A Parque Expo e os negócios nebulosos do CDS-PP
18/02/2016 por João Mendes 3 Comentários
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Encostado à esquerda na fotografia em cima está um homem bem encostado à direita. Trata-se de John Antunes, conselheiro nacional do CDS-PP, nomeado em 2011 por Assunção Cristas para presidir à Parque Expo, após ter integrado a comissão de honra da candidatura às Legislativas da mais que provável próxima líder do CDS-PP.
A tarefa de John Antunes era a de liquidar a empresa até ao final de 2013. Porém, e à imagem do governo que o incumbiu de tal missão, o centrista falhou a sua meta e o plano de liquidação não seria aprovado até Outubro de 2014. Desde então, a gestão do centrista gastou cerca de 700 mil euros em aquisição de bens e serviços, de um total de 3,9 milhões de euros desde Agosto de 2011, correspondentes a 103 contractos que, com a excepção de 16 concurso públicos, foram assinados na modalidade preferida do poder: ajuste directo. Para uma empresa a liquidar, convenhamos que dinheiro não parece faltar.
Regressando aos 700 mil euros gastos em menos de um ano e meio, já com o processo de liquidação aparentemente em marcha, um dos ajustes directos, no valor de 97,5 mil euros, foi adjudicado ao Banco Big, onde John Antunes exerceu funções. Mas a generosidade da gestão centrista da Parque Expo não esqueceu as suas verdadeiras raízes.
Em Maio de 2015, a empresa assinou um contrato por ajuste directo, no valor de 48 mil euros mais IVA, com a Nobre Guedes, Mota Soares & Associados, Sociedade de Advogados, RL, dos ex-ministros com o mesmo nome, sendo que o segundo exercia, à data, funções no governo de Pedro Passos Coelho. O prazo de execução era de apenas dois meses.
Meses depois, em Dezembro, a Parque Expo volta a contratar os serviços do escritório de Nobre Guedes e Mota Soares, uma vez mais por ajuste directo, ainda que com um prazo de execução mais curto, de apenas um mês. Mas a factura, essa, foi ligeiramente superior: 50 mil euros. No total, se juntarmos um contrato com a Parque Escolar, datado de Junho de 2013, no valor de 195 mil euros, Mota Soares obteve contractos na casa dos 300 mil euros enquanto exerceu funções de ministro. E isto apenas considerando empresas públicas. Conflito de interesses? Nada disso, não sejas esquerdalho.
Três meses de trabalho, 98 mil euros. Para um ministro do partido minoritário nem está muito mau. No meu concelho, a mesma pessoa, com três empresas diferentes, conseguiu três ajustes directos praticamente para a mesma coisa e levou para casa quase 150 mil euros mais IVA. Aqui na Trofa, o que há mais é dinheiro para ajustes directos: três milhões de euros em pouco mais de dois anos de mandato do executivo PSD/CDS-PP.
Lembre-se de casos como este, que passaram surpreendentemente despercebidos numa imprensa sempre tão dedicada aos juros da dívida e aos conselhos do Costa. Lembrem-se naqueles dias em que a senhora Cristas ou o senhor Mota Soares nos brindarem com lições de seriedadeou nos tratarem como moços pequenos. Há umas semanas, Assunção Cristas, sempre muito activa desde que começou a sua caminhada para a sucessão do irrevogável, dizia-nos que o OE16 era uma ficção digna de um Óscar. Este filme de amigos e ajustes directos não tem potencial para ser premiado mas dava uma óptima versão foleira de um conhecido filme de gangsters: os Goodfellas Capelo Rego.
Foto@António Cotrim/Lusa@Bom dia Luxemburgo
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