terça-feira, 30 de novembro de 2010

NOVO CANTO




…plantação arrojada
fruto da floresta-vida…
reabro…


…arara ferida
que salta de ramo em ramo
na consagração querida…


…sôfrega, quero mais…
… algo que ponha a alma que tenho
à espera do que não tenho…


…sonâmbula da felicidade,
acordo e num repente
o PRESENTE perdeu o PASSADO
na idade tenra…
…tempo da doce verdade…

…canto o choro das montanhas desbotadas,
…dos rios de águas paradas,
poluídas…excrementadas…
Grito os aços que ferem
…que querem, sempre , doer,
em cada AMANHECER!

…tendão dos Sonhos…
…calcanhar de factos medonhos!
Ancianidade da VERDADE reposta em MIM…
…lamento não ser um SIM…


…muralha frágil,
caí das alturas prováveis do amor,
crente da DOR do SENTIR
a mentira que não dou…

Explodi meu fogo na lava dos vulcões.

Por fim…
… canto a música de pianos enlouquecidos
de sentimentos vividos, dedos feridos…
e_____________ desabrocho para a VIDA______________
que não rebenta em mim,
no prazer da hora de SER –MULHER_____________!

Então, ACONTEÇO na origem do COSMOS_________
______________embrião a ressuscitar do RENASCER___________

…quero a VERDADE do SER,
que transfigura a fissura do meu NÃO-SER!

C9I- NOV/010

POEMA: VIVO ILUSÕES...


VIVO ILUSÕES…



Some-se o TEMPO na noite que passa
Devagar,
Desiludida de MIM
Que não ouso ACREDITAR…

Atravessa, (ele), a ponte da minha desilusão…

Espera-me (ele) no meio da sensação
De PERDIDA que marca, hoje, minha VIDA.

Falta-me um toque de mãos,
Um beijo diferente…
Um aperto no coração
Lembra teu olhar distante…

E o sino da minha igreja interior
Continua o seu tocar a rebate…
Acorda-ma na melancolia
Do nascer um novo dia…

POETISO a sensação de vazio…
Engano-me na ilusão…
Minto-me para além do desvario…
A dor é uma excepção…

E sinto nos pés
A estrada que ainda não percorri…
Anseio por encontrá-la
No cruzamento místico de TI, COMIGO…

VIVO ILUSÕES…

Meu DEUS…que VIDA pequena me propões!
Não tenho TEMPO de encontrar meu caminho…
Estou sozinha na vontade de superar o mero SONHO
Que me mantém afastada do AMOR,
Que-confio! - há-de, por fim, aparecer!

Barco sem rumo…
…à volta, tudo é fumo, nevoeiro denso, intenso…
Estou dentro de tormentos…
…de vagas alterosas dos meus sentimentos!

No Horizonte, vislumbro
Um vulto cavalgante…
…meu “SEBASTIÃO” da HISTÓRIA?

Volto ao cais…
Abraço tua miragem…entre os demais…
…sem a certeza desse encontro de mortais…

VIVO TRISTES ILUSÕES…

C9I-56(mqc)- NOV/010

segunda-feira, 29 de novembro de 2010


APOGEU



Apogeu da minha eternidade
escorre em tom de pérolas doiradas
pela face…
essa estrada,sulcada,
não explorada
de MIM…

Gotas de oiro sagradas…
Tenho-as guardadas
para te banhar a pele no dia em que,
num círculo de FOGO,
estivermos num anel…

SONHO…
Desespero, porque sonho!

Uma linda rosa rubra
Saída do meu jardim,
olha, surpresa, para mim…

Que faço dela, Senhor?
Eternizo-a em mim,
que me piquei no vermelho seu…
quando me ofereceu o Céu?

Refúgio do lirismo prenhe do meu EU…
Doce entardecer do meu alvorecer…
Vida que se esgota na vida…
Derrame na minha ferida…
Sonho do VIVER meu!

QUE MAIS PODERIAS SER?



C8H-13/68—JLH/010

domingo, 28 de novembro de 2010




Este texto sobre a obra de EUGÉNIO DE ANDRADE É UM APOIO, APENAS!- PARA OS ALUNOS DO 12º ANO , que terão o poeta como objecto de estudo, para o exame nacional.Não dispensa as aulas de PORTUGUÊS!!!
O TEXTO NÃO RESPEITA AS REGRAS DO ACORDO ORTOGRÁFICO.


De Eugénio de Andrade diz ANTÓNIO LOBO ANTUNES:
“Este poeta é o amigo mais íntimo do sol…mas é, igualmente, o conhecedor melancólico da sombra.”

A poesia de Eugénio de Andrade (E.A) foi sempre, apesar da transparência (aparente…) e da simplicidade, um campo onde o sol alterna com a sombra, a terra com o céu, a justiça com a injustiça, e assim por diante, no campo de todos os opostos que caracterizam as vivências humanas.
Desse modo, do que sei sobre este poeta, posso dizer que ele trabalhou, com lágrimas nas mãos, os temas mais naturais da Vida do HOMEM-SER: a casa, a terra, o ar, o fogo do amor e da vida, da paixão pelo que somos e fazemos…guardando, nessa poesia, um lugar muito especial para a figura da MÃE: …”No mais fundo de ti/ eu sei que traí, mãe. /Tudo porque já não sou/ o menino adormecido/ no fundo dos teus olhos. /…Ainda oiço a tua voz: “Era uma vez uma princesa/ no meio dum laranjal…”
Não me esqueci de nada, mãe. /Guardo a tua voz dentro de mim.”
A poesia de E.A sentiu-se envelhecer, à medida que envelhecia o poeta: foi uma vida a dois, com a qual ambos lucraram; nos ardores da juventude e, mais tarde, naquela idade em que, apesar dos “enta”, ainda nos sentimos capazes de ser jovens…foi isso mesmo que o poeta fez com o leitor, oferecendo-lhe uma mensagem poética clara, diurna, solarenga, em que ele quase nos pede que peguemos a vida nas mãos, tão maravilhosa ela é!
Mas o poeta tem consciência do fatal envelhecimento e das fracturas que provoca, em todos nós, pois começamos a ver diminuir os dias que faltam para a fatal Verdade do homem. A noite cerca-nos e a solidão, mesmo que acompanhados, dói:” Hoje deitei-me ao lado da minha solidão…” E então, a velhice torna-se para o poeta “uma doença da alma”.
Para nos ajudar na interpretação da sua poesia o poeta busca, afincadamente, a PALAVRA certa, aquela de que qualquer um precisa, “naquele exacto” momento para lançar aos ventos a Mensagem. Por isso, sofre, pois, tendo tantas à sua disposição…há sempre outra que talvez “ali” ficasse melhor…
Sobre as palavras diz, então, E.A:”São como um cristal…/…Algumas, um punhal, um incêndio…orvalho…secretas…inseguras…pálidas…desamparadas…cruéis…desfeitas…”
A sua linguagem sentida tem por função despertar no leitor as emoções indispensáveis à “leitura”, à compreensão da mensagem poética.
E sabe-me a música qualquer poema deste homem superior, tocado pela Musa!
O escritor Vergílio Ferreira chamou-lhe “Poeta da intensidade”; e essa intensidade espalha-se de tal modo a toda a sua temática que é forçoso ver na sua obra a preocupação humanista, nomeadamente quando se refere ao corpo humano, à mãe, à terra, à casa- lar, à saudade, ao corpo, à luz e às sombras.
ERNST CURTIUS diz:”…tema é tudo o que tem a ver com as relações primitivas da pessoa com o mundo.”
Ora, há por aí gente que, como as plantas mirradas, nunca chega a desabrochar. Ou, por razões que a própria razão desconhece, ou porque não conseguem abrir-se ao mundo devido a um número elevado de motivos, que se prendem até com condições educacionais, sociais e/ou político-filosóficas, impeditivas do conhecimento, que as pode engrandecer. Isso não aconteceu com o nosso poeta de hoje, o qual, apesar das adversidades, se impôs, “libertando-se da lei da morte”, como dizia Camões, dos outros heróis, de antigamente.
O amor, sobretudo, e particularmente, atravessa a sua obra; reparem na beleza que se expande do poema “Urgentemente”: “É urgente o amor…/É urgente destruir certas palavras, / ódio, solidão e crueldade;/ alguns lamentos, / muitas espadas/…É urgente inventar a alegria!”
Eu diria, “ reinventar”…pois, entendo o poema também como um apelo à PAZ, a tudo o que possa unir o Homem à terra em que habita e com a qual forma um corpo místico, uno.
A terra, o nosso mundo, tal como nós próprios, é imperfeita, dado que nós para isso contribuímos e, por esse motivo, alterna sol com sombras…Ora o poeta anseia por luz e claridade, pelo discernimento que encaminha a personalidade para o aperfeiçoamento.
Assim, sofrendo com as dores do mundo que o rodeia, declara-se, abertamente contra o “ nuclear”, por exemplo, dando um testemunho importante para essa questão, no poema: “Ao Miguel, no seu 4-0 aniversário e contra o nuclear, NATURALMENTE!”
Amigos leitores: mesmo que pensem que não gostam de “versos”…façam de conta que gostam! Andem lá…leiam um bocadinho de qualquer um, dos tantos melodiosos poemas da nossa história literária e, se quiserem, tirem dúvidas comigo!
Deixo-vos, hoje, com um pensamento de Montaigne; nem importa quem ele é…Basta que reparem na sua mensagem: “O fim último da vida não é a excelência mas sim, a felicidade.”

sábado, 27 de novembro de 2010

POEMA "NÁCAR"

FOTO GOOGLE



“NÁCAR…”


Pérolas
De água salgada
Poisam
Na pele seca, enrugada.

O horizonte
Em fogo
Cheira a incenso

Olhos de navegante
Molhados
De areia de Belém
Perdem-se
Na aura
Da Saudade
Da mulher e da mãe

Horizontes
Sonhos prometidos
Esforços dobrados
Com temor

Adamastor de todos os dias,
Acende a coragem das maresias

Mar intenso
Moldura
De meu país
Em suspenso

Mar
Do tempo lento
Que
A vida prometeu…

Bengala
Do comprimento
Na largura de EXISTIR!
Perde-se a vista
Na montanha
Lá atrás
A chorar…

Singela tremura…
O SONHO?
PERDURA…



C7G- (OI)-45/48- JAN/010

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O drama vergonhoso da FOME...


Portugal...século XXI da "era do senhor"...sócrates!



A fome é uma consequência da falta de respeito dos governantes pela mais elementar dignidade humana.
A Vida não é-não deve NUNCA ser-um passeio de virtudes! Isto, porque o HOMEM tem o dever de a transformar ,em prol do seu próprio bem; e, para isso, dispõe de meios que o ajudem a cumprir a sua missão...Mas que fazer quando, no caso da fome, não conseguir superar as terríveis estradas, que a ela conduzem?
Este fim de semana decorre por todo o nosso país, o habitual peditório dos voluntários dos "BANCOS ALIMENTARES CONTRA A FOME", num momento difícil da vida desta estranha TERRA, que é a minha, onde nasci e vivo.
Momento difícil, porque não temos políticos à altura da grandiosidade do povo que (des)governam! Não ,não me enganei! Disse-o voluntária e conscientemente: não temos gente capaz de governar o país, porque se vão governando primeiro a eles mesmos!

Não somos virtuosos, como seres humanos...não somos perfeitos...temos milhentos defeitos e pouca vontade de os admitir e corrigir!Não sabemos usar o nosso livre arbítrio para nos valorizarmos aos olhos do senhor, seja Ele Quem ou O que for!

Como Humanista,não costumo deixar passar em branco a importância que certos acontecimentos podem ter, no contexto da vida humana.Por isso vos falo ,hoje, com lágrimas nos olhos, deste dramático momento da vida de um povo que foi e é grande, mas que nunca teve governantes à altura dessa grandeza, tornando-se, por conseguinte, pequeno, por não saber como resolver o drama da FOME, do DESEMPREGO, da MENTIRA em que nadam os seus governantes de nome... Sim, de nome!- porque não governam sem sugar até à medula , o sangue dos seus irmãos de sangue!

Há fome em PORTUGAL! Há miséria cruel que permite que as crianças portuguesas cheguem às aulas, sem comer!
Há milhares de desempregados, desempregados de curta e longa duração, há milhares de jovens licenciados a procurar as limpezas e as fábricas de encher chouriços , no estrangeiro, para poderem sobreviver e ajudar as famílias quase indigentes, há milhares de sem-abrigo a dormirem na rua (estamos com temperaturas quase negativas!), a quem algumas almas devotadas à causa, distribuem ,no frio da NOITE, uma ligeira refeição quente...Pela boca do inqualificável ministro das finanças que temos, perfeitamente sintonizado pelo pensar -(des)pensado de sócrates, ficamos a saber,hoje, que "dê lá por onde der" a crise tem que ser combatida com o sangue o suor e as lágrimas deste povo, que não tem pão! mas tem que pagar os erros da governação deles! Mesmo sem dinheiro , com impostos sobre impostos sobre impostos, num não mais acabar de miséria, os portugueses vão ter que ver o déficit baixar!

Não há aumentos de ordenados...mas todos os bens de consumo , indispensáveis a uma vida digna, sobem ,diariamente, num turbilhão de loucura , que não sei no que vai dar. Desde os tempos de SALAZAR que não se via uma miséria tal... AS instituições de caridade e as portas das igrejas são poiso obrigatório para quem não sabe o que há-de fazer à vida! Os párocos pedem ajuda ,que lhes não chega de lado nenhum, pois este governo "emigrou" para os aeroportos novos, para as mega pontes, para os combóios de alta velocidade , para os carros blindados para a CIMEIRA DA NATO, que só chegam...chegarão?depois da cimeira, que já FOI...
A ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA aprovou ,hoje, só com os votos do PS ajudado pela abstenção do PSD, o novo orçamento de estado para o próximo ano...Mais miséria a caminho de se encontrar na encruzilhada da miséria...
Os idosos, com meia dúzia de euros de reformas ultrajantes e indignas da dignidade humana, vão pagar impostos para pagar as mentiras do tal sujeito que foi, no passado ano, nominado por revistas económicas estrangeiras, como "o pior ministro das finanças da comunidade europeia! As grandes empresas têm lucros escandalosos que repartem pelos administradores ,directores e outros "grandes senhores"!

A greve geral do dia 24 deste mês foi classificada como "greve parcial" por um dos ministros de sócrates, o da economia...é quase impossível contabilizar a pobreza em PORTUGAL... fala-se de mais de 30% de pobres ...mas os miseráveis são mais... Nota-se no talho, na loja da aldeia onde estão na moda , como há 40/50 anos ,os livros de "FIADOS"! Não há classe média em PORTUGAL! DESAPARECEU debaixo da manta negra do desgoverno dos socialistas!Quantas vassouras são precisas para varrer o lixo português? Ninguém já sabe...

FIM DE SEMANA DE ESMOLAS PARA OS POBRES E FAMINTOS DE PORTUGAL!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

REFLEXÕES...(I)


PERCURSO INTERIOR…

Reflicto sobre “as margens”do rio do meu viver.
Cheio de percalços e poucas venturas, o caminho traçado pelos deuses para eu executar, havia de ser-como foi !- duro…
REMEMORO…
Algumas das minhas realizações ajudaram a tornar mais claro o cenário em que me movimentei.Com coragem decidida por meu calor interior, qual barco de aço cortando os mares de gelo, fui vencendo etapas…Orgulho-me de nunca ter deixado cair os braços; antes pelo contrário, levantei-os sempre até aos ramos das árvores mais altas, para colher seus frutos. Alguns, apanhei-os…Outros caíram no chão, apodreceram e deram húmus para a TERRA rejuvenescer.
Lágrimas, desespero e falta de Esperança ladearam meus sorrisos, alegrias, ilusões…
VIVI “músicas” tremendas, no meio de desconfianças…As mais sonantes perduram no meu espírito e enriquecem momentos de exploração interior…Soam suaves, ao sabor das reflexões e dão vida …Vida…que é o maior desafio que o HOMEM tem de enfrentar, que é eterna peregrinação com mãos vazias, para poder atingir algo de novo…E quando se passa a vida a peregrinar…vê-se, de repente, que a vida se adiantou no TEMPO, QUE o caminho deve, apesar de tudo, seguir em frente…A vida, torna-se, então, uma aprendizagem contínua, a qualquer hora e em qualquer lugar, até ao fim do FIM.E também, apesar de tudo, sendo a vida um presente, por ele devemos estar gratos, tudo fazendo para que os olhos do coração a possam apreciar, dando-nos nota das suas apreciações…
Foi a vida que deu forças À PRÉMIO NOBEL BIRMANESA, AUUN SUU KY, mulher martirizada sem direitos e sem liberdade, por mais de 15 anos, ao longo dos quais perdeu marido e a felicidade de se sentir nos braços do amor, para esperar, serenamente, pelo dia da sua libertação. A VIDA dá forças aos povos martirizados por ditaduras ferozes, para a resistência diária…isto, porque ela é a maior VERDADE do HOMEM, a que ele deve ser fiel! Ela é, ainda, o projecto que temos o dever de ir alcançando, desde que vimos os primeiros raios de luz, ao nascer.
Vivi também “músicas “ desconcertantes que soam, cá dentro, com a força de um bofetão e lembram, por vezes, o tiro de canhão contra almas indefesas, esfomeadas, amarguradas pela desesperança, nas perspectivas futuras de um lampejo de sobrevivência.
Vem-me à memória a Redondilha onde CAMÕES desconcerta a vida, através do tema da justiça:
“Os bons vi sempre passar/no mundo graves tormentos;/
E, para mais me espantar, /os maus vi sempre nadar/em mar de contentamentos. /(…)
Hoje, mais contemplativa, pelo menos à moda de Camões, dou graças a Alguém que me tem forçado a encontrar um pouco da minha verdade. E, sinto-me uma Eternidade…sinto que perduro nas dores e alegrias, nas dúvidas e certezas…Cá dentro, vou encontrando, ora suave ora desalmadamente, um braseiro, onde se aquecem os deuses que tentam explicar-me o mundo…o meu e o dos outros…
Concilio-me, reconcilio-me…
Desisto de mim, quando o próximo depende do sorriso do meu olhar, da brancura do meu falar e da força do meu (escasso!) rezar. E lembro o que os Filósofos pensam e dizem sobre a VIDA…e farto-me de rir, pois eles, ao terem que viver, cumprindo o seu “percurso”, não pensam nem falam de outra coisa… vão vivendo…
Já nem falo dos EXISTENCIALISTAS!....
Mas, vejam MARCEL PROUST E JOYCE: este último, reduz a vida humana a um qualquer dia, de um qualquer homem…O primeiro, PROUST, dilata-a até acumular várias gerações!
Falava, ali atrás, do rezar…Eu sei REZAR! Sem palavras, embora…Levanto os olhos para o céu e ,no meu silêncio, o Pensamento encolhe-se perante a “GRANDEZA DESCONHECIDA”…Respiro o ar das montanhas e a maresia das ondas do MAR…Extasio-me com o chilrear das avezinhas que cumprem uma missão, dando a alegria à minha solidão. Sinto o Vento passar pelos meus cabelos e entrefechar meus olhos…Oiço o cantar misterioso do mundo que me rodeia…Esqueço as tristezas que me dá quem me chateia em absurdos jogos de palavras ,viradas para as tristezas , as estrelas cadentes, para a morte das gentes…
Imagino-me num cavalo mágico que me leve ao AMOR…É pedir muito, SENHOR?
Então, fujo de lagos paúlicos de aniquilamento interior…Com fervor na minha floresta- vida, afasto pedras e galhos… confio nos atalhos do meu EU, na caminhada pela VIDA…Alguns, magoam e resistem…Tantos enganos danados … MAS continuo…Eu sou assim: caio e levanto-me…crente, resistente, desconfiada e confiante…Paradoxal verdade?
O chão quente, de caruma coberto, não é um puro deserto! Vejo-o, sinto-o por baixo dos pés, toco-lhe colhendo ervas…filhas da floresta do meu desespero telúrico. Sinto a Vida a chamar-me nas vozes enganosas de algumas expectativas goradas…Repouso do cansaço, cansando-me…interrogando-me…
Guardo, tudo, depois, na prateleira da memória…
Sou o único obstáculo a MIM PRÓPRIA…Confio em Sonhos sem fim que estão a dar cabo de mim… O meu doce interior, leal, sincero, frontal, não está pronto para o mal que me fazem…
Pressinto a mentira na voz do cavalo alado…que relincha de dor, perante meu coração magoado…
Vacilo entre o muito que dou e o nada QUE RECEBO, EM TROCA.
Concluo que sou a minha Eternidade, minha culpa, meu desvario, minha rara alegria, quando esta eternidade permite .

terça-feira, 23 de novembro de 2010

POEMA: "Pensamento vadio...


fotos google



“Pensamento vadio…”

Movi-me. Fui olhar o manso rio, ver correr a água doce.
Vi folhas mortas sumirem no Ocaso da sua vida…
Segui-as com o olhar…Pareciam palpitar, pisando seixos fininhos!

As mãos, pu-las de molho!
Mergulhei-as lá, bem fundo;
Sentei-me, depois, nas margens, vendo deslizar as águas
que corriam para o mar…

Seres mágicos paravam… fadas, gnomos, duendes
escondidos em tenras ervas,
sentaram-se…seguiram-me o pensamento…
Despi-me de estranhas névoas;
entrei na minha humana dimensão…


Sou a minha própria casa…
(…CASA DAS MINHAS MEMÓRIAS…)
…poucas boas, tantas más!

Pego nas páginas do meu livro pessoal.
Vejo o bem e vejo o mal…
E enquanto as águas correm,
sabendo que nunca morrem,
passo os tempos a viver,
desde que me vi nascer…

(CHEGO A CONTEMPLAÇÕES DE MEUS SONHOS E AMBIÇÕES.)

Corre o rio…sinto frio…

AH! PENSAMENTO VADIO…
SEMPRE PRESO POR UM FIO….




C7G-9/97- NOV/09