quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

 Não passarão.

CONTO DE AUTOR

 Textos de autores portugueses, in Net:

A LADEIRA
Era uma vez dois homens. Um era alto, outro baixo. Um era gordo, outro magro. Um moreno, o outro ruivo. Um tinha a voz muito grossa e outro uma borbulha na ponta do nariz. Um chamava-se Manuel Francisco e o outro Francisco Manuel. E muito mais coisas poderia dizer de cada um deles. Mas, o fundamental, é que eram muito diferentes um do outro. Só numa coisa se assemelhavam: ambos eram tremendamente teimosos.
Na terra onde viviam havia uma ladeira íngreme, inclinada, cheia de pedras e calhaus. Uma ladeira daquelas que a gente só sobe ou desce quando não pode deixar de ser.
Um dia, um dos homens ia a subir a ladeira quando o outro vinha a descê-la. Como é natural, encontraram-se a meio. Bem… A meio, a meio, exactamente a meio, não tenho a certeza se foi. Talvez tenha sido um bocadinho mais para cima ou um bocadinho mais para baixo. Para a nossa história esse pormenor não tem grande importância e, por isso, vamos fazer de conta que foi a meio.
Mais ou menos a meio da ladeira, os dois homens encontraram-se, pararam à frente um do outro e desataram a discutir. Um ia a subir e, por isso, achava que a ladeira era uma subida. O outro vinha a descer e, pelo contrário, garantia que se tratava de uma descida.
Sem chegar a acordo, sentaram-se ali mesmo no chão para tirar a questão a limpo. Quem os conhecesse, sabendo que eram homens de palavra fácil, capazes de inventar sólidas razões e grandes argumentos, logo via que aquela discussão ia demorar. E demorou.
Passaram-se sete dias e sete noites e a discussão não parava. Veio a Lua e foi-se o Sol, veio o Sol e foi-se a Lua e os dois homens a discutir. Nem o frio, nem o calor, nem a chuva, os distraíram. Continuavam na mesma. Para um, aquela ladeira era uma subida porque subia de baixo para cima. Para o outro, era uma descida porque descia de cima para baixo.
A discussão continuou e continuou. À sétima noite começou a soprar um vento muito forte. Um vento tão forte e violento que arrancava terras, árvores e pedras e as atirava de um sítio para outro. Um vento daqueles capazes de trabalhar lentamente, séculos e séculos a fio, para mudar a face da Terra e transformar montes em covas fundas e buracos de meter medo nas mais altas montanhas.
O tempo passou. O vento mexeu com tudo. Mudou a paisagem. Transformou o mundo. Só os dois homens continuavam sentados no meio da ladeira sem darem por nada do que acontecia à sua volta. Estavam tão preocupados, cada um, em ganhar a discussão, que não sentiram nem a chuva na pele, nem o frio nos ossos, nem o sol na moleirinha.
Passaram-se sete mil noites e sete mil dias, os homens a discutir e o vento a trabalhar.
A ladeira, a pouco e pouco, ia ficando diferente. A parte mais alta cada vez menos alta, e a parte mais baixa a crescer sem parar à custa de entulho, areia, calhaus e pedrinhas que a tornavam cada vez menos baixa.
Um belo dia, a parte de baixo e a parte de cima da ladeira ficaram iguais, da mesma altura e, portanto, a ladeira desapareceu. A terra ficou direitinha, lisa, uma planície que se estendia até perder de vista.
O vento, sem mais nada que fazer ali, foi trabalhar para outro lado. Os dois homens que, como eu já disse, eram muito teimosos, continuavam a discutir se a ladeira era uma subida que se descia ou uma descida que se subia.
A certa altura, olharam em volta, para um lado e para outro, até onde a vista podia alcançar. Aperceberam-se então que a ladeira tinha desaparecido. Olharam um para o outro, levantaram-se, cumprimentaram-se e, cheios de orgulho, afastaram-se cada um em sua direcção, ambos seguros de que tinham ganho a discussão.
José Fanha
A noite em que a noite não chegou
Porto, Campo das Letras, 2015
Susana Duarte 

A minha Poesia









 A minha Poesia:

Poema
CONCEITOS…
Falo de Natureza e vou sentindo as palavras
alinhadas na dureza de uma mesa-pedra-granítica.
Ao lado, fontes quase míticas,
onde o perfume das flores responde ao misterioso sinal
das coisas, nomeadas pelas encostas desterradas.
Pedras graníticas______musgos________durezas desconhecidas____
alinhamentos desalinhados da essência da vida.
Claridade da Verdade que só a luz pode dar à Humanidade.
E a Ocidente de Tudo, nada do Novo que se esconde
no segredo
do Oriente , engalanado…
Iniciática pedra granítica coberta de dúvidas das ilusões
feitas musgo…
…acácias alinhadas no conceito de pedra mística…
Meu caminho, de Verdade, é aperfeiçoar a Vontade!
Maria Elisa Ribeiro
DEZ/015

A MINHA POESIA

 Foto de Pinterest-








POEMA


( PERDOA…ACHO QUE SONHAVA…)

Afaga-me, às escuras, e canta-me aquela canção
que fazia embaciar os vidros da janela…
Acarinha-me e repara como as aves enamoradas
pelas nossas sombras se esquecem delas próprias
para voarem, lentas e admiradas, nas asas do vento…
Vê como se alongam, estendidas nos leitos do Tempo…
Dança comigo a música do luar azul-prateado a romper
por entre as árvores, até nos chegar ao telhado.
Recorda-me aos ouvidos, aquela melodia de sons ciciados
aos quais eu respondia, meio-drogada- meio atordoada…
Deixa que os meus dedos escorreguem pelos teus cabelos,
até aos teus mais íntimos segredos inscritos a letras suaves,
nas sílabas dos versos decididas a sabê-los.
Depois, que à nossa volta surjam ilhas…rosas…junquilhos…
…mariposas…duendes…fadas…enquanto brilharemos
frente aos oceanos, deitados em montículos de areias preciosas…

( Perdoa…acho que estava perdida num sonho…)

Cor de malva é o crepúsculo, com árvores de tom esmeralda…
Mas, nada disso conta, quando a canção que me cantas,
embacia os vidros da janela.

Chama pelo meu nome, mais uma vez, dentro da minha boca…
…assim…a trocar teu corpo com o meu…

( Havia um sonho cansado sobre as minhas pálpebras,
mesmo antes de teres chegado…
Havia…Houve…Já não Há…)

Há quem diga, que são os anjos que atiram estrelas
por sobre a terra, para que as noites aqueçam.

Não digas a ninguém…mas, se voltasses, talvez te pudesse
mostrar,
também,
onde se escondem os anjos das estrelas
das noites de MIM- Alguém…

Maria Elisa Ribeiro

Bom dia, meus amigos!


 

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Boa noite, amigos, para todos nós!


 

Bom dia, amigos, com muitos graus abaixo de Zero


 

PORTUGAL NA IMPRENSA INTERNACIONAL

 Fugas

No The Guardian, Portugal e Amarante abrem a lista de viagens para 2021

É com as maravilhas de Amarante que começa a lista de 21 destinos para o ano do jornal britânico.

Foto
DR

Como todas as revistas e suplementos de viagens, Fugas incluída, o Travel do The Guardian decidiu começar o ano com a tradicional lista de destinos que poderão ser boas viagens em 2021. Lista tradicional mas, claro, este ano mais árdua de estabelecer. Mas cá está ela e tem pelo menos mais uma coisa em comum com a da Fugas: Portugal.

O jornal britânico sugere 21 sítios para ir sonhando com as viagens. Para ajudar, pediu indicações de vários escritores e jornalistas de viagens. É graças a Oliver Balch, já especialista em dar sugestões portuguesas aos viajantes britânicos, que um destino português mais incomum nestas famas do mundo surge a abrir a lista: Amarante

A sugestão de Balch é mesmo “um passeio e um regalo gourmet junto ao rio (Tâmega) em Amarante”. “Nas margens do Tâmega”, com a sua “belíssima ponte em arco a ligar as duas metades”, a cidade é um “labirinto de ruas calcetadas e cafés tranquilos”. O conselho do autor é passear sem pressas. 

Pelo pequeno destaque sugere passagens pela igreja de São Gonçalo, o museu de Amadeo de Souza-Cardoso e espiar o Solar dos Magalhães em ruínas (que será a Casa da Memória com projecto de Siza), uma passeata pelo parque da cidade ou um passeio em bicicleta ao longo da antiga linha de comboio. 

Para o tal “regalo gourmet” também tem destino certo: Largo do Paço, na Casa da Calçada. Com o toque de humor ainda acrescenta que “juntando as minhas poupanças de um ano a passar as noites em casa deverá chegar-me para um prato principal. Se der para esticar os ‘tostões’ para um copo ou dois de vinho verde, melhor”.

A lista do Guardian Travel passa ainda por pontos em Inglaterra, Escócia e Gales, Irlanda e Irlanda do Norte, além de saltos a Itália, República Checa, Grécia, Noruega, Holanda, Suíça, Eslovénia, Áustria, França, Alemanha, Espanha, Bélgica, Croácia, Irlanda, Polónia e Dinamarca.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021