quinta-feira, 16 de julho de 2015

De Portugal...


EDITORIAL
A cor política de Marinho e Pinto


DIRECÇÃO EDITORIAL

15/07/2015 - 21:57


A “cor” política de Marinho e Pinto não faz parte do glossário que conhecemos. É outra coisa.




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O Partido da Terra-MPT nasceu há 22 anos pela mão do arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Teles. Define-se como um partido do “novo centro”, ecologista e humanista. De partido inexistente, conseguiu nas últimas europeias 234 mil votos e dois eurodeputados. Marinho e Pinto foi a razão do salto extraordinário.

Mediático e populista, o ex-bastonário dos advogados projectou o MPT para o mundo da fantasia. Que durou pouco. Rapidamente, o país percebeu que Marinho e Pinto usara o MPT como bilhete para o Parlamento Europeu. Vale a pena reconstituir a cronologia: em Dezembro de 2013 surgem as primeiras notícias de que Marinho e Pinto estava a “namorar” o MPT; em Maio de 2014 é eleito eurodeputado pelo MPT; em Julho filia-se no MPT e toma posse como eurodeputado; em Agosto vai de férias; em Setembro desfilia-se do MPT e em Outubro anuncia o seu novo partido, o PDR. A história acaba com Marinho e Pinto a ser eleito presidente do novo partido exactamente um ano depois de ter sido eleito eurodeputado por outro partido. Nada há nada a fazer sobre isto, anunciaram agora a Comissão para a Ética e o Tribunal Constitucional. Já muitos deputados mudaram de ideias sobre a sua “cor” política enquanto eram deputados. É uma coisa razoável. Mas esses deputados não se mudaram para outro partido antes do fim dos mandatos. A Constituição declara aliás a perda de mandato para quem o fizer. Esses políticos (do PCP, do PSD, do CDS…) esperaram pelo fim para aderirem à nova “cor” política. Rui Tavares foi o caso mais recente e é também excepcional – ajudou a formar o Livre quando ainda era eurodeputado, originalmente eleito como independente pelo Bloco de Esquerda. O caso não será exemplar, mas tem uma diferença substantiva: faltavam semanas para o fim do seu mandato de cinco anos. Marinho e Pinto estava nas primeiras semanas do seu mandato de cinco anos. Vai usar todo esse tempo para fazer uma coisa diferente da que disse que ia fazer. Não há lei para impedir esta forma de estar na política. Mas a “cor” política de Marinho e Pinto não faz parte do glossário que conhecemos. É outra coisa.

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