domingo, 13 de março de 2016

Poema do amigo e Poeta José Manuel Ascenso, dedicado ao meu livro" O Céu deita-se no amanhecer das Palavras"























Bom dia Maria Elisa.

Este é o poema que eu construí e que lhe dedico a si e ao seu livro.


Um abraço poético.





POEMA PARA MARIA ELISA RIBEIRO




OU UM TRIBUTO AO SEU LIVRO




“O CÉU DEITA-SE NO AMANHECER DAS PALAVRAS”









Leio o livro e logo surge em mim um impulso




Que se projeta em mente e no meu pulso.




A veia, em sobressalto, impele-me à construção de um poema




Para Ti … Maria Elisa Ribeiro.









Construção … qual arranha-céus a erguer




Sem projeto aprovado.









Sinto-me embaraçado,




Mar nada igual ao teu mar inteiro,




Incapaz de desaguar no teu “Outrora-agora”,




Infância tua.




Tento descer à tua Biblioteca das Memórias




Para me confinar ao teu início onde és agora




Mas onde afinal também te vês “agora-sempre”.









Quero descrever-te como escreves,




Nada subtrair à erudição,




Ser capaz de te ver como te descreves.




Mas fico quieto, mudo dos sentidos




Na espera (de esperança mesmo)




De que o meu punho encontre chaves




Que abram o que a minha mente sente




Para que te pense, como te pensas.









Tento embarcar nas tuas “Tempestades de Verão”




Para que elas me levem às esferas dum vento perfumado




E aí ser capaz de dizer (escrever)




Que a tua poesia é berço-bailarino, sal-e-sol




Que ofuscam qualquer sol-noite




E todos os estalos das pedras parideiras




No agravo dos dias sonolentos.









A tua poesia não tem dormida.




Oscila com as oscilações do mundo,




Desenvolve-se no profano-sagrado profundo,




Acorda-me,




Veste-me dessa tua perfeição de ser-Poeta,




Aspirina dileta




Que resolve dor-amor quando te confessas




E te perdes na “escuridão da angústia”




Onde pedes luz ao teu corpo.









E, nesta saga, caminho obstinado




Na procura de letras-sílabas-palavras




Que te definam.




Mas não é fácil qualificar o que tem que ser qualificado




Com vogais e consoantes




Sem restos de divisões nem de quocientes incompletos.




Faço voejos rasantes por sobre os clausurados casulos




Onde te sentes Crisálida (teu paradigma da transformação???...)




E nesses voos procuro saber-estar




Para conseguir definir o teu “Luar-crescente-ventre-de-mulher”.









Detenho-me.




Há choros por perto e guitarras ao longe




Que me acordam para adjetivar substantivos




No teu “corpo da semente vital”.




Mas perco-me num torrencial e emaranhado mar




Sem respostas




E sem capacidade para espremer do meu “eu” suturado




Palavras-definição




Que se possam elevar ao padrão e ao sabor das tuas brisas.









Pois é Maria Elisa!!!...




Tu eruditas o saibo das manhãs-tardes-dias-noites




E lanças cantos onde nos dizes




Que o “PRESENTE perdeu o PASSADO”.




Por mau fado???...




Não!!!...




Simplesmente porque (pre)sentes




A “VERDADE DO SER”




No teu “NÃO-SER”.









E eu fico em processo arquivado




Procurando palavras nos elucidários.




Palavras que sejam determinantes




Para reverterem a minha ansiedade




Para lá da “latitude” dos teus “silêncios”,




Onde fermentas “O DORSO DAS EPOPEIAS”




Em incensos metafóricos.




Pois é!!!...




“A Esfinge nunca viveu uma begónia”,




Mas a tua poesia consegue enfeitar as begónias




Com esfinges.




Pudesse eu, simples amador-fazedor de versos




Subir às Pirâmides




E num ato, simplesmente desiderato meu,




Hastear essa Esfinge-begónia




Sem qualquer loucura existencial




E levando comigo apenas um ramo-poesia ….




E colaria as minhas palavras




Às tuas palavras




Para dizer também




Que “(sou, aqui, meu-centro-de-mim)”.









Que mais me ocorre???...




Rebusco dentro de mim palavras desafiantes




Que possam ser meus pássaros de fogo




Voejando com a tua “PÉTALA DE FOGO”




Para encontrar esses teus “Segredos-da-noite-do mundo)”.




Neste voejar-procura,




(que o voejo é preciso e a procura é uma constante da vida)




A palavra há de surgir da pedra-tomo-de-poesia-esculpida




Para ser definição de Ti




E dessa tua resposta para o “Nada-que-é-tudo”




Em epitáfio marcado em fino veludo.









E prossigo!!!.,..




Viajo em ritmo alucinante pelo teu marejar




Por essa tua simétrica “simetria-dos-dias-que-vão-deixando-de-o-ser”.




E eu, artesão em roda de oleiro,




Esforço-me por ser teu parceiro




E compreender




O que tem que ser compreendido




Na natureza do teu “PÓ-DE-TALCO”




Onde tão depressa ouves “um piano a tocar Chopin”




Como não ouves “Carmina Burana”.









Salto para um barco-piroga




Para navegar no rio que ferve nas margens




Do teu “PROFUNDO FEMININO LÍRICO”




E envolvo-me com o sonho-de-sonhar




- Delírio onírico???... –




Apenas quero sonhos




Que me vejam a escrever e a poemar




Este poema para ti




Arvorado numa espera de-esperança-já




Que te defina




Algures entre o antes e o depois




De te ter conhecido na virtual arquitetura




Do espaço platónico.




Modelo que me vai deixar afónico???...









Agradeço-te




Por me obrigares a pensar




E me obrigares a prolongar




O que é desejo meu em acabar




Este tomo-meu-assomo que começou abstrato-retrato




E que já se assume-lume em candeia acesa




Que (timidamente) alumia




O teu “farol-a-beijar-corolas-de-bruma”




E também as sombras do teu “estilo-Outrora”




Nessa tua “Aurora-de-um-Agora”




Onde misturas a “Essência” aparecida




Com a “Forma” terminada




De quem “nasce do-acto-de-parir”.









Nem sabes quanto gostei




Dessa tua Primavera que não brilha,




Infância espartilhada na “aurora do teu dia”.


Também me faltaram




Esses beijos que te faltaram




E tudo aquilo que no rasto de tua Mãe




Para mim são também




Lágrimas eternas




Num ficheiro nunca gravado.









Perco-me.




As palavras parecem lianas emaranhadas




Que me fazem estar-onde-não-estou.




Não me estará reservada a palavra-definição




Para te definir???...




Encontro-te nesse ausente-presente-fantasiada




Onde dizes que és porque aconteces.




Quero compreendo-te como te compreendes




Mas logo te descompreendo como te (des)compreendes.




És como Pessoa ... admiras-te de estar-sendo.




Como eu te entendo!!!...




Claro …. Fomos acontecimento,




Supremo aparecimento




E, portanto, admirados, sim….




Mas porque somos.









Reencontro o meu barco-piroga-perdido




E no lastro, nem rasto de palavras




Ou de palavra.




Tudo volta ao início




A um infinito interstício




Como se não houvesse mais universo a desvendar




E as minhas palavras preferissem os internódios de plantas mortas




Desfazendo-se como as tuas em “cera-Poesia”.




Faço-me obtuso




E alinho com o teu sopro feito de vários sopros.




A palavra há de surgir




Dum qualquer agora-porvir




Ou duma outra miragem qualquer




Onde se encontre como acólito dum sítio




Mesmo que seja sítio-brecha-aberta-em-barranco.









“Faz-se perto o longe”, sim!!!...




Como a idade … perto e longe,




Cedo e tarde,




Canção minha que agitei




Como tu agitas “a palavra fossilizada no poema-arte”,




Quando a noite cai e tiras “a máscara da dúvida”




Para abraçares os teus “RUMORES”




“No meio da noite, no sítio do nada”.




Desenvolves na tua poesia lirismos inventados ou não,




Mas também realidades que nunca se fazem evasão,




Que se abrem em espectros de “pedreiras em vida”




Em abraços que abraças




“No-hoje-amanhã-feito-ontem”.




Sublimes são os teus desejos




Aspirados “nos cravos rubros de Abril”,




Condição humana que revertes para a tua personalidade




Para lembrares aos vetustos da outra idade




Que Abril está vivo




E que não há força de Adamastor




Ou de Cérbero de Hades




Que o façam vencido,




Nem que o façam Abril assassinado




Enquanto o homem-poema respirar “asas-liberdade”.









Quero acabar.




Mas onde está a palavra que procuro???...




Tu dizes:


“ … fonte de palavras, suavemente inquietas, jorram rumores




Não escritos ….”.




Eu procuro os meus “rumores”




A minha fonte de-amores-desamores




Ou outros acervos de palavras




Que me levem à Palavra-que-defina-a-tua-poesia-em-lavra




Assente no meu eu-plebeu.









Lá fora há sol e eu vejo-me também “quase melodia”




Em trânsito para as tuas “GOTAS”.




E, de repente,




Tal como te lembraste de Anne Frank




Relembras New Orleans e Guernica florida,




Porque tens fervura de humanidade




E sentes a morte-que-ceifa-vidas




Mesmo que sejam vidas de “nostálgicos choupos”.




Tento, tento apenas acompanhar o teu ritmo poético




Nessa “metamorfose-palavra”




Onde fazes a poesia sair “de-si-própria”




Para navegar em “poeiras de névoas-cinzas”.









E a palavra foge-me, mutável e humana.




É como se do meu inventário fugissem as palavras disponíveis




Sempre que as tento agarrar.




Sou tamanho de mim




Mas minguado léxico que zarpa em voo-de-asa




Atrás das “folhas-sombras”




Do teu “poema-carne-viva”.









Chego ao fim e não te decifro.




Percorro no meu irreal o que é real de mim,




Tal como tu percorres “o espaço entre o real e o irreal”




De TI.




Ausento-me para esse espaço onde te vertes-em-poema




E, como que por magia,




Faz-se dia.




Encontro em TI finalmente a(s) palavra(s)




Que num sopro de brisa, Maria Elisa,




Te definem:

- ÉS POESIA.




Março/2016

Sem comentários:

Enviar um comentário