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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

"BABEL..."

FOTO GOOGLE


Deserto árido estéril
imagem brutal da ViDA sem VIDA
bafo ardente
...de repente
escalda a chorosa ferida

Areias
do sangue de mares antigos
desaparecidos
na onda gigante

Cáfila de pedras brutas enxutas
rolando doentemente
até serem areia fina prenhe

Crispada torturada azeda
febre do calor delirante sufocante

Betume da Judeia desfeito na areia
Templo de SALOMÃO erguido na confusão
Código de HAMURABI que não se aplica aqui

Sede angustiante da palavra crucificada
exausta na areia calorenta bolorenta sacrificada

Faltam bosques de árvores amarelecidas
que murchem ao ritmo das vidas

Aventuroso reino abstracto
que -dizem!-"está no céu"
do Inferno angustioso
de quem não sabe o que é seu

Roma...Madrid...Paris...

LISBOA DE AR FELIZ!...

DESERTO? mas onde... tão PERTO?

C8H- AGT/010-64/116

quarta-feira, 12 de maio de 2010

“A Lua chama as estrelas…”


fotos google


É noite…brilhante, límpida, estrelada.
Um ar mágico sente-se na imensidão do deserto,
isolado,frio, gelado.
Está comigo o Universo,
aqui ao meu lado,
em tom de diálogo…preocupado…

E esta enigmática sensação
de que não estou sozinha
na imensidão da areia fria e fina
chega-me aos poros…
Sinto que é um desafio!

Evoco o perene sortilégio
de uns olhos negros, arrepiantes, macios…
Acocorados num canto da minh’alma,
aqui estão… não mais os esqueci
desde que os vi!

São o talismã que procuro e já sinto perto,
numa duna do deserto, aqui…até onde vim…
Ruídos da noite, rumores estranhos, metem-me medo!
Será só o som das patas do meu cavalo a enterrarem-se na areia?
Oh! Sim! Meu senhor tem sentinelas
que protegem seu amor…

Devagar me vai levando meu lindo cavalo negro,
…negro-( da cor dos olhos do moiro
por quem peno e por quem morro!).

Uma sombra, lá ao longe, é-me tão familiar
…suor frio, como a água do rio
onde me hei-de ir lavar!
A Criação aproxima-se.
A lua chama as estrelas.
Na tenda do meu senhor, serei bela como elas…
…pomar de belos frutos,
floresta de verdes ramos,
fonte jorrando água pura,
paraíso de mãos duras
que amaciam meu SER!

Depois, vem o madrugar,
o fugir a cavalgar
para esconder o segredo
da vida a acontecer…
…Sim, que o Homem nasce num Mundo
…que está sempre a reviver!

C7G-(mr) 4º-58/86/FEV/010

terça-feira, 21 de julho de 2009

POEMA DO CICLO" MULHER QUARTO_CRESCENTE



Nas areias do deserto,
cortadas pelo imponente alazão,
entra, decidida, a mulher do mistério branco,
corada de azul-luar.
Conhece já o caminho
o reluzente animal negro.
Com cuidados redobrados,
cônscio do tesouro que leva no dorso,
encaminha-se,
a passos lentos, ritmados,
para a branca tenda do “senhor” da noite,
altiva, armada desde o sol posto,
de almofadas ornada e
peles de oiro coberta,


cheirando a óleos fragrantes,
esperando a hora de receber o Amor…
Mãos rudes de guerreiro solitário
tocarão, suaves, as montanhas do desejo,
lânguidas, sob o céu solidário...
De repente, “VÉU AZUL” não sente, senão,
a suavidade das mãos calosas, desejosas
de interpretar caminhos de solidão…
A brisa cala-se… o luar acontece…e
a noite morre no AMOR, entre a Senhora e o Senhor…
Sorri e esconde-se, a lua cúmplice.
O novo amanhecer será já em Quarto-Crescente…
Ventre quente…semente a germinar…
Vida acontecida ao som dos raios do luar…


C6F -125/21 –JLH/09