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quarta-feira, 16 de junho de 2010

ORIGENS DO FADO: CANÇÃO DE LISBOA OU CANÇÂO NACIONAL



FOTOS GOOGLE




FADO: CANÇÂO NACIONAL? ou CANÇÃO DE LISBOA??





Dei comigo a questionar este tema, depois de ter visto, um dia destes, uma alusão a esta questão. Pois se nós até queremos que o FADO seja PATRMÓNIO DA HUMANIDADE…Mas, a coisa, afinal, não é tão fácil de discutir como se possa pensar…
Fui à BIBLIOTECA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA pesquisar e fui ver, na NET, o que se diz a este respeito. Por tal motivo, aquilo que aqui vos deixo, é fruto de muito trabalho e só não é maior este post, porque eu sei que dá trabalho a ler…
Uma questão que se impõe: como, quando, de onde, surgiu o Fado?
Os historiadores são menos que unânimes a respeito deste assunto! E eu que pensava ser fácil dizer que nasceu em Lisboa, lá pela zona das docas, do porto de embarque e que, como as mais importantes manifestações vocais dos portugueses, se foi espalhando, de boca em boca e de geração em geração, partindo do canto das prostitutas do ambiente marítimo, nas tavernas, para todos os outros pontos de Portugal…
Há investigadores que defendem a tese anterior, de que foi ali, nas ruelas da capital que o fado nasceu, como uma cantoria cantada e tocada por pobres, indigentes e prostitutas do cais, que trabalhavam nas tavernas, onde aportavam marinheiros, comércio,.
e culturas de todo o mundo.

Outros, defendem a proveniência do Fado já dos tempos do romanceiro Português, com raízes na Idade Média, no tempo das monocórdicas cantigas árabes, dos lamentos das damas das Canções de gesta, que foram sofrendo alterações ao longo das eras, à medida que passavam de geração em geração. Tem sido fruto de grandes estudos e teorias, a origem do Fado. O historiador JOSÉ ALBERTO SARDINHA defende esta tese; o músico RUI VIEIRA NERY associa as origens do Fado a sítios bem longe de Lisboa, indo pelas influências árabes do tempo da Reconquista, passando pelo Bairro da MOURARIA, estando, por conseguinte, na linha de SARDINHA. As dolência e melancolia comuns ao Fado , bem a par da SAUDADE ,situam-no em PORTUGAL e nisso parece não haver divergências. Outros historiadores defendem que, num período em que a primeira globalização da História nos levou a entre ligar três continentes como Europa, América e África, o mesmo se passou com a cultura, os usos, costumes e tradições, pelo que nada mais fácil que umas civilizações sofressem as influências das outras…
Daí que nada mais natural que a Cantiga Portuguesa possa ter influências também das MODINHAS e do LUNDUM brasileiro, nomeadamente. É bom não esquecer que a corte portuguesa se mudou para o BRASIL, no século XIX, por causa das invasões francesas; com a corte e os colonos levámos a nossa cultura que foi influenciada (eu diria, enriquecida) com a cultura dos índios ameríndios e a dos escravos.
O porto de mar, em Lisboa, era, por conseguinte, o ponto de encontro de gentes variadas. O cantar dos marinheiro, as cantigas tristes dos degredados, as de” levantar ferro”,as cantigas de todo o tipo de fainas à beira do porto, as cantigas dos marinheiros à proa dos barcos que iam zarpar…eram de melancolia, de saudade amarga e feroz, como só a VIDA exige…

A seguir transcrevo aquele que é considerado o mais antigo Fado de PORTUGAL, o FADO DO MARINHEIRO:

“Perdido lá no mar alto/Um pobre navio andava;/Já sem bolacha e sem rumo/ a fome a todos matava./Deitaram a todos as sortes/ A ver qual deles havia/ Ser pelos outros matado/ P’ro jantar daquele dia. /Caiu a sorte maldita/ No melhor moço que havia…/
Ai como o triste chorava, /Rezando à Virgem Maria! /Mas, de repente, o gajeiro/ Vendo terra pela proa/Grita alegre pela gávea/ Terras, terras de Lisboa”- in CANCIONEIRO POPULAR.
Hoje, o fado afidalgou-se! Embora a sua temática seja sempre o sofrimento, a saudade, o amor traído, a tragédia, a desgraça, o ciúme e outras “misérias” da Alma, desde o passado século as letras são mais cuidadas, os sons enriqueceram-se e o vocabulário é moderno.
Desde os tempos de AMÁLIA, HERMÍNIA SILVA E MARCENEIRO o Fado começou a galgar distâncias e a correr mundo, como fizeram os antigos marinheiros. Hoje vemo-lo actuar na sensibilidade de povos como os japoneses…E os nomes de MARIZA, TERESA SALGUEIRO, CAMANÉ, KÁTIA GUERREIRO, ANA MOURA e tantos outros, enlouquecem plateias de todo o mundo.

Falta-me referir o chamado “FADO DE COIMBRA” que de fado, segundo os entendidos, nada tem, pois é uma balada, toada, trova… mas não FADO; hoje canta-se o fado com a preciosa prestação de serviços da GUITARRA PORTUGUESA, que nem sempre foi guitarra e nem sempre foi portuguesa! No tempo do Renascimento (XV/XVII) passeou-se pela EUROPA um instrumento de 12 cordas, chamado CISTRO, que foi para a Alemanha, Itália e Inglaterra, de onde veio parar a PORTUGAL. Ao longo das eras foi sendo modificado, de tal ordem que é hoje conhecido como Guitarra Portuguesa…

E termino: o fado representa, de qualquer modo, a melancolia deste meu povo, em constante sofrimento, seja por que motivo for… ao ouvi-lo, sente-se o cheiro inconfundível do mar, que nos arrastou pelos cantos mais recônditos do mundo…
E sim, são os bairros de ALFAMA, MOURARIA, MADRAGOA E BAIRRO ALTO que estão ligados às suas origens, pelo que o Fado, antes Canção de Lisboa, é hoje uma Canção nacional. Os bairros são PORTUGAL!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Poema do ciclo "MODERNISMO"



fotos:Google


Cismo muralhas
Submersas nos mares
De épocas duras, passadas.
Emergem ,de repente,
No espaço do meu “EU-SER”…
Sofro com este sismo ,
que fractura o meu viver!

Pedras soltas alinham-se, sem eu querer,
Reflectindo a ousadia de ESTAR…

Águas puras do Pensamento vagabundo
Erguem-se, purificando o momento do meu PENSAR!
São cascatas da VERDADE das muralhas…
Lavo-me nelas, confiando limar as falhas,
Arestas da minha vida
Pelas quais ando a penar…

Procuro espaços livres, sem fragmentos doridos!

É difícil encontrá-los entre muros tão altivos,
Que expõem pedras agrestes, batidas pelo ar do Tempo!

Heróis de tempos esquecidos… lutaram tristes batalhas!

Íngremes escarpas das vividas ameias…
Teias do Tempo permanecem vivas
Nas mágoas das lascas ali sofridas…

E eu, Cavaleiro da era da força do Pensamento,
Permaneço…ali… atento…

Ó Vento!
Ó Ar!
Ó Céu!
Não tenho nada de meu…





C6f -35/12 –AGT/09

sexta-feira, 10 de abril de 2009

A dor como amputação...

Infinito Pessoal: no preciso momento em que cliquei "publish..." foi-se abaixo a internet e perdeu-se o texto que te mandei, Luís.Por esse motivo, e para ir "salvando", respondo-te aqui.
Tudo o que nos vence, nos amputa, amigo.
Amputa-nos a ditadura, que nos rouba projectos pessoais de Liberdade;amputam-nos a dor e a doença ,que Deus permite que nos corte ,aos bocados, quando sofremos sem saber que mal fizémos...Amputam-nos aquelas imagens de terror e fome , de sofrimento e mágoa, das pobres crianças indefesas, no meio dos circos político-militares...Amputa-nos a morte dos amigos, dos filhos ,dos seres queridos, enfim.
Não sei se C.s.Lewis tem razão...terá a sua razão!Mas ,essa imagem de Deus a ver o sofrimento deste ser que Ele próprio criou ,à sua imagem e semelhança(como dizem!), com altifalantes, parece-me apocalíptica,desarmoniosa, angustiante.
É no sofrimento humano que eu questiono a Sua existência; mas é também no sofrimento humano que, se calhar, eu tenho forças para gritar:"OH, meu DEUS, ajuda-me!"
Vejo, com este teu texto, quanto te feriu a morte do CATATAU. Sofremos ,nós, também, com essa tua dor. Mas a vida continua, LUÍS.
Às vezes, penso que Deus todos os dias "sopra"...Nesse "sopro", acontecem vidas e mortes, nascimentos e desaparecimentos.Quem se cruzar com esse "sopro", sofre, inevitavelmente,as consequências do seu estar "ali", "naquele preciso momento".
Insondáveis mistérios!
"Fomos feitos para a vida e para a alegria"-Palavras tuas ou de qualquer um de nós, transformado em narrador omnisciente?
A verdade é que rimos, choramos, emudecemos, mudamos a aparência...e todo o jogo histriónico, no final de contas, nos revela e nos desvenda, aos olhos de quem nos rodeia, meu amigo!