quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Do nosso escritor Vergílio Ferreira



O Existencialismo em Vergílio Ferreira. (Texto do autor in Net)

O Existencialista
Dostoievski escreveu: «Se Deus não existisse, tudo seria permitido». Aí se situa o ponto de partida do existencialismo. Com efeito, tudo é permitido se Deus não existe , fica o homem, por conseguinte , abandonado, já que não encontra em si, nem fora de si, uma possibilidade a que se apegue. Antes de mais nada, não há desculpas para ele. Se, com efeito, a existência precede a essência, não será nunca possível referir uma explicação a uma natureza humana dada e imutável; por outras palavras, não há determinismo, o homem é livre, o homem é liberdade. Se, por outro lado, Deus não existe, não encontramos diante de nós valores ou imposições que nos legitimem o comportamento. Assim, não temos nem atrás de nós, nem diante de nós, no domínio luminoso dos valores, justificações ou desculpas. Estamos sós e sem desculpas. É o que traduzirei dizendo que o homem está condenado a ser livre. Condenado, porque não se criou a si próprio; e no entanto livre, porque uma vez lançado ao mundo, é responsável por tudo quanto fizer. O existencialista não crê na força da paixão. Não pensará nunca que uma bela paixão é uma torrente devastadora que conduz fatalmente o homem a certos actos e que por conseguinte, tal paixão é uma desculpa. Pensa, sim, que o homem é responsável por essa sua paixão.


O existencialista não pensará também que o homem pode encontrar auxílio num sinal dado sobre a terra, e que o há-de orientar; porque pensa que o homem decifra ele mesmo esse sinal como lhe aprouver. Pensa portanto que o homem, sem qualquer apoio e sem qualquer auxílio, está condenado a cada instante a inventar o homem. Disse Ponge num belo artigo: «O homem é o futuro do homem.» É perfeitamente exacto. Somente, se se entende por isso que tal futuro está inscrito no céu, que Deus o vê, nesse caso é um erro, até porque nem isso seria um futuro. Mas se se entender por isso que, seja qual for o homem, tem um futuro virgem que o espera, então essa frase está certa.

Vergílio Ferreira, in 'O Existencialismo é um Humanismo'

Do nosso Filósofo Eduardo Lourenço



De Eduardo Lourenço:

"Na verdade, não temos saudades, é a saudade que nos tem, que faz de nós o seu objecto. Imersos nela, tornamo-nos outros. Todo o nosso ser ancorado no presente fica, de súbito, ausente."

(Mitologia da Saudade)


Eduardo Lourenço

Do nosso Filósofo Agostinho da Silva



De Agostinho da Silva (1906-1994), in Net

"Ser Diferente
A única salvação do que é diferente é ser diferente até o fim, com todo o valor, todo o vigor e toda a rija impassibilidade; tomar as atitudes que ninguém toma e usar os meios de que ninguém usa; não ceder a pressões, nem aos afagos, nem às ternuras, nem aos rancores; ser ele; não quebrar as leis eternas, as não-escritas, ante a lei passageira ou os caprichos do momento; no fim de todas as batalhas — batalhas para os outros, não para ele, que as percebe — há-de provocar o respeito e dominar as lembranças; teve a coragem de ser cão entre as ovelhas; nunca baliu; e elas um dia hão-de reconhecer que foi ele o mais forte e as soube em qualquer tempo defender dos ataques dos lobos. "


Agostinho da Silva, in 'Diário de Alcestes'

De Florbela Espanca...



Poema de Florbela Espanca (1894-1930), in Net

A Vida
É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo e o sentimento...
Lançar um grande amor aos pés d'alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!


Todos somos no mundo "Pedro Sem",
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo donde vem!

A mais nobre ilusão morre... desfaz-se...
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida...

Amar-te a vida inteira eu não podia...
A gente esquece sempre o bem dum dia.
Que queres, ó meu Amor, se é isto a Vida!...

Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Do Blog AVENTAR...


PSD: o denominador comum da fraude bancária em Portugal
27/12/2015 por João Mendes 4 Comentários

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Existe uma relação de promiscuidade entre parte significativa da nata do PSD e a banca falida. Uma relação tão íntima que permite que alguns dos mais altos quadros do partido estejam em todos os actos de criminalidade legal que envolva bancos, paraísos fiscais e dinheiro dos contribuintes. Muito dinheiro dos contribuintes.

A regra é serem todos imunes à justiça. Como se esta não existisse. Por vezes, quando a ira temporária dos plebeus assume uma dimensão passível de incomodar de forma leve a elite que nos comanda, simulam-se processos que, no limite, levam a prisões domiciliárias temporárias de muito curto prazo. Anunciam-se comissões de inquérito inconsequentes. Permite-se que uns quantos comentadores trucidem uns quantos gangsters da alta finança na praça pública. Males menores. No final do dia, o pior que pode acontecer é ter que pagar uma fiança. Os bens, esses, há muito que foram passando para o nome da esposa, do marido, do filho ou do primo. Parece fácil e na verdade é mesmo.

Foi assim com o BPN, um banco feito e destruído pela fina flor cavaquista. A cara de pau do regime é tal que o presidente Cavaco Silva,cuja comissão de honra na corrida ao segundo mandato em Belém mais parecia o conselho de administração da SLN, fez das tripas coração para proteger Dias Loureiro no Conselho de Estado, ao passo que o ex-primeiro-ministro Passos Coelho não poupou nos elogios daquele que chegou mesmo a ser seu conselheiro, não se tendo inibido de recrutar antigos quadros desta fraude para reforçar a sua equipa governativa.



Foi assim com o BES, o banco comandado por Ricardo Salgado que financiou campanhas a Cavaco (o clã Espírito Santo foi mesmo o principal financiador da campanha que daria ao ainda presidente da República o seu primeiro mandato), que passou férias com Marcelo, o comentador-sol que nos ia garantindo que a banca estava segura e blindada e que, coincidentemente, namora com uma antiga administradora não-executiva do BES, que conseguiu financiamento do Goldman Sachsatravés de José Luís Arnaut, que teve em Durão Barroso um “canhão” para tentar evitar o inevitável e cujo conselho de administração até queria pôr o Moedas a funcionar, fosse lá isso o que fosse. E se é verdade que não faltaram altas figuras socialistas a ser convidadas para os mais altos cargos do banco, a verdade é que o PSD lidera, de longe, a lista de partido que mais ex-ministros e secretários de Estado viu serem integrados no topo da gestão do universo GES. Escusado será dizer que ninguém viu nada.



Foi assim com o Banif, o banco que financiou, durante décadas, o regabofe jardinista, repleto de social-democratas nas suas estruturas dirigentes. O despudor é tamanho que Cavaco Silva teve a cara de pau de condecorar Alberto João Jardim no pico da crise Banif, apelidando de patriota um dos maiores separatistas deste país. Algo que, sejamos sérios, não tem comparação com a postura negligente, oportunista e eleitoralista do governo liderado por Pedro Passos Coelho, que ciente do problema optou por mascarar e adiar o inevitável, varrendo o entulho para debaixo do tapete para nos poder vender o embuste da saída limpa.



Eles estão em todas e Cavaco Silva, mais do que qualquer outro, é o verdadeiro denominador comum. Ninguém bate os seus moralistas quando chega a hora de apontar dedos pelas sucessivas catástrofes financeiras que os nossos impostos vão financiando mas, quando o tema é a banca, assobiam todos para o lado e não é nada com eles. Imaginem se fosse.

Boa noite, amigos de Lusibero!





Sobre as "presidenciais"In "Jornal de Notícias"






Marcelo considera "um escândalo" campanhas de centenas de milhares de euros
Ontem
O candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa considerou, esta segunda-feira, que "é um escândalo" em período de crise gastar-se centenas de milhares ou milhões de euros numa campanha, e defendeu que poderia ter apresentado um orçamento ainda mais baixo.


GERARDO SANTOS / GLOBAL IMAGENS
Marcelo Rebelo de Sousa, esta tarde, na inauguração da sede de candidatura







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MARCELO REBELO DE SOUSA
PRESIDENCIAIS 2016


"É aquilo que eu sempre pensei, que as campanhas eleitorais devem ser muito mais modestas em termos de recursos financeiros, e então em período de crise é um escândalo estar a falar em centenas de milhares de euros, ou em milhões de euros, quando as pessoas estão com as dificuldades no dia a dia, na sua saúde, na segurança social, nas despesas básicas da vida", afirmou.
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Em resposta aos jornalistas, durante a inauguração da sua sede de campanha, junto ao Palácio de Belém, em Lisboa, o antigo presidente do PSD e ex-comentador político da TVI recusou qualquer relação entre o orçamento que apresentou, de cerca 157 mil euros, e a sua notoriedade.

"Eu conheço muitos candidatos com notoriedade muito elevada que, no entanto, tiveram campanhas dispendiosas ao longo da vida, quer em campanhas legislativas, quer em campanhas presidenciais. E eram muito conhecidos, muito, muito conhecidos - tinham décadas de experiência política e de notoriedade pública e de exercício de cargos públicos", apontou.

Sem nomear ninguém, Marcelo Rebelo de Sousa disse que esses candidatos, apesar da notoriedade que já tinham, "não deixaram de fazer campanhas naquela altura com valores muito superiores", e acrescentou: "Tratava-se, na altura, de contos de réis, e não de euros, e de campanhas muito caras, nada comparáveis com aquilo de que estamos a falar hoje".

"Se eu pudesse voltar atrás em termos de orçamento, teria apresentado ainda um mais baixo", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa. "Porquê? Por uma questão de princípio".

Segundo o antigo presidente do PSD, as despesas estimadas com "o digital" poderão ser excessivas.
LER ARTIGO COMPLETO

Sobre esse ENIGMA literário que dá pelo nome de Maria Gabriela Llansol



Gosto de ler Maria Gabriela Llansol. Gosto de tentar compreender os seus textos enigmáticos, difíceis. Não a compreendo, não a sei interpretar, mas continuo. Quando os estudiosos destas coisas derem por ELA, sei que terão encontrado um enigma superior ao de Pessoa.
Fui pesquisar na Net, como faço amiúde, nos momentos em que a quero SABER e encontrei este texto em www.revistazunai.com/ensaios, que não resisto a dar a conhecer aos leitores que, como eu, se interessem por este ENIGMA.


..."A escrita, como pensamento de escrita, vislumbra um lugar de futuro, um lugar onde o livro, como um projeto, projeta um sonho, um espaço porvir para uma comunidade imaginária, onde o EU fala sempre em conjunto com outras vozes autorais, já pronunciadas no ciclo dos tempos. Se Fernando Pessoa, Aossê, inventou, como projeto literário, uma multiplicidade de vozes onde a sua própria seria uma a mais dentre todas as outras, Llansol percebeu que:

Afinal, tem todo o livro na cabeça, observou Elvira.

Não, ele está no texto, escrito em folha A4. Eu vejo em folhas A4 como a Elvira vê em fotografias. Bach, por exemplo, via nas suas partituras dispersas.

E Aossê? Perguntou. Via nos planos dos livros futuros, respondi-lhe.
Eu vou vendo o que o texto quer dizer, alterando a ordem cronológica das folhas, por vezes, escritas com muitos anos de diferença, relacionando e desrelacionando extractos e fragmentos, tentando perceber os seus diversos tons de voz porque o texto não tem uma maneira única de se dizer,
está todo escrito, mas precisa de ser montado.

Mas Aossê nunca conseguiu montar os seus textos, observou Elvira.

Sim, tenho-me interrogado muito sobre isso. Aossê compreendeu que o texto tem várias vozes; aliás, se assim não fosse, não haveria vários futuros possíveis, mas creio que interpretou mal o silêncio do texto; na realidade, no momento da montagem, ele não se cala, pura e simplesmente torna-se inaudível;

no momento em que, ao que tudo indica, mais precisaríamos que uma única voz se fizesse ouvir, quando temos de lhe dar corpo, de tomar as nossas decisões de escreventes, ele silencia-se,

quer ser ouvido com rigor,
compreendido exactamente no seu pensar,
que seja eximiamente preenchida a distância que o separa dos humanos, que a montagem não deixe quaisquer dúvidas sobre a fulgurância do seu movimento,

e quer que seja o humano a fazê-lo
(porque) só este tem, momentaneamente, uma única voz,
o sexo de ler que se vai gerando no escrevente, um ou vários,
sem vergonha de virmos a ser o que não fomos,
e coloquei a minha mão sobre ela,
Elvira. (LLANSOL, 2000, pp. 265-266)."

De novo, este texto podia continuar aqui, assim, podia continuar perguntando:– Para onde vais, drama-poesia?


Ataque fez pelo menos 21 mortos e 63 feridos




REUTERS/KHURAM PARVEZ

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Ataque foi perpetrado por um bombista suicida que conduzia uma motorizada carregada de explosivos

Pelo menos 21 pessoas morreram e 63 ficaram feridas no atentado cometido hoje contra uma dependência da administração pública em Mardan, no noroeste do Paquistão, segundo fontes policiais e médicas citadas por agências internacionais.

O ataque foi perpetrado por um bombista suicida que conduziu a motorizada carregada de explosivos contra as instalações da Autoridade Nacional de Bases de Dados e Registo, responsável pela emissão dos cartões de identificação, precisou um porta-voz da polícia local, Faisal Shahzad.

Segundo um porta-voz da polícia provincial, Fazal Khan, "um grande número de pessoas estava no local no momento da explosão".

O ataque foi reivindicado pelos talibãs do Paquistão, Tehreek-e-Taliban, numa mensagem de correio eletrónico enviada para a agência France Presse.

O Paquistão enfrenta há uma década uma insurgência de grupos radicais, sobretudo nas zonas ocidentais do país, junto à fronteira com o Afeganistão.

Mais de 27.000 civis e militares foram mortos em atentados, mas em 2015 o número de vítimas foi o mais baixo da década, o que é atribuído a uma série de operações militares contra os talibãs e grupos aliados.

DECLADO O FIM DA EPIDEMIA DO "ÉBOLA", na GUINÉ -CONACRI


Declarado o fim da epidemia de Ébola na Guiné-Conacri




EPA/AHMED JALLANZO

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A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou hoje que a Guiné-Conacri erradicou o vírus do Ébola ao fim de dois anos marcados pela epidemia que provocou milhares de mortos em África.

"Hoje, a OMS declara o fim da transmissão do vírus Ébola na República da Guiné (Guiné-Conacri)", anunciou a agência das Nações Unidas através de comunicado.

Segundo a OMS, o país vai agora "entrar num período de alta vigilância", que se vai prolongar durante os próximos 90 dias, no sentido de detetar de forma eficaz eventuais novos casos de Ébola.

O anúncio é encarado de forma marcante pela Guiné-Conacri, um dos países mais pobres do mundo, onde foi detetado o "paciente zero" em dezembro de 2013.

Emile Ouamouno, uma criança da Guiné Conacri, foi a primeira vítima do surto da epidemia de Ébola registada há dois anos e que se alastrou a outros países da costa ocidental africana.

A declaração da OMS ocorre 42 após ter sido anunciado que o segundo teste efetuado ao último paciente afetado pelo vírus, na Guiné-Conacri, estava livre de perigo.

Os outros dois países da África Ocidental, seriamente afetados pela epidemia desde 2013 -- Serra Leoa e Libéria - já declararam que a epidemia foi erradicada.

Cheias, de novo, em Albufeira- Portugal!



ÚLTIMA HORA!
Albufeira ficou inundada no dia 1 de novembro.

‪#‎CMaominuto‬ ‪#‎Albufeira‬ ‪#‎cheias‬



Cheias regressam ao centro de Albufeira
CMJORNAL.XL.PT

A "NÓS" paga ao Sporting 550 milhões de Euros, pela transmissão dos seus jogos!



ÚLTIMA HORA!
Clube quer vender os direitos televisivos.

‪#‎CMaominuto‬ ‪#‎Sporting‬ ‪#‎NOS‬



Sporting em negociações avançadas com a NOS
CMJORNAL.XL.PT

Capa de "Correio da Manhã": e continuam a morrer os doentes, nos hospitais, por falta de médicos especialistas, em Portugal!



Veja a primeira página do Correio da Manhã desta terça-feira.

‪#‎CMjornal‬



Capa do Correio da Manhã (29/12/2015)
CMJORNAL.XL.PT

CApa de "Público": portas não se recandidata a "comandar" as tropas do CDS!

Terça-feira, 29 de Dezembro de 2015
Governo vai começar a reintegrar funcionários que iam ser despedidos
Portas anuncia saída da liderança do CDS e abre disputa interna à sucessão
Nem com a ajuda da TV os ‘grandes’ vão segurar os craques

Bom dia, amigos de Lusibero!


De Ralph Waldo Emerson



De Ralph Emerson (1803-1882), in O Citador

"Insiste Em Ti Mesmo
Insiste em ti mesmo; nunca imites. A todo o momento, podes exibir o teu próprio dom com a força cumulativa de toda uma vida de estudo; mas do talento imitado de outro tens apenas posse parcial e momentânea. Aquilo que cada um sabe fazer de melhor só pode ser ensinado por quem o faz. Ninguém sabe ainda o que seja, nem o pode saber, enquanto essa pessoa não o demonstrar. Onde está o mestre que pudesse ter ensinadoShakespeare? Onde está o mestre que pudesse ter instruído Franklin, ou Washington, ou Bacon, ou Newton? Todo o grande homem é único."


Ralph Waldo Emerson, in "Essays"

De Alberto Caeiro...



Poema de Alberto Caeiro(Heterónimo de Pessoa), in O Citador

Não me Importo com as Rimas

Não me importo com as rimas. Raras vezes
Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.
Penso e escrevo como as flores têm cor
Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me
Porque me falta a simplicidade divina
De ser todo só o meu exterior
Olho e comovo-me,
Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado,
E a minha poesia é natural corno o levantar-se vento...


Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XIV"
Heterónimo de Fernando Pessoa