domingo, 13 de janeiro de 2019

Poema








INTERROGAÇÕES-DE-SEMPRE

Saberá o mar que, quando o meu olhar lhe entra no 
ritmo balanceado,
eu sou um amontoado de células a suavizar-lhe o ardor?

Saberá o rio que as suas límpidas águas, ao deslizarem para a foz,
levarão o eco da minha voz, por entre abismos e fráguas?

Saberão as ervas e as flores que, quando te aproximares 
do meu repouso solitário,
se estabelecerão regras-sem-regras,
que nos atirarão para o renascer das tristes serras?

Saberão os grandes pintores identificar as cores onde, de mãos dadas,
iremos dormir junto ao odor das rubras rosas perfumadas?

Naturezas vivas, eu e tu não queremos ficar parados junto das
naturezas mortas, queimadas, tão doridas das feridas da vida…
Esses são quadros mortos, expostos ao longo dos corredores
que o tempo vai empoeirando, e a quem rouba as belas cores…

Saberá o mundo que nós fugimos das dores e vivemos nos astros,
que nos cedem luzes e cores confidentes dos nossos ardores?

Ah…”Aquela triste e leda madrugada…”…
Ela viu a dor com que nos separámos, até que a Lua nos iluminou
o caminho, para nos reencontrarmos…

Saberá o mundo , o mar, as serras, as águas paradas e a deslizar,
que é nossa a poesia com que nos fitamos? a boca com que nos beijamos?
o calor com que nos abraçamos e o amor que-ambos-nos-damos?

SET/018
Maria Elisa Ribeiro

Sem comentários:

Enviar um comentário