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Texto de "Canal Moritz":
"Os truques da imprensa portuguesa
Ontem às 12:55 ·
Começa hoje uma nova fase da democracia portuguesa.
Depois do 25 de Abril a política foi, por um curto período, dominada por militares que souberam fazer a transição de uma ditadura rígida para a democracia. O símbolo deste período foi Ramalho Eanes, militar e primeiro presidente eleito no pós-74.
Após 1986 começou um longo período ao qual chamamos partidocracia. As escolhas eleitorais dos cidadãos eram já feitas sobre shortlist previamente preparadas pelos partidos. As comissões políticas, os secretariados, no fundo, os órgãos partidários determinavam quem podia, ou não, ser candidato e o povo escolhia escolhia a seguir a partir de uma lista pré-preparada e extremamente curta. O poder definiu-se, sobretudo, por quem arregimentava mais votos dentro das eleições partidárias, sobretudo locais, que definiam as sucessivas lideranças.
Agora começa uma nova fase: a imprensocracia. Marcelo Rebelo de Sousa é o primeiro Presidente da República escolhido por órgãos de comunicação social, diretores de informação e redacções inteiras, mesmo contra a vontade de praticamente todos os líderes partidários (inclusive o do seu próprio partido). Lembramo-nos do editorial do Público no dia a seguir à apresentação da sua candidatura. Lembramo-nos do artigo de Sérgio Figueiredo (director de informação da TVI) no Diário de Notícias. Lembramo-nos da festa de despedida da TVI, já em plena campanha. Mas lembramo-nos, sobretudo, de uma campanha eleitoral extremamente condicionada no plano da informação.
Primeiro, foi dado como vencedor garantido e recebeu uma cobertura superior à de todos os outros somados. Depois, a própria imprensa fabricou candidatos artificiais para dividir o campo adversário (Maria de Belém foi criada por 3 capas consecutivas do jornal i, lembram-se?; Henrique Neto idem.)
Não haja dúvidas que Marcelo Rebelo de Sousa trabalhará arduamente na sua popularidade. Acima de tudo e de todos, o seu objectivo é cumprir o sonho do presidente-rei, utilizando a expressão pessoana sobre Sidónio Pais. Nesse caminho, rumo ao unanimismo, rumo à aclamação universal, Marcelo contará com a subserviência do seu mais vinculado aliado, aquele que o promoveu desde o início, aquele que o salvaguardou e protegeu nos piores momentos, aquele que o impulsionou nos melhores: a imprensa.
E nós cá estaremos para denunciar cada pequeno truque, cada artimanha, cada rasteira. Reconhecendo que o centro de poder mudou e uma nova hegemonia, se ainda não se formou, está prestes a formar-se.
É contra ela que temos de nos mobilizar.

Os truques da imprensa portuguesa
Ontem às 12:55 ·
Começa hoje uma nova fase da democracia portuguesa.
Depois do 25 de Abril a política foi, por um curto período, dominada por militares que souberam fazer a tran...Ver Mais
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