POEMA:
O MAR BEBEU MINHAS LÁGRIMAS…
Não contes como morri por ti…
Não reveles que deixei a tristeza, tantas vezes,
à porta do meu ser,
para poder viver-te –a-morrer…
Não digas ao tempo que quero mais Tempo
para te saber- morrer-a-viver…
Nem fales dos nossos lençóis alagados de beijos
quando ,ao perder horas, não tínhamos relógio
para ver o tempo a passar…
O mar, de tom anilado imenso como o amor,
frio como o esquecimento e triste como o desalento da espuma
que na areia se esfuma,
anseia tudo saber…
(Desconfio que te quer abraçar, para em ti se deitar…)
Escondeu um saco de lágrimas
no seu âmago de caos profundo…
…dos seres que o ganharam, perdendo-o num novo mundo…
(As minhas? Ele bebeu-as…)
Guardou, só, os sorrisos que te dei…
…os beijos que te vivi, no auge das minhas forças…
Tudo lá está congelado esperando um raio de sol
fugido do teu olhar,
para te pôr nas mãos meu corpo
a desabrochar!
Um barco navega, batido pelo vento,
enquanto, no mar, as ondas inquietas desatam a espumar…
(Espuma-alquímica do cio do mar…)
Estátuas de algodão a desaguar nas areias doiradas,
onde me quero deitar…
Sensuais pérolas da leveza do ar
passeiam nas conchas-mistério-do-sexo-d
De repente, no meu cérebro, oiço música saindo
da força de um órgão magistral…hino à alegria …verdadeiro memorial!
E uma fábula sorri às gaivotas alvoroçadas
Que cortam os ares loucos, a dançar!
…e falam uma língua que desconheço
porque tu não estás!
porque não há espasmos de loucura
nas línguas de sol do areal.
Meu sonho que guardo na invenção de meu corpo
num momento de êxtase
da música-catedral!
(Carris de ferro fundido desfazem-se sob os raios do meu sol…)
Maria Elisa Ribeiro
Jan/012

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