sexta-feira, 1 de julho de 2022

Boa noite e feliz fim de semana!


 





 POEMA:


DO MEU PEITO-IMENSO-MAR

Na minha mão,
o tempo dos gerânios e de todas as flores
dos oásis perdidos,
no eco dos espaços dos comandos do Tempo…

Nas veias, um sulco do gosto de ti
…………………………………………..a viajar-por-mim.

Altos mastros rumo a altos mares, com o mundo a correr
sem que eu queira acordar no meio do destino,
esse comando sem controlo onde nada domino,
porque apenas faço de conta.

Na minha mão perduram, vivas,
……………………………….as palavras que insistem em te viver,
………………………………quando chegam as madrugadas,
………………………………que vêem as noites-a-chegar

.
São como crisálidas prontas -a-renascer
……………………………na primavera que sinto ser forçada-a-escrever………………

O relógio do Tempo bate em paredes ocas,
…que vão amarelecendo ao ritmo da passagem dos dias
…que andam pelo coração dos poemas
perdidos, nas sílabas-das-pétalas das manhãs loucas.

E eu páro…
…páro para te dizer que sou capaz de te escrever…de te descrever…
…de lembrar como foi-bom-ser-em-ti-contigo,
no conchego dos braços do mundo que te libertaram
no meu peito-imenso-mar, teu leito-a-perdurar.

E sinto meus dedos na tua pele quente…
…cera-quente-em-papel-poema de quando a lua se alheia
para que te seja difícil partir…para te ser mais fácil voltar…

E recordo…
…era assim…lembras-te? meus dedos soltos nos teus cabelos…
…perdidos por todos os lados de ti…
…e o mundo ardia Lá fora-Cá dentro…

….monossílabos-pele de um poema do sorriso do tempo…

Maria Elisa Rodrigues Ribeiro
JUNHO/2014

Figuras da nossa História: Fernão Lopes

 Quem foi Fernão Lopes?( Internet)Extracto de um texto.

..."Curiosidade
Visto sua grande importância para o país, Fernão Lopes, que era escrivão de D. Duarte, recebeu deste 14 mil réis anuais como reconhecimento de seu trabalho. Além disso, ele foi condecorado com o título de vassalo de el-rei (1434). Note que o vassalo é uma pessoa de extrema confiança do rei.
Obras e características
Com um estilo literário peculiar, Fernão Lopes foi um marco na literatura medieval de sua época. Isso porque acabou deixando de lado alguns protagonismos, trazendo à tona características mais populares.
Através de seus textos, torna-se fácil identificar essa característica que é ressaltada por meio de uma linguagem mais coloquial. Foi, dessa maneira, que Fernão Lopes conquistou muitos admiradores em seu tempo.
O escritor português ficou muito conhecido por suas crônicas históricas. Ainda que a prosa historiográfica tenha surgido anteriormente, no movimento do trovadorismo, ela atingiu seu apogeu no Humanismo com a figura de Fernão Lopes.
A principal caraterística desse tipo de obra é o teor histórico que ela carrega, uma vez que relata fatos reais.
A grande diferença é que Fernão conseguiu unir a história com a literatura. Assim, ele produziu diversas obras por meio de uma linguagem simples e repleta de diálogos. Dentre elas, destacam-se:
Crônica de El-Rei D. Pedro I (1434)
Crônica de El-Rei D. Fernando (1436)
Crônica de El-Rei D. João I (1443)
Trecho da “Crônica de El-Rei D. João I”
Com o intuito de conhecer melhor a linguagem utilizada pelo escritor, segue um trecho de sua obra:
“Razões em prólogo do auctor d'esta obra, ante que fale dos feitos do Mestre.
Grande licença deu a affeiçâo a muitos, que tiveram cargo de ordenar historias, mormente dos Senhores, em cuja mercê e terra viviam, e onde foram nados seus antigos avós, sendo-lhe muito favoraveis no recontamento de seus feitos. E tal favoreza, como esta, nace de mundanal affeiçâo, a qual não é, salvo conformidade de alguma cousa ao entendimento do homem.
Assim que a terra em que os homens, por longo costume e tempo, foram criados, gera uma tal conformidade entre o entendimento, e ella, que havendo de julgar alguma sua cousa assim em louvor, como por contrario, nunca por elles é direitamente recontada, porque louvando-a, dizem sempre mais d'aquello, e se d'outro modo não escreverem suas perdas tão minguadamente, como acontecerem, outra cousa gera ainda esta conformidade e natural inclinação, segundo sentença d'algnns, que o pregoeiro da vida é a fama, recebendo refeição, para o corpo, o sangue, e espiritos gerados de tantas viandas teem uma tal similhança entre os que causa esta conformidade. Alguns outros tiveram que isto descia na semente, no tempo de geração, a qual dispõem por tal guisa aquello, que d'ella é grado, que lhe fica esta conformidade, tambem ácerca da terra, como de seus divides, e ao que parece que o sentiu Tu-lio, quando veiu a dizer:
Nós não somos nados a nós mesmos, porque uma parte de nós tem a terra, e a outra os parentes; e porém o juizo do homem ácerca de tal terra, ou pessoas recontando seus feitos sempre copega.
Esta mundanal affeição fez alguns historiadores, que os feitos de Castella, com os de Portugal, escreveram, posto que homens de boa authoridade fossem, desviar da verdadeira estrada, e colher por semideiros escuses, por as minguas das terras de que eram em certos passos claramente não serem vistas, especialmente no grande desvairo, que o mui virtuoso Rei de boa memoria D. João, cujo regimento e reinado se segue, houve com o nobre e poderoso rei D. João de Castella, pondo parte de seus bons feitos fóra do louvor, que merecia, e evadindo em alguns outros de guisa que não aconteceram atrevendo-se a publicar esto em vida de taes que lhe foram companheiros bem veadores de todo o contrario.”...
Em Português do século XV
Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas

Boa tarde, meus bons amigos!