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quarta-feira, 12 de agosto de 2009


“ARES DE MIM…

Saí, hoje, de casa, com um fim em vista.
Há momentos em que uma voz interior nos impele a avançar. A ir, a explorar, a tentar encontrar…não me perguntem o quê.
E eu, fantasma de mim, correspondo ao ímpeto e sinto-me forçada a andar, mais um pouco.
Procuro-Te, eu sei! Afinal, é uma procura contínua e infrutífera, parece…
Vou dar ao largo da CASA, cuja porta está fechada… Que pena! Mas não desisto e procuro a chave nas mãos de quem a tem. Gentilmente, a senhora abre a porta, como se fosses TU a convidar-me a entrar…
É este, um daqueles dias do pessoal peregrinar, em que preciso de entrar, de estar, de pensar e de Te olhar…
Sento-me, lá, mais à frente e sinto que o pensamento parou… Já nem lembro por que aqui estou…Mas estou bem, neste silêncio ruidoso, porque me sentes ralhar…
Olho em volta e vejo que não gosto, particularmente, da arquitectura desta CASA, que fizeram em Teu nome. TU próprio, como estás magro, afilado, delineado em ferro, na cruz, com ar tão desiludido…
Não sou capaz de rezar. Esqueci as orações que, maquinalmente aprendi, no colégio da infância, tão longe na dis tância do tempo. Mas falo-te com o meu olhar suplicante! Não respondes e eu fico, como sempre, na dúvida. Existes ou não existes? És ou não és? Vês-me, não vês?
Saio, mais calma; entrego a chave da CASA à amável senhora que me explica não poder manter a porta aberta, por causa dos roubos e do mesquinho vandalismo…Até Tu és vítima destes tempos perigosos de perfeita inversão de valores.
Asseguro-TE de uma coisa: saí Contigo, comigo. Não sou fantasma, afinal, pois que me dói bem no fundo, o que vejo em mim e no mundo. Estou mais leve, carregada de dúvidas, na ânsia de TE crer…

NOTA:”O MEU HOJE” é o “hoje” de todos os tempos em que sou SER HUMANO.