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11 h ·
Quando o autoritarismo e prepotência do pensamento único ousa chamar-se.... "democracia"...

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4/2 às 18:43 ·
As responsabilidades e extremismos de Manfred Weber
(António José Teixeira, in Expresso Diário, 04/02/2016)
Manfred Weber, o líder do Partido Popular Europeu, apareceu ontem no Parlamento Europeu muito preocupado com Portugal e Espanha. O debate era sobre o Reino Unido, cuja situação de exceção se vai alargando na União Europeia. Não seriam as questões orçamentais de Portugal que o inquietavam, mas a possibilidade de Espanha vir a ter um governo "à portuguesa", um governo socialista minoritário, apoiado por partidos à sua esquerda. À letra, Weber discursou sobre o perigo dos extremismos. Portugal e Espanha estariam a ceder a forças extremistas não democráticas. E isso devia fazer com que todos os democratas assumam as suas responsabilidades nacionais e europeias. Não disse a que responsabilidades se referia.
Weber representa uma família política maioritária na Europa, convencida de que existe um único caminho político e económico de futuro. Tolera e convive bem com populistas e xenófobos, sejam franceses ou holandeses, com desvios totalitários na Polónia e na Hungria, mas é de Portugal que vem o perigo para a democracia. Pouco importa se a separação de poderes e as liberdades de expressão e comunicação já tenham sido postas em causa, efetivamente e com letra de lei, em Estados-membros da União Europeia. O que importa é se, em democracia plena, outros Estados-membros tenham encontrado soluções de governo que não agradam à nomenclatura que lidera a Europa. O remoque a Portugal visava a Espanha, ainda à procura de solução governativa. A ideia de que o PSOE possa formar governo com apoios de forças nacionalistas e esquerdistas e de que os países do sul possam acentuar as divergências com as políticas económicas vigentes é vista com repulsa, mais do que com preocupação. Os avisos à navegação revelam insegurança e são ao mesmo tempo um sinal de ameaça.
Weber e seus pares não percebem que à cabeça de Portugal e de Espanha têm sempre estado democratas e europeístas
Boa parte dos grandes partidos europeus, nomeadamente aqueles que alicerçaram o projeto comunitário (democratas-cristãos e sociais-democratas ou socialistas), não perceberam ainda a frustração e revolta que vai abrindo espaço a todo o tipo de derivas, umas democráticas e outras claramente antidemocráticas. São demasiadas as evidências. O peso do populismo xenófobo em França e nos países do norte, os nacionalismos com marcas totalitárias no leste, o crescimento do sentimento antieuropeu, os muros que se levantam à livre circulação, o regresso a matrizes ideológicas mais fechadas como aconteceu no Partido Trabalhista britânico, o aparecimento de novos partidos radicais (radical não é necessariamente pejorativo), são a consequência de uma Europa cativa da globalização financeira, que perdeu convicção política no seu projeto e que só a insegurança e o medo evitam a sua desintegração.
Manfred Weber e seus pares não percebem que à cabeça de Portugal e de Espanha têm sempre estado democratas e europeístas, mesmo que discordemos de muitas das suas escolhas, ao contrário de vários dirigentes de países europeus, que atentam contra direitos fundamentais sem que inquietem a nomenclatura. A razão da tolerância é simples: estão unidos naquilo que se tornou fundamental: a política financeira que, tragicamente, nos vai desregulando e depauperando…
Talvez as responsabilidades nacionais e europeias a que Weber se referia tenham a ver, no imediato, com o destino do Orçamento do Estado português a sentenciar amanhã em Bruxelas.
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