quarta-feira, 16 de novembro de 2016

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Putin demite ministro da Economia acusado de corrupção


PÚBLICO

15/11/2016 - 18:09

(actualizado às 21:22)


Alexei Uliukaiev é o mais alto dirigente a ser acusado deste tipo de crime desde a queda da ex-URSS. Críticos do Kremlin suspeitam que investigações escondam luta de poder.
O agora ex-ministro à entrada para o tribunal VASILY MAXIMOV/AFP




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O Presidente russo demitiu o ministro da Economia, detido na última madrugada e acusado de ter exigido o pagamento de dois milhões de dólares para não travar um polémico negócio envolvendo a gigante petrolífera Rosneft. Alexei Uliukaiev é o mais alto dirigente russo a ser acusado de corrupção desde o colapso da ex-URSS, em 1991, mas o caso está já a gerar suspeitas de que, por trás das investigações, se esconda uma nova guerra de poder dentro do círculo próximo de Vladimir Putin.

Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, limitou-se a informar os jornalistas que Putin “perdeu a confiança” no ministro, sobre quem recaiam “acusações graves”. O Ministério da Economia será chefiado de forma interina pelo até agora vice-ministro Ievgeni Ielin.

Pouco antes de conhecida a sua demissão, Uliukaiev era presente a um juiz, que o acusou formalmente pelo crime de “extorsão de luvas”, colocando-o em regime de prisão domiciliária pelo menos até 15 de Janeiro. Ficará igualmente proibido de comunicar com o exterior, de utilizar o telefone ou de receber visitas para além dos seus familiares mais próximos.

Em tribunal, declarou-se inocente e prometeu cooperar com as investigações a fim “de limpar a reputação e permitir que a verdade seja apurada”. Caso seja condenado, enfrenta uma pena que poderá ir até aos 15 anos de prisão.

O Comité de Investigação, a unidade que se encarrega dos casos de criminalidade complexa, afirma que Uliukaiev foi detido “em flagrante” quando se preparava para receber a quantia que ele exigira à Rosneft, a maior empresa petrolífera da Rússia, a fim de não bloquear a compra de 50% da petrolífera pública Bashneft, num negócio avaliado em cinco mil milhões de dólares.

Os investigadores alegam que a denúncia partiu da própria Rosneft e que o ministro estava a ser vigiado há já alguns meses – as operações terão sido conduzidas pelos serviços secretos russos (FSB) e Putin estaria a par do caso desde o início das investigações. O processo, acrescentam, não visa a petrolífera nem põe em causa o milionário negócio.

O advogado de Uliukaiev confirmou que ele foi detido nos escritório da Rosneft, na noite de segunda para terça-feira, mas nega que lá tivesse ido para receber o alegado suborno. “Ele garante que não é culpado, diz que tudo não passa de uma provocação”.

Uliukaiev era desde Junho de 2013 responsável pela Economia, um ministério que tutela a área altamente sensível das privatizações. Tecnocrata, de 60 anos, é descrito como um economista liberal, mas a Reuters afirma que não integrava o grupo que orbita em torno do primeiro-ministro, Dmitri Medvedev, e que se opôs à forma como foi feita a privatização de parte do Bashneft. Alegavam que a empresa, uma das mais lucrativas a ser privatizada nos últimos anos na Rússia, deveria ser vendida a privados e não à Rosneft, igualmente controlada e parcialmente detida pelo Estado.

Uliukaiev também criticou inicialmente o negócio, mas acabou por deixar cair as reservas, o que levanta algumas interrogações sobre as suspeitas agora apresentadas. “Ele teria de ser louco para, um mês depois de o acordo ter sido legalizado e obtido aprovação política, ir ameaçar a Rosneft e extorquir dois milhões de dólares ao [presidente da empresa] Igor Ivanovich Sechin, que é uma das pessoas mais influentes do país”, disse à rádio Rússia Alexander Shokhin, antigo ministro da Economia e presidente da União de Industriais e Empresários do país.

Além de homem forte da petrolífera, Sechin é considerado uma das personalidades mais influentes do círculo íntimo de Putin, sendo considerado mesmo o líder da facção “siloviki”, nome por que são conhecidos os dirigentes saídos, como o actual Presidente, das fileiras dos antigos serviços secretos e forças de segurança da ex-URSS, escreve a AFP.

Guennadi Gudkov, antigo deputado da oposição russa, acredita por isso que, por trás de uma operação destinada a mostrar a determinação do Governo para lutar contra a corrupção, se esconde um ajuste de contas entre os clãs que coexistem no Kremlin. O que estamos a assistir é “uma intensificação das lutas internas por influência, dinheiro e cargos”, afirmou à mesma agência de notícias.

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