quarta-feira, 23 de junho de 2021

FELIZ DIA, meus amigos!


 

POEMA

 POEMA:

VOZES DO SILÊNCIO
Ouço tantas vozes no meu silêncio…
…vozes dos ventos que fustigam as árvores
e vozes dos rios apressados
a deslizarem para o mar
dos largos oceanos,
retalhados por velas lusitanas…
…e vozes do mar, que se apressa a juntar oceanos
em palavras de saudade e de dor,
desvendadas pelo poema
que se apresenta na crista das ondas alteradas, com fulgor.
Fora das vozes do meu silêncio, chega uma nova noite
cheia de rumores, de sussurros abafados e de murmúrios abraçados
à luz da estrela da noite…
O vento bate forte na vida do bosque,
onde deixa impressas palavras insurretas, de revoluções do amor…
Maria Elisa Ribeiro
Maio/017
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terça-feira, 22 de junho de 2021

De Miguel Esteves Cardoso(a ler...)

 De Miguel Esteves Cardoso, in NET-O Citador

O Engraxanço e o Culambismo Português
Noto com desagrado que se tem desenvolvido muito em Portugal uma modalidade desportiva que julgara ter caído em desuso depois da revolução de Abril. Situa-se na área da ginástica corporal e envolve complexos exercícios contorcionistas em que cada jogador procura, por todos os meios ao seu alcance, correr e prostrar-se de forma a lamber o cu de um jogador mais poderoso do que ele.
Este cu pode ser o cu de um superior hierárquico, de um ministro, de um agente da polícia ou de um artista. O objectivo do jogo é identificá-los, lambê-los e recolher os respectivos prémios. Os prémios podem ser em dinheiro, em promoção profissional ou em permuta. À medida que vai lambendo os cus, vai ascendendo ou descendendo na hierarquia.
Antes do 25 de Abril esta modalidade era mais rudimentar. Era praticada por amadores, muitos em idade escolar, e conhecida prosaicamente como «engraxanço». Os chefes de repartição engraxavam os chefes de serviço, os alunos engraxavam os professores,os jornalistas engraxavam os ministros, as donas de casa engraxavam os médicos da caixa, etc... Mesmo assim, eram raros os portugueses com feitio para passar graxa. Havia poucos engraxadores. Diga-se porém, em abono da verdade, que os poucos que havia engraxavam imenso.
Nesse tempo, «engraxar» era uma actividade socialmente menosprezada. O menino que engraxasse a professora tinha de enfrentar depois o escárnio da turma. O colunista que tecesse um grande elogio ao Presidente do Conselho era ostracizado pelos colegas.Ninguém gostava de um engraxador.
Hoje tudo isso mudou. O engraxanço evoluiu ao ponto de tornar-se irreconhecível. Foi-se subindo na escala de subserviência, dos sapatos até ao cu. O engraxador foi promovido a lambe-botas e o lambe-botas a lambe-cu. Não é preciso realçar a diferença, em termos de subordinação hierárquica e flexibilidade de movimentos, entre engraxar uns sapatos e lamber um cu. Para fazer face à crescente popularidade do desporto, importaram-se dos Estados Unidos, campeão do mundo na modalidade, as regras e os estatutos da American Federation of Ass-licking and Brown-nosing.Os praticantes portugueses puderam assim esquecer os tempos amadores do engraxanço e aperfeiçoarem-se no desenvolvimento profissional do Culambismo.
(...) Tudo isto teria graça se os culambistas portugueses fossem tão mal tratados e sucedidos como os engraxadores de outrora. O pior é que a nossa sociedade não só aceita o culambismo como forma prática de subir na vida, como começa a exigi-lo como habilitação profissional. O culambismo compensa. Sobreviver sem um mínimo de conhecimentos de culambismo é hoje tão difícil como vencer na vida sem saber falar inglês.
Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'
Pode ser uma imagem de 1 pessoa, óculos graduados e texto que diz "Maria João Esteves Cardoso"
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Boa Tarde, amigos!


 

BBC

 


Down's syndrome: Abortion case heads to High Court

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Texto de Eça de Queirós, in Net

 





O Que Verdadeiramente Mata Portugal

O que verdadeiramente nos mata, o que torna esta conjuntura inquietadora, cheia de angústia, estrelada de luzes negras, quase lutuosa, é a desconfiança. O povo, simples e bom, não confia nos homens que hoje tão espectaculosamente estão meneando a púrpura de ministros; os ministros não confiam no parlamento, apesar de o trazerem amaciado, acalentado com todas as doces cantigas de empregos, rendosas conezias, pingues sinecuras; os eleitores não confiam nos seus mandatários, porque lhes bradam em vão: «Sede honrados», e vêem-nos apesar disso adormecidos no seio ministerial; os homens da oposição não confiam uns nos outros e vão para o ataque, deitando uns aos outros, combatentes amigos, um turvo olhar de ameaça. Esta desconfiança perpétua leva à confusão e à indiferença. O estado de expectativa e de demora cansa os espíritos. Não se pressentem soluções nem resultados definitivos: grandes torneios de palavras, discussões aparatosas e sonoras; o país, vendo os mesmos homens pisarem o solo político, os mesmos ameaços de fisco, a mesma gradativa decadência. A política, sem actos, sem factos, sem resultados, é estéril e adormecedora.

Quando numa crise se protraem as discussões, as análises reflectidas, as lentas cogitações, o povo não tem garantias de melhoramento nem o país esperanças de salvação. Nós não somos impacientes. Sabemos que o nosso estado financeiro não se resolve em bem da pátria no espaço de quarenta horas. Sabemos que um deficit arreigado, inoculado, que é um vício nacional, que foi criado em muitos anos, só em muitos anos será destruído.

O que nos magoa é ver que só há energia e actividade para aqueles actos que nos vão empobrecer e aniquilar; que só há repouso, moleza, sono beatífico, para aquelas medidas fecundas que podiam vir adoçar a aspereza do caminho.
Trata-se de votar impostos? Todo o mundo se agita, os governos preparam relatórios longos, eruditos e de aprimorada forma; os seus áulicos afiam a lâmina reluzente da sua argumentação para cortar os obstáculos eriçados: as maiorias dispõem-se em concílios para jurar a uniformidade servil do voto. Trata-se dum projecto de reforma económica, duma despesa a eliminar, dum bom melhoramento a consolidar? Começam as discussões, crescendo em sonoridade e em lentidão, começam as argumentações arrastadas, frouxas, que se estendem por meses, que se prendem a todo o incidente e a toda a sorte de explicação frívola, e duram assim uma eternidade ministerial, imensas e diáfanas.

O país, que tem visto mil vezes a repetição desta dolorosa comédia, está cansado: o poder anda num certo grupo de homens privilegiados, que investiram aquele sacerdócio e que a ninguém mais cedem as insígnias e o segredo dos oráculos. Repetimos as palavras que há pouco Ricasoli dizia no parlamento italiano: «A pátria está fatigada de discussões estéreis, da fraqueza dos governos, da perpétua mudança de pessoas e de programas novos.»


Eça de Queirós, in 'Distrito de Évora'

Da Euronews...

 

Com uma abstenção histórica, o centro-direita foi o grande vencedor. O partido de Marine Le Pen pode conseguir uma região.

Da EURONEWS

 Detalhes discutidos na cimeira dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 no Luxemburgo.

Saudação

 Boa tarde, meus amigos!


domingo, 20 de junho de 2021

POEMA

 LUAR

Acordo no ventre vazio da noite que penetrou o corpo
fechado da montanha, ao abrir brechas de luz na vida
da sua estranha solidão.
(Misteriosa voz canta um riso lúgubre de esvaído luar
Na quase névoa que turva o azul do ar… )
Minha-voz-de-ter-nascido, sem berço para se abrigar,
pergunta às águas do mar onde encontrarei abrigo para
contigo ficar.
(Fugirei sempre de MIM! )
Não quero névoas escuras para prosseguir
no silêncio deste Existir-sem-SER.
Despontam estrelas! Escrevo! Vejo-Me no dentro da noite-
-no-Dentro-de-MIM
nas alturas conjuntas das palavras
que viajam por oníricos firmamentos.
Segue a Poesia
o rasto da vida do sol
no meio dos astros sorridentes…
Há incêndios nas mensagens de aparições-em-mim…
Ardem imagens poéticas em conjugações de atracção dos princípios de qualquer fim…
Um riso de esvaído luar ilumina meu dentro-a-AMAR.
Maria Elisa Ribeiro
AGT/018
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Susana Duarte, Afraates Júnior e 24 outras pessoas
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