

Bom dia Maria Elisa.
Este é o poema que eu construí e que lhe dedico a si e ao seu livro.
Um abraço poético.
POEMA PARA MARIA ELISA RIBEIRO
OU UM TRIBUTO AO SEU LIVRO
“O CÉU DEITA-SE NO AMANHECER DAS PALAVRAS”
Leio o livro e logo surge em mim um impulso
Que se projeta em mente e no meu pulso.
A veia, em sobressalto, impele-me à construção de um poema
Para Ti … Maria Elisa Ribeiro.
Construção … qual arranha-céus a erguer
Sem projeto aprovado.
Sinto-me embaraçado,
Mar nada igual ao teu mar inteiro,
Incapaz de desaguar no teu “Outrora-agora”,
Infância tua.
Tento descer à tua Biblioteca das Memórias
Para me confinar ao teu início onde és agora
Mas onde afinal também te vês “agora-sempre”.
Quero descrever-te como escreves,
Nada subtrair à erudição,
Ser capaz de te ver como te descreves.
Mas fico quieto, mudo dos sentidos
Na espera (de esperança mesmo)
De que o meu punho encontre chaves
Que abram o que a minha mente sente
Para que te pense, como te pensas.
Tento embarcar nas tuas “Tempestades de Verão”
Para que elas me levem às esferas dum vento perfumado
E aí ser capaz de dizer (escrever)
Que a tua poesia é berço-bailarino, sal-e-sol
Que ofuscam qualquer sol-noite
E todos os estalos das pedras parideiras
No agravo dos dias sonolentos.
A tua poesia não tem dormida.
Oscila com as oscilações do mundo,
Desenvolve-se no profano-sagrado profundo,
Acorda-me,
Veste-me dessa tua perfeição de ser-Poeta,
Aspirina dileta
Que resolve dor-amor quando te confessas
E te perdes na “escuridão da angústia”
Onde pedes luz ao teu corpo.
E, nesta saga, caminho obstinado
Na procura de letras-sílabas-palavras
Que te definam.
Mas não é fácil qualificar o que tem que ser qualificado
Com vogais e consoantes
Sem restos de divisões nem de quocientes incompletos.
Faço voejos rasantes por sobre os clausurados casulos
Onde te sentes Crisálida (teu paradigma da transformação???...)
E nesses voos procuro saber-estar
Para conseguir definir o teu “Luar-crescente-ventre-de-mulher”.
Detenho-me.
Há choros por perto e guitarras ao longe
Que me acordam para adjetivar substantivos
No teu “corpo da semente vital”.
Mas perco-me num torrencial e emaranhado mar
Sem respostas
E sem capacidade para espremer do meu “eu” suturado
Palavras-definição
Que se possam elevar ao padrão e ao sabor das tuas brisas.
Pois é Maria Elisa!!!...
Tu eruditas o saibo das manhãs-tardes-dias-noites
E lanças cantos onde nos dizes
Que o “PRESENTE perdeu o PASSADO”.
Por mau fado???...
Não!!!...
Simplesmente porque (pre)sentes
A “VERDADE DO SER”
No teu “NÃO-SER”.
E eu fico em processo arquivado
Procurando palavras nos elucidários.
Palavras que sejam determinantes
Para reverterem a minha ansiedade
Para lá da “latitude” dos teus “silêncios”,
Onde fermentas “O DORSO DAS EPOPEIAS”
Em incensos metafóricos.
Pois é!!!...
“A Esfinge nunca viveu uma begónia”,
Mas a tua poesia consegue enfeitar as begónias
Com esfinges.
Pudesse eu, simples amador-fazedor de versos
Subir às Pirâmides
E num ato, simplesmente desiderato meu,
Hastear essa Esfinge-begónia
Sem qualquer loucura existencial
E levando comigo apenas um ramo-poesia ….
E colaria as minhas palavras
Às tuas palavras
Para dizer também
Que “(sou, aqui, meu-centro-de-mim)”.
Que mais me ocorre???...
Rebusco dentro de mim palavras desafiantes
Que possam ser meus pássaros de fogo
Voejando com a tua “PÉTALA DE FOGO”
Para encontrar esses teus “Segredos-da-noite-do mundo)”.
Neste voejar-procura,
(que o voejo é preciso e a procura é uma constante da vida)
A palavra há de surgir da pedra-tomo-de-poesia-esculpida
Para ser definição de Ti
E dessa tua resposta para o “Nada-que-é-tudo”
Em epitáfio marcado em fino veludo.
E prossigo!!!.,..
Viajo em ritmo alucinante pelo teu marejar
Por essa tua simétrica “simetria-dos-dias-que-vão-deixando-de-o-ser”.
E eu, artesão em roda de oleiro,
Esforço-me por ser teu parceiro
E compreender
O que tem que ser compreendido
Na natureza do teu “PÓ-DE-TALCO”
Onde tão depressa ouves “um piano a tocar Chopin”
Como não ouves “Carmina Burana”.
Salto para um barco-piroga
Para navegar no rio que ferve nas margens
Do teu “PROFUNDO FEMININO LÍRICO”
E envolvo-me com o sonho-de-sonhar
- Delírio onírico???... –
Apenas quero sonhos
Que me vejam a escrever e a poemar
Este poema para ti
Arvorado numa espera de-esperança-já
Que te defina
Algures entre o antes e o depois
De te ter conhecido na virtual arquitetura
Do espaço platónico.
Modelo que me vai deixar afónico???...
Agradeço-te
Por me obrigares a pensar
E me obrigares a prolongar
O que é desejo meu em acabar
Este tomo-meu-assomo que começou abstrato-retrato
E que já se assume-lume em candeia acesa
Que (timidamente) alumia
O teu “farol-a-beijar-corolas-de-bruma”
E também as sombras do teu “estilo-Outrora”
Nessa tua “Aurora-de-um-Agora”
Onde misturas a “Essência” aparecida
Com a “Forma” terminada
De quem “nasce do-acto-de-parir”.
Nem sabes quanto gostei
Dessa tua Primavera que não brilha,
Infância espartilhada na “aurora do teu dia”.
Também me faltaram
Esses beijos que te faltaram
E tudo aquilo que no rasto de tua Mãe
Para mim são também
Lágrimas eternas
Num ficheiro nunca gravado.
Perco-me.
As palavras parecem lianas emaranhadas
Que me fazem estar-onde-não-estou.
Não me estará reservada a palavra-definição
Para te definir???...
Encontro-te nesse ausente-presente-fantasiada
Onde dizes que és porque aconteces.
Quero compreendo-te como te compreendes
Mas logo te descompreendo como te (des)compreendes.
És como Pessoa ... admiras-te de estar-sendo.
Como eu te entendo!!!...
Claro …. Fomos acontecimento,
Supremo aparecimento
E, portanto, admirados, sim….
Mas porque somos.
Reencontro o meu barco-piroga-perdido
E no lastro, nem rasto de palavras
Ou de palavra.
Tudo volta ao início
A um infinito interstício
Como se não houvesse mais universo a desvendar
E as minhas palavras preferissem os internódios de plantas mortas
Desfazendo-se como as tuas em “cera-Poesia”.
Faço-me obtuso
E alinho com o teu sopro feito de vários sopros.
A palavra há de surgir
Dum qualquer agora-porvir
Ou duma outra miragem qualquer
Onde se encontre como acólito dum sítio
Mesmo que seja sítio-brecha-aberta-em-barranco.
“Faz-se perto o longe”, sim!!!...
Como a idade … perto e longe,
Cedo e tarde,
Canção minha que agitei
Como tu agitas “a palavra fossilizada no poema-arte”,
Quando a noite cai e tiras “a máscara da dúvida”
Para abraçares os teus “RUMORES”
“No meio da noite, no sítio do nada”.
Desenvolves na tua poesia lirismos inventados ou não,
Mas também realidades que nunca se fazem evasão,
Que se abrem em espectros de “pedreiras em vida”
Em abraços que abraças
“No-hoje-amanhã-feito-ontem”.
Sublimes são os teus desejos
Aspirados “nos cravos rubros de Abril”,
Condição humana que revertes para a tua personalidade
Para lembrares aos vetustos da outra idade
Que Abril está vivo
E que não há força de Adamastor
Ou de Cérbero de Hades
Que o façam vencido,
Nem que o façam Abril assassinado
Enquanto o homem-poema respirar “asas-liberdade”.
Quero acabar.
Mas onde está a palavra que procuro???...
Tu dizes:
“ … fonte de palavras, suavemente inquietas, jorram rumores
Não escritos ….”.
Eu procuro os meus “rumores”
A minha fonte de-amores-desamores
Ou outros acervos de palavras
Que me levem à Palavra-que-defina-a-tua-poesia-em-lavra
Assente no meu eu-plebeu.
Lá fora há sol e eu vejo-me também “quase melodia”
Em trânsito para as tuas “GOTAS”.
E, de repente,
Tal como te lembraste de Anne Frank
Relembras New Orleans e Guernica florida,
Porque tens fervura de humanidade
E sentes a morte-que-ceifa-vidas
Mesmo que sejam vidas de “nostálgicos choupos”.
Tento, tento apenas acompanhar o teu ritmo poético
Nessa “metamorfose-palavra”
Onde fazes a poesia sair “de-si-própria”
Para navegar em “poeiras de névoas-cinzas”.
E a palavra foge-me, mutável e humana.
É como se do meu inventário fugissem as palavras disponíveis
Sempre que as tento agarrar.
Sou tamanho de mim
Mas minguado léxico que zarpa em voo-de-asa
Atrás das “folhas-sombras”
Do teu “poema-carne-viva”.
Chego ao fim e não te decifro.
Percorro no meu irreal o que é real de mim,
Tal como tu percorres “o espaço entre o real e o irreal”
De TI.
Ausento-me para esse espaço onde te vertes-em-poema
E, como que por magia,
Faz-se dia.
Encontro em TI finalmente a(s) palavra(s)
Que num sopro de brisa, Maria Elisa,
Te definem:
- ÉS POESIA.
Março/2016
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