quinta-feira, 8 de outubro de 2009

POEMA DO CICLO" MULHER QUARTO_CRESCENTE

Doce olhar de veludo azulado que recordo,
com a memória vergada ao peso dos anos vencidos…

Até mim, pequenita, ingénua, exaltada,
chegava a pureza do teu amor
oferecendo-me um castelo de marfim,
sem que eu entendesse NADA de nada!

Eram abraços sãos e beijitos fugidios…
Só sabíamos que os queríamos
sem medir o que fazíamos….
Eram toques de uma fina magia
que ,ao longo dos anos, se perdeu da nossa via…

Recordo as corridas loucas, escada abaixo,
com que eu respondia ao tom da tua voz macia.

Tanto tempo depois,
o Destino tocante e indiferente,
desceu do seu pedestal
a tentar repor, qualquer sombra de VERDADE…

É uma partida cruel, esta,
que ele parece prometer, sem laivos de pudor!
Esqueceu-se de que a ALMA chorou de dor…
E o que nos oferece, agora, é fel!
…fel de amor, tangível mas impossível,
que ainda soa no meu interior.

E agora,
cada “olá” é sempre
mais um- “até depois”!

TER-TE NOS BRAÇOS, HOJE,
É, APESAR DE TUDO,
UMA MIRAGEM ANSIADA
QUE NÃO PODE SER VIVIDA…


C6F -157/28 -SET/09

quarta-feira, 7 de outubro de 2009


“AMÁLIA…SEMPRE!”


Em PORTUGAL, estamos, por estes dias, a comemorar (a relembrar, melhor dizendo) os 10 anos do falecimento de AMÁLIA RODRIGUES.
Pode dizer-se que o mundo, de Norte a Sul, de Este a Oeste, conheceu o FADO português, como expressão musical, através da sua voz fenomenal. Conheceu … e aprendeu a amar!
Ver um japonês, de olhos fixos na artista, em palco, em Tóquio, com lágrimas nos olhos a ouvi-la, sem perceber uma palavra de Português…comove!
Não sou particularmente amante deste género musical; isso, no entanto, não impede que reconheça à artista o valor que teve e consegue manter, depois da sua morte, como atestam todos os meios de comunicação social.Como ninguém, Amália cntou o “pathos”, o sofrimento de um povo, sempre nos píncaros da melancolia, da miséria, da tristeza crónica, fosse a lavar roupas no rio, fosse a colher os cereais, previamente semeados , com sangue ,suor e lágrimas, fosse a partir para a faina ,nos barcos do bacalhau…
Comovem-me fados como:”De manhã, com medo que me achasses feia/ acordei (…) deitada, na areia (…)/”; e o fado “GAIVOTA” com odores de mar de canela e pimenta, hoje, novamente na ribalta dos “TOPS” musicais, com a extraordinária ajuda da Orquestra Filarmónica da República Checa, entra em mim, até à medula…
Significativo, pelo texto e pela voz, igualmente, “POVO QUE LAVAS NO RIO/ QUE TALHAS COM TEU MACHADO/ AS TÁBUAS DO TEU CAIXÃO…. / Este Fado, uma alusão à vida moira dos portugueses, os de há séculos e os deste século e do século passado, é de um lirismo, quase atroz, pelas visões de sofrimento que nos traz, sem querer… mas que nós, como povo, somos capazes de “ver”.
Também lavei no rio da minha aldeia, ao lado de minha avó que, qual BEATRIZ COSTA da época, lavava as roupinhas lindas das senhoras, de então…
Mulher tímida e simples no falar, no trato e nas origens, vaidosa com os seus “trapinhos”, como qualquer mulher, amada por novos e menos novos, Amália Rodrigues continua a fazer parte do projecto cultural português, quando se pretende elevar o FADO a Património Imaterial da Humanidade. E por que não? Fado é canto melancólico de marinheiro que parte, de povo que lava no rio, que cava terrenos, que faz por engrandecer um PAÍS cujos governantes o não merecem! FADO é dor, é SAUDADE, é abraço de despedida e alegria da chegada!
Para acabar esta minha singela recordação da mulher que amou e cantou PORTUGAL, nada melhor do que estas palavras , estes versos que ela deitou aos ventos, deste modo simples:” FOI DEUS/QUE ME PÔS NO PEITO/ UM ROSÁRIO DE PENAS/ E CHORO A CANTAR!”

JANIS JOPLIN(1943-1970)


Passou no dia 4 ,mais um ano desde que morreu a mulher, a artista, o furacão dos palcos...cénico e da vida!
Eu era Professora já, amava já a sua voz e a aura de quase mistério que cobria a sua vida, pondo-a, apesar de tudo ,a descoberto. "OH, LORD, WON'T YOU BUY ME/ A MERCEDEZ BENZ...?/Foi um tempo de perdas irreparáveis ,no panorama musical dos anos 70: JIMMY HENDRIX, JANIS JOPLIN, JIM MORRISON...
A vida conturbada, excessiva, o uso das drogas que continuam a matar quem não se apercebe das armadilhas da vida, levaram estes valores da música universal do prazer do nosso convívio, cedo demais. E daí, talvez não! porque as suas canções, que os imortalizaram, continuamos a trauteá-las!
Inesquecíveis vultos dessa FALA universal, que é a música, viveram no "FIO DA NAVALHA"(como o título e o conteúdo da obra de SOMMERSET MAUGHAM),quais ídolos com pés de barro, que se sumiram na voragem do "selecto" ,que era o mundo do espectáculo a cheirar a droga e excessos. NÃO, não estou a condenar! Quem sou eu, pobre de mim? ESTOU COM PENA DE OS TER PERDIDO TÃO CEDO, DO MEU CONVÍVIO!
A VOZ inesquecível e o rouco inconfundível de JANIS, projectaram para mais longe o rock, a pop music, os "blues", que ganharam vitalidade com a energia desta mulher- animal de palco, uma energia quase "escandalosa" para os tempos em que se quis emancipar das mentalidades arcaicas da sua terrinha, no TEXAS...Arcaicas, falsas, vitorianas comandadas por pseudo- "igrejas", da moral e dos bons costumes...
Era no palco que a sua atitude quase de "loba da vida", se soltava e nos contagiava, embora em Portugal ainda não se sentisse ,em pleno, por causa óbvia:o período salazarista, do império do "DEUS-PÁTRIA- FAMÍLIA"
Nsse acontecimento musical que mudou o mundo, que foi o festival de WOODSTOCK lá estavam THE WHO, SANTANA,JOAN BAEZ, JANIS, JIMMY HENDRIX...
RESTA-NOS A SAUDADE que mitigamos ouvindo-os nos nossos velhos discos de vinil, com os sentidos despertos à vida que as suas canções deixaram, para a posteridade...RECORDAM.."SUMMERTIME"..."MARY JANE"..."PIECE OF MY HEART"...?

MESSAGE IN ENGLISH TO MY NEW FRIENDS, FROM ROMANIA AND DENMARK

MY dear friends and "followers" from ROMENIA AND DENMARK: glad to meet you in my space. i can't speak your languages and the translation , in Portuguese , isn't good enough to understand your messages. As the ENGLISH language is an universal one and you , certainly have studied it, please try "to talk" in english! Mine isn't perfect at all... so may be we can understand, each other!
All my heart, lusibero.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Poema do ciclo "Místicos"

Longínquos sussurros de searas ondulantes
atenuam raivas, contidas no “Presente”;
Cabelos de trigo esparsos aos ventos
lembram algas de velhos “campos”…

Searas sereias da terra doirada
mergulham em tons de mar azulado,
dispersas nos braços do suave encanto
dos queixumes da minha beleza “ESPANCA”…

Dores magoadas de amores perdidos
nos longos antros da melancolia,
despiam-te a alma, que ainda espanta
quem te lê e te crê, no dia a dia.

Trigo loiro de ÉVORA! riqueza
de oiro vestido, sem qualquer surpresa!

Teus cabelos ondulantes de POESIA gritante
contrastam com o outro loiro, brilhante.

Vem, amiga, senta-te à mesa!
Bebe teu cálice, longe da tristeza!

“Presente- ausente” no meu dia a dia
aqui estou, distante,
em tons de vento ululante
cantando searas doutras caravelas
que, em poesia, se tornam mais belas!

Meço teus passos, no labirinto
de tua alma sentida POESIA…
O vento desperta…
O ar aquece e o tempo alerta.
Teu Alentejo de nobres rumorejantes ondas
canta de tons ora azuis…ora loiros…ora moiros…

E eu, no meio deste trigo loiro,
cheiro-me seara humana,
pronta a encontrar a alma
que dimana, de um campo de oiro…



C6F -147-18 –SET/09

POEMA DO CICLO "MANTA DE RETALHOS"


Procuro ler com outro livro:
o das páginas da vida!
Folheio-as, uma a uma,
com a memória dorida
dos tempos que já lá vão.
É uma leitura triste.
Nela , leio e releio
a infância, que não houve…


Afastava-me, então, da casa que não me era Lar.
Vagueava pelos campos, a ver o tempo passar.
Saltava barreiras, ribeiros…caía…levantava-me…
A hora do recolher não demorava a chegar.

Tempos outros! Não sinto saudade deles…
A única grande saudade é a de não ter sido menina
nesse tempo em que parei ,forçada a ser criança- mulher,
naquele tempo qualquer…
que não quero recordar!
PONTO FINAL!

C1A- 36-AGT/07

LUSIBERO, de VOLTA!




AMIGOS: CHEGOU, AGORA MESMO, POR MÃOS PRÓPRIAS, o MEU LINDO E LIMPINHO PC.
VOU PUBLICAR, AGORA. UM POEMA QUE DEDICO, DE TODO O CORAÇÃO A TODOS OS AMIGOS E SEGUIDORES E AMANHÃ, COMEÇO com os "posts" que tenho escrito!
BEIJO AMIGO PARA TODOS!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

MENSAGEM AOS AMIGOS....

MEUS AMIGOS:estou ainda sem computador e não quero abusar do da minha filha. JÁ vi que tenho muito trabalho a fazer, quando vier o meu ,pois há imensos comentários a fazer...
UM ABRAÇO AMIGO PARA TODOS e até daqui a três dias mais, pelo menos...
NÃO vos esqueço...
LUSIBERO

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

11 minutos de expectativas...GORADAS!

Falou, ontem, dia 29 de Setembro de 2009, o SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA. Ocupou 11 minutos do nosso tempo, sem sequer dizer :"Boa tarde, portugueses."
Falou...mas não disse nada! Até já lhe tínhamos sugerido que dissesse de sua Justiça, antes das eleições...Não quis, até porque, provavelmente, só tinha aquilo para dizer...
O que disse ,no entanto,causa angústia no povo, porque imperaram um tom de voz azedo, umas frases amargas e frontais(de AFRONTA), um ar de que não se espera nada de construtivo entre os dois contendores: ele próprio e o Governo.
Preparemo-nos, com lucidez.
Com todo um país ,alegadamente, sob os mais diversos e sofisticados meios de escuta , ou controle, como lhe queiram chamar,com os nossos dados pessoais inscritos em todo o tipo de "chips" de identificação, por todo o lado, o discurso de SUA EXa agravou os nossos temores e a nossa confiança (ou falta dela!) no sistema:afinal, até os meios de correio electrónico da PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA são vulneráveis!
E os nossos ? Os da comunidade virtual?
Quanto a isso, perdoem-me a expressão, mas "estou-me borrifando"!Continuarei a fazer as minhas despretenciosas análises de índole político/social( POLITOLOGIA, como dizem agora), com a consci~encia de que, quem paga impostos com "língua de palmo", tem o direito a manifestar-se, seja como fôr, desde que convictamente!
A ESPERANÇA , PORTUGAL,é a última a morrer!
Mas não se esqueçam de que ,primeiro, estamos nós...

RESPOSTA GLOBAL AOS AMIGOS...

MEUS AMIGOS: NÂO VOS POSSO RESPONDER,EM PARTICULAR, POR IMPOSIÇÃO DOS TÉCNICOS QUE TÊM O COMPUTADOR.O QUE ACONTECE É QUE ALGUNS COMENTÁRIOS QUE EU FAçO E QUE ME FAZEM VÃO PARAR A OUTROS BLOGS E MAILS.SÓ ME ACONSELHAM QUE, POR ALGUNS DIAS, Nãaaaao FAÇA COMENTÁRIOS A NENHUM BLOG. O HELP CENTER DO BLOGGER ESTÁ TAMBÉM A VER ISTO. SE ALGUM DE VÓS SOUBER RESOLVER...BEIJITOS DE LUSIBERO

terça-feira, 29 de setembro de 2009

À ATENÇÃO DE TODOS OS AMIGOS E SEGUIDORES

POR MOTIVO DE PROBLEMAS DETECTADOS NO MEU BLOG "LUSIBERO", VOU ESTAR UNS DIAS SEM PODER COMENTAR OS VOSSOS POSTS, ÑÃO DEIXANDO,NO ENTANTO, DE VOS VISITAR.OBRIGADA PELA VOSSA COMPREENSÃO e...ATÉ BREVE!
ABRAÇO DE LUSIBERO

Poema -ciclo- "Outono-Natureza"


Acomodada no cimo da rocha musgosa,
fixo os olhos no horizonte perturbante.
Esta em que estou, é uma rocha negra,
negra de meter medo.
Tal qual o meu coração
quando, em introspecção,
desejo que cheire a rosas.

O vento uiva seus murmúrios longínquos,
vindos do fim d’outras eras…
Frescos, nas nuvens aladas,
trazem seivas do passado;
Segredos de antiguidades idas…
Outras verdades, d’outras idades!

Da rocha vejo o mar, ao longe,
balançando revolto, no meio do azul conforto.
Búzios, conchas e pedrinhas atravessaram,
-sozinhas!-
épocas de grande magia.
Havia-a, então, se havia…

Olho para dentro de mim,
revolta, também eu, assim…
Seguirei o meu farol
como o navio que rema,
morto por chegar a terra…

Agosto/08-C5E-43-Ag/08

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

POEMA DO CICLO "MANTA DE RETALHOS"infância

Era tão sentido o anoitecer da minha infância,
na terra que me viu nascer!
Era tão lindo ver os camponeses, ruidosos,
prepararem o ansiado anoitecer!

Pelas vielas, ao som das “Avé –Marias”,
ia-se recolhendo, lentamente,
o gado que pastava, nas serranias.
E, enxadas às costas, por entre vinhedos e casarios,
regressava-se ao repouso do suor dos lavradios.

E eu, na inocência das minhas brincadeiras,
corria para casa, qual ave fugidia,
cansada de devastar as sementeiras
sorrindo daqueles que, contra elas corriam.

Infância! Paz de inocência dos espíritos,
ainda não sufocados pela amargura dos dias!

Volta, Infância!
Volta a este meu coração, que te recorda
agora, que as experiências se tornam mais arredias!


CAD “ B – 100 SET/07

sábado, 26 de setembro de 2009

Poema do ciclo "MODERNISMO"

foto google


“Feitos”….
Desfeitos na fantasia dura
Das tentações da Vida!

Barcos velhos sentados amargurados
Nas pedras do imenso areal!

E o velho homem
Dentes já com rugas perfura a memória
Do tempo das fugas…

Imaginário doente dos castelos distantes,
Das palavras decadentes, dos rios de pérolas
Transbordantes de dor e intriga…

VAMOS, PAÍS! GANHA NOVA VIDA!

Foge do marasmo de épocas vencidas ao som de trombetas
Há tanto esquecidas ferrugentas adormecidas!

VOA NOS ARES DO VENTO NOVO
QUE VIVE PERENE NO SANGUE DE UM POVO!

Levanta ao alto teu porte altivo
Apenas esfumado nas ondas de crise!

RESISTIR É O TEU LEMA
NO SONHO DO RENASCER!



C6F -153/22 –SET/09

Poema do ciclo "MODERNISMO"

foto google


Pinheiros, vidas endurecidas
pelo passar do Tempo,
na ponta do Vento…

Vida essência de caravelas e naus ocultas
no mexer das ondas, temerosas sereias
de tempos audazes!

DINIS, lavrador poeta senhor prenúncio
das terras do fim do Mundo,
nas mãos dos pilotos de JOÃO, o “SEGUNDO”…

Tempos de áureas mentiras…
De intrigas saturadas de águas salgadas!

Areias espumosas sujas maldosas
perderam de vista horizontes distantes!

Nada como dantes…
Vivências esquecidas, velas descaídas,
madeiras desfeitas…

Que legado é este, “PRÍNCIPE PERFEITO” do nosso ardor?
E de ti, poeta e lavrador, há mais marulhar, nas águas do MAR?





C6F -152/21-JLH/09

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Poema do ciclo "MODERNISMO"

SAUDADE
é dor que se sente,
no estar longe da vida,
no estar longe da gente,
no sentir-se fora…só, ausente!
Se o coração aviva a dor
do olhar que se perdeu,
da mão que não se toca,
do cabelo que não esvoaça,
da lágrima que vai caindo…
é de SAUDADE que se está sofrendo…
……………………………………….
Eras longínquas…
Os tempos foram passando,
mantendo no PRESENTE
saudades de outras ínsuas!

Pomares sombrios,
ocultos pelos tempos,
são as saudades meus ais vencidos,
ao som de fragmentos de frutos ancestrais.
Procuro na ausência
a presença de mim
na palavra sofrida, que não tem fim.

Lembranças eternas de tempos vividos,
é na SAUDADE que as vemos, vencidos…
……………………………………………
Recordar
é sofrer na SAUDADE:
é temer olhar a já vasta idade,
é queixar-se dos murmúrios
de ventos distantes,
é revoltar-se por lembrar o “antes”…

Recordar
é viver neste PRESENTE,
o PASSADO…indiferente...



C6F -151/20-SET/09
Foto google



MEDITAÇÃO: O Tempo das folhas cadentes…



Chegou o Outono. Falo dele, assim, com simplicidade e cumplicidade, como se fala de alguém que, há tempos, não vemos e que, de repente, nos visita. Para mim, é uma das épocas mais lindas do ano, a par da Primavera! Ele é o tempo de olhar um céu mais dourado, sem ser escaldante e é o tempo que mais me convida à reflexão. Lembra, no entanto, a transitoriedade da VIDA; lembra que estamos mais velhos, a caminhar para a degenerescência…Só os deuses lhe escapam!

Em contraponto, a NATUREZA que “morre”, tem consciência do seu rejuvenescimento, dentro de pouco tempo. Ela voltará a ser, no devido momento, uvas maduras, nozes secas a apanhar e tantos outros frutos a colher…
Estou a ler uma obra de PABLO NERUDA, poeta, pensador, talvez filósofo, um pouco ensaísta, que “viveu” o Outono de todos os anos da sua vida, de forma inigualável, sofrendo as rugas mas puxando, sempre, por ele, como se puxa por uma árvore que queremos que reviva e regenere. Para NERUDA, o OUTONO não é o fim de uma fase, simplesmente, mas sim e apesar de tudo, o começo de outra nova fase…
E leio estes “versos-pensamentos” que passo a citar:”O tempo/divide-se/ em dois rios:/um/corre para trás, devora/ o que vives, / o outro vai contigo adiante/ vasculhando/ a tua vida. /Num só minuto /se juntaram. / É este!”

A cada um de nós, o seu OUTONO. Não é que uma mudança de calendário, por si só, altere completamente a VIDA; mas… não vá o diabo tecê-las, não custa nada meditar sobre a mesma, em alturas mais apropriadas.
Por natureza e temperamento, sou “anti-calor- excessivo” e “anti-dias- longuíssimos-
que- nunca-mais- acabam”! Raciocino e “movo-me” melhor, em todos os sentidos, nos dias mais pequenos, ventosos, pouco solarengos, com as folhas das árvores a caírem a esmo, sem dó nem piedade do Tempo; gosto da melancolia não depressiva desta NATUREZA mais nua, enquanto que eu faço precisamente o contrário, vestindo mais qualquer coisa, sentindo-me mais quente com o calor natural da minha vida psíquica, espiritual e interior. Muita gente discordará de mim e é até capaz de me chamar “burra”! Mas… se todos fôssemos iguais e pensássemos as mesmas coisas, o Mundo não poderia SER! Há que amar outras cores de PENSAR!

Não posso deixar-vos ouvir a música de VIVALDI, “AS QUATRO ESTAÇÕES”, ao som da qual vou escrevendo… Deve ser daí que advém esta vontade de comunicar, em tom intimista e confessional. E continuo com o tema: penso que, nesta estação do ano, as pessoas, quer as públicas quer as privadas, as que fazem a nossa felicidade relativa e as que, com o seu trabalho, talento e sabedoria, ensinam a fazer dos dias algo bonito e compensador, têm outra cara. Quase sem o querermos, se por um lado os nossos rostos reflectem as preocupações do dia-a-dia, por outro, denota as características próprias de uma mudança de Estação. Penso que temos poses faciais e gestuais diversas, de acordo com a passagem das Estações do ano, pela nossa vida.

Muito me fica por dizer pois, apesar de longo, este texto não é mais que uma rápida reflexão; muito fica por dizer sobre projectos por cumprir, ideias por concretizar, coisas que começámos e não acabámos… Talvez porque, para o ano, talvez haja mais Outono para cumprir…
“NADA É TÃO NECESSÁRIO AO HOMEM COMO UM POUCO DE MAR/ E UMA ORLA DE ESPERANÇA PARA ALÉM DA MORTE.”(BLAS DE OTERO”)

quarta-feira, 23 de setembro de 2009


AS – ALEGADAS ESCUTAS- DO NOSSO DESCONTENTAMENTO…

Andamos desorientados, nós, Portugueses, com este caso de que não há rádio, TV, jornais e revistas, nacionais e internacionais, que sobre ele não se pronunciem. Comentadores da vida política nacional e politólogos credenciados, dedicam ao assunto tantos milhares de palavras, que tudo já começou a cheirar a podridão insuportável.
Tenho a veleidade de ter uma opinião, também! Essa opinião retiro-a, a título de conclusão, de tudo o que ouço, vejo e leio.
A TSF está neste momento, pelo segundo dia consecutivo, a comentar, com a participação dos ouvintes, tão desagradável tema. Desagradável, tenso, vergonhoso pelas implicações que conota e simbólico de” medos” que se têm vindo a instalar na nossa sociedade.
É por isso que, perfeitamente de acordo com a opinião de Pacheco Pereira, do qual até nem sou admiradora ou leitora atenta, me atrevo a pedir a SUA Exa., O SENHOR PRESIDENTE DA RE PÚBLICA, que fale, AGORA! se por acaso tem algo de muito grave e importante em seu poder, que possa ajudar os portugueses a decidirem , em parte, a quem devem dar o seu voto, no próximo Domingo. É agora e não depois das eleições que nós temos, como NAÇÃO, o direito de avaliar a entrega de um papel que, novamente, conscientemente ou não, vai por nas cadeiras do poder um conjunto de indivíduos, capazes ou não. Falar ao país sobre o “caso” depois das eleições, já não vale a pena, porque já estará no poder quem o merece ou NÃO.
ESTE MEU PEDIDO, QUE SUA EXa NÃO VAI LER, vem do fundo das minhas tremendas dúvidas sobre quem exerce “os poderes” neste PORTUGAL, pequena “mina d’oiro” de quem o sabe desminar.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Poema -ciclo- "Outono-Natureza"Outono

foto google


Outono…folhas mortas…
Vida que vai passando…
Amarelece o chão que piso
E desfaz-se, um pouco, o tempo.
Entro em mim e encontro
um pouco desse Outono, que esmorece.
As raízes perduram
enquanto as folhas voam , perdidas,
desgostosas e feridas p’la verdura já sumida…
A verdade é que a seiva trará vida,
novamente.


C1-1ª- SET/09

CHEGOU O OUTONO... A VIDA DESALENTA... PARA MAIS TARDE VOLTAR A REJUVENESCER...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Poema do ciclo "MODERNISMO"


Luxuriantes, perigosas, sombrias,
belas avenidas da vida amazónica,
centrais do ar que respiro e suspiro.

No meio dos pantanais,
perdido por bandas inóspitas,
passaste, “Imperador da LÍNGUA PORTUGUESA”,
por lodaçais incógnitos, dos índios em defesa…

Minha Amazónia, pulmão do meu Planeta!

És a minha CRETA onde, em suaves ondas,
viajam as anacondas!

O mundo novo, em estertor,
trata-te com desamor.

Amo-te, Natureza viva, nos mais recônditos milésimos
das palavras do douto senhor, do “Sermão da Sexagésima”.

Amo-te, vida natural, no que tens
de mais brutal, seja homem ou animal!

Perco-me, nessa floresta…
Respiro com o jaguar;
Solto do papagaio o pio;
Penso nas feras do Mundo
e tremo, de horror, com frio…

“Vejo” os peixes do rio,
cabecitas fora de água,
atentos e magoados, ante a dor do missionário,
que, por levar paz às almas,
teve que andar arredio…
Invejo tudo o que ouvistes,
no “SERMÃO de SANTO ANTÓNIO”…




C6F -144/15 –SET/09