"As minhas palavras têm memórias ____________das palavras com que me penso, e é sempre tenso _________o momento do mistério inquietante de me escrever"
segunda-feira, 14 de março de 2016
Ainda sobre Cristas, a nova líder do cds
CAFÉ CENTRAL
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A GRAÇA DA MARIA (CRISTAS) DA GRAÇA
Vamos por de lado a cobertura feita pela comunicação social dominante ao 26.º Congresso do CDS particularmente as televisões que, só para falar no horário nobre, todos os telejornais, e à mesma hora, deram larguíssimos minutos ao ex-partido dos reformados, dos contribuintes e dos idosos, às cristas e restante família. Vamos deixar de lado para em Dezembro fazermos uma comparação com o Congresso do PCP. E, não vale a pena dizer que ai e tal o CDS tem mais representantes no parlamento que o PCP. Tem porque apanhou boleia do PSD, senão deixaria de ser o partido do táxi, como já foi conhecido, para ser o partido do tuk-tuk.
São ao cabo e ao resto, não critérios jornalísticos, mas pura e dura sabujice.
A balelas tantas, a ti’Assunção disse uma (pretensa) piada: “Como me dizia há dias um militante de Setúbal, o que é moderno, jovem e irreverente é votar no CDS porque no PCP já os meus avós votavam".(1)
Dos jovens irreverentes do CDS cremos, que não será necessário falar, está à vista de todos e parece que se tornou moda apelidar a má educação betinha com irreverência, mas “prontos”, como se diz modernamente.
Quanto ao resto da frase do “tal” militante, ainda por cima de Setúbal, de duas, três: ou o militante é parvo; ou o “setubalense” é ignorante; ou é um jovem irreverente e estúpido.
A Cristas quis afirmar de forma petulante que o PCP é um partido velho e de velhos. Olhe que não, olhe que não!
O PCP vai a votos há tantos anos quanto o CDS, logo, neste particular, o CDS é tão velho quanto o PCP, e os avós do “militante” tanto podiam ter votado (livremente) num como no outro, exceptuando o caso em que os avós mais experientes, inteligentes e com consciência de classe, coisa básicas que pelos vistos o neto não tem.
Ao contrário do CDS e, diga-se em abono da verdade, de outros partidos, as televisões mostram a juventude ao invés do PCP que fazem gala em esconder a juventude mostrando os mais velhos entre o público, mas, se olharmos atentamente, quando focam (fugazmente) o palco podemos verificar que os quadros do partido que se encontram logo atrás de Jerónimo de Sousa são, muitas vezes, maioritariamente jovens.
O que o “militante” quis certamente dizer é que grande parte dos novos quadros e parlamentares do CDS/PP ainda cá não andavam aquando das primeiras eleições livres; que muitos deles tiveram acesso à escola pública graças ao 25 de Abril. O que a Cristas não disse, nem se espera que diga e o “setubalense” não a informou, é que graças essencialmente ao PCP (que durante muitos e muitos anos foi a única oposição organizada à ditadura, pagando com a vida dezenas de militantes seus) e aos jovens capitães de Abril, podem hoje, um e outro, dizerem as baboseiras que entenderem.
O que o “militante” esqueceu ou não sabe é que este “moderno” partido (CDS) foi formado por gente que “moderna e irreverentemente” saltou do salazarismo e do marcelismo para a democracia num piscar de olhos. Foi apenas o tempo de trocar um emblema por outro.
Depois, este partido “moderno”, “jovem” e “irreverente” teve durante 18 anos Paulo Portas como presidente, após ter atraiçoado Manuel Monteiro e, muitos submarinos e caso moderna (lá está) antes, ter iniciado a sua vida política na Juventude Social-Democrata, em 1975, tendo sido director-adjunto do seu jornal oficial, então designado «Pelo Socialismo» (1), o que é sempre jovem e altamente irreverente.
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