durante três anos, por maquinações as mais estapafúrdias e as mais culposas.Acuso o general Mercier de ter se tornado cúmplice, ainda que por franqueza
de caráter, de uma das maiores iniqüidades do século. 216
Acuso o general Billot de ter tido entre as mãos as provas indubitáveis da
inocência de Dreyfus e de tê-las ocultado, tornando-se, pois, culpado de crime de
lesa-humanidade e lesa–justiça, por motivos políticos e para livrar um Estado-Maior
comprometido.
Acuso o general de Boisdeffre e o general Gonse de tornarem-se cúmplices
do mesmo crime, um sem dúvida por paixão clerical, o outro por esse
corporativismo que faz do Ministério da Guerra uma arca santa inatacável.
Acuso o general de Pellieux e o comandante Ravary de terem feito uma
investigação criminosa, um inquérito da mais monstruosa parcialidade e do qual
temos, no relatório do segundo, um monumento perene da mais ingênua audácia.
Acuso os três especialistas sem grafologia, os senhores Belhomme, Varinard
e Couard de terem emitido pareceres mentirosos e fraudulentos, a menos que um
laudo médico os declare tomados por alguma patologia da vista e do juízo.
Acuso o Ministério da Guerra de ter promovido na imprensa, particularmente
no L’éclair e no L’Écho de Paris, uma campanha abominável, para manipular a
opinião pública e acobertar sua falha.
Acuso por fim o primeiro Conselho de Guerra de ter violado o direito,
condenando um acusado com base em um documento secreto, e acuso o segundo
Conselho de Guerra de ter encoberto essa ilegalidade, por ter recebido ordens,
cometendo por sua vez o crime jurídico de absolver conscientemente um culpado.
Fazendo essas acusações, não ignoro enquadrar-me nos artigos 30 e 31 da
lei de imprensa de 29 de julho de 1881, que pune os delitos de difamação. E é
voluntariamente que eu me exponho.
Quanto às pessoas que eu acuso, não as conheço, nunca as vi, não nutro
por elas nem rancor nem ódio. Não passam para mim de entidades, de espíritos da
malevolência social. O ato que aqui realizo não é nada além de uma ação
revolucionária para apressar a explosão de verdade e justiça.
Não tenho mais que uma paixão, uma paixão pela verdade, em nome da
humanidade que tanto sofreu e que tem direito à felicidade. Meu protesto inflamado
nada mais é que o grito da minha alma. Que ousem, portanto levar–me perante ao
tribunal do júri e que o inquérito se dê à luz do dia!
É o que espero.
Receba, senhor Presidente, minhas manifestações de mais profundo
respeito."

UNIR todo o concelho de ALCOBAÇA: 8.806.(29set2014.7.17') Émile Zola
UNIRALCOBACA.BLOGSPOT.COM|DE ROGÉRIO MANUEL MADEIRA RAIMUNDO
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