quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

MAIS UM "ALEGADO "LADRÃO...


PJ Presidente da associação dos agentes de execução detido
O presidente da Associação dos Agentes de Execução, Francisco Duarte, foi detido esta quarta-feira, pela Polícia Judiciária após o final das buscas que se realizaram à sua casa, em Cascais. O Diário de Notícias dá conta que Francisco Duarte é suspeito do crime de peculato nos processos de cobrança de dívidas


PAÍS
DR

17:54 - 28 de Janeiro de 2015 | Por Notícias Ao Minuto


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O presidente da Associação dos Agentes de Execução, Francisco Duarte, foi detido esta quarta-feira pela Polícia Judiciária, suspeito de crimes de peculato.
Leia também:
PJ efetua buscas a escritórios e casas de agentes de execução
PJ investiga presidente da associação dos agentes de execução
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O procurador da 9ª secção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) ordenou a detenção de Francisco Duarte, após as buscas ao seu escritório e casa, em Cascais, refere o Diário de Notícias.

Nesta investigação, a Polícia Judiciária está a apurar se os agentes de execução desviaram dinheiro em vários processos. Ainda durante esta manhã, dezenas de inspetores fizeram buscas a escritórios e casas em Lisboa e noutras zonas do país.

Foram detetados vários esquemas de desvio de dinheiro dos processos de execução, os quais passam pela simulação eletrónica entre processos de cobrança de dívidas de entregas de dinheiros aos credores, ficando os agentes de execução com os respetivos juros após transferirem o dinheiro da dívida para os credores.

[Notícia atualizada às 17h58]



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Estudo Mulheres que aderem ao ISIS são "chefes de claque, não vítimas"
As mulheres ocidentais que se juntam ao grupo extremista Estado Islâmico são atraídas pela mesma paixão ideológica que muitos dos homens recrutados e deverão ser vistas como "chefes de claque" potencialmente perigosas e não vítimas, defenderam hoje especialistas.


MUNDO
Lusa

20:13 - 28 de Janeiro de 2015 | Por Lusa


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Um novo estudo do Instituto para o Diálogo Estratégico (ISD), sediado em Londres, sustenta que se espera que as cerca de 550 mulheres que viajaram para o Iraque e para a Síria se casem, sejam donas-de-casa e tenham filhos.
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Mas apesar de serem impedidas de combater, muitas são ativas propagandistas da causa nas redes sociais, celebrando a brutal violência dos militantes do Estado Islâmico (EI) e agindo como sargentos recrutadores e mesmo encorajando ataques no estrangeiro.

"A linguagem violenta e a dedicação à causa são tão fortes como as que existem em alguns dos homens", disse o coautor do estudo, Ross Frenett, um especialista em extremismo.

"A preocupação é que à medida que o EI perca terreno, como toda a gente espera que aconteça, cada vez mais destas mulheres se transfiram do mundo doméstico em que estão agora para um mais violento", observou o investigador.

Muito se tem escrito sobre as jovens mulheres que se tornam "noivas 'jihadistas'", mas a narrativa prevalecente de que são atraídas por um sentimento de entusiasmo subestima a importância da sua própria fé e paixões.

Os investigadores do ISD têm monitorizado centenas de mulheres nas redes sociais, mas centraram-se para este estudo em 12 mulheres de cinco países -- Áustria, Reino Unido, Canadá, França e Holanda -- que estão a viver com o grupo Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

Algumas das mulheres apoiaram as decapitações executadas pelos militantes -- "Quem me dera ter sido eu a fazê-las", disse uma delas depois de o jornalista norte-americano Steven Sotloff ter sido morto -- bem como os protestos contra os Governos ocidentais e o sofrimento dos muçulmanos.

"A minha melhor amiga é uma granada... E, ainda por cima, é americana. Que Alá permita que eu mate os soldados Kanzeer (porcos) com as suas próprias armas", disse outra.

As mulheres desempenham outra função importante: aconselham e encorajam outras mulheres que estejam a pensar em juntar-se ao EI.

"Elas estão a recrutar ativamente mulheres e a dar-lhes conselhos e referências para entrarem em território controlado pelo EI", indicou Frenett, que acrescentou que aquelas mulheres agem como "chefes de claque incentivando ataques terroristas nos seus países natais".

"Tem havido este ângulo-cego de género, em que se vê as mulheres como vítimas em vez de potenciais terroristas", sustentou Jayne Huckerby, professora associada na Faculdade de Direito da Duke University que se está a especializar no estudo da relação entre mulheres e contra-terrorismo.

Para a académica, "os legisladores não prestaram atenção e subestimaram o terrorismo feminino tanto em termos de motivação para aderir como quanto aos papéis por elas desempenhados".

Segundo Jayne Huckerby, muitas mulheres decidem abandonar os países ocidentais por causa da perda ou de restrições à liberdade de praticarem a sua fé e são atraídas para o EI por um sentido de aventura e entusiasmo por uma nova utopia islâmica.

O seu papel fundamental, além de serem mulheres e mães, é passar para o mundo exterior uma imagem do quotidiano sob o poder do EI, através de 'posts' nas redes sociais que intercalam vídeos violentos com fotos dos seus cozinhados.

"Elas são muito importantes em termos de criar uma nova imagem para o EI, menos de um grupo terrorista e mais como exercício de criação de um Estado", frisou Huckerby.

A investigadora indicou que muitas estão também dispostas a combater, um ponto também sublinhado por Melanie Smith, do Centro Internacional para o Estudo da Radicalização, no King's College, em Londres.

Smith, que mantém uma base de dados com cerca de 70 mulheres que são membros do EI, disse que as mulheres britânicas estão a incitar ataques ao sugerirem-nos a pessoas que não podem viajar para o Iraque ou para a Síria.

"Vê-se mulheres 'online' a sentirem-se frustradas por não poderem combater e sugerem umas às outras que poderiam fazer outra coisa", indicou ao jornal The Observer.

Apesar do seu ímpeto guerreiro, muitas das mulheres têm dificuldade em deixar para trás as famílias, um fator que poderá ser fundamental para as manter em casa.

Frenett indicou que as autoridades deveriam dar mais apoio aos parentes dessas mulheres e também oferecer uma saída àquelas que se desiludem.

"É preciso que haja um caminho disponível para elas quando regressam a casa", defendeu.



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Capa do "JN"



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DA GRÉCIA...

NOTÍCIAS
Grécia vai exigir a Alemanha indemnizações da II Guerra Mundial

24/04/13 19:35 CET





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Kobani, esperança no meio das ruínas28/01 18:52



Grécia: Despedir assessores e recontratar empregadas de limpeza28/01 18:49



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Ucrânia: Um conflito, duas faces28/01 16:41



Dois militares israelitas e um capacete azul espanhol mortos em novo episódio de tensão entre Israel e Hezbollah28/01 15:13



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Grécia: Primeiro conselho de ministros do executivo de Tsipras28/01 10:41



Iphone faz disparar lucros da Apple para recorde histórico28/01 09:44



México: Estudantes desaparecidos foram mortos28/01 08:10



Sobreviventes recordaram em Auschwitz, 70 anos depois28/01 05:15



Japão e Jordânia em contra-relógio para libertar reféns dos jihadistas28/01 04:12
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A Grécia pretende exigir à Alemanha 162 mil milhões de euros em indemnizações por feitos que remontam à Segunda Guerra Mundial. A reabertura do dossiê, com quase seis décadas, promete aumentar as tensões entre Atenas e Berlim.

O governo grego vai entregar aos serviços jurídicos um relatório que estipula que a Alemanha deve pagar 108 mil milhões de euros por danos a infraestruturas e outros 54 mil milhões por um empréstimo que o regime nazi obrigou a Grécia a contrair. O valor total equivale a 80 por cento do PIB grego.

O chefe da diplomacia grega, Dimitris Avramopoulos, afirmou que o governo “vai esgotar todos os meios que existem para obter um resultado, independentemente do tempo e do esforço necessário, bem como das circunstâncias atuais”.

As indemnizações exigidas por Atenas seriam uma forma de saldar grande parte dos 240 mil milhões de euros atribuídos à Grécia no âmbito do plano de resgate, para o qual a Alemanha é o principal contribuinte.

Enquanto grande parte da população grega responsabiliza Berlim pelas dificuldades económicas, o governo alemão diz que já pagou todas as reparações devidas da Segunda Guerra Mundial.

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Não é caso para rir, porque estamos a perder jovens em que apostámos, com os nossos impostos...


foto de Ri-te Porra.
8 h


De Portugal...Muito estranho...


Maioria impede ex-dirigente de contar na AR a “verdade” sobre colapso do Citius


ANA HENRIQUES e PEDRO SALES DIAS

28/01/2015 - 13:46


PSD e CDS chumbaram requerimento do BE para ouvir ex-dirigentes do instituto que gere a plataforma. Oposição votou a favor. Ex-presidente do instituto acusa maioria de proteger a ministra da Justiça que "tem responsabilidades políticas".PÚBLICO/ARQUIVO




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TÓPICOS

PS
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BE
PCP
Justiça
Supremo Tribunal de Justiça
Tribunais
Paula Teixeira da Cruz
Assembleia da República
Bloco de Esquerda

MAIS
Ex-dirigente exonerado quer contar a “verdade” sobre o colapso do Citius
Ex-presidente do instituto que gere Citius vai processar ministra
Ex-técnicos do instituto que gere o Citius preparam eventual queixa-crime contra ministra
Juízes exigem investigação rápida a suspeita de sabotagem do Citius


Os partidos da maioria PSD e CDS/PP chumbaram esta quarta-feira um requerimento do Bloco de Esquerda (BE) para ouvir na Assembleia da República o ex-presidente do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ) que gere o Citius. O BE requeria ainda a audição do ex-vogal daquele instituto responsável pela área informática, Carlos Brito. PS, PCP e BE votaram todos a favor da audição dos responsáveis na Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdade e Garantias.


Depois de ter sido exonerado pela tutela, Rui Pereira, disponibilizou-se para ser ouvido naquela comissão parlamentar para contar “a verdade” sobre o crash informático que durou mês e meio, até meados de Outubro, tendo bloqueado durante esse período o funcionamento dos tribunais de primeira instância. “Não estão esclarecidas, a meu ver, as circunstâncias e determinantes do colapso, nem devidamente apuradas as responsabilidades técnicas e outras. E sobretudo não está devidamente esclarecido o quadro em que aquela plataforma se encontra ainda em funcionamento, nem devidamente salvaguardada a normalidade do seu funcionamento”, avisava o ex-dirigente na carta que enviou aos deputados.



Face ao chumbo da sua audição, Rui Pereira, acusa agora a maioria parlamentar de querer “proteger a ministra [da Justiça, Paula Teixeira da Cruz]. Segundo defende, Paula Teixeira da Cruz não terá "competências técnicas para ser responsabilizada pelo colapso, mas tem responsabilidades políticas”.

O ex-presidente do IGFEJ lamenta que “a maioria não tenha querido que os portugueses fiquem a saber a verdade do que sucedeu”. Agora, “não há nada mais a fazer. Não posso fazer mais. Temos de rezar, sublinho rezar, para que tudo corra bem com o Citius”, referiu ainda. Para Rui Pereira era importante que fosse divulgado publicamente o relatório da Inspecção-Geral da Justiça sobre o colapso do Citius e a consequente auditoria técnica. “A ministra continua a não quer divulgá-lo”, criticou.

Rui Pereira está ainda a ponderar a apresentação de uma queixa na Justiça contra Paula Teixeira da Cruz. Considera que ficou em causa o seu bom nome e sublinha que o despacho de exoneração é “irregular”, já que só está assinado pelo secretário de Estado da Justiça, António Costa Moura, que tem a tutela do IGFEJ. Para o ex-dirigente também a ministra o deveria ter assinado. “Mas uma coisa é o que aconteceu com o Citius e outra é o eventual processo devido às irregularidades da exoneração”, fez questão de salientar Rui Pereira.

O deputado do PSD Carlos Abreu Amorim garante que o chumbo da audição do dirigente exonerado nada teve a ver com censura. “Não cabe nas funções da comissão parlamentar ouvir queixas de funcionários exonerados. E não há na audição de Rui Pereira nenhuma utilidade política - a não ser a de fazer desforço com a ministra da Justiça, como ele tem andado a fazer nas televisões e nos jornais”, observa o parlamentar, invocando ainda a tradição: “Não há memória de algum dia se ter chamado à comissão um funcionário exonerado”.



Para Carlos Abreu Amorim, se o antigo presidente do instituto responsável pelo Citius ainda tem assuntos para resolver a este nível, deve fazê-lo nos tribunais administrativos. O deputado admite não lhe ter agradado o tom da carta em que Rui Pereira se oferecia para ser ouvido: “Regurgitava a teoria do caos na justiça”.

DA GRÉCIA...


Tsipras não recua no desafio à Europa e os mercados assustam-se


SÉRGIO ANÍBAL

28/01/2015 - 21:31


Novo Governo está já a avançar com as medidas prometidas na campanha eleitoral e que vão no sentido oposto daquilo que tem sido exigido pela troika à Grécia.Alexis Tsipras não está a dar sinais de recuar nas vésperas das negociações com a Europa MIGUEL MANSO




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MAIS
Primeiro-ministro quer solução “mutuamente benéfica”
Bolsa de Atenas desliza 9,2%, com a banca em queda livre
Privatizações travadas nos portos e na energia
Yanis Varoufakis: radical moderado e economista acidental


Passados apenas três dias após as eleições, o novo Governo grego liderado por Alexis Tsipras começa a passar à prática as medidas que prometeu na campanha e que são precisamente aquelas que os mercados mais temem que possam tornar inevitável uma colisão com as autoridades europeias .

No primeiro Conselho de Ministros do executivo formado pelo Syriza com os Gregos Independentes estiveram em cima da mesa, de acordo com declarações de diversos governantes, medidas destinadas a combater “a crise social e humanitária” que atravessa o país. A generalidade das medidas implica, além de um aumento imediato do rendimento de parte da população grega, uma subida da despesa do Estado e das empresas, confirmando que o caminho seguido é o oposto ao que foi exigido pela troika no programa assinado com o anterior Governo e que ainda está em vigor.

Uma das principais medidas é a reposição do salário mínimo nacional nos 751 euros por mês, confirmada esta quarta-feira pelo novo ministro do Trabalho. Esse era o valor aplicado antes da chegada da troika à Grécia e que, em 2012, foi cortado (cerca de 23%) para 580 euros, com o objectivo declarado de tornar a economia grega mais competitiva. Serão também recuperados os acordos colectivos de trabalho.

Na Saúde, o novo responsável pela pasta anunciou que serão prestados cuidados a todos os que estiverem desempregados, que não tenham um seguro de saúde e não tenham, por isso, acesso ao sistema, problema que afecta neste momento 800 mil pessoas na Grécia. Esta é uma medida imediata que ocorrerá em simultâneo com a avaliação, junto dos hospitais, das falhas no serviço que é mais urgente corrigir.

Na função pública, de acordo com o vice-ministro para a reforma administrativa, serão devolvidos os postos de trabalho ao funcionários do Estado cujo despedimento recente tinha sido considerado inconstitucional pelos tribunais. Em causa, estão, por exemplo, funcionárias da limpeza no Ministério das Finanças e professores. Também prestes a ser cumprida está a promessa de fornecer electricidade grátis às famílias que estejam abaixo do limiar de pobreza.

O Governo grego confirmou ainda a intenção de travar as privatizações que tinham sido agendadas pelo anterior executivo, nomeadamente no sector dos portos e da electricidade.

Estas medidas constituem uma parte do plano económico e social traçado pelo Syriza durante a campanha eleitoral. De acordo com as contas do próprio partido, a aplicação da totalidade do plano representaria um aumento da despesa pública de quase 12 mil milhões de euros, cerca de 6,5% do PIB grego.

Os responsáveis do Syriza garantem que uma parte substancial desse aumento de despesa pode ser compensado por um combate mais decisivo à fraude fiscal e por ganhos de eficiência nos serviços do Estado. Mas reconheciam também que uma parte resultaria no agravamento do défice grego. De acordo com as contas de Yanis Varoufakis, o novo ministro das Finanças, a Grécia irá apresentar aos seus parceiros europeus a intenção de fazer passar o saldo orçamental primário (aquele que não leva em conta as despesas com juros da dívida) de um excedente de 4,5% do PIB para apenas 1%, o que implica um agravamento do défice nominal.

Isto fica bastante distante daquilo que são as actuais regras orçamentais europeias e ainda mais daquilo que ficou estabelecido no acordo assinado pelo anterior Governo com a troika. Assim, é de esperar que as medidas agora adoptadas possam constituir um primeiro motivo de choque nas negociações entre o Governo grego e os seus parceiros europeus. O próprio Governo o reconhece: “Iremos mover-nos no sentido oposto ao que diz o acordo com atroika, porque essa é a escolha da população”, explicou o ministro do Trabalho e anterior porta-voz do Syriza, Panos Skourletis, numa entrevista a um canal de televisão grego.

Bolsa nervosa
Este ponto de partida para um período que se prevê de negociações difíceis entre o executivo grego e a Europa foi recebido com nervosismo na bolsa de Atenas. O principal índice grego caiu 9,24% na sessão desta quarta-feira, com os bancos a enfrentarem perdas superiores a 25%. A queda do sector bancário, o mais penalizado nos últimos dias, chega aos 40% desde as eleições de domingo.

No mercado de dívida a reacção foi mais calma, mas, mesmo assim, os juros das obrigações gregas a dez anos aproximaram-se de novo dos 11%. No dia anterior, já tinham ultrapassado os 10%.

ERA HORA!!!!


Governo reconhece que decisões do Tribunal Constitucional ajudaram a economia


PEDRO CRISÓSTOMO

28/01/2015 - 13:54


Secretário de Estado do Orçamento admite que houve efeitos positivos no consumo, mas ressalva que essa é apenas uma parte da realidade.Hélder Reis foi ouvido no Parlamento sobre a Conta Geral do Estado de 2013 e a execução orçamental de 2014 DANIEL ROCHA




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TÓPICOS

PS
PSD
CDS-PP
Tribunal Constitucional
Pensões
Finanças públicas

MAIS
Bruxelas foi informada das medidas que classificou de recuos
Execução do OE de 2014 atenua riscos para este ano


O secretário de Estado do Orçamento, Hélder Reis, admitiu nesta quarta-feira que a devolução dos subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos e pensionistas em 2013, por força do chumbo do Tribunal Constitucional, teve impacto no rendimento disponível e na dinamização da actividade económica.

Governo e oposição recuaram no tempo para discutir no Parlamento a Conta Geral do Estado de 2013. Na comissão de orçamento, finanças e administração pública, Hélder Reis concedeu algum efeito positivo no aumento do rendimento disponível, mas ressalvou que não é possível encontrar uma co-relação directa, vincou que há outras variáveis a ter em conta e defendeu a estratégia do executivo na retoma da economia.

Primeiro, o secretário de Estado do Orçamento frisou que “dimensões idênticas entre receita e despesa” têm efeitos diferentes e que “só com alguma ‘bruxometria’ conseguiríamos encontrar aqui uma co-relação”. Mas, mais do que uma vez, concedeu à oposição: “Havendo um aumento do rendimento disponível, não posso negar que, via consumo, [não haja efeitos na economia]”.

A questão foi lançada para a mesa pelo deputado do PS João Galamba, que desafiou o secretário de Estado a admitir que o “abrandamento da austeridade”, forçado pela declaração de inconstitucionalidade, explica a inversão de ciclo. “Não acha que está na altura de reconsiderar este tipo de estratégia [de austeridade]?”, perguntou Galamba.

Hélder Reis começou por dizer que, quando se olha para o que aconteceu ao rendimento, não se pode ter em conta apenas a reversão dos salários, e disse que associar que o crescimento resulta daí é ter “uma visão estrita do crescimento”. Mas viria a afirmar: “Não posso deixar de admitir que há um impacto”.

As declarações suscitaram, a partir daí, uma intensa troca de argumentos entre a oposição e os partidos que suportam a maioria de Governo, levando o secretário de Estado a esclarecer que o efeito da devolução dos subsídios traduz apenas uma “parte da realidade”, sendo preciso olhar para os efeitos que já se faziam sentir antes da decisão do Tribunal Constitucional.

Os deputados do PSD e do CDS-PP apareceram a rebater a visão do PS, depois de João Galamba ter reforçado a ideia de que a “inversão de trajectória está relacionada em grande medida” com as decisões dos juízes do Palácio Ratton, que levaram à reposição dos subsídios em 2013.

Conceição Bessa Ruão, deputada do PSD, rejeitou atribuir méritos ao Constitucional. “Não podemos só centrar-nos” nas decisões do TC, sublinhou, frisando que há efeitos no consumo dos bens duradouros e não nos bens correntes que já se faziam sentir antes da declaração de inconstitucionalidade. “O ano de 2013 foi um ano de conquistas e que permitiu que 2014 acontecesse e que a troika fosse embora”.

A centrista Vera Rodrigues contrapôs igualmente que não se pode “atribuir por inteiro” a melhoria da actividade económica àqueles dois factores. E acrescentou: “Nós não desprezamos o esforço dos portugueses” na retoma económica.

Em 2013, a economia encolheu 1,4%, com a queda do consumo privado a abrandar de forma expressiva em relação ao ano anterior, passando de uma variação de -5,2% para -1,4%.

Capa de "Público"



Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2015

Defesa de Sócrates acusa procurador de querer usar "provas proibida"

Primárias no PS para escolher deputados causam desconforto


Grécia: bolsa vai ao fundo com alívio da austeridade

Leia em http://publico.pt/

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Boa noite, amigos!




MIGUEL TORGA: poeta a estudar para os Exames Nacionais



Literatura Portuguesa: texto sobre a poesia de Miguel Torga (1907-1995).
Por Maria Elisa Ribeiro




“As palavras dizem, sugerem, conotam, germinam, porque estão carregadas de experiência comum.”
Jacinto do Prado Coelho, in “Ao contrário de Penélope”.




Sempre disse aos meus alunos que Literatura é Vida.
Tudo o que fazemos, pensamos, ficcionamos ou não, tudo o que apreendemos com os sentidos ou com a Razão, serve de base à arte pessoal de um qualquer autor, para construir a obra literária. Por conseguinte, numa qualquer ficção, todas as personagens agem, reagem, interagem, quer na intriga (a história, por assim dizer), quer na localização da mesma, no espaço e no tempo, que o narrador resolva decidir, de acordo com o contexto do desenrolar da acção.
A Literatura ama-se tanto quanto se ama a vida; ama-se, mais ainda, quanto melhor se souber encontrar a mensagem subliminar (escondida) na capaz interpretação do texto, seja ele em Prosa, seja em Poesia.
Através do adequado conhecimento das personagens ao longo da leitura, entramos em contacto com as sociedades: vemos denúncias e louvores, utopias e realidades, críticas sociais, ético-morais, políticas, etc.
A ironia, o sarcasmo e o bom-humor são armas dos escritores ( e não só) para enriquecerem as obras com que nos deleitamos, quando lemos.
Se nos lembrarmos de Eça de Queirós em “Os Maias, por exemplo, sabemos como ele “gozou”, como ninguém, com a sociedade portuguesa do séc. XIX. Fê-lo através do olho crítico do incomparável EGA, seu “alter-ego”,mas fê-lo como ninguém! Ao olharmos para as figuras típicas da sociedade hodierna, como políticos, dirigentes, jornalistas, banqueiros e sociedade em geral, aí temos nós o “Portugal velho e doente”, do tempo do velho Eça , retratado a pincel…
Mas vamos ao tema de hoje…”passar” pela obra de MIGUEL TORGA; não devo divagar, pois é-me facultado um cantinho de oiro no Jornal e não devo desperdiçá-lo…
Pessoalmente, admiro de tal modo as Prosa e Poesia de TORGA, que é com o prazer da “Procura” que me perco, deliberadamente, no emaranhado de temas que ela nos oferece para deleite e reflexão, quase sem tempo para respirar entre uns e outros.
Miguel Torga, pseudónimo do médico e escritor-poeta Adolfo Correia da Rocha, nascido em Trás-os-Montes, em S. Martinho de Anta, trabalhou, viveu e morreu, em Coimbra, em 1995.
Espírito pensador, independente e individualista, não conseguiu integrar-se em nenhum movimento literário, isto apesar de ter ajudado a criar as revistas literárias “Presença”, “Sinal” e”Manifesto”. Amou, com paixão, tanto a terra como o mar português; o amor pela terra enternece.”Vemos”, quer na prosa quer na poesia, os cavadores a limpar os sulcos, “vemos” o lavrador a espalhar a semente no solo, depois de devidamente enriquecido com estrume, “vemos”as fragas, mortas-vivas, a esperá-lo, quando vai procurar força e alento à sua aldeia…”cheiramos, até as urzes e as torgas dos montes, quando ele as pisa…É a terra, com a sua força telúrica, que enche páginas e páginas de poesia, onde até a água das fontes pinga, cantando, como que a saudar o poeta, quando ele chega. Nessa força telúrica, que se estabelece no contacto do corpo com a terra-mãe, reside a ideia do “Mito de Anteu”,o deus que SÓ se sentia cheio de força, quando os seus pés tocavam a terra.
A terra é, por conseguinte, para Torga, a origem sagrada da vida, dos tempos, do “TUDO”, que o homem desconhece. Ela é, para o poeta, um ventre materno, sendo dever dos seres orientarem-se para a criação, para a Génese.
Alguns extractos de poemas do universo genesíaco torguiano podem ajudar-nos na interpretação desta temática.
No poema “Comunhão”: Tal como o camponês…/ ou como o pastor…/ assim eu canto…/ Semear trigo e apascentar ovelhas/ É oficiar à vida/ Numa missa campal./…Junto o meu canto de homem natural/ Ao grande coro dessa poesia./.
No poema “Regresso”, a temática do amor à terra :”Regresso às fragas de onde me roubaram./ Ah! Minha serra…/ …rijos carvalhos me acenaram,/ Cantava cada fonte…/…o céu abriu-se num sorriso/…deitei-me no colo dos penedos…/
Outro tema exaustivamente tratado por Torga é o do desespero humanista. Como médico, sofria, tremendamente pelo Homem e pela impossibilidade de aliviar o sofrimento - e/ou - impedir a verdade da condição humana , que é a inevitável morte, a única “viagem” sem retorno…Este é um tema de contornos existencialistas que o poeta não explorou, até porque achava que a liberdade e a esperança são os alicerces da vida.
Por isso se confessa um rebelde, em fúria! contra os limites que “alguém” nos impôs, desde o primeiro momento em que existimos .E questiona: por que é que o Homem tem que sofrer? Por que tem o Homem que morrer? Vai daí, no poema ORFEU REBELDE insurge-se contra esse tal “alguém” e diz:”Orfeu rebelde, canto como sou:…um possesso…/ a ver se o meu canto compromete/ A eternidade no meu sofrimento…/ …que o céu e a terra…moinho cruel que me tritura,/ Saibam que há gritos…/ Bicho instintivo que adivinha a morte/ No corpo dum poeta que a recusa…”!
É neste estado de espírito de extrema dureza para com “quem” rege a triste condição humana, que surgem as dúvidas sobre Deus. A problemática da religião e das questões sobre a existência do divino são, em Torga resultantes de dúvidas tremendas, como aliás, o são em todas as gerações que sobre elas se debruçam. Em “Diário I,” faz Torga uma série de afirmações sobre a eterna dúvida; delas destaco a seguinte, citada do livro “Aula Viva”, pág.392 (Porto Editora): “O que eu dava para me levantar cedo esta manhã, ir à missa, e voltar da Igreja com a cara que de lá trazia o meu vizinho…” (presumimos nós, leitores, que o vizinho voltava a casa com um ar de católico convicto…feliz…).
E continua: “Queria era sentir-me ligado a um destino extra biológico (…)”, ( o biológico é a morte!); “(..) a uma vida que não acabasse com a última pancada do coração.”
E pelo mesmo motivo, porque todos temos que “passar o rio”, no poema “Desfecho” afirma: “Não tenho mais palavras./Gastei-as a negar-te…Só a negar-te eu pude combater/O terror de te ver/Em toda a parte./Fosse qual fosse a caminhada/Era certa a meu lado…a presença…do teu vulto calado…/Soltei a voz, arma que tu não usas,/Sempre silencioso na agressão./Agora…somos dois obstinados…que apenas vão a par na teimosia./”
Repare-se que, embora diga que nega Deus, o poeta afirma que O sente ALI, ao seu lado! teimoso no silêncio, que não quebra. O poeta sabe que ambos estão condenados a caminhar, juntos, até ao fatal fim…Dizer que Torga não acredita em Deus, talvez seja demasiado e talvez, também, incorrecto! Quem se preocupa tanto em O questionar, é, em meu entender, porque O procura… E é uma eterna procura, porque Ele não elucida…exige que acreditemos, muito pura e simplesmente! Ele deu-nos a Razão com, - implícito! -o dom de sabermos onde estão o Bem e o Mal. Devemos, portanto, agir, com a liberdade que a Razão nos dá. Só que somos imperfeitos...
Magalhães Gonçalves na obra “Ser e Ler Miguel Torga” diz, na página 52: “Mas o homem não é dono nem escravo da sua liberdade - ele é a sua Liberdade!”
Daí a fúria de Torga… por que é que Ele não responde?
Talvez por isso, o poeta, raramente, ou mesmo nunca - o trata com letra maiúscula, mostrando, desse modo, querer dar dimensão à luta do Homem, para obter respostas…
Eu sou suspeita para me “meter” por este caminho pois, eu própria, tenho dúvidas…
E quem tem a sorte de ter certezas, para nos ajudarmos uns aos outros?
Acho, no entanto, salutar, pensarmos nestas coisas, pelo menos para não corrermos o risco de sermos, como diz Fernando Pessoa, no poema D. Sebastião Rei de Portugal: “…Sem a loucura que é o homem/ Mais que a besta sadia,/Cadáver adiado que procria?”
Miguel Torga foi também um consistente prosador; escreveu registos autobiográficos, contos em que os animais personalizam os defeitos humanos, situou factos da vida nas escarpas das montanhas…Escritor notado e notável, dessa sua obra em prosa não devemos esquecer os ”Diários”, ”Novos contos da montanha”, “Bichos ”… Quem não se lembra do corvo Vicente, na sua rebeldia contra Deus, por Ele e Noé o quererem obrigar a voltar à Arca? “Não, ninguém podia lutar contra a determinação de Deus.”(in BICHOS,17 edição, pág.133). Não esqueçamos que a revolta de Adão e Eva lhes valeu a expulsão do Paraíso…
E o pobre do cão “Nero” a rir-se, à hora da morte, narcisicamente pensando no sofrimento e na saudade que a dona iria ter dele…? E o galo “Tenório” a ter que admitir a sua velhice e ver o filho ,”jovem e belo” a tomar o seu lugar na capoeira-harém? O tempo passa, inexoravelmente, e isso dói a todos…E Deus nada faz!
Foi nas obras em prosa que Torga aproveitou para espraiar os olhos por este Portugal de fragas e criticar tudo e todos, -Salazar também - o que lhe valeu a prisão!
Escuso de vos confessar o meu êxtase perante a obra de Torga…Está tudo (quem dera!) dito, a este respeito.
Deixo-vos com uma frase da grande Sophia de Mello Breyner Andresen: “A cultura não é um luxo de privilegiados, mas uma necessidade de todos os homens. Um homem condenado à ignorância é alguém a quem foi roubada uma parte do seu direito à vida”.

Maria Elisa Ribeiro

Sobre o estado islâmico e não só...


“Dizer que estes fanáticos nada têm a ver com o Islão é o cúmulo do politicamente correcto e é contraproducente”


ANA GERSCHENFELD

27/01/2015 - 10:46


O Corão está na base do terrorismo jihadista, como dizem alguns? Ou será que os sangrentos atentados perpetrados por jihadistas nada têm a ver com o Islão, como afirmam outros? Quem são os “muçulmanos moderados”? O que é a “comunidade muçulmana” de que tanto se tem falado nas últimas semanas? Estes clichés têm gerado muita confusão na opinião pública ocidental. Mas há cientistas que tentam perceber as raízes profundas do terrorismo para além das ideologias subjacentes.


Scott Atran esteve várias vezes em Damasco, na Síria, antes do início da guerra civil, em 2011 RICHARD DAVIS/ARTIS RESEARCH

Scott Atran (62 anos), antropólogo e psicólogo do Instituto Jean Nicod, em Paris, e da Universidade do Michigan (EUA), quer desvendar as raízes do terrorismo recorrendo à metodologia científica. Tem entrevistado e realizado experiências de psicologia envolvendo colonos israelitas, refugiados palestinianos, líderes do Hamas e grupos islâmicos radicais do Paquistão e da Indonésia – tendo colocado muitas vezes a sua vida em perigo em nome da ciência. O seu último livro, Talking to the Enemy: Faith, Brotherhood, and the (Un)Making of Terrorists, publicado em 2010, tem por base esse trabalho. Na sequência dos atentados perpetrados em Paris em Janeiro, contra o semanário Charlie Hebdo e um supermercado kosher, o PÚBLICO pediu-lhe para esclarecer uma série de questões e alguns mal-entendidos que o terrorismo jihadista tem vindo a reavivar, em relação às populações e à religião muçulmanas, na opinião pública dos países ocidentais.

A religião islâmica conduz ao terrorismo?
Podemos dizer que existe hoje uma corrente violenta e brutal dentro do Islão que inspira o terrorismo.

O ódio do “outro” é inerente ao Corão?
Sim, tal como ao judaísmo e ao cristianismo. Mas a relação entre crença religiosa e acção depende totalmente da maneira como essa crença é interpretada e por quem. E pode ir do apoio absoluto e do sacrifício em nome da guerra ao apoio absoluto e do sacrifício em nome da paz.

Mas os muçulmanos estão menos abertos à crítica do que outras pessoas?
Os muçulmanos são geralmente tão abertos ao mundo judaico-cristão ocidental quanto o mundo judaico-cristão ocidental o é ao mundo muçulmano. Com uma diferença: conhecem melhor a história do Ocidente porque ela lhes foi imposta.

Mesmo os chamados peritos do contra-terrorismo – já para não falar dos políticos, do público e da imprensa ocidentais – não sabem quase nada da história muçulmana nem de tudo o que ela significa: quem conhece uma única das centenas de histórias sobre os quatro primeiros califas? O paternal Abu Bakr, o gigante Omar (doce excepto com os seus inimigos), o multimilionário Otman e o devoto e corajoso Ali? É como dizer que nunca ouvimos falar de Napoleão ou de Abraham Lincoln…

Mas a actividade jihadista leva muitas pessoas a pensar que os muçulmanos são mais dados a cometer actos de terror que os crentes de outras religiões. É assim?
A maioria dos muçulmanos com quem falei não apoia a violência do Estado Islâmico (EI) ou da Al-Qaeda. Mas considera cada vez mais seriamente a ideia de um califado. “Talvez uma federação de povos muçulmanos, como a União Europeia”, como me disse um imã.

Acha que o Islão ainda não se reconciliou com a secularidade e a modernidade – ao contrário, por exemplo, da Igreja Católica?
Se estamos a falar da secularidade e da modernidade ocidentais, é certo que não o fez. Mas já houve uma era reformista no Islão, entre finais do século XIX e a Guerra dos Seis Dias em 1967. E o reformismo “reacendeu-se” durante a Primavera Árabe. Contudo, este movimento não se conseguiu organizar politicamente e nunca estabeleceu pontes com as massas religiosas, rurais e urbanas de trabalhadores pobres.

O seu trabalho tenta perceber as raízes do terrorismo. Como se faz uma “experiência científica” com grupos jihadistas?
Não temos grandes amostras de jihadistas. Portanto, temos de realizar entrevistas de fundo no terreno e, se possível, experiências muito controladas. E para o fazer, temos de convencer os jihadistas a pousarem as armas, a não falarem uns com os outros nem a qualquer líder que estiver por perto e a responder às nossas perguntas sem discutir.

Quando ganhamos suficientemente a sua confiança para fazer isto, eles comportam-se como estudantes e fazem o que lhes pedimos.

Claro que há certas perguntas que não é possível fazer. Não podemos perguntar se abdicariam da sua fé em Deus ou se mudariam de política ou de religião em troca de uma dada quantia de dinheiro... Aí, arriscávamo-nos a levar um tiro.

O seu trabalho é perigoso?
Às vezes. Tenho o cuidado de combinar os encontros de antemão, mas quando um exaltado que não me conhece de sítio nenhum aparece inesperadamente, em geral preciso de sair rapidamente de cena.

Uma vez, tive de me esconder numa mesquita dos Lashkar-e-Taiba [uma das maiores organizações terroristas] em Rawalakot (Caxemira Livre) para fugir de uns tipos dos serviços secretos paquistaneses que estavam a tentar acabar comigo para me impedir de relatar um massacre numa aldeia.

Noutra ocasião tive de saltar pela janela de uma casa de banho e esconder-me na selva. Foi em Poso Sulawesi, uma ilha indonésia entre Bornéu e Nova Guiné, que na altura era uma confusão de grupos jihadistas a combater cristãos. Um dos comandantes jihadistas tinha acabado de saber que eu era judeu e um dos meus amigos dentro da organização enviou-me um SMS a dizer que estavam a planear matar-me depois do pôr do Sol.

Mas estas situações são raras. Normalmente, só temos de lidar com os ocasionais bombardeamentos do costume.

Qual foi a principal conclusão do seu trabalho?
A de que uma combinação de valores sagrados e de fusão identitária pode produzir aquilo a que eu chamo “actores devotos”, por oposição a “actores racionais”.

Desde a segunda guerra mundial, os analistas militares norte-americanos têm atribuído o espirito de combate [das tropas] à liderança e considerado que as manifestações de camaradagem no combate são uma manifestação racional de interesse pessoal.


"O jihadismo, tal como o nazismo, é motivado por um sentido muito real de virtude moral."

Mas o nosso trabalho mostra que a devoção incondicional a uma causa sagrada, aliada a um compromisso incondicional com os camaradas, pode levar os elementos de um grupo a fazer sacrifícios extremos, totalmente desproporcionados em relação às suas perspectivas de sucesso.

Quais são as motivações dos terroristas que cometem atentados como os de Paris?
Aventura, glória, importância. Trata-se na maior parte de jovens adultos numa fase de transição na sua vida – estudantes, imigrantes, pessoas entre dois empregos ou duas relações sentimentais – que abandonaram a família onde nasceram e estão à procura de uma nova família de amigos e de companheiros de viagem que possam dar sentido às suas vidas. E aqueles que vivem nas franjas da sociedade são particularmente vulneráveis ao canto da sereia jihadista.

Capa de "Público"



Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2015




Angola limita importações e Portugal perde 207 milhões

O novo ministro grego das Finanças trocou os videojogos por problemas bem reais


Descobertos cinco planetas parecidos com a terra

Leia em http://publico.pt/

Boa tarde, amigos!



Através do Blog "AVENTAR EU"





Governar para números ou governar para pessoas?
28/01/2015 por Autor Convidado Deixe um comentário

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Santana Castilho

O filósofo Slavoj ZizeK citou T. S. Elliot num comício da Syriza para dizer que “há momentos em que a única escolha é entre a heresia e a descrença”. E clarificou a ideia afirmando que “só uma nova heresia, representada hoje pela Syriza, pode salvar o que vale a pena salvar do legado europeu: democracia, confiança nas pessoas, igualdade e solidariedade”.

O estado em que a política educativa dos dois últimos governos colocou escolas e professores faz-me suspirar por um “momento Syriza” na Educação. Por uma nova heresia, que coloque cooperação onde hoje está competição. Porque a cooperação aproxima-nos e sedimenta-nos enquanto grupo e a competição, ampliando as diferenças, afasta-nos, isolados por egoísmos. Porque a cooperação serve as pessoas e harmoniza-as, tal como a competição, hoje sacralizada na nossa cultura, serve os números e os conflitos.

Informação constante de um novo portal do Ministério da Educação e Ciência veio dizer-nos que há 24 escolas onde são dadas todos os anos notas internas significativamente mais favoráveis que as conseguidas nos exames nacionais. Daí a mais um lance na competição público versus privado foi um passo, sem espaço para assumir que se comparam coisas diferentes: num caso o conhecimento científico demonstrado num só teste; no outro caso o percurso de um ano de desempenho num ambiente pluridisciplinar e multifactorial, sendo que alguns desses factores de classificação são bem relevantes para a formação integral do aluno e para a sua maturidade cívica.

Os exames nacionais e os testes estandardizados internacionais têm vindo a assumir uma dominância evidente na concepção das políticas para a Educação definidas pelos dois últimos governos. E essa dominância tem a sua génese na nossa intestina tendência para importar modismos alheios. Com efeito, quando a Escola se manifestou em crise um pouco por todo o mundo ocidental e alguns teóricos começaram a clamar contra determinados métodos pedagógicos e o que consideravam autonomia excessiva dos professores, primeiro, e emergiram as primeiras tendências para encarar a Educação como serviço passível de ser submetido a regras de mercado (com o concomitante discurso da liberdade de escolha por parte das famílias), depois, logo surgiram as pressões para introduzir nos sistemas de ensino instrumentos que tudo medissem, particularmente resultados.

Recorde-se, a propósito, duas referências incontornáveis, que continuam a produzir efeitos retardados entre nós e que nos levam aos ventos que sopraram de Inglaterra em 1976 e dos EUA em 1983. Refiro-me à iniciativa reformista de James Callagahan sobre Educação, que ficaria conhecida por “The Great Debate”, onde o primeiro-ministro de então do Reino Unido lamenta a falta de rentabilidade dos professores e das escolas, pede maior controlo da qualidade dos docentes e clama pela reorientação precoce da educação para os aspectos vocacionais, qual discurso profético que seria retomado pelo nosso ministro da Educação, 43 anos mais tarde. E refiro-me ao relatório “A Nation at Risk: The Imperative for Educational Reform”, produzido a pedido de Ronald Reagan, cuja violência classificativa do trabalho dos professores e da escola americana está bem traduzida nesta frase, que o integra, a qual, fora ela do conhecimento do nosso primeiro-ministro e certamente teria substituído, 32 anos volvidos, a metáfora da salsicha educativa: “Se um poder estrangeiro tivesse tentado impor à América a mediocridade do desempenho educacional que hoje existe, deveríamos ter encarado esse acto como um acto de guerra”.

Não é, portanto, de modo solitário no contexto internacional que a novilíngua classificativa portuguesa em matéria de Educação se tem desenvolvido centrada em metas, testes e exames, apesar de todos sabermos que nenhum sistema sério de prestação de contas em Educação se esgota no despejo sistemático sobre a sociedade dos resultados de testes, mesmo que estandardizados, e de exames nacionais. Tanto pior quando esses resultados de alunos são o critério primeiro para avaliar escolas e professores. Mais. Mostra-nos a história recente que os governos que assim procederam acabaram, por via das ideologias neoliberais que adoptaram, a utilizar os resultados como estratégia para induzir medidas de privatização e promoção de lógicas de educação como serviço sujeito a regras de mercado.

É tempo, pois, de procedermos a uma reflexão despida de preconceitos ideológicos sobre o seu contributo técnico para a decantada “accountability” educacional. Porque muito do que deve contar em Educação não pode ser medido e é de comparação difícil. Porque, no dizer de Licínio Lima, “enquanto orientação política, a educação contábil evidencia uma alta capacidade de discriminação da educação que conta e da educação que não conta, ou conta menos”.

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

DA GRÉCIA: o governo começa ,logo no 2º dia , a cumprir o prometido ao povo!!!!!!! FORÇA, PORTUGUESES, NÓS "PODEMOS"!!!!!!!!!!!!!!!!



















NOVO GOVERNO NA GRÉCIA
21:39 27.01.2015

Governo grego aprova eletricidade gratuita para 300 mil pobres



O novo Governo da Grécia tomou posse esta terça-feira e há decisões que entram em vigor já esta quarta-feira. O salário mínimo sobe para 753 euros, vai ser facilitado o pagamento de impostos atrasados e aprovada eletricidade gratuíta para 300 mil pobres. Tal como prometeu, Alexis Tsipras formou um Executivo reduzido e preparado para renegociar a dívida.

Um POUCO DA HISTÓRIA DA BASE DAS LAJES, NOS AÇORES- Através do blog "Grazia tanta"






BASE DAS LAJES – O RENTISMO E A SUBSERVIÊNCIA NUNCA ACABAM BEM

Campeão Português 300, Moviflor 300, Minipreço 130, PSA – Mangualde 80+280, Lajes 500… e o programa segue dentro de momentos - TAP, BES, Segurança Social (600)… Falamos de despedimentos.
Isto chama-se retoma ou entropia?


1 - O problema


Prepara-se uma redução (anunciada há dois anos) da presença militar norte-americana na ilha Terceira (base das Lajes) o que significará o desemprego para 500 dos 900 trabalhadores portugueses que lá têm trabalhado. Segundo o presidente da autarquia de Praia da Vitória as perdas no emprego direto ou indireto, já concretizado ou a completar até ao outono, poderão corresponder a 2000 pessoas[1]. Nesse contexto, o governo regional propôs a Passos Coelho, em outubro, um plano de revitalização, embora todos saibamos que o atual primeiro-ministro é mais expedito em planos de desvitalização económica e empobrecimento; e de facto, já foram ultrapassados os 60 dias para a prometida resposta. Veremos se Passos responde antes de terminados os 30 dias apontados e se serão avançadas pelo autarca de Praia da Vitória “medidas radicais nunca antes vistas nesta terra pela luta intransigente dos nossos interesses e dos interesses de todos os praienses”[2].


Essa proposta do governo regional, tardiamente preocupado com os efeitos sociais de uma retirada parcial dos EUA da base, contempla uma "revalorização estratégica" que possa envolver a NATO (… dirigida pelo Pentágono) ou a UE, para além de utilizações não militares das instalações aeroportuárias (terminal de cargas e a equiparação a Santa Maria no que respeita a valências e taxas) e portuárias na Praia da Vitória (cais de cruzeiros, transporte de passageiros e náutica de recreio). O governo regional esteve a proceder a um estudo, secreto, durante dois anos, a revelar na próxima semana e que contempla apoios públicos sob a forma de benefícios fiscais, incentivos e programas de apoio às empresas[3]. Quem acarretará com esses encargos, quando os orçamentos se confrontam com cargas fiscais já elevadíssimas e gastos sociais insuficientes para as necessidades? Tentar viabilizar empresas dessa forma e esperar que isso surta em sociedades com o poder de compra deprimido é viável? Não será mais uma aposta falhada de “supply side economy”?


A reconversão de uma economia baseada num arrendamento gratuito não é fácil, para mais numa pequena ilha situada no meio do Atlântico, a uns 2000 km de Lisboa. As propostas apresentadas não têm nada de original; baseiam-se em pesados investimentos para servir mercados externos e descuram as capacidades dos terceirenses de gerirem, coletivamente, a satisfação das suas necessidades, em ligação prioritária com os restantes açorianos.


2 - A incúria que contribuiu para o problema


A situação atual mostra a incapacidade estratégica dos governos regionais e nacionais, encostados passivamente à crença num rentismo perpétuo como fonte fácil de emprego e receita, ignorando previsíveis consequências do fim da URSS há quase um quarto de século.


Poderiam ter percebido os principais sinais da mudança, quando em finais de agosto de 1991 terminou o papel das Lajes como posto de comando doU.S.Commander-in-Chief - Europe, iniciado em 1984 para acolher a missão “Silk Purse”, embora a base ainda tenha desempenhado um relevante papel logístico na primeira guerra do Golfo.


Poderiam ter pensado em alternativas quando os EUA passaram a regatear as contrapartidas apelando à solidariedade entre membros da NATO, evidenciando assim o seu menor interesse face à base. Nessa época os governos regionais e nacionais, empanturrados de fundos comunitários e com uma esperança religiosa no euro e nem sequer enxergaram que as técnicas de reabastecimento de combustível em pleno voo contribuiriam para substancial redução da atividade nas Lajes. Nada perceberam, nada fizeram.


As Lajes estiveram no primeiro plano dos noticiários quando Durão Barroso foi nomeado para servir o café a Bush, Blair e Aznar, em 16 de março de 2003, todos debruçados sobre as provas inexistentes das armas de destruição massiva de Saddam. O serviço de mesa foi de tal qualidade que, pouco depois, Barroso foi indicado para operar na Comissão Europeia onde brilhou durante 10 anos.


A questão da base da Lajes enforma uma história de subserviência.


Durante a II guerra mundial os EUA e a Grã-Bretanha, conluiados, enganaram Salazar que não gostava dos norte-americanos, onde via horrores, como mulheres de saias curtas a fumar e Hollywood. O embuste terminou no final das negociações quando Salazar percebeu que a presença nos Açores seria particularmente dos EUA e não da velha aliada, que entretanto, havia adoçado o ditador com cangalhada militar para a tropa portuguesa.


A importância das Lajes para os EUA durante a guerra fria tornou brandos os EUA, durante décadas, com a ditadura fascista, aceitando até Portugal como fundador da NATO enquanto a Espanha franquista ficaria à porta, durante 28 anos, mesmo cedendo bases militares aos EUA. Os EUA foram também compreensivos com a guerra colonial, não só para conter o inimigo estratégico em África mas também porque as Lajes se vieram a mostrar muito úteis, por exemplo, no apoio a Israel em 1973. Nesse quadro de tranquilidade bilateral, os EUA lá iam funcionando como fornecedores das forças armadas portuguesas, mais recentemente, dos inúteis F-16 que teriam estragado a trama da Jangada de Pedra, de Saramago, uma vez que teriam espantado os estorninhos. A sua tranquilidade era tal que ficaram surpreendidos com o golpe de 25 de Abril de 1974 que derrubou o fascismo; e uma velha raposa como Kissinger até imaginou que Portugal se transformaria numa Cuba europeia!


Cerca de 70 anos depois e fruto de alterações geopolíticas e nas tecnologias de morte, as Lajes para pouco servem ao Império, que transferiu a sua logística guerreira para o Mediterrâneo e para o Leste europeu, mais próximos dos inimigos islâmicos e russos, fiel à demente teoria de Huntington e para alimentar uma das poucas indústrias competitivas dos EUA – o armamento. Neste contexto e no plano do seu declínio económico, os EUA projetam reduzir em € 424 M os gastos com a sua presença em vários países da Europa Ocidental - Alemanha, Bélgica, Holanda, Itália, Reino Unido e Portugal - sendo este último contemplando com uma redução de € 29.6 M, relacionada com as Lajes, que ficarão a albergar apenas uns 170 militares, sem direito a trazerem famílias[4]. Porém, uma ida a Washington do Chancerelle e do Aguiar Branco, à frente de uma luzida comitiva de generais, demoverá certamente os estrategas do Pentágono dos seus irrazoáveis planos. E como contributo para o convívio ecuménico, que Deus queira, Allah u akbar ou ki eshmera shabbat, para contentar toda a gente.


3 - Os cacos que ficam


A geopolítica do Mediterrâneo foi por nós desenvolvida tempos atrás[5]. Vamos debruçar-nos agora no cenário luso, onde ressalta a pequenez, o esvaziamento da realidade portuguesa em contraste com a forma sobranceira como o Império trata o seu vassalo, literalmente nas tintas para o "forte desagrado" do governo Passos pela "decisão unilateral" tomada pelos EUA. O Império impôs a entrada e agora sai quando quer e como quer; venham os ucranianos, que se lixem os terceirenses!


Não sabemos se é por indigência cultural ou por intenção de enganar que os mandarins costumam exultar quando apregoam novos postos de trabalho, sem nunca referirem os níveis salariais, a durabilidade dos contratos ou a sua sustentabilidade a longo prazo. No Acordo de Cooperação e Defesa, assinado em 1995, as únicas contrapartidas outorgadas pelos EUA eram os empregos diretos e indiretos de portugueses, gerados pela base; e já na altura era claro que os norte-americanos estavam em processo de desvalorização das Lajes no seio dos seus interesses geoestratégicos, pelo que era de temer por uma próxima insustentabilidade dos empregos. Por outro lado, aquele Acordo, não ratificado pelo Senado dos EUA, tem apenas um caráter executivo que o governo norte-americano pode ou não cumprir em função das suas conveniências, pois não tem força de lei; revela-se aqui uma vez mais a subserviência do governo português nessa negociação, pois o Acordo foi aprovado na AR portuguesa (resolução nº 38/95) com a devida solenidade e compromisso, enquanto a outra parte o encarou como um mero “acordo executivo”.


A promoção da exportação açoriana para os EUA e o abastecimento da base com bens e serviços locais não parece ter sido acarinhada pela potência arrendatária. No campo da componente laboral do acordo bilateral, as entidades regionais ou nacionais aceitaram a proibição da sindicalização dos trabalhadores, a impossibilidade de recurso a tribunais portugueses (a base é considerada território onde se não aplicam as leis portuguesas), entrou-se numa lógica de não cumprimento dos aumentos salariais previstos e de imposição do silêncio sobre os voos envolvendo prisioneiros de Guantanamo. Por outro lado, a presença da base é apontada num relatório de 2005 como fonte de contaminação dos aquíferos da ilha, com hidrocarbonetos e metais pesados[6]. A FLAD – Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento criada no seguimento do Acordo de 1983 foi financiada a partir das contrapartidas então existentes mas, hoje, pouco beneficia a realidade açoriana servindo essencialmente para a colocação de mandarins, ora do PS ora do PSD, depois de muitos anos dirigida pelo impagável Chancerelle de Machete que parece ser ministro português dos assuntos externos… sobretudo quando se trata de Angola. Em 2007, a imprensa açoriana[7] apontava também que a praga do escaravelho japonês, proveniente dos EUA, não havia sido erradicada como prometido pelos norte-americanos.


Nos Açores, o ganho médio mensal dos trabalhadores por conta de outrem do setor dos serviços, em 2013, é de € 1004, com valores superiores em Vila do Porto e Ponta Delgada e mostrando-se os indicadores referentes a Angra do Heroísmo (€ 908) e Praia da Vitória (€ 884) próximos dos calculados para os restantes concelhos da região. Estes dados do INE significam que a presença da base não constitui um elemento gerador de altos rendimentos ou competências, como acontece em Santa Maria, por influência da Região de Informação de Voo ali instalada. Os responsáveis da base, embora tenham obtido no seu perímetro regras de extraterritorialidade face ao resto dos Açores, usam os níveis remuneratórios praticados na sociedade “indígena” ou utilizam-nos nas tarefas menos nobres, não aplicando certamente os níveis salariais dos civis provenientes dos EUA para idênticas funções. No entanto, cinicamente o Acordo de 1995 inclui uma cláusula em que os norte-americanos não colocarão cidadãos seus … em substituição de trabalhadores portugueses; por razões óbvias, acrescentemos.


Esta segmentação é típica nas regiões coloniais, onde se pratica a diferença de tratamento entre civilizados e gentios. Claro que tudo isso com o sorriso servil das governações regionais e nacionais (em 1995 era primeiro-ministro o sublime Cavaco Silva e ministro dos negócios estrangeiros uma sumidade que dá pelo nome de Durão Barroso) que vêm orando e suplicando aos deuses para que os EUA se mantenham na Terceira; como se deduz também das afirmações recentes de um membro da CGTP[8].


Em 2013 havia 2833 desempregados com subsídio na Terceira. Transpondo aquele valor para os dias de hoje, a inclusão de mais 500 trabalhadores corresponde a um aumento de 17.6% do número de desempregados. Se todos fossem moradores na Praia da Vitória aquele número de trabalhadores caídos no desemprego fará aumentar em 50% o desemprego naquele concelho. O que é uma calamidade, como compreensivelmente o considerou o presidente da câmara de Praia da Vitória que refere poder a taxa de desemprego no concelho passar para 25% - uma taxa “grega” - e o produto concelhio decrescer 30%[9]. Também os norte-americanos reconhecem o enorme impacto da sua menor presença nas Lajes, como foi caraterizado por um grupo de empresários do grupo Business Executives for National Security (BENS) segundo o qual "a contribuição do Governo dos EUA para a economia dos Açores se estima entre 105 e 150 milhões de dólares por ano", o que representa "3% do PIB dos Açores e perto de 14% do PIB da ilha Terceira”[10]. E esperemos que os EUA não tentem subornar os governantes lusos com a entrega de material militar usado o que, embora possa alegrar os generais, não enche os pratos nas refeições dos terceirenses.


4 - Uma economia rentista


As economias assentes numa renda são particularmente vulneráveis pois dependem de um ou poucos “investidores” que pagam uma renda pela exploração ou utilização de recursos locais. Esses recursos, tanto podem ser o petróleo ou minérios que financiam estados e bandos de corruptos como em Angola, no Congo ou na Nigéria, como uma posição no mapa; e, em regra, anulam ou tornam outras atividades inviáveis, construindo perigosas polarizações e vulnerabilidades. O caso de Nauru é uma situação extrema de rentismo, do que acontece a um país (neste caso artificial) quando fica dependente de um recurso não renovável[11]; uma grande vulnerabilidade acontece também quando uma posição geográfica se desvaloriza em função de mudanças geoestratégicas, dependentes das vontades das potências globais.


Em regra, as economias de renda contemplam os interesses dos arrendatários e pouco ou nada beneficiam as populações. Por exemplo, no Chade, ao lado de instalações petrolíferas feericamente iluminadas estão aldeias sem eletricidade e a aplicação dos rendimentos do petróleo é administrada por ONG´s, pois os políticos locais são pouco fiáveis para a sua utilização. Nas antigas minas de S. Domingos, no Alentejo, ainda se pode observar, como curiosidade turística (!) um lago vermelho de poluição enquanto na Urgeiriça os antigos trabalhadores da extração do urânio vão definhando na pobreza e na doença.


Felizmente, os EUA e os seus parceiros ingleses, quando se instalaram nas Lajes não deportaram os terceirenses para ilhas próximas como fizeram aos habitantes de Diego Garcia, no Índico, para a instalação de uma base estratégica norte-americana, de onde partiam, por exemplo, os grandes bombardeiros para assolar os afegãos. Ainda hoje, os habitantes da ilha, vivendo na Maurícia há uns 40 anos, reclamam o regresso aos seus lares ancestrais, perante os ouvidos surdos da “comunidade internacional”. Tiveram o azar de não ser europeus, nem “brancos”, como os terceirenses.


No caso dos Açores, os pagamentos dos EUA, antes da chegada dos fundos comunitários financiaram em parte, a rede regional de portos e aeroportos, a expansão de sistemas de abastecimento de água e de saneamento básico, o ensaio da geotermia e a construção de escolas e de hospitais; a partir de 1985, as ajudas norte-americanas centraram-se nos fornecimentos militares.


O rentismo na Terceira corresponde a um tipo especial de emigração em que o local de trabalho se encontra próximo de casa, como nas deslocações pendulares transfronteiriças. Insere-se na velha tradição das camadas possidentes portuguesas, de incapacidade para a criação de riqueza adequada às necessidades da população e de expelir, como superavitária, mão-de-obra barata e menos qualificada para o exterior. Embora atualmente tenha evoluído para uma expulsão de gente mais qualificada (nem sempre com a paga adequada), Portugal não deixa de revelar as debilidades do capitalismo, inerentes a um patronato ignorante, endividado mas, cúpido por natureza e sempre ávido em captar as poupanças dos emigrantes. Daqui se demonstram também as insuficiências de um projeto europeu, gerador de desigualdades, de periferias marginalizadas, de insustentabilidade económica e social.


O mesmo quadro de rentismo é patente quando se avalia a redução dos arrendamentos de habitações para familiares dos militares norte-americanos em 50% do total, uma vez que a administração norte-americana proibiu o reagrupamento familiar; e isso, para além da redução do consumo e do pagamento de impostos pagos por parte dessas pessoas. Esse rentismo é parente próximo da venda de imobiliário caro a “investidores” necessitados de presença na UE e a quem são facultados os célebres passaportes gold, tão acarinhados por Portas e pelo comediante Pires de LimaAlicerçar a economia de uma ilha ou, sobretudo de um município, na presença de uma instalação militar estrangeira que nada acrescenta em transferências de conhecimento, para o perfil tecnológico da população, que não é propiciadora de salários elevados, que eleva os graus de poluição e de riscos para a população em caso de conflitos de larga escala para os quais jamais contribuirá, é a continuidade de um baixo nível de desenvolvimento. A presença dos EUA vem gerando apenas uma faixa da população como serviçais do Império, tomados agora como descartáveis. As restantes ilhas da região, ainda que pobres, conseguem manter um grupo de atividades sustentáveis e capazes de manter níveis de emprego semelhantes aos do resto do país, sem a presença de bases militares estrangeiras.


5 - Conclusões


Confirma-se a filosofia dos EUA, já definida no Acordo de 1995 com a disponibilidade da base inserida como parte do contributo português para o desempenho da NATO e com a sua utilização em todas as vertentes (militar e laboral) definida pelos estrategas do Pentágono. Sendo assim, os açorianos acarretam com os potenciais perigos de acolherem uma instalação militar estrangeira, no âmbito das clivagens que se vão vincando entre as grandes potências, sem em nada serem ouvidos; e ninguém verá qual o contributo que as intervenções do Império no Médio Oriente ou na Ucrânia poderão trazer para o bem-estar dos portugueses em geral e dos açorianos em particular.


A grande ameaça para a multidão de trabalhadores, ex-trabalhadores, desempregados e pobres em geral não vem de perigos militares e a inclusão na matriz dos interesses da NATO nada trará para que os portugueses deixem de ser vítimas das agressões da troika, dos seus sucessores ou das malfeitorias levadas a cabo pelas governações lusas. Para mais, nem se poderá alegar que os terceirenses beneficiem com uma renda pela utilização da base, com empregos com direitos, bem pagos e qualificados, com uma desemprego residual de desemprego ou com uma economia local dinâmica. Em suma, qual o interesse da presença militar norte-americana na Terceira?


Aparentemente e de modo realista, o autarca de Praia da Vitória pensará que as promessas dos EUA para reduzir os impactos da desclassificação estratégica das Lajes não passam de palavreado oco ou de placebos - promoção do turismo, formação, negócios, cooperação em energias renováveis, investigação científica. Provavelmente os EUA estudaram a inovadora estratégia do advogado de negócios Aguiar Branco (travestido de ministro da defesa) para Viana do Castelo, quando se dispõem a "considerar o pagamento de uma generosa indemnização aos funcionários portugueses das Lajes"[12]; isto é, a continuidade de uma economia rentista.


O que esperar dos protagonistas portugueses perante esta situação? O costume, submissão e negócios privados, mesmo tendo em conta o empertigado comunicado assinado por um tal Chancerelle de Machete. E é de todo ridículo que um subserviente governo português avise que poderão sair prejudicadas as relações com os EUA[13]; provavelmente Obama já terá reunido de urgência para abordar o assunto…


Os terceirenses no seu atual transe próprio e os portugueses em geral, no plano inclinado da entropia económica e social em que todos se encontram, não têm outra solução sustentada que não tornarem prioritária a satisfação das suas necessidades coletivas, através de um planeamento conjunto e em autogestão, sem a presença de uma classe política e menos ainda das suas mordomias e dos seus negócios corruptos.

POEMA DE Fernando Namora (1919-1989)



Poema de Fernando Namora (1919-1989), in O Citador




Poema para Iludir a Vida


Tudo na vida está em esquecer o dia que passa.
Não importa que hoje seja qualquer coisa triste,
um cedro, areias, raízes,
ou asa de anjo
caída num paul.
O navio que passou além da barra
já não lembra a barra.
Tu o olhas nas estranhas águas que ele há-de sulcar
e nas estranhas gentes que o esperam em estranhos
[portos.
Hoje corre-te um rio dos olhos
e dos olhos arrancas limos e morcegos.
Ah, mas a tua vitória está em saber que não é hoje
[o fim
e que há certezas, firmes e belas,
que nem os olhos vesgos
podem negar.
Hoje é o dia de amanhã.








Fernando Namora, in "Mar de Sargaços"

A "última" crónica de Baptista Bastos, NO "DN.---Um jornal que "se pode dar ao luxo" de prescindir de um HOMEM assim...não tem alma...não é JORNAL!








































A "última" crónica de Baptista Bastos : "Ponto final" - DN

Mais um jornal que cai, definitivamente, nas mãos dos grandes interesses financeiros, o Diário de Notícias.

Claro que, hoje em dia, um jornal com as dimensões do histórico Diário de Notícias só pode sobreviver tendo atrás de si uma estrutura financeira sólida.

O problema é que, cada vez mais, essa estrutura financeira é dirigida por quem olha para um jornal, não como uma produto cultural que pode garantir o prestígio do próprio proprietário, que era muitas vezes um grande capitalista culto, interessado pelo "produto" jornalistico, mas por gente anónima, inculta, a nadar em dinheiro, que vê no jornal apenas mais uma mercadoria a rentabilizar, a usar para fazer propaganda ao seu modelo de sociedade e favores ao poder político que lhe pode garantir os negócios e o lucro.

Longe vai o tempo em que um jornal era fundado e mantido por gente que tinha paixão pelo jornalismo.

Hoje qualquer pequeno jornal, para sobreviver, tem de ter atrás de si uma estrutura financeira controlada por accionistas que apenas olham para os lucros e as audiências, ávidos de prestigio e lucro fácil, a maioria dos quais desconhecendo o que é um jornal, muitos sem hábitos de leitura jornalistica ou literária.

Por isso é natural que, quando esses interesses financeiros nos lançam na autêntica guerra civil social em que vivemos se procurem livrar rapidamente de vozes incómodas.

Foi o que aconteceu agora com Baptista Bastos, despedido sem apelo nem agravo das páginas do Diário de Notícias, onde mantinha uma das mais lucidas crónicas de opinião.

Aliás, Baptista Bastos faz igualmente parte de uma geração de cronistas de imprensa que está em vias de extinção, substituídos por "comentadores" e "opinion makers" que têm como principal tarefa isso mesmo, levar-nos ( e "lavar-nos") a aceitar as decisões do pensamento único neoliberal dominante,

Baptista Bastos é talvez o ultimo grande cronista dessa geração de gente culta, informada, de espírito crítico e livre, incorruptiveis, que não se venderam aos modismos dominantes, combativos e corajosos, de que faziam parte outros brilhantes jornalistas que, noutros tempos, frequentavam as páginas do "Diário de Lisboa", do "República", de "A Capital" ou do "Diário Popular", talvez não por acaso já todos desaparecidos na voragem do final do século passado.

Augusto Abelaira, Jacinto Baptista, Acácio Barradas, Adelino Cardoso, Norberto Lopes, Mário Mesquita, Artur Portela filho, Frenando Assis Pacheco, Mário Castrim, Urbano Tavares Rodrigues, Luís Stau Monteiro, José Cardoso Pires, José Saramago, Eduardo Prado Coelho, Álvaro Guerra, José Gomes Ferreira, Manuel António Pina, foram alguns desses grandes cronistas, muitos também grandes jornalistas e escritores, que encheram as páginas daqueles jornais com as suas opiniões livres e frontais.

Hoje restava Baptista Bastos, obrigado a por um ponto final nas suas crónicas exemplares.

É essa crónica de despedida, ontem publicada no DN, que pode ser lida em baixo:

Ponto final - Opinião - DN (clicar para ler).
Publicada por Venerando António Aspra de Matos à(s) 10:42
(in NET)