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quinta-feira, 22 de março de 2012

POEMA: PAUTAS ORIENTAIS


PAUTAS ORIENTAIS…


Chegam-me mundos que roçam o corpo na flutuação
dos ares de vento.
Em transe, entro no meu poema e guardo nele o sol, a lua, as ribeiras
mansas, as árvores floridas
(deusas da primavera!)
filhas de GAIA-NATUREZA-MÃE.
Meu espaço-felicidade nascido da cumplicidade dos lexemas,
preenche tessituras de poemas, fabricados por peças de âmbar.

Saltarei de pedra em pedra na noite consagrada ao amor,
se nuvens inesperadas não estiverem prontas
a cobrir a luz do luar…
Nébulas nefelibatas, em passeio pelo ar, impedem a passagem
da luz das estrelas para o meu âmago de mata atlântica a sufocar-
-no- receio- da- escuridão –mar…

De um sopro, um fulgor de halo lunar cobriu meu- ser- a- desvendar…
…galgou distâncias para se instalar véu diáfano-disfarçado-de-arame-farpado,
entre mim e o teu olhar.
Se eu demorar um pouco, amor, não te esqueças de fixar as estrelas
e se luzirem, mais belas, vai conversando com elas de olhos abertos, lábios fechados
e sentidos despertos
pois estarei a percorrer uma rota que a ti me vai levar…
Como eu, elas vão entender o que não podes dizer…
Se não puderem ouvir-te, apoia-te ao meu horizonte etéreo
escondido no teu mistério plasmado em minha fronte de silfo…

Depois, guiarei tuas mãos pelas rotas da minha corpórea solidão…
…levarei teus dedos em viagem por meus cabelos
(-que os percorras com desvelos-)…
…viverei tuas horas nas cores das auroras boreais
que queimam asas de borboletas obsoletas
transformando-as em alvores matinais…

Violinos tocarão harpas de pautas orientais!-
-melodias ancestrais de-amar-a-VIVER-
-num alucinado labirinto de ideias-amor!
Um piano nacarado segue a nosso lado,num colorido orquestral-
-de- partitura-magma…a arder.

Pétalas de rubras rosam desfolhadas
vão adormecendo –no-leito-nupcial-do-SONHO…

Marilisa Ribeiro
53- Mrç/012-ERT

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

POEMA: CARTA DE AMOR...

FOTO PRÓPRIA


O AMOR É UMA SUBIDA ÍNGREME...



CARTA DE AMOR…



Falo-te, hoje, AMOR!
Deste modo…em forma de POEMA,
Que não permite a fuga ao tema
Da minha VIDA…TU!

As mulheres costumam pensar
Muito erradamente,
Que um HOMEM não sente…

Passo os olhos, veladamente,
Por ti, por nós,
Pela neve que caiu e me parece
Imensa, fria,
Densa…
E sofro com o teu sofrer!
Dói-me a ALMA, a valer,
Ao ver o jardim vazio….
…cheio de frio…a gemer…

Não encontro palavras para exprimir a dor e a alegria
Que me acompanham, nesta carta simples,
Que me dita a POESIA…

Não conheço o teu perfume…
MAS…CHEIRAS-ME…
Cheira-me a ti
E sinto-te, TODO, aqui!

Acordo, de madrugada,
Em plena alvorada,
Sem que tu dês por mim…

Estou aqui…sempre a teu lado…
Aceita o meu conforto
Que sei que sentes…AÍ…
Nesse coração sofrido,
Daquilo que eu sei de ti…

Vou subir ao miradouro
A ver se te vejo,
Longe que estás de mim…

Mando-te AMOR pelo ar.
Sem nada dever esperar!
Mando-te um coração
De sangue, suor e lágrimas,
Embrulhado num lençol lacustre
De tristeza…
…no TEMPO a passar…
Mando-te a VIDA,
(também ela tão sofrida!)
Da qual estou – SEMPRE! - a sair…

Não te quero a chorar…
Conheço o teu sentir…
Despeço-me com a certeza
De que a toalha, na mesa,
Continua a esperar
Que ocupes o teu lugar…

E…deixa-me dizer…AMO-TE…


C8H-108/47 (mqc)- OUT/010


Maria Elisa Ribeiro