
“HOMEM-NATURA”
Num livro que estou a ler (“OS DRUIDAS E OS DEUSES CELTAS”), da autoria de HENRI D’ARBOIS DEJUBAINVILLE- ED. ZÉFIRO, tenho a sorte de encontrar uma frase do escritor francês VICTOR HUGO, que diz tão-somente isto:”Primeiro foi necessário civilizar o homem em relação ao próprio homem.Agora, é necessário civilizar o homem em relação à Natureza e aos animais.”
Se esta frase se aplicava, na perfeição, à sociedade de há 200 anos, imaginem como ela é perfeitamente actual, nos dias que estamos a viver, no século XXI!
Eu sou suspeita para falar neste assunto, porque venero a Natureza! Preciso do cheiro do ar, da água sem cheiro, da vida que brota de qualquer pedrita, sem contar…Sendo magia, a Terra mereceu, por parte de povos antiquíssimos, cultos mágicos que passaram de geração em geração, precisamente porque esses povos se preocuparam em passar às “TRIBOS” vindouras os seus conhecimentos, em actos de amor que poderiam e deveriam levar à preservação dos mistérios da vida.
O respeito pelos bosques, florestas, ribeiros, plantas mesmo que rasteiras, era parte integrante e imprescindível na educação dos jovens, que deviam continuar a passar a MENSAGEM! As civilizações druida e celta merecem, neste campo, um destaque especial, embora não queira aprofundar essa temática, por ser de extrema responsabilidade.
Certo é, que o Homem tem vindo, ao longo dos milénios, a desbaratar todo o manancial de conhecimentos adquiridos, esquecendo ensinamentos antigos da grandiosidade do “ventre-terra”; hoje, confrontamo-nos com espécies em extinção, espécies vegetais e, sobretudo, animais; o nuclear ameaça destruir-nos, a camada de ozono desfaz o ar de que necessitamos para sobreviver, a desenfreada industrialização, para além de sugar recursos naturais que deveriam ser de todos, está a provocar estranhos factos geo-atmosféricos que tudo destroem no seu caminho, como se pode ver, sobretudo, nas TVs.
Dizia GARRETT, no séc.XIX, nas suas “VIAGENS NA MINHA TERRA”logo nos primeiros capítulos, que a Ciência e o Progresso devem continuar a par, para o engrandecimento da espécie humana! Mais de duzentos anos depois, temos que lhe pedir que, lá de onde está, reveja estas afirmações…
A Natureza está a precisar de um choque de gerações através do qual, os mais novos possam “põr o dedo no nariz” aos senhores do mundo, para lhes mostrar que ela está a chorar e se pode vingar de quem a não respeita, cessando o seu contributo para o desenvolvimento do Planeta.
Quando ruiu o Império Romano do Ocidente, por alturas do séc.V da era cristã, já, na Gália, outras guerras tinham feito desaparecer os Druidas. Não desapareceram, no entanto, os seus ensinamentos de louvor à terra- mãe que, germinando, na altura própria, continua a cuidar dos humanos, prodigalizando as colheitas. Penso que temos que voltar a ser “druidas” e defender o" património –Terra" ,declarando-a PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE, a ver se a salvamos da ganância e da exploração desenfreadas, dos cegos “senhores da terra”…
Aqui, reafirmo, porque sinto essa necessidade, o meu amor pelas ervas. Pelas relvas e restolhos, pelo chão seco ou molhado… Sou telúrica, estou presa à terra, ao chão, às folhas das árvores… Devem os nossos jovens ser orientados para o amor desmedido pela Natureza; devem os seus olhos saber ver a verdade da existência naquele carreirito de formigas, ali ao lado dos seus pés… VIVER não é… “NÃO-VIVER”, “passando fugazmente pelo Tempo! VIVER, talvez seja tudo isso e mais alguma coisa ainda, como AMAR os seres que , facilmente passam despercebidos e isto ,porque, cada um de nós desaprendeu a VIDA!
Imersa na Natureza pulsante , sinto-me bem: fujo aos ódios, aos desesperos, aos mil “nadas” que atrapalham a Vida…Sinto, majestaticamente , a força das fragas batidas pelo vento! E aqui, no meio das ervas que me sujam os sapatos e as calças, sinto-me “limpa”com os meus sonhos que se avivam, transbordando para o caderno de apontamentos… E apalpo as palavras molhadas de orvalho… sémen dos deuses atarefados, que esperam pela hora da reprodução da semente, espalhada a esmo…
Sinto-me poeta a ver a VIDA a viver, crescendo! Sinto que duendes dos tempos mágicos seguem meus passos, abrindo caminhos pelos carreiritos onde passaram povos de todos os tempos…É a minha sentimentalidade onírica que se manifesta fortemente, neste discorrer, neste viver a Terra que habito e me possui!
Ciente desta verdade, vou caminhando os meus “caminhos”, à procura da minha luz primordial, da minha inocência perdida, no mundo fulgurante dessa mesma inocência: a NATUREZA!