredir no caminho do Porvir,
fazendo o trabalho da reconstrução
do mundo antigo, perdido,
que procuro, em vão…

Recuso-me a ser a ruína de mim!

NÃO QUERO SER deus EM RUÍNAS!

Há meios para me elevar do fim de Mim!
O meu interior imaterial, espiritual,
levanta-se ,severo, contra deuses, com fim…

Noutras minas acharei,
o ouro puro de lei,
que é minh’alma a Sorrir!

Olharei as florestas,
o verde das suas ramas,
os ninhos das avezinhas
e acenderei a chama do meu SER-ESTAR…

Mãe – Natureza! Beleza plantada
dentro do meu sofrer,
ajuda-me a Viver!

Sou druida dos tempos idos
plantada no meu PRESENTE,
que com a força da mente
dará novas flores às gentes.

Vida da minha Vida no campo a germinar,
quando a Terra estrumada, adubada, fortalecida,
me fará parir alegria e beleza
no acto de estar à mesa…

Olhos no Céu
exijo ser Eu!
Ser deus que não morreu,
que não se pôs em ruínas.
que quer outra”HABITAÇÃO”…
onde more um Mundo novo,
que devo reconstruir…

Veleidades? Utopias?
É claro!
Isto é fruto de certos dias…

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Cantigas TROVADORESCAS(III-ª parte): CANTIGAS DE AMOR E DE ESCÁRNIO E MALDIZER


Dediquei, já, dois artigos despretenciosos e simples, a esta temática.
Concluo-a ,hoje, falando do tema-título deste post.

As CANTIGAS DE ESCÁRNEO E MALDIZER lembram as anedotas de hoje ,sobre os tipos sociais que merecem ser tratados com humor e...porque não? com um certo rancor, tão desagradáveis são. Os trovadores criticavam, em versos, por vezes obscenos, os malandros, os cavaleiros cobardes, os outros trovadores, o clero, os reis....etc Tudo criticavam, os Trovadores!Aliás, sabemos como os portugueses têm o dito fácil, quando se trata de pôr a ridículo personagens e assuntos.
estas Cantigas sofrem já a influência dos trovadores provençais, que começavam a "rodar" pelos salões de todas as cortes da Península e da França, nomeadamente da PROVENÇA.
Estas CaNTIGAS já são mais trabalhadas e ricas em vocabulário e forma ,havendo-as já de MESTRIA, de REFRÃO e as TENÇõES, que são dialogadas.
Os temas eram variados: a entrega dos castelos ao CONDE DE BOLONHA(um caso da nossa história medieval que envolvia o rei SANCHOII e o CONDE DE BOLONHA), a cobardia dos cavaleiros na GUERRA de GRANADA, as pretensões dos poetas pobres e humildes, a vida duvidosa das soldadeiras( mulheres de vida duvidosa que cantavam as canções acompanhando os jograis e os trovadores), os amores entre fidalgos e plebeias, as mentiras de amor, o desconcerto do mundo, etc.

Mas ...mais complicadas e elaboradas são as CANTIGAS DE AMOR, DE pura influência provençal, em que os trovadores juravam às "SENHORES" feudais um amor de vassalagem, um amor cortês com regras rígidas a seguir ,nomeadamente a reputação das "SENHORES".
A cortesia amorosa é o único tema abordado nas "CANTIGAS DE AMOR"; cantigas há, no entanto, em que o trovador e a "senhor" se envolviam ,intimamente, fazendo surgir muitas cantigas cheias de erotismo.

O amor fatal, o amor que intimida, o que enlouquece, o amor que mata, a saudade desenfreada...tudo ali se documenta, com profusão!EM suma: nestas cantigas, quem ama, sofre!Nestas cantigas, o trovador dedicava-se a uma única "senhor"jurava-lhe amor eterno e dedicado, demonstrava timidez em falar à sua dona ou "senhor", enchia-as de tantos predicados físicos e morais que era impossível existir tal mulher! Ela era a "mais bela, a mais dotada de virtudes, a que melhor sabia falar, sorrir e estar, de acordo com as circunstâncias, "a mais comprida de BEN", aquela que mais lindos olhos tinha,...eu sei lá que mais!

Um dos nossos maiores e mais importantes trovadores foi o rei D.DINIS que demonstrou serem os trovadores provençais uns oportunistas "porque so cantavam e tinham inspiração NO TENPO EM QUE A FROL Á""( a primavera!)e depois que esse tempo passava, eles perdiam a inspiração! MAS , ele não! ELE CANTAVA À SUA DONA EM TODO O TEMPO....

O tema é vasto; dei algumas "luzes"...Quem quiser aprofundar esta matéria deve procurar uma biblioteca ou obras literárias sobre a mesma.

O meu próximo post será sobre O ROMANTISMO, para poder falar de ALMEIDA GARRETT.


Mª ELISA RIBEIRO

sábado, 12 de fevereiro de 2011

POEMA:ÉVORA...LOIRA SEARA...

foto google




“ÉVORA…LOIRA SEARA…”




Longínquos sussurros de searas ondulantes
atenuam raivas, contidas no “Presente”;
Cabelos de trigo esparsos aos ventos
lembram algas de velhos “campos”…

Searas sereias da terra doirada
mergulham em tons de mar azulado,
dispersas nos braços do suave encanto
dos queixumes da minha beleza “ESPANCA”…

Dores magoadas de amores perdidos
nos longos antros da melancolia,
despiam-te a alma, que ainda espanta
quem te lê e te crê, no dia a dia.

Trigo loiro de ÉVORA! riqueza
de oiro vestido, sem qualquer surpresa!

Teus cabelos ondulantes de POESIA gritante
contrastam com o outro loiro, brilhante.

Vem, amiga, senta-te à mesa!
Bebe teu cálice, longe da tristeza!

“Presente- ausente” no meu dia a dia
aqui estou, distante,
em tons de vento ululante
cantando searas doutras caravelas
que, em poesia, se tornam mais belas!

Meço teus passos, no labirinto
de tua alma sentida POESIA…
O vento desperta…
O ar aquece e o tempo alerta.
Teu Alentejo de nobres rumorejantes ondas
canta de tons ora azuis…ora loiros…ora moiros…

E eu, no meio deste trigo loiro,
cheiro-me seara humana,
pronta a encontrar a alma
que dimana, de um campo de oiro…

Mª Elisa Rodrigues Ribeiro

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

POEMA:ACEITAR VIVER...É URGENTE!

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Reconheço que este poema é um pouco mais arrojado! Quis mostrar que, também no campo erótico se pode fazer poesia. O homem é matéria e espírito.As doutrinas da TEOLOGIA católica dizem que DEUS afirmou:" CRESCEI E MULTIPLICAI-VOS!" No entanto, a mesma procura condenar tudo o que se relaciona com a VERDADE-SEXO! Não alinho em hipocrisias!Daí, este poema, que vai na linha de outros que já publiquei!
Mª ELISA(MARILISA RIBEIRO)







ACEITAR VIVER…É URGENTE!



Meu espaço íntimo,
Meu quarto odoroso de perfumes naturais,
Mágicos…a lembrar horas de sedução sem fim..
Apoiada na travesseira,
Saboreio momentos não vividos…recordados
Porque apetecidos…
Ao lado do encanto místico(acto sagrado)…lá fora
Um manto de neve pura
Na sua alvura, cobre a planície.
Na mesa de cabeceira…DAVID MOURÃO-FERREIRA!
(Cantos do PERFUME DE MULHER
Como nenhum OUTRO…qualquer!
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Empurras-me, ternamente.
Até onde me vais levar…?
Quero lá saber!...Empurra-me!
Pode ser até ao abismo
Do SER-ANIMAL-TOTAL…SEXO????????????????????????????????????????????
Talvez até outro abismo…o do teu amplexo…
Isso não me preocupa! Leva-me…
Vive de VERDADE, quem vive como um SEGREDO
MAGIA-ILUSÃO-PAIXÃO!
Tu és o segredo que em mim perdura…no NÃO-ACONTECER!

Colossal ternura! Sem nexo…
Perante mim, desfilam imagens coloridas das horas de …ILUSÃO??????
Tenho nos lábios o hálito do teu DESEJO…
Meu sexo! Transformado em tempestade!....................................................

Sinais da minha VERDADE feita VONTADE
Permanecem na tua humidade sussurrante…
Cascata de desejo deslizante…
E foi só um instante!
Mas as aves ulularam…
…as árvores vergaram…
,,,os ventos desmoronaram as águas do MAR,
Que tremeram!

Nas profundezas do AMOR, uma sagrada porta se abriu!
Como concha esbranquiçada, sai a Pérola…
Cheira a sal da maresia da rocha pegada ao fundo do MAR…………………….
AFRODITE , em glória, nasce do NADA
Na beleza nacarada da MEIA-LUA-CONCHA!

Erotismo bivalve de prosperidade carnal
Num leito feito desfeito
De areia sexual…
MULHER-DEUSA!
SEGREDO –DA- PERPÉTUA REGENERAÇÃO
Da VIDA…

MATRIZ-ÚTERO!

Num impulso, apoio meu pé no teu tronco!
Na medula do prazer, procuro o meu GRAAL,
Escondido na vulvar caverna da concha
Que lava, no nácar, o corpo da deusa do AMOR…

SOU FOGO-PEDRA-RAIO!
Sou AMOR em suspensão
Nas margens oníricas do viver!
Sou VÉNUS E SONHO LUA!

Escondo meus mistérios nas flores
Da sublime religião do AMOR…
…que chama!...
…que É chama!...
E PROCLAMA do SONHO A VONTADE DE SE DAR………………………………….

DAR-SE…
DESPOJAR-SE…
ANULAR-SE…


ACEITAR VIVER…É URGENTE!

MARILISA RIBEIRO C10J-(mqc)65/FEV/011

O lirismo Galaico-Português autóctone e o de origem provençal...

foto google




Em seguimento do tratamento que pretendi dar ao lirismo português dos princípios do anterior milénio, falo-vos ,hoje, muito sucintamente, das CANTIGAS DE AMIGO, nossas...aqui nascidas, cantadas e espalhadas, de geração em geração, com uma característica formal, que as torna únicas no contexto do lirismo peninsular: são PARALELÍSTICAS!

As romarias, as danças ligadas aos rituais primaveris,a saudade provocada pela ausência dos namorados(AMIGOS!)nas lutas contra os muçulmanos hostis ao senhor feudal, o mar, as relações com a mãe, tudo isso levava as raparigas(meninhas, donzelas, louçanas, fermosas), a cantar ,de manhã à noite, quer se encontrassem nos campos ,nas fontes,no lavadouro,na praia ou à beira-rio!Poesia espontânea, ingénua, fortemente afectiva, exprimia sentimentos de AMOR, SAUDADE e PREOCUPAÇÃO da "AMIGA" para com o seu "AMIGO!

Interessante nas nossa CANTIGAS DE AMIGO é o facto de elas serem feitas por homens, os TROVADORES, que demonstram deste modo, o profundo conhecimento da alma feminina, qual Psicólogo que tudo sabe e tudo compreende!De tal modo o faz, que o leitor se esquece desse facto e fala das queixas das "MENINHAS"!
Muitas dessas CANTIGAS, da autoria do nosso rei D.DINIS, são, inclusivamente, dialogadas, como se a NATUREZA fosse o confidente natural das donzelas: "
- Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo?
ai, DEUS, e u é?(novas=notícias, e u é=onde está?)
(...)
_ Vós me perguntades polo voss'amigo?
E eu ben vos digo que é san' e vivo:
AI deus, e u é?(...)

O refrão indica, precisamente ,que estas cantigas passavam de modo oral, de geração em geração! não havia escolas e o povo , nomeadamente as raparigas simples, não sabiam escrever!
Já referi que, com o decorrer das gerações, estas cantigas foram recolhidas em livros especiais, chamados CANCIONEIROS.
Através das cantigas recolhidas ,vê-se como estes livros se tornaram documentos importantes para o estudo da vida portuguesa, NA IDADE MÉDIA, dos séculos XII a XIV.
Pelos registos aí efectuados, pode ver-se o que se comia, o que se vestia, como eram as casas, as roupas, a alimentação, os usos, costumes e tradições.

Outro local importante das preocupações da donzela, é o mar ou a beira dos grandes rios, onde o amigo ia lutar ou pescar.
Numa ingénua cantiguinha ,diz a meninha:
"Ondas do mar de VIGO,
se vistes meu amigo!
E ai DEUS, se verrá cedo!(verrá=virá)(...)
Noutras , o problema é a ida à fonte ,não especialmente para ir buscar água à fonte fria, rodeada de arvoredo, mas o encontrar-se com o seu amigo...
E aí, a mãe ora compreende ,ora não...porque também já foi moça e sabe como são as coisas...

Sei que muito há a dizer sobre esta matéria, mas é quase impossível tornar o post mais longo...Sei ,também, que quem gostar desta matéria, procurará completar os seus conhecimentos...
Deixo-vos com uma ideia expressa pela estudiosa de LÍNGUAS, LUCCIANNA STEGAGNO PICCHIO,a qual considerou as nossas cantigas de amigo como as mais perfeitas e belas
DA EUROPA!(não é pouco!)

Maria Elisa

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A FALTA DE CUIDADOS DE SAÚDE...

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É um tema incontornável! Choca ,cada vez mais, ver que os portugueses estão condenados a morrer, porque se vão fechando a um ritmo alucinante, as fontes às quais, pagando os impostos que pagamos, deveríamos ter direito!

Acabo de saber que um amigo ,jovem de 50 anos de idade ,está doente, com cancro da próstata, militar de carreira, homem na pujança da vida...condenado à falta de tratamentos , "POR CAUSA DA CONTENÇÃO DE DESPESAS" ,como lhe foi dito pelo médico!

Portugal adormeceu a pagar tantos impostos! Perdeu a coragem de "varrer" esta comandita A tiros de caçadeira! Quem ouve "esse cadáver ambulante(que até já procriou!)esse mentiroso hipócrita penitente da RELIGIÃO-HIPOCRISIA que dá pelo nome de sócrates, já não liga ao que o cadáver político diz, mas continua a aceitar as "cangas" que nos está a PÔR no pescoço!Agora com a ajuda das ideias fascistas e hegemónicas da alemã merkel e do inútil sarkozy!

Acordemos ,portugueses! Há vassoiras à venda, em quantidade suficiente, para limpar o penico em que se transformou PORTUGAL DAS CARAVELAS!
Pagamos para a SAÚDE? QUEREMOS DIREITO À SAÚDE E não a condenação À MORTE, porque não temos mais dinheiro para engrossar a bolsa dos PRIVADOS!
OS BOYS DESTE PAÍS NÂO PRECISAM DOS HOSPITAIS PORTUGUESES! ELES VÃO DE GRAÇA IMEDIATAMENTE PARA FORA DE PORTUGAL!

ABAIXO A CLASSE DA HEGEMONIA DAS BENESSES!
ESTE PAÍS NÃO É PARA VELHOS ,NEM NOVOS, NEM CRIANÇAS NAS ESCOLAS!!!!!!!!!
ESTE PAÍS É PARA A CAMBADA CORRUPTA!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

4 de FEVEREIRO de 1799...NASCE ALMEIDA GARRETT

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Hoje , 4 de FEVEREIRO, é um dia rico de recordações, em termos de História de todas as artes.

Faz anos que foi criado o FACEBOOK! Faz 50 anos que começou a luta armada de "libertação" em ANGOLA!Faz anos que,no PORTO, nasceu um dos maiores romãnticos europeus, ALMEIDA GARRETT.
É justo recordar este homem que, ao lado de ALEXANDRE HERCULANO, embora em anos diferentes, ajudou a introduzir o ROMANTISMO em PORTUGAL, movimento LITERÁRIO que já vigorava na EUROPA e que ,entre nós vinha sendo anunciado por poetas como BOCAGE!

Não é ,para já, que quero falar mais completamente, sobre a obra do grande escritor, poeta e dramaturgo. Isso será matéria que dará"pano para mangas"...
Hoje ,recordo-vos "FREI LUÍS DE SOUSA"(GARRETT DRAMATURGO)--"FLORES SEM FRUTO" E" FOLHAS CAÍDAS"(GARRETT POETA) e "VIAGENS NA MINHA TERRA"(GARRETT NARRADOR, PENSADOR, NOVELISTA).

Garrett quis realizar a obra que BOCAGE poderia ter feito:reformar a nossa poesia, tornando-a simples, acessível, sincera e nacional. Conseguiu-o com as obras "CAMÕES" e "D.BRANCA", que ensinaram o romantismo aos escritores lusitanos, que fundia o mundo subjectivo com a NATUREZA VIVA, e unia o presente às tradições do povo.

O HOMEM GARRETT merece ser admirado pela calma beleza da sua obra e pelo renovar da literatura nacional!E pela maneira nova de falar O AMOR!E pelo amor à PÁTRIA por quem esteve no exílio ,mas de onde voltou, para se juntas às tropas e lutar pela causa liberal, no momento exacto!

Voltaremos ao tema, depois de tratar ,por completo, embora sucintamente, o tema DAS CANTIGAS TROVADORESCAS!
Mª ELISA

POEMA: ...NA FOME DE TI...


…NA FOME DE TI…


Dentro de mim, guardo a história
Por contar…aquela…de que vou falar…
Guardo o Vento que nem senti,
Ao percorrer estradas famintas de ti…
Dentro de MIM, um silêncio de agonias feito,
Lembra o Tempo em que ERAS e SORRIAS…

Meu corpo nas tuas mãos
Era, então, a verdade por contar…
Verdade nua e crua…sem disfarces!
Usámos todas as artes
Das palavras imperfeitas,
No meio da realidade!

Comi, na fome de ti…
Saciei-me de VONTADES…
Rosas vermelhas,
Tão rubras como o nosso ardor,
Florescem no meu jardim,
Minha casa no cimo da ternura,
Rodeada desse sabor…

Poisei na tua Eternidade,
No sol que me nasce no quarto…
…capital do meu mundo de SONHOS!
Aí, aprendi a SOLIDÃO
Que prendi na minha mão!

Acendo um cigarro, louco de vontade de fumar…
Debruço-me sobre MIM
E seguro a MELANCOLIA das rosas vermelhas,
Rubras,
Que morrem um pouco por dia!
Vejo seu sangue vermelho a meus pés
Como água do mar, no auge das marés!

Presa em MIM, não fujo à realidade
Da vida dos vencedores no AMOR!
Trago nos olhos as lágrimas,
O sofrimento e a dor,
O desespero do teu calor
Perdido…
…na ARAGEM INCOLOR-DOS-VENTOS-DO-MUNDO…

Fico com este poema, que não morre…
Feito com PALAVRAS-VIVAS-APARECIDAS-
-AO-SOM-DA-VIDA!
È um caule QUE SE LEVANTA
DIREITO AO CÉU – DO- MEU-EU…………………


C10J- (mqc) -64/FEV/011

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

POEMA: DOCE CHEIRO MEU...

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DOCE CHEIRO MEU…


Flor de Lótus me revejo na juventude inquieta,
alvoroçada, confiante em expectativas…

Doces cheiros, inconstantes, acompanham os enervantes
devaneios, do corpo a amadurecer…

Quem me acolhe em suas mãos suaves
e me recolhe no momento das ansiedades?

Quem cheira meu corpo, assim,
frente à evidência da esperada experiência?

Permanece, Flor! Resplandece, eternizando
a fragrância da pureza do meu momento!

Não murches! Vive, perenemente, e cheira
como o jasmim, no meu Lótus de grandeza!

Rendo-me! É a hora!
Confio nas minhas mãos que revêem
teu rosto sem sombras,
com sabor a mosto dionisíaco…
E deliro…




C6F -155/26-OUT/09

domingo, 30 de janeiro de 2011

NOTA LITERÁRIA-A POESIA TROVADORESCA

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NOTA LITERÁRIA

A lírica trovadoresca
Foi na região Galaico- Portuguesa que se assistiu, entre os séculos XII e XIV, ao despontar de um maravilhoso movimento poético que se denominou como POESIA TROVADORESCA, porque cultivada por TROVADORES.
Ora, como se sabe, o homem sentiu, desde sempre, a necessidade de manifestar os seus sentimentos e emoções, através de uma linguagem especial, organizada com ritmo, de modo a poder ser cantada.
A POESIA TROVADORESCA, como manifestação dos mais variados sentimentos e vivências, é constituída por centenas e centenas de POEMAS aos quais foi dado o nome genérico de “CANTIGAS” : CANTIGAS DE AMIGO, CANTIGAS DE AMOR e CANTIGAS DE ESCÁRNIO E MALDIZER, precisamente porque se transmitiam através do canto.
É fácil de imaginar que o povo, naqueles tempos, era todo analfabeto e foi pelo canto que, de geração em geração, elas foram passando de boca em boca, cantadas nas romarias, nos arraiais, nas festas, nos trabalhos caseiros e não só.
Na Idade Média, toda a vida das populações se fazia em função do castelo do senhor feudal e da igreja. A nobreza, por sua vez, de formação guerreira, procurava defender, com as armas, as suas terras e o Poder; o clero mantinha uma certa ordem estabelecida e procurava difundir os valores religiosos e as normas de conduta social. Era o Povo, a terceira classe social, quem cultivava as terras, engrossava os exércitos do senhor e fazia tudo quanto fosse trabalho manual. Mas era dominante na vida medieval a componente religiosa. Podemos e devemos dizer que a sociedade da Idade Média era regida pela ideia teocêntrica de que DEUS era o centro de todas as coisas e de que a vida, na terra, nada mais era senão um difícil e penoso caminho para chegar ao ALÉM. DAÍ, se repararmos, a enorme quantidade de igrejas, mosteiros, catedrais, conventos…em honra do divino. A arte das construções era como que um meio e um modo de purificação do homem, relacionado com a religião. É claro que era também um modo de o clero e a nobreza dominarem o povo ,que era obrigado a prestar vassalagem, de um modo ou outro, aos senhores da sociedade…Isso permitiu, de certo modo, uma espécie de estabilidade ao território europeu.
Floresceu o comércio, as normas de cavalaria, defendia-se o nome da mulher, deram-se as Cruzadas e espalharam-se culturas entre os reinos. Destacava-se a Região da PROVENÇA e o território GALAICO-PORTUGUÊS.
Ao que se sabe, quase todas as literaturas se iniciam por obras em verso. A nossa região não foi excepção. São escassas as informações sobre os dados biográficos dos autores da primeira grande forma lírica europeia: precisamente as CANTIGAS TROVADORESCAS! O gosto de fazer poesia alastrou, um pouco por toda a parte, até porque, naturalmente, as pessoas tinham que se divertir nas feiras, festas e arraiais. São muitos os trovadores directamente ligados à corte portuguesa, sobretudo no tempo dos reis D.Afonso III e D.Dinis, ele próprio um trovador.
A característica fundamental das nossas CANTIGAS DE AMIGO é o PARALELISMO, que as tornou especialmente estudadas, desde sempre, pelos mais ilustres historiadores da LÍNGUA.
As cantigas trovadorescas foram, com o tempo, sendo recolhidas por especialistas, em quatro grandes CANCIONEIROS: CANCIONEIRO DA AJUDA, CANCIONEIRO DA VATICANA, CANCIONEIRO DA BIBLIOTECA NACIONAL e CANCIONEIRO DAS CANTIGAS DE SANTA MARIA, este da autoria de AFONSO X, avô de D.DINIS, dedicado, principalmente, a NOSSA SENHORA.
Fico-me, hoje, por aqui. Em próximas oportunidades, referir-me-ei a cada tipo de CANTIGA.
MARIA ELISA

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

POEMA:DÓI-ME O SOL....

FOTO GOOGLE



DÓI-ME O SOL…



Acordei no centro do meu mundo…
No meio de uma madrugada
De nevoeiro profundo…
Escorria o orvalho, das verdes folhas do bosque…
…caia nas minhas mãos,como o choro dos meus olhos
Marejados de desgosto…

Irrompe o SOL das encostas,
Expostas aos laivos quentes
Do indiferente ASTRO-VIDA!

Move-se a VIDA; despertam os insectos,
As aves…os duendes da magia!

Molho a saia, ao percorrer estes ares de alegria,
Que contrastam com a tristeza da melancolia
Dos relvados molhados…

Erva encharcada, colinas a rolarem
Procurando a luz do SOL…
Pedras de musgo cobertas
A secarem entreabertas…
E o frio da manhã a lamber
Minhas feridas encobertas!

Procuro no meu caminho,
Saudades que aqui deixei…
Procuro o absurdo da Infância que não FOI!
Mas o teimoso nevoeiro
Que por aqui paira rasteiro
Por cima deste relvado,
Escondeu o que É PASSADO!

Cheira-me a NATUREZA pura,
A ervilhas-de-cheiro, a erva-doce dos campos,
A salgueirinha dos montes…
MAS/…
Falta-me o odor de ti,
…aqui…onde choro minhas dores
No chão molhado…tão duro…

Oiço o teu riso ,de ENTÃO…
Sereno, alegre, convicto…

Adoro este cheiro a nevoeiro
Que já não vês,
Mas que me fala de ti
Da verdade do teu cheiro…

Sabes? Os ramos das árvores conseguiram
Entrar pelas janelas da velha casa do nevoeiro…
…querem esconder as verdades e murmurar
Histórias do amor primeiro…

As folhas soltam das VIDA correm
Pelos espaços vazios de nós,
Com a força do Vento matreiro…

DÓI-ME o SOL…
DÓI-me a luz do nevoeiro…
DÓI-me a SAUDADE do TEMPO INTEIRO!

Do fundo do corredor
Lanço um outro olhar à dor…
…………………………….
…………………………….
E corro para te saudar,
Se saíres do nevoeiro, amor…

O SONHO AMORDAÇADO galopa léguas sem fim…
EU SEI QUE NÃO VENS PARA MIM…


C9J-14- (mod 46) - Jan./011

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

POEMA: ALMA PEREGRINA...


Fotos google



“ALMA PEREGRINA…”


Vermelho ofuscante: é a cor do Astro-Rei
Que cai por detrás das rochas erectas
Do deserto traiçoeiro onde o Ocaso
É deslumbre passageiro…

Dunas distantes de areias planas
Na viagem do caminheiro,
São natural abrigo da vida que a noite desértica
Esconde, na tenda do beduíno,
Abrigada do frio da noite…

Minh’alma peregrina descansa,
Acarinhada pelo deleite da seda amistosa
Em que poiso a face, curiosa…

( Silêncio fulcral!
Paz ímpar no areal…)

E sonho guerreiros destemidos, aparando os vendavais…
Traiçoeiros elementos nesta paz, sem igual!

Noite gélida!
Areia molhada vidrada endurecida
Por um orvalho anormal…
Cavalos possantes gemem baixinho
Dando à vida o ar de um momento especial…

Estrelas cintilantes dançam no céu do deserto,
Num desvanecer atento ao frio fragor do orvalho!

Os meus sentidos vivos vibram
Ao som de um rubro imaginar…
O contacto dos pés com a alma fria do sentir,
Deixa-me ver que a vida está a SOFRER!

Momento mágico!
-diferente do desfecho trágico
Do REI de Álcacer-Quibir…

Tempos tão idos, vindos ao meu encontro!

É o chegar de desfechos inesperados
Na memória daquela outra história que atingiu
Antepassados, presentes, vivos, desabridos, descontentes!
OUTRAS GENTES…

Do outro lado do Mundo,
Toda a vida, num segundo, desperta,
Numa floresta…

(Viajo depressa no Tempo, cavalo da minh’ilusão!)

Galgo montanhas tamanhas altivas
Que fazem recear o amanhecer…

Poiso, por fim, perto do ninho da águia,
Atenta astuta sábia
Que entende o meu “acontecer”…

(MAGIA-NA-VIGIA-DO-MEU NOVO DIA!...)




C7G -3/25 – NOV/09

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011