sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016



















Poema

VENTRE DA RAZÃO

…espelho imaginário por detrás dos muros-de-Mim…
…sempre à minha frente, isso sim!


Desnudo-me perante ti e descubro, no ventre da Razão,
um crescendo de palavras, inchadas de satisfação.

Original nudez linguística…
_____palavras… cavalos loucos a correrem
_______galopando sílabas e frases desgarradas como eu,
_________ nuas e cruas, sem sentido, sem nexo, mas
___________com mensagem a mostrar toda a coragem
_______________da minha emancipação, num poema
___________________estreitamente ligado ao nascer de um universo.

Persigo-as…toco-as…amo-as!
Perco mesmo a habitual calma
nesse mundo de todos os sentidos
que o léxico pôs ao meu dispor.

Emigro de letra em letra e de signo em signo,
na nudez interior da verdade lexemática
(enquanto o espelho do reverso-de-Mim
mostra que os anos das palavras,
não contam tanto assim…)

Verdade, verdade é que florescem livros
na vida das árvores…na morte das árvores…nas folhas
macias das árvores, aveludadas com os pelos das palavras…

No ventre da Razão os poemas nascem e crescem…
dão-se aos mundos, como quem estende as mãos
para dispersar perfumes, no tempo da floração…

Maria Elisa Ribeiro
NOV/015

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