

POEMA:
TANTO, TANTO
Abro os olhos para o mundo que regressa grandioso
ao som nítido da luz que acorda as flores iniciáticas
nos torrões de terra madura-a-desabrochar odores.
Meu corpo –incógnita corre pelos valados de velha pedra
Velha e dura-em-suspenso
e aninha-se no som das ondas, nas cordas das naus e nas velas
engalanadas
que se desfazem contra o promontório da Procura.
Dói esse mar de Outrora- Agora!
…como cantava Cesário-ao-deambular…
…como sabia Pessoa-ao-relembrar…
…como escrevia Camões-ao-naufragar…
Um esvoaçar de andorinhas cansadas de voar
dá sinal das outras- bandas- do-Ignorar;
sente-se nas avenidas em diagonal das rotas
que cruzam as águas do mar.
Um-Tudo-no-Mundo!
Um Tanto-tanto, que não o posso contar…
Maria Elisa Ribeiro
MRÇ/016
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