domingo, 10 de outubro de 2021

Anais NIN

 Não Existem Pessoas Totalmente Ocas

Nunca encontrei uma pessoa oca. Nunca encontrei uma vida sem significado quando se procura realmente o seu significado. É esse o perigo de dizer que não procuramos, porque foi assim que chegámos ao ponto em que sentimos que a vida não tinha qualquer significado. Bem vê, nós repudiámos tantas formas de terapia. Quer dizer, tantos de nós repudiam actualmente a filosofia, a religião ou qualquer outro padrão que nos mantinha coesos anteriormente. Repudiámos tudo. Até repudiámos a terapia da arte. Por isso não nos restou realmente mais que olhar para dentro, e os que o fazem descobrem que toda a vida tem significado porque a vida tem significado. Fomos seriamente prejudicados por pessoas que disseram que a vida era irracional e de qualquer modo não significava nada. Mas assim que começamos a olhar, descobrimos o padrão e descobrimos a pessoa. Nunca encontrei aquilo a que se poderia chamar uma pessoa totalmente oca.
Anais Nin, in "Fala Uma Mulher"
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AOS PORTUGUESES

 Cheio de "louvores" a António Costa e ao PS, dizem que, quem hoje abriu o Expresso, levou com uma baforada de cheiro podre duma múmia que pensávamos ter-se remetido à sua loucura ,há mais de imenso tempo.

O homem, quer dizer, o esqueleto ambulante que julgávamos ter desaparecido há tempos, levantou-se do seu podre posto, abriu a janela e expirou para todos os lados, esquecido de que muitos milhares dos pobres do país lhe têm um azedume que é melhor não lhe estar nas imediações.
O ar carrancudo e prepotente do vaidoso, que só escreve contra COSTA porque nada vale ao pé dele, dá-lhe para continuar a respirar pestilência venenosa, quando não tem mais com que se entreter!
SUGIRO QUE OS AMIGOS, OS TAIS QUE TINHAM SEGURO O DINHEIRO DOS POBRES PORTUGUESES, LHE OFEREÇAM UMA SANFONA OU UM BERIMBAU PARA ELE NÂO VOLTAR A VOMITAR ASCO!

Recado ao Primeiro-Ministro

Menos riso e mais olho vivo, Sr, Primeiro-Ministro!
O povo não lhe perdoará, se lhe mentir e não cumprir como prometeu.
Tome atenção ao preço dos combustíveis! O mísero ordenado e as míseras pensões de reforma vão começando a não dar para o pão, que muitos já nem comem. O Senhor ri muito em coisas que nós ,míseros portugueses, choramos.
Quando o Senhor vai para as suas viagens não vê como essa gente vive e como os portugueses estão atrasados em relação a eles????????????? E a Espanha, aqui ao lado com um custo de vida que faz inveja a nós, pobres ibéricos??
Vá por esse país fora, mas sem a televisão a ver, veja como vestem e vivem os nossos velhinhos!
Não ria tanto que o Sr não é assim tonto
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António Dias da Costa, José Sottomayor e 4 outras pessoas

 

POEMA

 SOPRO POÉTICO

De um sopro
____________________________o vento ergueu a voz
___________________e os fetos ondularam
________________grotescamente enrolados
___________às ramas dos abetos.
A lua, indiferente, seguia a sua viagem.
De um sopro
_________________________o arvoredo altivo desceu em diagonal
______________________direito ao profundo vale,
_________________enquanto a crista das montanhas
_____________ se sentia incapaz de fugir
_______ ao elemento esquivo.
De um sopro…
…saíram-me palavras da alma
debruçada sobre si…
…e os dedos foram falando do que sentiam
do âmago-do-meu-sem fim.
A lua continuou a brilhar…
e chamou as estrelas
que começavam a empalidecer,
esquecidas da sua noturna eterna luz.
De um sopro
…veio um poema, titubeante
…os ventos acalmaram
…o céu serenou ,como serena se apresentou
a escrita dos lexemas…
________________Lá fora, árvores, pedras e montes,
____________________aves, rios e fontes,
__________________________esperam calmos, dentro de mim,
______________________________que o poema caminhe ao encontro
do seu fim…]
Maria Elisa Ribeiro/014
Pode ser uma imagem de flor e texto
Jose Moreira e Luis Paulo Bernardino

POESIA_PROSA






 QUANDO A PROSA ME INVADE A POESIA…

Penso que há lugares diferentes nos nossos corações onde podemos encontrar um espaço para voltar a dançar, pois que a música atravessa os tempos em sementes de flores azuis no pó dos caminhos andados, com a força das orações inocentes dos meninos.
Gosto da palavra “azul”, das ideias azuis, porque me ficam na memória da língua, a saber a tinta da cor do céu. Adoro “semente”, porque me sabe a vida, a rejuvenescimento, ao trigo a desabrochar, no cumprir-a- criação
.
Amo as margens do rio onde, deitada na relva macia, olho o céu e oiço os feitiços da natureza que flutuam, livres como borboletas sedentas de néctares, cor, luz e amor.
(ALBERTO CAEIRO MEU MESTRE -DE-VIVER!)
Enfeitiçam-me, na memória, os laçarotes brancos que prendia os cabelitos loiros como um trigal, a adornar os sonhos cor de magia de cada dia e que, num “flash” de tempo, iria perder…
No fundo da objectiva com que revejo o Passado, encontro a infância, que deu tal salto na vida, que me sinto um estranho lugar neste Presente-de-um-Futuro-tão provável-quanto-improvável, da tessitura do tempo.
Ao ouvido, sussurram-me todas as sensações que ordenam o espaço molecular do mistério percorrido…Fui vivendo as gerações ao som de um ciciar permanente de quem é humano, de quem é “PESSOA”, que não se desliga dos sons do vento a tocar CHOPIN nas ramas das árvores, que oscilam perto das flores a emergir, como notas de sinfonia-a-sorrir.
.
Não pára a vida interior…Os sentimentos brotam como orvalho que rebenta, ao deslizar pela folha de uma planta, que a não aguenta.
Há coisas mágicas…são a minha noese…só eu as sei …Então, faço de conta que sou POETA e invento uma “criação”…Teço os meus noemas à boleia das palavras de que o meu conhecimento dispõe e sinto-me um tecelão de ideias, que coso numa manta de retalhos a que chamo “a minha doce canção”…Poeta-tecelão! Hábil como pássaro que guarda na sua genética o segredo da construção do ninho, semente de uma verdade, única e inconfundível, que resulta de uma luta metafísica, invencível mas tão vulnerável, como as notas de uma canção.
Uma semente de trigo não se confunde com outra, de milho, por exemplo! Em cada uma há um brilho inconfundível, que vive na escuridão-a-pensar no melhor modo de dar pão…
(SINTO-TE CANTAR -DE-DOR, FLORBELA, ÁVIDA DE AMOR!)
Há coisas mágicas, dizia, que nasceram para permanecerem inteiras e que não podemos observar por partes, senão desaparecem… escorrem pela genética do nosso mistério-sempre-a-SER.
Respeito, amando-os, os meus sonhos velhos, que se Foram. Hoje, posso dar-me ao luxo de estar feliz por tê-los sonhado-a-crescer, porque vivi! Eles estabeleceram pontes de contacto com o presente, de tal modo que a Poesia permite à Prosa que, impunemente, invada o seu território expressivo, sem EU -DEIXAR-DE -SER-EU.
(“A nortada encheu de ilhas o horizonte
olhando bem nenhuma é verdadeira
mas cada uma em mim tem porto e monte
que eu sou homem que vê de outra maneira.”
Vitorino Nemésio)
Ao entardecer, o horizonte enche-se de sombras vermelhas de um amarelo-dourado. No Silêncio, parecem um coro de violinos que se derramou no dia, com as horas-Todas nas minhas mãos.
Amo a Poesia que sai desta imagem e reflecte a minha pessoalidade, sem abafar a música que engrandece as sinfonias de todos nós… de cada um de nós… quando elevamos o cálice para um brinde de grandeza.
Um suave perfume de óleo de jasmim entrou-me no corpo…E dizia, assim
“ FUI AO JARDIM DA CELESTE
GIROFLÉ, GIROFLÁ
FUI AO JARDIM DA CELESTE
GIROFLÉ, FLÉ, FLÁ…”
Os poros cantam ainda… O jardim continua LÁ… A dança mudou…
A Vida está onde está e eu continuo a cantar enganos e desenganos…poema atrás de poema…texto atrás de texto-no-contexto-místico-do-que-sou…
… passado no Presente, nas flores que vivem morrendo-a-desabrochar…nas pegadas deixadas no areal de SOPHIA, que o mar levou para as ondas de ANTIOQUIA …nos caminhos percorridos-a-percorrer que,
dentro de mim,
sinto que Continuam-a-SER…
“ …GIROFLÉ- GIROFLÁ
…GIROFLÉ-FLÉ-FLÁ…”
………………….………………..
Maria Elisa Ribeiro
SET020

Bom Domingo!


 

sábado, 9 de outubro de 2021

De Guerra Junqueiro










Um Povo Resignado e Dois Partidos sem Ideias
Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. [.]
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.
Guerra Junqueiro, in 'Pátria (1896

 

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

POEMA

 GARRAS DO TEMPO

Escondo no íntimo verdadeiras mentiras,
que vejo como se fossem a crónica das minhas insanidades.
Vejo o Mar, no azul do arco-íris, passeando pelos céus,
onde revolteiam ondas espumosas e coloridas.
Meus pés pisam areias finas, conchas partidas e búzios engalanados.
Loucura dos sonhos de quem não deu por isso
Mas que já se cansou de sonhar a infância,
a juventude, os passeios à beira do cais com as mãos entrelaçadas e
o olhar de saber a amor quando os ais se sentem perdidos
no meio de solitários areais...
Todos sofrem as suas angústias nas insanidades e no seu reverso.
Não estou sozinha neste mundo de crateras sociais.
Vão passando os ponteiros dos relógios
com as garras do TEMPO cravadas -em-MIM.
O tic-tac é o som de um veneno tóxico,
que vai eliminando o peito do Universo, desfeito-em-Tempo.
De que vale suspirar, arfando, se os deuses doutras galáxias
continuam ao comando das rotas longínquas e remotas, do
conhecido “bicho humano”?
Sons de um piano em tons de mar...
Sons dos sonhos que a música encerra...
Compasso descompassado de uma sinfonia inacabada de BACH
ao longo da missa solene
de uma Catedral engalanada de magia...
©Maria Elisa Ribeiro-2021
Pode ser arte

BOM DIA, MEUS AMIGOS!


 

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Poema meu!

 





GOTAS POÉTICAS

 

(A MAGIA de ACONTECERMOS)

 

 

Há luz no fundo da terra

                                         no pé miraculoso de todas as flores.

Há luz no fundo do mar,

                                      e algas a gotejar

                                                                     balançando a chorar.

 

A luz da terra vive, permanentemente,

 a sussurrar a canção da magia de Acontecermos.

 

E na folha silenciosa do novo Outono a chegar

                                                                     no verdor-a-amarelecer,

os voos das libelinhas rasam o sol poente

                                                                e matam a vontade de entristecer.

 

Há música no ar.

Talvez seja o som de um violino

                                                  num terno marulhar.

 

Talvez o som de um cavalo-a-navegar nas nuvens,

                                                                              que estão para desabar.

 

Talvez o queixume do quente deserto a evitar...

 

Um pássaro emite um canto, um apelo...

E, porque há luz e música no ar,

Levanto os olhos para o alto,

E entro no mais profundo de mim.

 

No entretanto, toda a abóbada, em mágica harmonia,

sussurra a resvalar

                                   pela harmonia

                                                              dos penedos da vida...

 

©Maria Elisa Ribeiro

Direitos Reservados

ABL/2021

Bom Dia!

QUADRO DE CÉZANNE

 

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Platão





 A velhice é um estado de repouso e de liberdade no que respeita aos sentidos. Quando a violência das paixões se relaxa e o seu ardor arrefece, ficamos libertos de uma multidão de furiosos tiranos.

Platão

SAUDAÇÃO: FELIZ SEMANA!


 

domingo, 3 de outubro de 2021

sábado, 2 de outubro de 2021

George Harrison ~ My Sweet Lord (High Quality)

Parte do Discurso de Harold Pinter,ao receber o PRÉMIO NOBEL

 





A Obrigação da Verdade

Quando olhamos um espelho, pensamos que a imagem à nossa frente é exacta. Mas basta movermo-nos um milímetro para a imagem se alterar. Aquilo que estamos realmente a ver é uma gama infindável de reflexos. Mas às vezes o escritor tem de quebrar o espelho — porque é do outro lado do espelho que a verdade nos encara.
Estou convencido de que, apesar dos enormes obstáculos existentes, há uma obrigação crucial que recai sobre todos nós enquanto cidadãos: de com uma determinação intelectual inflexível, inabalável e feroz definir a verdade autêntica das nossas vidas e das nossas sociedades. É de facto uma obrigação imperativa.
Se essa determinação não se incorporar na nossa visão política, não tenhamos esperança de restaurar aquilo que já quase se perdeu para nós — a dignidade do homem.
Harold Pinter, in "Discurso de Aceitação do Prémio Nobel"

BOA NOITE!


 

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

POEMA NOITE de MAIO

 






NOITE DE MAIO

 

 

Noite de Maio...

...quente...

Cheira a flores

 e corro para ti

a suar lágrimas

 que são gotas suspensas do teu olhar.

Espero-te em desalento,num triste cruzamento

onde não estás, amor.

Antes de te abraçar

 no enigma das lágrimas choradas,

sou forçada a procurar as flores que,

pelo ar, te levarão a verdade do meu odor...

...Odor de Mulher...homem perdido que chama o aroma delido.

 

Depois...

...sempre Maio no calor das tuas mãos nas minhas...

...do teu corpo perdido no meu...abraçados...entrelaçados...

...gritando o nosso fervor...

 

©Maria Elisa Ribeiro

MAIO/021

SAUDAÇÃO:BOM DIA.