quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Texto do amigo Carlos Esperança, no Facebook



Carlos Esperança
13 min ·



A União Europeia (UE) a caminho do fim?

O projeto mais mobilizador do pós-guerra foi a utopia de uma comunidade económica, social, política e financeira, que despertou a esperança dos povos para uma democracia europeia onde a solidariedade e o desenvolvimento tivessem lugar.

Criou-se a moeda única, que exigia a federação dos Estados, e surgiram nacionalismos que dissolveram o sonho comum. Uma moeda não sobrevive sem Estado e a UE foi definhando com divergências geoestratégicas, competição fiscal e falta de integração, abrigada no guarda-chuva da Nato, com uma política externa errática. As contradições internas e a ausência de estratégia comum acabaram por transferir o poder das nações para burocratas sem legitimidade democrática nem sensibilidade política.


«Temos de criar um género de Estados Unidos da Europa», disse Churchill, em 19 de setembro de 1946, respondendo a uma pergunta na sequência da sua conferência, na Universidade de Zurique, quando já não era primeiro-ministro. Essa criação devia ter tido lugar, porventura de geometria alargada à Rússia e com objetivos diferentes, mas a União Europeia foi mais célere no apoio ao cerco à Rússia, com bases da Nato, do que na defesa dos seus países, agora asfixiados pelas dívidas soberanas.

A UE delinquiu na invasão do Iraque, sem que os autores sejam julgados pelo TPI, e foi cúmplice da destruição da Jugoslávia, do massacre da Sérvia, da deriva nacionalista da Hungria, Polónia e do que mais virá. O Reino Unido, perdido o império, hesitou sempre entre integrar a UE e acabar como 51.º estado dos EUA, arriscando-se, após secessão da Escócia e unificação da Irlanda, pelos republicanos do Sinn Féin, a ver ainda Edimburgo e Belfast a juntarem-se a Dublin, na União Europeia, antes do estertor desta.

A UE é complacente com a deriva autoritária e reislamização da Turquia, consentindo o massacre dos curdos e a disfarçada proteção ao Daesh, e hipoteca a civilização, tolhida pela súbita alteração étnica e cultural com que multidões de refugiados a atemorizam.

A Alemanha que procurou europeizar-se acabou a germanizar a Europa com os países a oscilarem entre direita e extrema-direita, sem alternativa e, em breve, sem alternância, à procura de modelos securitários, antes da desintegração, de novas ditaduras e, talvez, da loucura total de uma nova e derradeira guerra.

Não há pachorra para a arrogância de um ministro teutónico das Finanças a dizer como devem votar os países da União onde todos merecem ser iguais, pelo menos, no respeito mútuo e recíproco.

A UE ou se federaliza, e duvido da vontade dos seus povos, ou desaparecerá. O fim será cataclísmico.
Gosto
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