segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

De Portugal...

 

19 h 
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Um agente da PSP de Évora morreu esta madrugada, depois de ter sido atropelado quando prestava auxílio a uma mulher, vítima de agressão na via pública. Ainda foi transportado para o Hospital do Espírito Santo, mas a gravidade das lesões ditaria o óbito às 00h54. O agressor conseguiu fugir, mas foi intercetado por camaradas nossos, na zona de Alcabideche. António Doce era camarada de outra farda, mas nestas situações não há fardas. Somos só um, porque estamos todos juntos. No luto, como na homenagem.

De Portugal....

 

12 h 
A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas em pé, céu e ar livre, texto que diz "PEE"
Um herói português
São muitos os que nesta terra recebem ordens honoríficas por saltar, correr, pintar, escrever e até dirigir bancos, mas poucos farão jus àquele preceito religioso que lembra que quem salva uma vida, salva a humanidade. José Brito, o pescador português de Cabo-Verde, não se ficou pelos medos e gritos dos mirones. Lançou-se às águas frias do Tejo e salvou uma vida. "Faria tudo de novo, quantas vezes fosse preciso".

domingo, 13 de dezembro de 2020


 


 


 

Fernando Pessoa, in Net

 Fernando Pessoa, in Net:

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ÁLVARO DE CAMPOS
POEMA DE CANÇÃO SOBRE A ESPERANÇA
I
Dá-me lírios, lírios,
E rosas também.
Mas se não tens lírios
Nem rosas a dar-me,
Tem vontade ao menos
De me dar os lírios
E também as rosas.
Basta-me a vontade,
Que tens, se a tiveres,
De me dar os lírios
E as rosas também,
E terei os lírios —
Os melhores lírios —
E as melhores rosas
Sem receber nada.
A não ser a prenda
Da tua vontade
De me dares lírios
E rosas também.
II
Usas um vestido
Que é uma lembrança
Para o meu coração.
Usou-o outrora
Alguém que me ficou
Lembrada sem vista.
Tudo na vida
Se faz por recordações.
Ama-se por memória.
Certa mulher faz-nos ternura
Por um gesto que lembra a nossa mãe.
Certa rapariga faz-nos alegria
Por falar como a nossa irmã.
Certa criança arranca-nos da desatenção
Porque amámos uma mulher parecida com ela
Quando éramos jovens e não lhe falávamos.
Tudo é assim, mais ou menos,
O coração anda aos trambulhões.
Viver é desencontrar-se consigo mesmo.
No fim de tudo, se tiver sono, dormirei.
Mas gostava de te encontrar e que falássemos.
Estou certo que simpatizaríamos um com o outro.
Mas se não nos encontrarmos, guardarei o momento
Em que pensei que nos poderíamos encontrar.
Guardo tudo,
(Guardo as cartas que me escrevem,
Guardo até as cartas que não me escrevem —
Santo Deus, a gente guarda tudo mesmo que não queira,
E o teu vestido azulinho, meu Deus, se eu te pudesse atrair
Através dele até mim!
Enfim, tudo pode ser...
És tão nova — tão jovem, como diria o Ricardo Reis —
E a minha visão de ti explode literariamente,
E deito-me para trás na praia e rio como um elemental inferior,
Arre, sentir cansa, e a vida é quente quando o sol está alto.
Boa noite na Austrália!
17-6-1929
- 106.Álvaro de Campos - Livro de Versos . Fernando Pessoa. (Edição crítica. Introdução, transcrição, organização e notas de Teresa Rita Lopes.) Lisboa: Estampa, 1993.
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Bom dia, meus amigos!

 


sábado, 12 de dezembro de 2020

A minha poesia

A SOLIDÃO É LEVE COMO UMA FLOR DE LÍRIO
...e as aves a esvoaçar pelas searas, pelos campos e pelos pauis
manifestam alegria de viver
como fazemos nós no areal, à beira-mar,ali, na nossa frente.
Os pés na água permitem,
que os sentidos feitos palavras
se espalhem
amorosamente,
pelos nossos corpos.
Ao nosso olhar chegam as recordações feitas pérolas,
a lembrar dores e amores dos tempos navegadores.
Nossos pés juntos mergulham nas areias brancas,
lavadas por águas azuis
que as ondas nos trazem,
brandamente sussurrando.
Sigo teus passos, como sigo toda a rota dos teus caminhos.
Encontro rios, riachos e ribeiros, pássaros a chilrear por entre os
vergueiros,
árvores pujantes, ruas e atalhos de tantos caminhantes.
(Imaginação da ardente solidão...)
Uma flor de lírio oferece-se ao vento para melhor dançaricar...
No meio da solidão imagino os passos que estejas a dar...
Não ouço as tuas palavras
mas é nelas que me recolho
quando a saudade
desperta,
e as memórias voltam,
de novo,
como folhas de árvores
que rebentam, porque já é Primavera!
© Maria Elisa Ribeiro
Todos os Direitos Reservados
DEZ/020
A imagem pode conter: céu, nuvem, montanha, ar livre, natureza e água

 

Boas noites, amigos(as)


 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Boas noites, amigos!


 

Minha Poesia







 RUMORES POÉTICOS

Refazem-se as palavras na pureza das manhãs-a-nascer.
Mais fortes que as rochas das montanhas invisíveis, arrancam-me da alma todos os instantes-de-mim.
Levam-me,
os beijos que sussurrei,
aos sentimentos e emoções,
que foram adornando as margens do percurso...
... que florescem nas rosas rubras cobertas pelo sol ameno, diluído nas brisas da beira-rio...
que, em fragmentos de orvalho levam a poesia aos troncos de onde brotam folhas verdes,
na esperança de ver chegar as cerejas...
ainda em forma de beijo tímido...
Meus olhos, ao ver-te,
descobrem as palavras
que se soltam das brumas do alvorecer,
para me ampararem, no VIVER.
Maria Elisa Ribeiro-Maio/012

BOM DIA, AMIGOS!(Foto Pinterest)


 

Texto do nosso Eduardo Lourenço:


o google não permite usar a imagem




 Eduardo Lourenço, in NET:

A Mentalidade Portuguesa
É pena que Freud não nos tenha conhecido: teria descoberto, ao menos, no campo da pura vontade de aparecer, um povo em que se exemplifica o sublime triunfo do princípio do prazer sobre o princípio da realidade. Talvez não ficasse admirado se conhecesse, mesmo pela rama, uma das menos repressivas educações infantis que existem e tanto entusiasmaram Sartre quando observou a análoga, a vizinha Espanha. Adulação permanente e espectacular da criança-rei (sobretudo o macho), porta aberta para as suas pulsões narcisistas e exibicionistas, ausência de perspectiva social positiva, salvo a que prolonga a afirmação egoísta de si, tais são os mais comuns reflexos da educação portuguesa, defesa natural de mães frustradas nela pelo genérico absentismo e irresponsabilidade paternos.
A contrapartida desta realeza que converte cada adolescente (macho) na famosa espécie dos «matões» cara ao nosso Épico, traduz-se numa indefinição do espaço humano que nada limita e define senão a vontade oposta, e dá origem a uma sociedade que, sem paradoxo algum, suscita e impõe uma violência estatal que, exteriormente, equilibra essa fictícia realeza individual. Nada há na educação portuguesa — sobretudo hoje que a também «exterior» mas efectiva pressão ética de ordem religiosa naufrago — que contribua para a existência de um comportamento tanto quanto possível autodeterminado e equivalente, salvo o que nesse sentido existe na afeição maternal.
A sociedade portuguesa não é a única que vive sob o modo de uma quase total exterioridade e em obediência ao pendor irresistível de ocupar nela o lugar que implica o mínimo de resistência e o máximo de promoção social segundo a norma do parecer, mas é certamente uma das mais perfeitas no género. E será decerto pouco provável esperar, antes de longos anos, da almejada sociedade socialista a construir, uma mudança consciente naquilo que não é da ordem do político, embora o implique, mas da ordem obscura e de trama quase orgânica da mentalidade. Mas se essa mudança não é uma utopia, só pode esperar-se da transformação da mentalidade económica e social coadjuvada com uma prática pedagógica digna de uma sociedade anti-individualista, antiegoísta, como, em princípio, uma sociedade socialista deve ser.
Eduardo Lourenço, in 'O Labirinto da Saudade (1978)'

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

POEMA"SÍSIFO"

 SÍSIFO

Subo, penosamente, as escarpas da velha montanha.
Paro ,só por momentos, para repousar à sombra das
anosas árvores,
que me oferecem a beleza da sempre sombra.
O sol queima; a água não abunda; não há chuva
e sinto que a montanha é
_______________________ cada vez mais dolorosa e profunda.
Ponho a mão em pala, sobre os olhos
e procuro encontrar o sítio, lá em cima,
____________________________________onde me possa sentar.
Como é duro o caminho, Senhor,
quando se não pode parar
e é urgente continuar!
Chego ao fim do meu calvário
e, sento-me, então, no musgo fresco da rocha.
As árvores , em redor, são uma bênção de sombras
e bolotas para os animais.
Que lugar mais lindo e solitário!
Meu olhar afunda-se na linha do horizonte distante;
Vale a pena sofrer, sempre que o Grande Senhor chama.
Quão insignificante pode ser o Homem ,sempre que não for, sequer,
capaz de ver a maravilhosa OBRA,
que está ao seu dispor.
Maria Elisa Ribeiro
© Todos os direitos reservados
Out/2020
Nenhuma descrição de foto disponível.

Boa noite, meus amigos!


 

Mais um dia, graças a Deus, a caminho de um novo Natal!(Foto de Pinterest)