PROSA POÉTICA
(SOPROS DE VENTO)
Desceu à terra um vento que se afastou da lua, para me
soprar nas pálpebras e iluminar o olhar na baça luz do anoitecer. Nos sonhos de
cada alvorecer desaparecem raios de luar e estrelas brilhantes, que ofuscam a
mágica hora em que a lua quer deixar de se ver, para ceder lugar à beleza
avermelhada do alvorecer.
Pertence-me um certo rumor onírico do cair da tarde, ao
murmurar palavras que sou chamada a escrever…e o vento que sopra pela praia
apaga o som da vida-a-descansar. É meu, esse rumor, esse Eu-a-Ser, sobre o qual
a vontade do mar não consegue prevalecer. É a voz- calada- -de- MIM, com
vontade de viver para o vencer.
Conheço o momento em que escolho caminhos para a
peregrinação das Palavras…os seus ecos ultrapassam os rumores dos ventos da lua,
que descem à Terra deixando para trás o mundo das temidas Interrogações, esse
Mundo que está para além de um LÁ, num LONGE que não vejo, mas que sinto no
desejo de cumprir-o-Existir.
Terra é rumor-de-MIM!
Conscientemente inconsciente, o vento leva-nos a
palcos-cenários de identificação de identidades, onde sobressaem cores de
Verdades-Mentiras, que vagueiam na imaginação das florestas iluminadas por
halos vermelhos…
Terra é, afinal, sangue a fluir pelas veias do VIVER, com
rio que não seca e desliza a lapidar pedras e a apanhar areias preciosas, que
respeitam regras em intervalos de Ideias.
Maria Elisa Ribeiro
DEZ/018

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