sábado, 27 de março de 2021

Minha Poesia

 BREVES

Há no silêncio uma doce inaudível voz de luz
enquanto que o ruído da dor interior,
sendo de origem mais divina,
mal se pode ouvir.
Permite que volte minha face
para um céu maior que o teu mundo...
Quero aprender a ser dócil em todos os sonhos,
tal como as estrelas são,
na sua rota pelos firmamentos.
Como a Lua tenho fases:fases de andar perdida,
fases de andar escondida,fases de me perder nos atalhos,
de não sentir os teus ralhos e fases de me encontrar...
O mais importante: tenho fases em que quero ser tua...
e outras em que me perco
na estreiteza de uma rua...
©Maria Elisa Ribeiro
DEZ/020
Pode ser uma imagem a preto e branco
Gosto
Comentar
Partilhar

quinta-feira, 25 de março de 2021

Receita de leite creme by necasdevaladares

Receita de bacalhau à espanhola by necasdevaladares

Rabanadas com Calda de Laranja e Vinho do Porto

Rabanadas com vinho do Porto

Do nosso José Luís Peixoto...

 Felicidade!

Quem já tem o romance? Posso fazer um pedido? Mostrem o vosso exemplar nos comentários, digam-me onde estão com ele.
O presente da ação deste romance são os dias 26, 27 e 28 de março de 2021. Se já têm o vosso exemplar, poderão lê-lo exatamente nos dias que descreve. 🙂

Minha Poesia

 Sossega…

Deixa-te estar assim…
Preciso de fixar num poema
o mapa sereno do teu rosto onde, seguramente,
encontrarei vestígios de tudo o que já vivemos.
Sinto que o vento me tatuou em ti, nos teus olhos,
nas faces,
com esta mão que nos escreve e com que-tantas vezes!- te afaguei.
Minha pele lembra sulcos de terra onde as sementes se escondiam , para irromper…
No meu corpo floresceram teus lábios quentes,
de quando me beijavas sem te conteres.
O vento sabe de nós…e as flores abertas, também…
E sabem-no ainda os insectos, esses seres insurrectos, inquietos,
sempre a circular em volta dos sucos doces da Terra-Mãe.
Sossega…
Deixa-te estar assim…
também gosto de dançar no teu olhar
em volta das flores, antes de tatuar teu ser num poema-que-quero-viver.
Maria Elisa Ribeiro
MRÇ/019
Foto Google
A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e ar livre
Nenhuma descrição de foto disponível.

Minha Poesia

 





…DAS SOMBRAS PENITENTES

 

 

 

no pátio das sombras,

na falta da luz,

por entre um rasto de estrelas,

 desliza o silêncio rumoroso dos picos de vento.

pela face me corre uma gota de orvalho-suor

da palavra desejosa

de das nuvens aflorar.

os olhos entregam-se à escura noite e, em cada vereda

estreita da vida,

a seca fareja a chuva,

 que afastará o

vómito das vielas irregulares.

na tranquila velha casa inundada

de silêncios e de ominosos presságios,

antevejo a chegada de um poema

que quero resgatar

de todos os meus versos perdidos…

ainda não começados…

delineados no imo  do papel e

escondidos das fraquezas e terrores

 do mundo subvertido…

…depois, meus versos ajoelham-se comigo

serenos e resplandescentes,

 nas margens da vida

onde sempre se abriga

 

 

Maria Elisa Ribeiro

 

JAN/019

Texto de Luís Osório sobre o distinto Professor Galopim de Carvalho(90 anos)

 POSTAL DO DIA

O último combate da vida de Galopim de Carvalho
1.
Em 1996, numa pedreira desativada perto de Sintra, foi descoberta uma jazida de pegadas de dinossauros. Abriram-se noticiários televisivos, fizeram-se primeiras páginas e um cientista empenhou-se para que a jazida fosse recuperada.
O cientista chama-se António Galopim de Carvalho. O país acompanhou-o nessa luta e no amor pelas coisas do passado, pela preservação da memória, pelo estudo do que existia antes de nós existirmos, pela descoberta dos dinossáurios que eu, lamentavelmente, continuo a chamar dinossauros.
2.
Galopim de Carvalho a quase todos convenceu.
A sua paixão não podia deixar lugar a dúvidas. Tinha de se fazer e fez-se.
A esta jazida deu-se o nome de Monumento Nacional de Carenque. Uma extensão de mais de cem metros com pegadas com cerca de 90 milhões de anos.
Milhares de crianças deixaram-se seduzir pela ciência a partir do exemplo daquele cientista romântico, uma espécie de Indiana Jones dos dinossauros, um investigador que era um avô de olhos vivos, um avô que insistia em manter os olhos cobertos de perguntas e inquietação.
3.
Passaram os anos.
E por um motivo ou por outro nunca se investiu em Carenque.
Por um motivo ou por outro a jazida foi deixada ao abandono.
As pegadas foram abandonadas ao seu destino milenar. E uma lixeira a céu aberto ocupou o lugar onde Galopim de Carvalho sonhou ver crianças acompanhadas pelos pais. Um depósito de lixo onde as ervas daninhas e vegetação selvagem crescem sem qualquer travão destruindo a lage onde as pegadas fazem por resistir.
Entre Queluz e Belas, numa zona de ermos e abandono, o que foi descoberto há mais de vinte anos continua por descobrir.
4.
António Galopim de Carvalho está quase a fazer 90 anos.
Disse-me…
Luís, esta é a última batalha da minha vida.
Aconteça o que acontecer irei lutar até ao último dia.
António Galopim de Carvalho, velho cientista com olhos de miúdo, figura maior da geologia portuguesa, não se conforma. Se lhe dessem a escolher entre morrer amanhã com a certeza de que Carenque seria preservado ou viver mais dez anos com a resposta de que nada poderá ser feito, a resposta dele seria a que imagina.
Há pessoas assim.
Pessoas maiores do que a maioria de nós.
Gente que dá o que tem pela certeza de que aquilo que faz é o melhor para a comunidade.
E para a ciência.
E para o país e o seu turismo.
Caro Professor, não desista.
Estamos aqui e somos o seu escudo.
LO
Pode ser uma imagem de 1 pessoa
Luís Serguilha, José Pinto e 1,5 mil outras pessoas
257 partilhas
Gosto
Comentar
Partilhar