quinta-feira, 14 de abril de 2011

http://youtu.be/TdqWy827Eao

Música portuguesa...

Um problema ,ou no you tube ou na NET, está a impedir-me de postar a música que prometi ,aos meus irmãos e amigos, de tantos países! espero que se resolva, depressa ,para cumprir a minha promessa!
Beijinhos da Mª ELISA

Música portuguesa

foto google



Música para os portugueses que me acompanham , do mundo, e que apreciam este tipo de música, que lhes lembra as particularidades do nosso país.
Um ar de alegria...que é o que nos falta, neste momento, face à terrificante situação económico/financeiras que estamos, com vergonha e miséria, a viver, enfonhados na bancarrota!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

REFLEXÃO: À ESQUINA DO TEMPO...

foto google




Num poema que publiquei, há dias, intitulado “À esquina de tudo”, encontrei motivo de reflexão, pois que o tema se presta a um posicionamento mental que engloba o TEMPO, como sendo a VIDA que cada um de nós tem. Dei comigo a pensar que, mesmo que nisso não pensemos, o quotidiano decorre com as nossas alegrias e as nossas tristezas, só porque o Tempo está sempre ali… à “esquina”! Faz parte do nosso percurso até que deixemos de existir, tal como ditam os deuses, que tudo sabem de nós e que, logicamente, nada nos dizem…



Só a Natureza, mãe orgulhosa das sombras e dos frutos com que nos presenteia, resiste ao terrível vexame de “acabar”… Rejuvenesce todos os anos, de todos os tempos conhecidos… consegue fugir à malfadada “esquina”; para ela, não há fim a que não se siga outro memorável princípio! Das doutrinas, filosóficas e teológicas dos amantes naturais da terra, os Druidas e os Celtas, há uma que sobressai e se relaciona também com o aspecto humano: “A alma humana é como a alma da Natureza: esta última não morre e as almas dos corpos, depois da morte, passam a outro “corpo”, seja ele o que for”.(in Os druidas e os celtas-HENRY D’ARBOIS).



Aqui, meus amigos, entra em acção o meu estimado cepticismo: não partilho desta terrível ideia de vir a ser um nabo ou uma portentosa sequóia… Não acredito nisso! Por tal motivo, ponto final nesse disparate e volto à minha linha de pensamento inicial: se me sinto a todo o momento”À esquina do tempo”, capto, pelos Sentidos ,os cheiros desse tempo que vai passando, batendo na minha face com o seu som e o seu toque original, que eu sinto sem ouvir… o Tempo não se ouve… tem-se, enquanto se tem!



Calma, não falo do VENTO…Falo do TEMPO, essa coisa misteriosa que é VIDA, que é PRESENTE e PASSADO… FUTURO, sê-lo-á? E, sendo VIDA, EU posso preenchê-la, seja noite seja dia, com a paisagem circundante, onde oiço os sons de vida dos pássaros, onde vivo o luar, onde alojo o ruído familiar do sino da minha aldeia, onde sinto a mão pesada, quer do SOL, quer da Chuva, no meu corpo, onde me dobro para apanhar uma flor ou um fruto…

Falo de outros tipos de coisas que fazem TEMPO-VIDA, como as melodias que o génio e o sentimento humano criam e encantam os meus sentidos e emoções, embalando-me o ouvido e o coração, fazendo-me cantar… dizer PALAVRAS, esse sagrado Sumo de MIM, "SER em COMUNICAÇÃO!"



Como ALBERTO CAEIRO (PESSOA) dizia:





“…Da mais alta janela da minha casa

Com um lenço branco digo adeus

Aos meus versos que partem para a Humanidade. (…)”

Pode estar-se, alguém pode estar mais `”esquina do tempo”, do que quando lê PESSOA?

PODE, SIM!



Poderá alguém estar mais à esquina do tempo, do que quando lê PESSOA?

Pode , sim!Pode, quando , ao ir pelo mundo fora, na sua vivência humana, contacta com outras culturas, outras gentes,outras paisagens do incomensurável ÉDEN que é o UNIVERSO, a TeRRA em que vivemos;ou então, quando deixa passar o tempo de vida na congruência da sua adaptação , quase feroz, ao meio ambiente do seu telurismo!



Pode Sim!... , quando se enriquece culturalmente, quando enfrenta a aspereza da vida... Em pleno agreste Oceano, ali na Ponta de Sagres, sentindo perigos velhos,

com o ar carregado de humidade, com os ventos furiosos uivando como lobos ferozes e com o marulhar das águas do mar a desfazerem-se de encontro aos promontórios grandiosos...ou , ao olhar estes mares conhecidos das naus e caravelas... o homem está também," à esquina do TEMPO", pois venceu, na grandiosidade , os monstros e mostrengos, horrores e temores, que o forçaram a rodar, enérgico, a força da roda do leme!



Pode sim!...Quando ,ao recuar, nessa esquina,vai encontrar, de rompante , AFONSO HENRIQUES no campo de batalha, onde "começou o SONHO" e pode sim, quando se encontra em ALJUBARROTA, em 1385, frente aos castelhanos que venceu...

Recordo que perdeu ,no confronto com a "esquina do Tempo" ,em ALCÁCER- QUIBIR. com a loucura de SEBASTIÃO, O DESEJADO... Mas pôde vencê-las também, quando em 1910, por ruas e ruelas de LISBOA, levantou, bem alto, a BANDEIRA DA REPÚBLICA!



PODE sim! vencer a maldosa "esquina do tempo", quando vê o SOL de Portugal, diferente, acolhedor , brilhante... tanto, que não há esquinas oblíquas que vençam o QUERER do "pequeno bicho da terra"( CAMÕES).O mais significativo ,para cada um de nós, em qualquer contexto, seja ele histórico ou cultural, é manter uma visão de lucidez, lutar por uma vida decente no meio das Nações e fazer com que o inferno e a esperança consigam conviver, na palma da nossa mão ..Procurar o equilíbrio para sobreviver às "esquinas"exige auto conhecimento... e ter a consciência de que é preciso brincar com a Primavera e gozar o prazer de sentir as folhas das árvores na mão ou a neve a derreter-se por baixo dos pés...



Mas é também ler AQUILINO RIBEIRO, SHAKESPEARE, EÇA DE QUEIRÓS, MÁRIO QUINTANA, NatÁLIA CORREIA ,MIGUEL TORGA... SOPHIA...É usar o Dicionário e admirar a riqueza metalinguística (significado)das palavras, sabiamente encaixadas no contexto da MENSAGEM, de tal modo que chegamos à conclusão de que o pobre D. QUIXOTE de CERVANTES é uma verdadeira paródia ao mundo moderno, no qual os "nossos" políticos, banqueiros ,empresários, não são mais que os "SANCHO PANÇA" desta ILHA da BARATARIA,em que o mundo se transformou, para eles vencerem!



Não permitamos que as arestas das "esquinas"firam o nosso coração ou varram a nossa existência! Estejamos às "esquinas", se for necessário,com a dignidade daquilo que somos : seres humanos, com direitos e deveres( em PORTUGAL, infelizmente, mais deveres sem direitos!)



RECUSEMO-NOS A SER TÍTERES, nas mãos dos desgovernantes!



GostoNão gosto · · Partilhar · EliminarJosé Luis Fernandes, Teresa Devesa, Domingos Xarepe e 3 outras pessoas gostam disto.
José Da Costa Velho ‎"Repelem as agruras na vida , as almas sonhadoras que da poesia retiram alimento , e mesmo no combate há um bálsamo de festa ." J/cV!
há 20 horas · Não gostoGosto · 1 pessoa
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domingo, 10 de abril de 2011

POEMA : ERRANTE...

Foto GOOGLE

NOTA preliminar: este poema foi, ontem, publicado pela 1ª vez, na minha página do FACEBOOK.
Pouco depois, alguém, de nome GRACE FRANCA, deu os parabéns, dizendo que o tinha levado para a página dela.Fui lá ver como tinha ficado...e reparei que ela o publicou ,como se fosse feito por ela!ROUBOU-ME O POEMA, por conseguinte!
Fiz a denúncia no FACEBOOK e EM COLUMBOS, CAPITAL DO OHIO, nos
ESTADOS UNIDOS, onde ela vive!
Sealguém a tiver como seguidora, que se acautele, porque é possivel que ela até esteja a publicar obra que é dos outros, como se fosse dela!






Errante, sob o Sol da imaginação,

deambulo,

ao som da tua energia, na procura da harmonia.

Sorris...Santo Deus! e as aves saem do abrigo...

falam, mansinho, comigo

e voamos pelos céus!

Águas da cascata a deslizar para o rio,

lembram sons do teu querer, em horas de desvario...

Subo as escadas do céu...

...espero-te num canto meu...

...prendo fogo de esplendor,

ao viver o teu fulgor!

Os passos das minhas mãos percorrem

cantos de teu corpo...respiras de modo louco...

Fogosa...receosa de teu abraço viril,

toco teu corpo ardente...pego fogo...fico quente...

Abro-me à paixão fulgurante na perda da razão...

Meu botão de rosa ,em flor, vive a paixão e o amor...

Pelo chão, bocados nossos, perdidos na confusão...

E teu olhar no meu é um transporte para o céu,

ao som de dedos que tocam melodias sem sentido.

na hora do amor apetecido...

Perco emoções reprimidas...

Vivo os sons da tua música, na ponta dos dedos sensíveis

que sujeitam o meu corpo...

Flor em brasa, espero-te no Templo da Vida...

Avanço, timidamente, na rua desconhecida do

teu querer sensual...

Vejo-te fechar os olhos, num renovado querer...

Escondemo-nos nas sombras

do ser perdido em mistérios, da hora de voltar a SER!

Manhã linda!

O Sol desperta...

Reganhamos energia...

Voltamos ao novo dia, no mais fragrante esplendor

de uma sonata de amor!

C11L-36(mqc)-ABL/011

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Mensagem de Fraternidade...

FOTO GOOGLE




Neste momento em que os nossos irmãos do RIO de JANEIRO choram lágrimas de dor e revolta pelas crianças assassinadas por um louco, numa escola da cidade, endosso as minhas profundas condolências aos pais e familiares, bem como à cidade , que não compreende tal brutalidade.

A vida ,infelizmente , também é feita destas tragédias.
Que DEUS os tenha na Sua Mão, estes meninos- flor!

"ESTÁ PARA NASCER UM PRIMEIRO-MINISTRO...


Uma dissertação, muito curta, sobre esta frase de sócrates.
Na realidade, está para nascer um homem que, como primeiro ministro, tanto tenha falhado, fora das ruas mundiais onde costuma fazer a sua manutenção de elegãncia...Preocupado em submeter as pessoas ao seu autoritarismo e à sua arrogância, foi-se esquecendo de falar verdade ao povo, porque a verdade dói e não dá votos...
Apegado ao poder, sem nada mais sentir que "implantar-se" ,à força, se preciso fosse, no poder, seu palco de afirmação pessoal, desprovido de sentimentos de humanismo, desconhecedor das realidades das injustiças mais gritantes desta sociedade que ele manipulou ao longo de 6 anos...fez o seu habitual discurso de vitimização, ontem, arrogando-se o direito de se considerar deus-herói-santinho...ao dizer que só ele fez tudo para SALVAR O PAÍS!!!

E agora pergunto: se fez tudo...onde estão os resultados dos casos em que o seu nome foi envolvido-alegadamente!-e que, por força de casos maiores, foram ficando no segredo dos deuses?
Caso FREEPORT...CASO FACE OCULTA...FeCHO DO JORNAL DE 6ª feira ,na TVI...Caso PORTUCALE...CASOS BPN, BPP...etc onde, parecendo não estar envolvido, também nada fez para que os "dias loureiro" cá do sítio, devolvessem a PORTUGAL, o dinheiro que foi roubado e que os pobres e reformados ,estão a pagar, com língua de palmo, a tal língua que em milhares de casos já não sabe, há muito, o sabor de um bife...

Estamos, hoje, pelos piores motivos, nas bocas do mundo! Estamos, hoje, mais angustiados que nunca!Perdemos a dignidade por culpa do amor à mentira e à dissimulação...Olhamos para os nossos ordenados e pensões e perguntamo-nos onde e o que nos vão SACAR mais para todos os PECs que hão-de vir...

Perdemos ,definitivamente, a confiança em todos os cretinos que nos têm dado cabo da esperança e desejamos, ardentemente, varrê-los todos da nossa vista!
Mas...depois...que alternativas? mais do mesmo, mesmo que com outros?pois se sabemos que ,no dito BLOCO CENTRAL, todos são amigos, amigos de amigos, abutres à espera da carcaça para encontrar um "pouco de carne"...de tachos...de honrarias...de fotografias na TV...de famas e glórias...

em toda esta situação angustiante, ainda bem que pediram a ajuda que eles já sabiam que iam pedir! Já não suportava tanto sufoco! E, como diz o povo, que seja o que deus quiser...

segunda-feira, 4 de abril de 2011

POEMA: PELA NOITE DENTRO...


Pela noite dentro…


Escrevo…Solidão…
Por vezes, no meu cantinho,
Aparecem vultos do PASSADO
Que se debruçam sobre o meu ombro
Delineando o contorno dos meus pensamentos…

Vozes amigas que saem das paredes…
…que respiram o ar dos meus medos…
…que conhecem o sagrado dos meus segredos…

Ficam a meu lado,
Ouvem a música do meu agrado
E amam as plantas que dormem, cúmplices,
Na HORA- DE- TODAS- AS- MEDITAÇÕES/SOLIDÕES!

Campos iluminados pelo pálido reflexo da LUA,
( qual beldade misteriosa!)
Alumiando a vida de castelos vazios e nus,
Sofrem a mesma misteriosa amargura…
…a da SOLIDÃO!

MOZART…SERENATA AO LUAR…
O coração baila, sem parar…
Paro para cantarolar…
E penso na VIDA, em ti, que não estás comigo,
Que repousas noutra “NOITE”…perdido na montra do SONHO!

EU, AFUNDO-ME EM PASCOAES E RÉGIO…
QUE SORTILÉGIO! “Não, não vou por aí…”

SENHOR DEUS, CREIO OU NÃO CREIO EM TI???
CHAMO-TE, NO AUGE DA DOR…
E NÃO RESPONDES, SENHOR!
SEI QUE ME FAZES COMPANHIA
A ESTA HORA EM QUE O DIA
CEDE LUGAR À NOITE FRIA!

Oiço, nesta melancolia, a tempestade
No mar, rebentando contra as rochas
Alcantiladas, enquanto as ondas se desfazem no areal,
Carregadas de cadáveres de conchas e búzios…
Parentes de nautas de outras “IDADES”…

(Sei de uma princesa,
Presa num castelo de dúvidas,
Que ouve o vento a respirar mais forte…
Vento de MORTE,
Que afogou navegadores conquistadores de outros castelos
De pimenta, canela e outras riquezas maiores…)

Sei de MIM-SER- CÓSMICO…
SEI da minha fragilidade na pretensa PROCURA
DA VERDADE!
SEI de MIM…na extrema SAUDADE…
…no medo da aparente ETERNIDADE!
DENTRO DE MIM…HÁ UM IMPÉRIO
De MISTÉRIO
Que ainda posso guardar, sem ninguém a murmurar…



C10/61(mret.)- JAN/011

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Poema: SAMADHI





Orientais filosofias, diferentes vivências do dia-a dia

no procurar a verdade da existência,

saem do meu interior espiritual,

em acalorada veemência...



SAMADHI...vitória do só tentar compreender!


E do lamaçal da vida nascem Lótus, cheios de divinais odores

escapando, na glória de sobreviver, aos paúis do entristecer!

Campos de lírios macios, plantados no delírio, em pelos originais

da génese cósmica do meu íntimo a arder, ressaltam de mim

ao aceder a humanos, normais desejos de me afirmar!



SAMADHI!

Não me fecho...desejo!



Recuso-me a não participar da vida, missa campal despida,

que me chama e me reclama,

quando me beijas no calor de um abraço...que desfaço

no campo- lótus que arrasa meu peito, feito a teu jeito...


No doce balouçar do Vento da Chamada

danço uma dança sagrada...

desinibida...

qual CANTATA que perfuma de sons meu corpo inteiro,

no Sonho...sobranceiro a levezas das impurezas!


SAMADHI!

Eu...Tu...em MIM e em Ti!


E sou bóia da imaginação...pura e devassa...

para ti que me sacias, no calor da noite espessa,

ou do dia em alegria, na aragem do Vento que perpassa...

...no Fogo do vulcão que extravaza...que nunca diz NÃO...

...que responde à explosão do meu DESEJAR-A- AMAR ...em TI!



SAMADHI...sexo puro e louco que se transmuta no calor da Purificação,

minha paixão original limpa, porque natural!


Então, procuro em ti o que tiras de mim...

abro-me à natureza que gera...que cria em harmonia...

...e SOU...porque no AMOR, ACONTEÇO!


Samadhi...pureza do lodo da Vida!



Sobremesas divinais de incomparável doçura

servidas são no prato de um arco-íris, colorido e possante,

que atravessa meu pólo a pólo, nos buracos do tesouro que procura...

Sirvo-me

e serves-te tu, no delírio da ternura...na procura

do viver a arder ...do ovo do vulcão do meu SER...

Gula...prazer no meu entreabrir a flor da sobremesa do EXISTIR!


Meu segredo matricial oferece-se na hora de me perder

que ainda estou por viver...


Doces sucos escorrem do doce imaginário que guardo

no meu sacrário de amor...



SAMADHI----MEU CORPO!


Cubro a dádiva com uma colcha de puro damasco,

que não descubro enquanto não tiver os fonemas certos

para as horas de uivos sacramentais,

abismos lexicais de prazer...que estou por viver...


Vulcão ...este CORPO-SAMADHI, onde EROS se perde de paixão,

de gozo e perdição...júbilo e reabilitação!


Erecta exaltação da Verdade,

guardo a pureza da Realidade

nas Sintaxes da Morfologia- cósmica do MEU-CORPO-TEU...

...divindade do EU...

C11L-29/ ABL/011--(mqc-18)

quarta-feira, 30 de março de 2011

POEMA: MALANDRINHOS....

Foto google




Minhas pestanas, longas, longas,

penduram-se no teu olhar!

Dos meus olhos, grandes, grandes,

sai vida a cantarolar!



De teus olhos, loucos, loucos,

sai perfume de prazer!

Enrolo-me, pouco a pouco,

só para te ver crescer...



Minha entrada original

anseia por teu descer...

Oferece-te uma chave

para lá poderes morrer...



...morrer, de tanto viver...

...cansado de remexer...

a cama de erva macia,

que só tu sabes fazer...



Caminho devagarinho,

para não espantar a ave,

que, no delírio do ninho,

começa uma luta suave...



C11L-31/MRÇ/011

domingo, 27 de março de 2011


foto minha no Convento de STA CLARA-COIMBRA

foto minha

foto google

BOSQUE DA VIDA…






Entre bosques e serranias, aprendi a amar

os deuses do silêncio das horas, escondidos em ervas rasteiras…



(O silêncio, hoje, é o ruído da canseira dos movimentos do AMOR…)



Imaginava-os minúsculos, com poderosos músculos,

para me susterem nas brincadeiras…



(Como tu, hoje, ao conduzires-me na hora da sensual magia…)



Irradiava, então, luz e calor, no fervor das tropelias loucas,

de quem nada sabia de outro amor que não o da Natureza fresca,

presa por raízes, onde se escondiam perdizes, codornizes,

Pássaros do chão, nos ninhos da criação…



(Era a Hora da consumação no cio…)



Os insectos perdiam-se, loucamente, por entre os odores do farto pinhal!



(Hoje…eu e tu…não é igual?)



ÉTER, deus do silêncio, punha um dedo na boca, a lembrar-me que,

na catedral da vida, fazer ruídos era atitude louca…



(Agora, na hora de explodir de Amor, tapas, com a tua, a minha boca…)



Hoje, MULHER, revelo-me ao mergulhar em mim!

Sou fogo de amor…chama de paixão…

Exalto-me e consumo-me consciente da minha singularidade sensual…

E ao som da música da Primavera que escorre, em brasa,

da minha entrada mais funda, seduzo o mundo teu,

o que me dás na hora quente, em que nos fundimos em sexo ardente!



Imobilizo-me no tempo que dura o meu poema-música…

E sou Drama-Comigo-Própria!Ajo e reajo na consciência de MIM!

Vejo urzes e giestas…penso-as…sinto-as…no “leito –chão” com defeito,

ao qual dou a perfeição que advém da nossa união de amor!



Um relâmpago feito de Ideias, atravessa, impune, a Noite da Vida…



(É teu corpo dentro do meu…Sou EU…parte do teu!)



O meu rouxinol interior desata a cantar sons de flor,

chuva de odores temporais, palavras de suspirar…



(Cheiro de sémen…semente no fundo de MIM/GENTE/ MULHER…)



Hoje, secretária das minhas recordações,

forço-as a ligarem-se por associações de alegria

para frutificarem em PALAVRA-POESIA!

Hoje, Gaia, Mãe Natureza, caracteriza-me no conceito de Amor-Dádiva!



(Eu…agora…momento de SER-MULHER na oferta do tesouro meu, a desabrochar…)





C11L-27/MRÇ/011--- (mqc-17)

sexta-feira, 25 de março de 2011

Memórias literárias: 50 anos do romance "Aparição" de Vergílio Ferreira




Completaram-se, no passado ano, os 50 anos da publicação da obra de VERGÍLIO FERREIRA (VF), “APARIÇÃO”. Não permiti, como Professora de Português, deixar passar, em branco esta data, pelo valor do autor, como escritor e da obra, em particular, pelo que representa no estudo do EXISTENCIALISMO português, de meados do século passado.
Embora tenha já publicado no blogue e nos jornais onde escrevo, durante o presente ano, um texto sobre VF, nascido em 1916 e falecido em 1996, não quis chegar ao fim do ano passado, sem lembrar esta data, pelo amor que tenho à obra do escritor, de um modo geral, pelo respeito que me merecem as Doutrinas Existencialistas e pela riqueza literária desta obra, em particular.
No ano posterior à sua publicação, em 1960, por conseguinte, foi VF agraciado com o Prémio Literário “CAMILO CASTELO BRANCO”, tal o impacto de “APARIÇÃO” nos meios literários nacionais. Outros prémios se seguiram, dos quais destaco: em 1985 -“Prémio do Centro Português da Associação Nacional de Críticos Literários”; em 1990, Prémio Femina; em 1991, Prémio Europália; em 1992,o significativo PRÉMIO CAMÕES…
Declaradamente agnóstico, mais para o fim da sua vida, embora de formação católica, tendo, inclusivamente, frequentado o Seminário durante mais de 6 anos, é com o romance “APARIÇÃO” que VF se apresenta como um ser humano angustiado com o problema da existência de DEUS e com a verdade fatal que a todos atinge, na figura sinistra da MORTE.
Li esta obra muito cedo, talvez cedo demais para compreender com maturidade o “recheio” filosófico da mesma. O romance nada me dizia e só a minha teimosia me fazia voltar à página anterior, constantemente, para perceber de que tipo de” aparição” aquilo tratava…
Nos programas do 12º ano de PORTUGUÊS de 1996, esta e outras obras entraram como alternativa, de leitura obrigatória! Enveredei pela escolha desta obra , com uma responsabilidade extrema, como se pode calcular, pois os alunos tinham que perceber, comigo, par a par, o tema que, finalmente, percebi que tínhamos em mãos! “APARIÇÃO”, afinal, não era nenhum fantasma…SANTO DEUS! Quanto andei, para lá chegar…
A “APARIÇÃO” É... nós, seres humanos, é cada um de nós, de cada vez que vencemos etapas da nossa realização pessoal, a caminho do aperfeiçoamento, possível e permitido, por Alguém Superior ao homem! É cada um de nós, aos nossos próprios olhos, sempre que afastamos os escolhos que nos impedem de nos cumprirmos! (capítulo II, página 23, 18ª edição, BERTRAND): ” Meu pai optou… Mas eu, sentia como sinto, que alguma coisa ficara por explicar e que era EU próprio… que me aparecera…quando a vi fitar-me do ESPELHO…”. Depois, continuando a sua descoberta, através da personagem “ALTER-EGO”, DR. ALBERTO SOARES, no capítulo IX, página 88 e seguintes, diz isto: ”O instante em que me afirmo é uno como um tronco. (…) Somente agora que são EU, não os entendo. SEI que mudei, mas não SINTO ter mudado (…)”.
Ora acontece que, em meados do século XX, a Europa é assolada por uma vaga de fundo de ideias sobre a existência do HOMEM (O EXISTENCIALISMO!), liderada por filósofos e ideias de filósofos como SARTRE, SIMONE DE BEAUVOIR, MALRAUX, CAMUS, HEIDEGGER, JASPERS e tantos mais que questionavam, não só o papel do homem na Terra, como também a existência de DEUS. Por conseguinte, para conseguir SER, ou nos apoiamos na ideia de DEUS ou não…VF esteve num seminário, quando jovem, por um período superior a seis anos, que o marcaram, profundamente, quer pela rigidez das regras do internato, quer pela solidão inerente e pelo desconforto, que moldaram o carácter do jovem seminarista, tornando-o mais introspectivo e permeável às ideias dos filósofos existencialistas ateístas e teístas.
Esta dor de DEUS e a angústia da SUA existência provocavam fracturas emocionais indescritíveis no escritor e em todos os seres pensantes; notou-se isso já no romance”MANHÃ SUBMERSA”… Mas é em “APARIÇÃO” que vêm “à tona de água” todos os problemas de fé provocados também, a nível existencial, pela rigidez da vida, no seminário. Como corrente humanista, o Existencialismo teve como precursores o filósofo Sócrates e SANTO AGOSTINHO.
Em termos restritos e mais recentes, remonta a KIERKEGAARD que dizia estar o Sujeito implicado, ao longo da vida, na sua realização pessoal pelo que, o homem, é ”LIBERDADE ABSOLUTA”, “ESTANDO CONDENADO A SER LIVRE”…
No romance “APARIÇÃO”, o DR. ALBERTO SOARES não consegue, como Professor de Filosofia, passar aos seus alunos a “Mensagem” da “Liberdade Absoluta” e acaba por ser mal interpretado pelo louco Carolino, seu aluno- problema, que, a certa altura, entende ser um deus, capaz de, com as suas mãos, dar a VIDA ou tirar a VIDA a qualquer ser! tenta então matar o Professor, desfaz o pescoço de uma galinha “enquanto o diabo esfrega um olho” e acaba por matar a estranha SOFIA CERQUEIRA, a qual, segundo o narrador- autor, já desde pequenina “que tinha percebido tudo”, onde é que a vida nos vai levar, sendo, por isso, a coisa mais natural do mundo vivê-la em toda a plenitude …do mal, principalmente e se possível!
Neste romance, VF. apresenta-nos a ideia do filósofo HEIDEGGER de que o Homem é “UM-SER-PARA- A- MORTE” já que, abandonado por um deus que o condenou a uma liberdade com a qual ele não sabe o que fazer!, o pobre HOMEM não pode, sequer, impedir a sua fatalidade final…
Convém, no entanto, penso eu, vermos que o Homem nunca é só um determinado fim, no sentido de que nunca está completo… E nós, seres humanos, sabemos bem como HOJE não somos o que fomos ONTEM e vice-versa…
Ao dizermos EU, no nosso dia-a-dia, já estamos a SER e a caminhar para a nossa concretização ou realização, como se preferir. Em nós está a presença de nós próprios, como o pai de Alberto lhe explicou, naquele dia em que ele, pequenino, se viu ao espelho e pensou que alguém estava no seu quarto. É, decididamente, uma obsessão, esta tentativa de explicarmos a existência de DEUS… como difícil deve ser a insistência em negá-Lo… ALBERTO SOARES (CAPÍTULO III) explica o seu ateísmo de um modo breve e repentino… pouco ou nada esclarecedor, por consequência: ”DEUS está morto, PORQUE SIM!”. No capítulo IX, afirma: ”DEUS MORREU, DEUS NÃO É A MINHA META, É O MEU PONTO DE PARTIDA.”
A ensaísta MARIA JOAQUINA NOBRE JÚLIO, in “O DISCURSO DE VERGÍLIO FERREIRA COMO QUESTIONAÇAO DE DEUS” diz o seguinte, numa citação de Maria Leonor Carvalhão Buescu e Carlos Ceia, in “PORTUGUÊS 12º Ano, página 380,1ª tiragem de 1999: ”A par do alto conceito que VF tem do homem, penso que ficou claro (…) o alto conceito (…) que tem de DEUS.
DEUS é, para ele, mistério insondável e não é o DEUS manipulável das religiões, mas O ABSOLUTAMENTE OUTRO. (…) Quando fala de deuses, no plural, concebe-os como criações dos homens, ídolos (…) sempre inferiores e não o GRANDE-DEUS, o SUPER-DEUS. (…) Não sendo politeísta e muito menos panteísta, não crê nesses deuses manipuláveis ou criados pelos homens…DEUS é, para ele, outra coisa, ABSOLUTAMENTE TRANSCENDENTE AO HOMEM E AO MUNDO (…)”.
A este ponto, convém recordar que Kirkegaard diz que a vida se apresenta hoje de tal modo problemática ao homem, que se torna absurdo demonstrar a existência de DEUS!
O grande escritor português deu, com esta “tremenda” obra, uma pequena amostra do incomensurável, indefinível, inexplicável problema que é, o ter-se a ideia de DEUS. Não nos satisfaz, pois cada um de nós tem a sua própria resposta… ou não tem nenhuma! Sem respostas… resta-nos a força interior, emocional da… FÉ!
Ainda hoje, como poetisa, eu trato este tema que me é tão caro, pelo receio da HORA FATAL...


BIBLIOGRAFIA:
“O Discurso de Vergílio Ferreira como Questionação de DEUS”- Mª Joaquina Nobre Júlio, in “Português A”- 12º Ano,TEXTO EDITORA –Lisboa, 1999,1ª tiragem;
“Uma leitura DE APARIÇÃO de VERGÍLIO FERREIRA, BERTRAND EDITORA /NOMEN, 1995

quarta-feira, 23 de março de 2011