domingo, 20 de outubro de 2013

AS VERDADES, PELA BOCA DE ANTÓNIO COSTA(PS)-retirado da página do facebook do amigo António Manuel Monteiro Mendes

"Tenho uma triste notícia para dar aos comentadores e analistas políticos:
Podem todos passar a dedicar-se à agricultura, porque António Costa, em menos de 3 minutos, disse tudo, na "quadratura do círculo".
E aqui está textualmente o que ele disse (transcrito manualmente):
“A situação a que chegámos não foi uma situação do acaso. A União Europeia financiou durante muitos anos Portugal para Portugal deixar de produzir; não foi só nas pescas, não foi só na agricultura, foi também na indústria, por ex. no têxtil. Nós fomos financiados para desmantelar o têxtil porque a Alemanha queria (a Alemanha e os outros países como a Alemanha) queriam que abríssemos os nossos mercados ao têxtil chinês basicamente porque ao abrir os mercados ao têxtil chinês eles exportavam os teares que produziam, para os chineses produzirem o têxtil que nós deixávamos de produzir. E portanto, esta ideia de que em Portugal houve aqui um conjunto de pessoas que resolveram viver dos subsídios e de não trabalhar e que viveram acima das suas possibilidades é uma mentira inaceitável. Nós orientámos os nossos investimentos públicos e privados em função das opções da União Europeia: em função dos fundos comunitários, em função dos subsídios que foram dados e em função do crédito que foi proporcionado. E portanto, houve um comportamento racional dos agentes económicos em função de uma política induzida pela União Europeia. Portanto não é aceitável agora dizer… podemos todos concluir e acho que devemos concluir que errámos, agora eu não aceito que esse erro seja um erro unilateral dos portugueses. Não, esse foi um erro do conjunto da União Europeia e a União Europeia fez essa opção porque a União Europeia entendeu que era altura de acabar com a sua própria indústria e ser simplesmente uma praça financeira. E é isso que estamos a pagar!
A ideia de que os portugueses são responsáveis pela crise, porque andaram a viver acima das suas possibilidades, é um enorme embuste. Esta mentira só é ultrapassada por uma outra. A de que não há alternativa à austeridade, apresentada como um castigo justo, face a hábitos de consumo exagerados. Colossais fraudes. Nem os portugueses merecem castigo, nem a austeridade é inevitável.
Quem viveu muito acima das suas possibilidades nas últimas décadas foi a classe política e os muitos que se alimentaram da enorme manjedoura que é o orçamento do estado. A administração central e local enxameou-se de milhares de "boys", criaram-se institutos inúteis, fundações fraudulentas e empresas municipais fantasma. A este regabofe juntou-se uma epidemia fatal que é a corrupção. Os exemplos sucederam-se. A Expo 98 transformou uma zona degradada numa nova cidade, gerou mais-valias urbanísticas milionárias, mas no final deu prejuízo. Foi ainda o Euro 2004, e a compra dos submarinos, com pagamento de luvas e corrupção provada, mas só na Alemanha. E foram as vigarices de Isaltino Morais, que nunca mais é preso. A que se juntam os casos de Duarte Lima, do BPN e do BPP, as parcerias público-privadas 16 e mais um rol interminável de crimes que depauperaram o erário público. Todos estes negócios e privilégios concedidos a um polvo que, com os seus tentáculos, se alimenta do dinheiro do povo têm responsáveis conhecidos. E têm como consequência os sacrifícios por que hoje passamos.
Enquanto isto, os portugueses têm vivido muito abaixo do nível médio do europeu, não acima das suas possibilidades. Não devemos pois, enquanto povo, ter remorsos pelo estado das contas públicas. Devemos antes exigir a eliminação dos privilégios que nos arruínam. Há que renegociar as parcerias público--privadas, rever os juros da dívida pública, extinguir organismos... Restaure-se um mínimo de seriedade e poupar-se-ão milhões. Sem penalizar os cidadãos.
Não é, assim, culpando e castigando o povo pelos erros da sua classe política que se resolve a crise. Resolve-se combatendo as suas causas, o regabofe e a corrupção. Esta sim, é a única alternativa séria à austeridade a que nos querem condenar e ao assalto fiscal que se anuncia."

POEMA: SE...





POEMA: SE...


SE…


Se ao menos uma palavra iluminada soubesse
ensinar-me o caminho…
Se as flores não desmaiassem de cor perante
o brilho quente do sol…
Se ao menos o vento te fechasse na força
de um abraço, contra meu peito…
Se teus dedos soletrassem os meus sentidos, perdidos
no magma de sulcos de lava…


…as areias do mar, ao longe, perder-se-iam no canto

das sereias prateadas…


...os rios deslizariam por cima de seixos quentes, obstinados,

sempre presentes na trajectória dos dias…


…o orvalho sensual perdido nas folhas das árvores, escorreria ,

natural, pela folha de papel

onde me escondo-a- sentir

a fugaz, pálida , luz do teu olhar, ao encontro do viver…



Oh, se caminhássemos nesta bruma, que anuncia o dia onde já nos perdemos…



Talvez tivéssemos mudado a mão do vento que sufoca as árvores…

E outros poderiam ter sido ser os rios, as montanhas, as florestas dos desertos
onde o desalento e a erosão dão as mãos…

e talvez, das nossas memórias se tivesse ausentado o esquecer-as-flores-rubras a vicejar…



………………………………………………Se não tivéssemos sido pedra-arruinada-entre-ruínas

………………………………………………talvez o sangue continuasse a fluir no corpo dos cactos

……………………………………………..e voltássemos a ouvir um piano no meio das águas

……………………………………………..um violino a dançar num céu de espumas esbranquiçadas

……………………………………………..uma sonata de amor num poema de noites exaustas….



Maria Elisa R. Ribeiro
(Marilisa Ribeiro)
CQ16-ERTs-OUT/012

Poema de Liberdade, de Sophia de Mello Breyner (1919-2004)







Che Guevara



Contra ti se ergueu a prudência dos inteligentes e o arrojo
[dos patetas
A indecisão dos complicados e o primarismo
Daqueles que confundem revolução com desforra

De poster em poster a tua imagem paira na sociedade de
[consumo
Como o Cristo em sangue paira no alheamento ordenado das
[igrejas

Porém
Em frente do teu rosto
Medita o adolescente à noite no seu quarto
Quando procura emergir de um mundo que apodrece

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"

sábado, 19 de outubro de 2013

BOM FIM DE SEMANA, MEUS AMIGOS!


Crónica de Vitor Malheiros no jornal "Público"-in Net




















José Vitor Malheiros
crónica Público
29.01.2013

"Dívida! MÁ! MÁ!!! Dívida PFFFF! MÁ dívida, MÁ!!"

Deve-se dizer isto várias vezes com ar de grande nojo e repulsa, esfregando a dívida no focinho do cão e agitando-a de forma irritante de forma que ele associe para sempre a dívida a algo profundamente odioso. Não deixe o cão morder a dívida para que a frustração do animal aumente a sua agressividade. Ao fim de algumas semanas o efeito deve ser visível.

"Financiamento! BOM! BOM! Oh, financiamento lindo! BONITO! BONITO! Olha o regresso aos mercados, tão lindo!! BONITO! BONITO!" O processo deve ser idêntico ao anterior mas simétrico. Enquanto se mostra o financiamento, deve-se acarinhar o cão e mostrar uma intensa alegria. Deixe o cão brincar um pouco com o regresso aos mercados enquanto lhe coça a barriga e lhe acaricia a cabeça atrás das orelhas. Faça festinhas no regresso aos mercados e repita "AMIGO! AMIGO!". Durante a brincadeira, dê uns biscoitos ao cão.

É assim que o Governo, os partidos da maioria, os media que repetem o que estes dizem (o que significa praticamente toda a televisão e a esmagadora maioria da restante imprensa) e uma parte considerável do PS nos têm tratado - e a estratégia tem resultado. Endividamento é mau! Regresso aos mercados é bom! E nós abanamos a cauda, sem perceber bem porquê e repetimos o mantra. Mas, se pararmos para pensar um bocadinho, constatamos que este maravilhoso "regresso aos mercados", que este vitorioso "acesso ao financiamento" não é senão mais um pedido de empréstimo... o que vai necessariamente aumentar o endividamento. E, o que é mais preocupante, que vai provavelmente substituir dívida antiga, a juro mais baixo, por dívida actual, a juro mais alto.

Qual é a vantagem então deste "regresso aos mercados" e por que é que tanta gente embandeira em arco? A vantagem é, antes de mais, uma vitória de propaganda. Seria uma excelente notícia se os mercados, apesar da sua sacanice intrínseca e do seu conhecido disfuncionamento, considerassem que Portugal oferecia condições de segurança para fazer investimentos. Isso quereria dizer que se esperava que a economia portuguesa tivesse um crescimento espectacular e isso seria bom. Mas, na realidade, nada permite alimentar a ideia de que os mercados pensem isto. O "regresso aos mercados" foi possível, como sabemos, porque o BCE garantiu em última instância a dívida contraída e, apesar disso, vamos ter de pagar por este maravilhoso regresso aos mercados juros superiores aos que nos cobra o maléfico FMI. Ou seja: os mercados desconfiam. Em teoria, é evidente que é melhor poder pedir dinheiro emprestado a várias entidades do que a uma só. Se o mercado funcionasse, isso quereria dizer que poderíamos regatear e obter melhores condições nos empréstimos. Mas como "os mercados" sabem que precisamos de ir "aos mercados" para fingir que está tudo bem, só conseguimos comprar dinheiro mais caro.

O que o Governo conseguiu fazer com o regresso aos mercados foi empurrar a dívida para a frente com a barriga (sim, aquilo que acusa o governo Sócrates e o PS em geral de ter feito) e espera poder fazê-lo ainda mais vendendo dívida a mais longo prazo nas futuras emissões. Trata-se - como uma grande parte do jogo da finança nos últimos anos - de uma espécie de esquema piramidal: contrair dívida futura para pagar dívida de hoje, ficar a dever cada vez mais e esperar um milagre um dia para poder pagar tudo. O regresso aos mercados é uma boa notícia para o Governo, mas apenas porque lhe permite realizar o seu programa ideológico: eternizar o programa de "austeridade", de "ajustamento", de empobrecimento, de escravização da população portuguesa em favor dos credores. A verdade insofismável é que devemos cada vez mais, a nossa economia está cada vez mais enfraquecida, as pessoas cada vez mais pobres, a sociedade cada vez mais desigual.

O regresso aos mercados também permite aos bancos a mesma fuga para a frente - contrair dívida a pagar cada vez mais tarde e usar o crédito caro para escravizar mais umas quantas empresas e acentuar o seu carácter rentista. Claro que, pelo caminho, é possível que umas quantas empresas consigam financiamento necessário que até agora lhes estava vedado - e isso é bom. Mas é difícil ver nesta operação vantagens para a população em geral.

E isto é uma das conclusões evidentes de toda esta salgalhada em que nos meteram. Governo e partidos do Governo e media continuam a falar destas operações como se fossem boas para "o país" e para "os portugueses", escamoteando que os interesses dos bancos ou dos patrões não são de forma alguma os mesmos dos trabalhadores e da população em geral. Votado ao ostracismo o conceito de luta de classes, apenas mencionado com rubor, os políticos persistem em esconder o facto insofismável que existem interesses opostos nas diferentes classes - como a crescente desigualdade criada pela crise mostra à evidência. O desemprego crescente que afecta uma grande parte da população tem como contrapartida o aumento da venda de Lamborghinis noutra camada restrita da população. O regresso aos mercados não é igual para todos.

JVM

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

TRISTE PORTUGAL!

GRANDE VERDADE! SERÁ QUE JÁ FORAM "TODOS" PARA EXPORTAÇÃO?
E PENSO NO DISCURSO DA SENHORA maria luís albuquerque, POMPOSAMENTE TRATADA COMO ministra das finanças de PORTUGAL, BRAÇO DIREITO E TORTO DE UM OUTRO ministro, DE SEU NOME vitor gaspar que, AO FUGIR DO CAOS EM QUE DEIXOU ESTE POBRE POVO DISSE , ALTO E BOM TOM, A QUEM O QUIS OUVIR, QUE ERROU EM TODAS AS MEDIDAS PARA "LEVANTAR" PORTUGAL!!!COMO PODE ESTA MULHER APRESENTAR-SE, DE CARA LAVADA, ÀS MEDIDAS SUJAS DOS SATÂNICOS passos e portas, rosalinos e OUTROS CRETINOS, A DEFENDER A DESTRUIÇÃO DE UM POVO?
É HORA, POVO, DE REERGUER PORTUGAL E , POR ISSO, VOS DEIXO AQUI UM "REQUIEM" POR TODA A TRALHA QUE ACHAMOS QUE DEVE IR PEGAR NUMA ENXADA E TRABALHAR NO DURO, COM O ORDENADO MÍNIMO OU UM SUBSÍDIO DE REINSERÇÃO SOCIAL DE 77 EUROS!!!!!!!!!!!!!!!!

Poema: DECALCOMANIA















Poema :




DECALCOMANIA







trago à luz a mão que me escreve e me torna um rasto de
pedaços de frases. que gritam línguas de estranhos contornos e sonoridades.
ecos de uma onda de memórias. que me querem afastar ,em ondas de espuma,
do dia dos novos rumos das aves.

o tempo foi das palavras esfomeadas num silêncio entre sílabas, ao abandono.
a chuva embacia-me o olhar e mancha-me o sorriso.
o oceano geme vagas descontroladas da minha fome de anexar
fonemas-em-despedidas-de-silêncio.

sacio-me.
crio-me, talvez, num poema onde prendo vocábulos
à pena que desliza pelo branco papel, numa súbita vertigem
de luz a gritar mares de Distantes origens.

quase-poema…
quase -falta-de-poema…
quase Eu -para-ser-um-tema…

escorre música de uma velha janela voltada para os tempos
da infância…Que distância!

o mar, bem sei, fala todas as linguagens do mundo…
ele é uma decalcomania do que não é possível esquecer…
…horta de algas…cave-sótão de marés…tempestade de encharcar poesia-na-memória-construtora de novos mundos…

Trago à luz a mão de um mar medieval que continua a chamar pelo nome,
[o nome-de-Portugal…

…e as asas tenras das velas latinas saltaram muros de frustrações
e aportaram às canelas
de todas as convicções…


Decalcomanias permanecemos, no Outrora de sistemáticas ilusões…


Maria Elisa Rodrigues Ribeiro
(MERR)-JLH/013-O.I-REG: CP

POEMA DE NATÁLIA CORREIA (1923-1993)



Balada para um Homem na Multidão


Este homem que entre a multidão
enternece por vezes destacar
é sempre o mesmo aqui ou no japão
a diferença é ele ignorar.

Muitos mortos foram necessários
para formar seus dentes um cabelo
vai movido por pés involuntários
e endoidece ser eu a percebê-lo.

Sentam-no à mesa de um café
num andaime ou sob um pinheiro
tanto faz desde que se esqueça
que é homem à espera que cresça
a árvore que dá dinheiro.

Alimentam-no do ar proibido
de um sonho que não é dele
não tem mais que esse frasco de vidro
para fechar a estrela do norte.
E só o seu corpo abolido
lhe pertence na hora da morte.

Natália Correia, in "O Vinho e a Lira"

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Poema de Vergílio Ferreira (1916-1996)





Sinto na Angústia o Quem me LembrasseSinto na angústia o quem me lembrasse
e do lembrar a mim como uma ponte
onde de noite já ninguém passasse
viesse a notícia desse outro horizonte

em que o meu grito preso na garganta
dissesse à voz que não ouvi e veio
quanto cansaço inverosímil, quanta
fadiga me enternece como um seio.

Vibrátil voga vaga pela tarde
que em cigarros distrai o eu estar só
a chama obscura que visível arde
quando arde ao sol o pó.

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1'

Crónica de Henrique Monteiro, perfeitamente actual, retirada do site identificado.

Crónica de Henrique Monteiro , perfeitamente actual.

DO JORNALISTA HENRIQUE MONTEIRO, ATRAVÉS DO JORNAL" EXPRESSO"


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A imoralidade do corte das pensões (e outras imoralidades)
Henrique Monteiro 9:00 Domingo, 15 de setembro de 2013


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Há um certo consenso sobre a imoralidade inerente ao corte de pensões. Por um lado, porque há uma quebra de confiança num contrato com o Estado; porque atinge pessoas que não têm idade nem capacidade de, contando com aqueles rendimentos, poderem ir buscar outros (arranjar emprego, emigrar, fazer biscates); porque, enfim, a maioria não tem organizações representativas que os defendam, que façam lóbi.

Ou seja, que a medida é imoral não me levanta dúvidas.

O problema é o que fazer para cortar a despesa do Estado. Henrique Medina Carreira que foi visto como uma Cassandra, mas que é hoje evidente que tinha razão, afirmava há anos que só havia duas maneiras de equilibrar as contas - cortar nos salários da administração pública e nas prestações sociais (porque isso corresponde a quase 80% da despesa). Claro que há muito por fazer noutros setores, nomeadamente em privilégios inacreditáveis que subsistem (e que por não terem ainda sido feitos, tornam o corte das pensões ainda mais imoral).

É vergonhoso que um país tenha chegado a esta situação, da qual, mesmo a crescer 1% como aconteceu no último trimestre, demorará oito anos a sair. Tem de haver culpados -e não só no BPN e não só na banca; e não só na regulação do Estado sobre a banca; e não só na construção civil e nas traficâncias entre os partidos os empreiteiros. Era preciso haver Justiça, porque toda a política se faz para que haja justiça. Para que - havendo mais ricos e mais pobres - isso decorra da Justiça do esforço, da capacidade, do conhecimento, da criatividade serem recompensados. Mas em Portugal nada disto é recompensado, porque os impostos chegaram a níveis extrativos em que o Estado saca aos trabalhadores esforçados e preparados, metade, dois terços ou mais daquilo que o patrão gasta com eles. E isto também é imoral porque obriga um indivíduo a entregar cada vez mais dinheiro ao Estado em troca de cada vez menos.

Curiosamente, o corte nas pensões - que escandaliza (e bem) tantas personalidades, elas próprias pensionistas - leva a que o líder da oposição venha dizer (sem saber se o pode fazer) que reporá a situação anterior quando for Governo. Mas não ouço ninguém prometer o resto.

Ou seja, prometer-me a mim e aos muitos que estão na minha situação:

1) Que repõem os impostos ao nível de, digamos, 2002;

2) Que repõem a perspetiva de reforma que eu tinha quando já trabalhava, por exemplo, há 30 anos (2008);

3) Que devolvem as deduções aos impostos que tínhamos direito quando ganhávamos, em termos líquidos e absolutos, mais do que hoje;

Porque isto não é menos imoral do que o prometido aos reformados. É que, ainda menos do que aqueles, os quadros médios, os trabalhadores por conta de outrem que têm salários razoáveis ou bons, acima da baixíssima média portuguesa, são provavelmente os mais entalados nesta crise e ninguém os defende. Nem as associações patronais, a que não pertencem, nem os sindicatos que os têm por feitos com o patronato. Aqueles que, como eu, dentro dos oito anos que isto leva a compor-se, já entraram na idade legal da reforma, nem esperança têm.

E aqui têm porque já nem sequer me indigno.

Eu sei que isto vai ser cada vez pior.

Não tenho dúvidas. O britânico Antony Beevor, um dos grandes historiadores do nosso mundo, dizia sexta-feira ao 'Diário de Notícias' esta ideia que eu (com a devida vénia, como se dizia) aqui deixo para reflexão: "Na Europa, nos últimos tempos, começámos a convencer-nos de que um certo nível de vida se tornou, de alguma forma, um direito humano básico (...) A presunção de que iremos continuar a usufruir de um certo estilo de vida simplesmente porque vivemos na Europa é uma ilusão perigosa. Não podemos pôr de parte a possibilidade de partes da Europa poderem vir a regredir para os níveis dos países em desenvolvimento".

Há ainda quem pense que se trata apenas de uma conspiração. Mas para quem conhece o mundo isto é muito claro.

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Poema: BOSQUE-VIDA




POEMA:


BOSQUE DA VIDA



Entre bosques e serranias, aprendi a amar
os deuses do silêncio das horas, escondidos em ervas rasteiras…

(O silêncio, hoje, é o ruído da canseira dos movimentos do AMOR…)

Imaginava-os minúsculos, com poderosos músculos,
para me susterem nas brincadeiras…

(Como tu, hoje, ao conduzires-me na hora da sensual magia…)

Irradiava, então, luz e calor, no fervor das tropelias loucas,
de quem nada sabia de outro amor que não o da Natureza fresca,
presa por raízes, onde se escondiam perdizes, codornizes e
pássaros do chão, nos ninhos da criação…

(Era a Hora da consumação no cio…)

Os insectos perdiam-se, loucamente, por entre os odores do farto pinhal!

(Hoje…eu e tu…não é igual?)

ÉTER, deus do silêncio, punha um dedo na boca, a lembrar-me que,
na catedral da vida, fazer ruídos era atitude louca…

(Agora, na hora de explodir de Amor, tapas, com a tua, a minha boca…)

Hoje, MULHER, revelo-me ao mergulhar em mim!
Sou fogo de amor…chama de paixão…
Exalto-me e consumo-me consciente da minha singularidade sensual…
E ao som da música da Primavera que escorre, em brasa,
da minha entrada mais funda, seduzo o mundo teu,
o que me dás na hora quente, em que nos fundimos em sexo ardente!

Imobilizo-me no tempo que dura o meu poema-música…
E sou Drama-Comigo-Própria!Ajo e reajo na consciência de MIM!
Vejo urzes e giestas…penso-as…sinto-as…no “leito –chão” com defeito,
ao qual dou a perfeição que advém da nossa união de amor!

Um relâmpago feito de Ideias, atravessa, impune, a Noite da Vida…

(É teu corpo dentro do meu…Sou EU…parte do teu!)

O meu rouxinol interior desata a cantar sons de flor,
chuva de odores temporais, palavras de suspirar…

(Cheiro de sémen…semente no fundo de MIM- MULHER…)

Hoje, secretária das minhas recordações,
forço-as a ligarem-se por associações de alegria
para frutificarem em PALAVRA-POESIA!
…e Gaia, Mãe Natureza, identifica-me no conceito de Amor-Dádiva!

(Eu…agora…momento de SER-MULHER na oferta do tesouro meu, a desabrochar…)



Maria Elisa Rodrigues Ribeiro
(MERR)-ERTS-2012

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Crónica de PACHECO PEREIRA no jornal "PÚBLICO"-Assunto perfeitamente actual!











Crónica de José Pacheco Pereira . Público





“Eles” (os funcionários públicos) são uma parte de “nós” (José Pacheco Pereira)
8 de June de 2013

Se há um princípio cívico de moralidade, o que está a acontecer aos funcionários públicos deveria fazer soar todos os sinais de alarme O que se passa na actual ofensiva do Governo contra a função pública está muito para além da condição de se ser “funcionário público”. O discurso do Governo – mais uma vez um discurso de divisão entre os portugueses, a que chamei e chamo “guerra civil” – pretende legitimar as suas acções como tendo a ver com aquilo que apresenta como “privilégios” dessa condição profissional. Os corolários são sempre os mesmos; está-se a atacar privilegiados, cujos privilégios são pagos pelos dinheiros dos contribuintes, em nome da “equidade”. Se temos impostos altos é porque esta gente “do Estado” tem o emprego garantido, ganha mais do que os trabalhadores do sector privado, tem maiores reformas. Tudo em parte verdade, tudo em absoluto mentira.
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Este discurso colhe, porque as sementes da cizânia pegam sempre em momentos de empobrecimento, em que a mais fácil das cegueiras é olhar para o lado e ver que o vizinho tem mais uns tostões do que eu e ficar fixado nessa socialização da inveja entre os de baixo, muito próximos em condição e dificuldades, em vez de olhar para outro lado, para o lado de onde vem a minha miséria e a do meu vizinho. Para o lado de cima.
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O que se passa com a função pública é relevante para todos nós, como método, como sinal, e, infelizmente, como imoralidade social, rompendo um contrato social que é suposto ser o tecido da nossa sociedade em democracia, em que existem diferenças e diferenciações aceitáveis e outras inaceitáveis. É porque o Governo quer esconder as inaceitáveis que assume agora uma espécie de igualitarismo para os imbecis, proclamando-se de uma rasoira igualitária que serve para violar contratos e garantias, direitos e condições, em nome de um “dinheiro” que não há nestes casos e que parece haver sempre nos outros. Alguém disse esta semana, e bem, que nunca ouviu o Governo responder que “não havia dinheiro” para as PPP, nem para os contratos swap, nem para a banca, só para os trabalhadores e para os reformados.
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É por isso que o que o Governo está a fazer aos funcionários públicos tem um significado social muito mais vasto do que as peculiaridades do seu estatuto social e profissional. E o invólucro de uma pseudo-”reforma do Estado” é apenas a expressão orwelliana para mais um corte cego nos serviços públicos, sem nexo, sem consistência, nem sustentação, sem sequer corresponder a qualquer poupança estrutural, porque os custos das coisas mal feitas são muito maiores do que a poupança orçamental obtida a curto prazo.
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Um dos aspectos mais inaceitáveis deste processo é o grau de dolo e fraude em que ele é feito. Repito-me, mas este é um dos aspectos mais repulsivos da actual governação. Todos os governantes juraram várias vezes, há dois anos, e há dois meses, que nunca haveria despedimentos na função pública, nunca haveria “mobilidade especial” para os professores, e que apenas quem quiser sair teria abertas as portas a “rescisões amigáveis”. O que ofende mais a consciência comum é que as mesmas pessoas que usaram o “nunca”, várias vezes e em contextos que não permitiam a ambiguidade, estão hoje na vanguarda de piruetas verbais mais obscenas para se desdizerem, parecendo aliás muito pouco preocupados com o valor da sua palavra.
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Quando se justificaram, no passado próximo, muitas medidas de cortes salariais na função pública com o argumento de que podiam ser mais gravosas para os funcionários públicos, visto que eles tinham “a garantia do emprego”, o que se estava a fazer era mentir a todos, como método de actuação. O mesmo dolo foi a “mobilidade especial” e agora a “requalificação” que não são mais do que classificações enganosas em burocratês para os despedimentos. O despedimento de funcionários públicos estava inscrito no código genético desta governação desde o primeiro dia. Escrevi-o na altura com absoluta certeza de que iria ser assim. E foi.
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Tudo isto nos diz respeito, funcionários ou trabalhadores do sector privado, porque ninguém tenha dúvidas de que se o Governo pudesse fazer a todos os trabalhadores portugueses o mesmo que está a fazer aos funcionários públicos, fá-lo-ia sem hesitar. Se, por despacho ou lei ordinária, em muitos casos sem sequer ir à Assembleia da República, fosse possível aumentar o horário de trabalho, permitir despedimentos discricionários por decisão unilateral do patrão ou do capataz, individuais e colectivos, sem qualquer enquadramento legal que proteja a parte mais fraca, nem simulacros de leis laborais seriam precisas.
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E tudo isto nos diz respeito, porque é o medo o lubrificante do discurso de guerra civil do Governo. Sim, o medo das pessoas normais, que sabem que ninguém as defende, que não confiam na força dos sindicatos, que sabem que o silêncio cúmplice de Seguro não destoa dos actos de Passos Coelho, que sabem que se escorregarem ainda mais no plano inclinado da pobreza, cujo grande salto é o despedimento, terão uma vida infernal, difícil e envergonhada. E por isso hesitam, temem, retraem-se, têm a ilusão de que podem passar despercebidos ao olhar do chefe que vai escolher quem vai para a “mobilidade especial”, ou para a “requalificação”, ou seja, quem vai ser despedido.
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A razão pela qual o povo português parece ser mais “paciente” resulta muito simplesmente de que muitos têm medo de perder ainda mais do que o que já estão a perder. E como o discurso da divisão deixa cada um sozinho na sua fábrica, na sua escola, na sua repartição, o medo ainda é eficaz. Mas o medo é destrutivo da sociedade e da democracia, e dá saída apenas para o desespero, o momento em que as pessoas percebem que já não há mais a perder. E nessa altura o seu desespero não se verá em manifestações da CGTP ou dos “indignados”.
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Uma das razões por que prefiro mesmo o desconhecido e o arriscado à situação presente, como sejam eleições antecipadas sem grandes expectativas, é que prefiro um tumulto que abra o espaço político a uma situação nova, à continuidade de uma governação que é uma forma muito pior de tumulto, é a destruição de um país em que a condição de se ser português não significa nada, porque já não existem laços comunitários em que nos reconheçamos.
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Soares apelou às esquerdas, mas com idêntico impulso crítico podia-se apelar às direitas, no mesmo sentido de acção contra este Governo. Quem tiver um mínimo senso patriótico e nacional, mesmo aceitando-se o lugar-comum de que é à direita que esse sentimento de patriotismo é mais agudo, não pode deixar de se preocupar e muito com a obra de destruição de Portugal e do tecido que uniu até hoje os portugueses.
O enorme falhanço da esquerda e da direita está em querer traduzir numa linguagem estereotipada e sectária uma realidade de devastação que em muito ultrapassa o discurso político tradicional. Os partidos políticos que assentam em termos programáticos numa ideia de cidadania (como o PS) ou de “pessoa humana” (como o PSD e o CDS) estariam à partida vocacionados para, pelo menos, compreender o que se está a passar e travar esta forma miserável de luta de uns contra os outros que não ousa dizer o nome, mas que é muito parecida com a “luta de classes”. Mas cada um ao seu modo, nas suas lideranças, traiu os seus programas e, por isso, está a estragar Portugal e a democracia.
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Não é irrelevante o que se está a passar, para quem seja “justo”, para quem não seja indiferente ao tónus moral e cívico de uma sociedade, com todos os piores instintos a ser despertados e alimentados, para garantir um terreno favorável a um projecto de engenharia política que hoje está em decadência, mas que envenena a terra em que está a apodrecer. Se há um princípio cívico de moralidade – e é um cínico e um relutante defensor de argumentos morais em política que escreve isto – o que está a acontecer aos funcionários públicos deveria fazer soar todos os sinais de alarme.
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Face a esta situação, precisávamos de gente como Thomas Paine que nos ensinasse que a “moderação no Bem” não é uma coisa boa. E que se a “moderação no temperamento é sempre uma virtude, a moderação nos princípios é sempre um vício”. Há momentos em que é precisa esta intransigência.
José Pacheco Pereira – “Público” 08 junho 2013

terça-feira, 15 de outubro de 2013

TEXTO PERFEITAMENTE ACTUAL DO JORNALISTA DO "PÚBLICO", VITOR MALHEIROS

TERÇA-FEIRA, SETEMBRO 11, 2012


O sonho de Pedro Passos Coelho




por José Vítor Malheiros
Texto publicado no jornal Público a 11 de Setembro de 2012Crónica 36/2012




“Se os deficientes não tiverem uma família que possa suportar o custo da sua assistência não se pode atirar o fardo para cima da sociedade”

“Um terço é para morrer. Não é que tenhamos gosto em matá-los, mas a verdade é que não há alternativa. se não damos cabo deles, acabam por nos arrastar com eles para o fundo. E de facto não os vamos matar-matar, aquilo que se chama matar, como faziam os nazis. Se quiséssemos matá-los mesmo era por aí um clamor que Deus me livre. Há gente muito piegas, que não percebe que as decisões duras são para tomar, custe o que custar, e que, se nos livrarmos de um terço, os outros vão ficar melhor. É por isso que nós não os vamos matar. Eles é que vão morrendo. Basta que a mortalidade aumente um bocadinho mais que nos outros grupos. E as estatísticas já mostram isso. O Mota Soares está a fazer bem o seu trabalho. Sempre com aquela cara de anjo, sem nunca se desmanchar. Não são os tipos da saúde pública que costumam dizer que a pobreza é a coisa que mais mal faz à saúde? Eles lá sabem. Por isso, joga tudo a nosso favor. A tendência já mostra isso e o que é importante é a tendência. Como eles adoecem mais, é só ir dificultando cada vez mais o acesso aos tratamentos. A natureza faz o resto. O Paulo Macedo também faz o que pode. Não é genocídio, é estatística. Um dia lá chegaremos, o que é importante é que estamos no caminho certo. Não há dinheiro para tratar toda a gente e é preciso fazer escolhas. E as escolhas implicam sempre sacrifícios. Só podemos salvar alguns e devemos salvar aqueles que são mais úteis à sociedade, os que geram riqueza. Não pode haver uns tipos que só têm direitos e não contribuem com nada, que não têm deveres.


Estas tretas da democracia e da educação e da saúde para todos foram inventados quando a sociedade precisava de milhões e milhões de pobres para espalhar estrume e coisas assim. Agora já não precisamos e há cretinos que ainda não perceberam que, para nós vivermos bem, é preciso podar estes sub-humanos.


Que há um terço que tem de ir à vida não tem dúvida nenhuma. Tem é de ser o terço certo, os que gastam os nossos recursos todos e que não contribuem. Tem de haver equidade. Se gastam e não contribuem, tenho muita pena... os recursos são escassos. Ainda no outro dia os jornais diziam que estamos com um milhão de analfabetos. O que é que os analfabetos podem contribuir para a sociedade do conhecimento? Só vão engrossar a massa dos parasitas, a viver à conta. Portanto são: os analfabetos, os desempregados de longa duração, os doentes crónicos, os pensionistas pobres (não vamos meter os velhos todos porque nós não somos animais e temos os nossos pais e os nossos avós), os sem-abrigo, os pedintes e os ciganos, claro. E os deficientes. Não são todos. Mas se não tiverem uma família que possa suportar o custo da assistência não se pode atirar esse fardo para cima da sociedade. Não era justo. E temos de promover a justiça social.


O outro terço temos de os pôr com dono. É chato ainda precisarmos de alguns operários e assim, mas esta pouca vergonha de pensarem que mandam no país só porque votam tem de acabar. Para começar, o país não é competitivo com as pessoas a viverem todas decentemente. Não digo voltar à escravatura - é outro papão de que não se pode falar - mas a verdade é que as sociedades evoluíram muito graças à escravatura. Libertam-se recursos para fazer investimentos e inovação para garantir o progresso e permite-se o ócio das classes abastadas, que também precisam. A chatice de não podermos eliminar os operários como aos sub-humanos é que precisamos destes gajos para fazer algumas coisas chatas e, para mais (por enquanto) votam - ainda que a maioria deles ou não vote ou vote em nós. O que é preciso é acabar com esses direitos garantidos que fazem com que eles trabalhem o mínimo e vivam à sombra da bananeira. Eles têm de ser aquilo que os comunistas dizem que eles são: proletários. Acabar com os direitos laborais, a estabilidade do emprego, reduzir-lhes o nível de vida de maneira que percebam quem manda. Estes têm de andar sempre borrados de medo: medo de ficar sem trabalho e passar a ser sub-humanos, de morrer de fome no meio da rua. E enchê-los de futebol e telenovelas e reality shows para os anestesiar e para pensarem que os filhos deles vão ser estrelas de hip-hop e assim.


O outro terço são profissionais e técnicos, que produzem serviços essenciais, médicos e engenheiros, mas estes estão no papo. Já os convencemos de que combater a desigualdade não é sustentável (tenho de mandar uma caixa de charutos ao Lobo Xavier), que para eles poderem viver com conforto não há outra alternativa que não seja liquidar os ciganos e os desempregados e acabar com o RSI e que para pagar a saúde deles não podemos pagar a saúde dos pobres.


Com um terço da população exterminada, um terço anestesiado e um terço comprado, o país pode voltar a ser estável e viável. A verdade é que a pegada ecológica da sociedade actual não é sustentável. E se não fosse assim não poderíamos garantir o nível de luxo crescente da classe dirigente, onde eu espero estar um dia. Não vou ficar em Massamá a vida toda. O Ângelo diz que, se continuarmos a portar-nos bem, um dia nós também vamos poder pertencer à élite.” (jvmalheiros@gmail.com)

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Através de Wikipédia: o reinado de D.João II, o Príncipe Perfeito


Antes do trono[editar]

D. João II de Portugal nasceu no Paço das Alcáçovas, no Castelo de São Jorge. Era filho do rei Afonso V de Portugal e de Isabel de Coimbra, princesa de Portugal. João II sucedeu ao seu pai após a sua abdicação, em 1477; no entanto, Afonso V retornou e logo D. João lhe devolveu o poder, e só se tornou de novo rei após a sua morte em 1481. Como príncipe, João II acompanhou o seu pai nas campanhas em África e foi armado cavaleiro por Afonso V, depois da tomada deArzila a 21 de Agosto de 1471, junto ao corpo do conde de Marialva, perecido nessa batalha. No início desse ano, a 22 de Janeiro, em Setúbal, desposou Leonor de Viseu, princesa de Portugal e sua prima direita, filha do infante D. Fernando. Fruto desta união, nasce em 1475 o infante D. Afonso.

Em 1474 assumiu a direcção da política da expansão enquanto D. Afonso V travava luta com os castelhanos e, a 25 de Abril do ano seguinte, assumiu a regência do reino que, por ir socorrer o pai a Espanha, passara para o encargo de D. Leonor. Participou, a 2 de Março, na batalha de Toro.
A época das conspirações e da morte dos conspiradores[editar]

Desde jovem que João não era popular junto dos pares do reino, visto que parecia ser imune a influência externa e desprezava a intriga. Os nobres poderosos, nomeadamente Fernando II, duque de Bragança, tinham medo da sua governação e, assim que ganhou as rédeas do país, João provou que tinham razão para isso.

Depois da sua ascensão ao trono, o monarca tomou uma série de medidas com vista a retirar poder à aristocracia e a concentrá-lo em si próprio. Imediatamente, começaram as conspirações mas inicialmente o rei adoptou uma posição de mero observador. Cartas de reclamação e pedidos de intervenção foram trocadas entre o duque de Bragança e os Reis católicos de Espanha. O escrivão de sua Fazenda em Vila Viçosa e um mensageiro, entregaram ao rei correspondência comprometedora com os Reis Católicos em 1483. Foi o próprio monarca quem prendeu o duque de Bragança, ao fim de uma conversa a sós, em Évora. Foi julgado ao longo de 22 dias, em uma sala revestida de tapetes, à volta de uma mesa onde se encontravam 21 juízes, fidalgos e cavaleiros, com o rei sentado no topo e, em algumas sessões, com o réu a seu lado. A votação, iniciada com um discurso do monarca, consumiu dois dias e terminou com a condenação do duque à morte. No dia seguinte, 20 de junho de 1483, D. Fernando foi degolado na praça de Évora, diante do povo. O episódio é narrado pelos cronistas Garcia de Resende e Rui de Pina.1

No ano seguinte, o duque de Viseu, D. Diogo, primo e cunhado de João II (irmão da rainha D. Leonor), concebeu um plano para apunhalar o soberano na praia, em Setúbal. Um dos envolvidos avisou o monarca, que decidiu viajar por terra, inviabilizando o plano dos conspiradores. Mandou então chamar ao palácio o duque e apunhalou-o pessoalmente. Depois de eliminar o cunhado, o rei enviou dois emissários à mãe do duque, comunicando o ocorrido. Chamou ainda um irmão do falecido, D. Manuel, e explicou-lhe que tinha esfaqueado o duque porque ele "o quisera matar", prometendo-lhe que, se o príncipe D. Afonso viesse a falecer, e não tivesse mais nenhum filho legítimo, ficaria D. Manuel como herdeiro de todos os seus reinos e senhorios.2

Na sequência, mais de 80 pessoas foram perseguidas por suspeita de envolvimento nesta conspiração. Outras foram executadas, assassinadas ou exiladas para Castela, incluindo o bispo de Évora, D.Garcia de Meneses, envenenado na prisão. Diz a tradição que João II comentou, em relação à limpeza no país: eu sou o senhor dos senhores, não o servo dos servos.

Depois destes eventos, mais ninguém em Portugal ousou desafiar ou conspirar contra o rei, que não hesitava em fazer justiça pelas suas próprias mãos. João II podia agora governar o país sem que ninguém se lhe opusesse.
A exploração marítima[editar]

Nota de 500 Escudos de 1966, João II de Portugal

Pouco depois de subir ao trono, em 1482, D. João II centralizou na coroa a exploração e comércio na costa da Mina e Golfo da Guiné, determinando a construção de uma feitoria para apoiar o florescente comércio do ouro de aluvião na região. Sob o comando de Diogo de Azambuja foi rapidamente construído o "Castelo de São Jorge da Mina"3 com pedra previamente talhada e numerada em Portugal, enviada como lastro nos navios, sistema de construção depois adoptado para numerosas fortificações.

João II foi um grande defensor da política de exploração atlântica iniciada pelo seu tio-avô Henrique. Os descobrimentos portugueses serão a sua prioridade governamental, bem como a busca do caminho marítimo para a Índia. Durante o seu reinado conseguiram-se os seguintes feitos:
1484Diogo Cão descobre a foz do Rio Congo e explora a costa da Namíbia
1488Bartolomeu Dias cruza o Cabo da Boa Esperança, tornando-se no primeiro europeu a navegar no Oceano Índico vindo de oeste
1493Álvaro de Caminha inicia a colonização das ilhas de São Tomé e Príncipe, sendo a ilha do Príncipe baptizada em homenagem ao único filho e herdeiro do rei, Afonso, Príncipe de Portugal (1475).
São enviadas expedições por terra lideradas por Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva ao Cairo, Adém, Ormuz, Sofala e Abissínia, a terra do lendário Preste João, donde enviam relatórios sobre essas paragens, ficando D. João II com a certeza de poder atingir a Índia por mar.
1493- 1494 – João II contesta a Bula Inter Coetera e negoceia um tratado directamente com os Reis Católicos: o Tratado de Tordesilhas.
1495 – Delineou a primeira viagem no caminho marítimo para a Índia. O comando foi inicialmente atribuído a Estevão da Gama. Contudo, dada a morte de ambos, foi delegado em 1497 pelo novo rei D.Manuel I de Portugal ao filho, Vasco da Gama.

A totalidade das descobertas portuguesas do reinado de João II permanece desconhecida. Muita informação foi mantida em segredo por razões políticas e os arquivos do período foram destruídos noTerramoto de 1755. Os historiadores ainda discutem a sua verdadeira extensão, suspeitando que navegadores portugueses chegaram à América antes de Cristóvão Colombo. Para suportar esta hipótese são citados com frequência os cálculos mais precisos que os portugueses tinham do diâmetro da Terra. No fim do século XV, havia em Portugal uma escola de navegação, cartografia e matemática há mais de oitenta anos, onde os cientistas mais talentosos se dedicavam à investigação. Enquanto Colombo acreditava poder chegar à Índia seguindo para oeste, é provável que João II já soubesse da existência de um continente no meio. As viagens do misterioso capitão Duarte Pacheco Pereira, para oeste de Cabo Verde foram possivelmente mais importantes do que as interpretações tradicionais supõem. Portanto, quando Colombo pediu apoio para a sua viagem, João II recusou. Colombo, capitão sem experiência atlântica, partia de uma suposição que o rei sabia estar errada. Decidido a chegar à Índia pelo ocidente, contornando África, não havia razão para subsidiar a expedição. Em 1492, ao serviço dos reis de Castela e Aragão, Colombo descobriu oficialmente a América. Até à sua morte, esteve convencido que havia chegado à Índia. Este evento iniciou entre Portugal e Castela uma série de disputas sobre o domínio dos mares. Foi esta rivalidade que levou à assinatura do Tratado de Tordesilhas a 7 de Junho de 1494. O tratado definia o semi-meridiano de Tordesilhas e estipulava que as terras a este desta linha seriam possessões portuguesas, enquanto que a outra metade do mundo seria espanhola.
O problema da descendência[editar]

Realeza Portuguesa
Casa de Avis
Descendência

João I[Expandir]
Duarte I[Expandir]
Afonso V[Expandir]
João II[Expandir]
Manuel I[Expandir]
João III[Expandir]
Sebastião I[Esconder]
Henrique I[Esconder]


Mas a divisão do mundo não era o único assunto pendente entre os reinos ibéricos. Os reis católicos tinham várias filhas, mas apenas um filho, Juan, de saúde frágil. A filha mais velha, Isabel, era casada com o príncipe Afonso de Portugal desde a infância. Se Juan morresse sem deixar herdeiros, o mais provável seria Afonso, único filho de João II, tornar-se rei não só de Portugal, mas também de Castela e Aragão. Esta ameaça à coroa espanhola era bem real: Fernando de Aragão e Isabel I de Castelatentaram todas as vias diplomáticas para dissolver o casamento, sem qualquer sucesso. Finalmente, em 1491, o príncipe Afonso morre em consequência de uma misteriosa queda de cavalo durante um passeio à beira do rio Tejo. A ligação dos reis católicos ao acidente nunca foi provada, mas eram eles quem mais tinha a ganhar.

Durante o resto da sua vida, João II tentou, sem sucesso, obter a legitimação do seu filho bastardo, Jorge. D. Jorge, Duque de Coimbra, era fruto da relação adúltera do rei com D. Ana Furtado de Mendonça, filha de um fidalgo da corte e dama de honor da princesa D. Joana, a Beltraneja.

João II morreu em 1495, sem herdeiros legítimos. Dado o ódio que a nobreza portuguesa sempre lhe teve, a hipótese de envenenamento por um copo de água que tomou não é de excluir. Antes de morrer, João II escolheu Manuel de Viseu, duque de Beja, seu primo direito e cunhado (era irmão da rainha Leonor) para sucessor.

A rainha Isabel, a Católica, de Castela, por ocasião da sua morte, terá afirmado «Murió el Hombre!», referindo-se ao monarca português como o Homem por antonomásia, devido às posições de força que assumira durante o seu reinado.

Foi-lhe atribuído o cognome o Príncipe Perfeito pois foi graças às medidas por ele implantadas que emergiu triunfante o valor da sua obra, ou seja, a época de ouro de Portugal.

Jaz no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha.


POEMA DE MIGUEL TORGA (1907-1995)

Poesia de Miguel Torga (1907-1995):


Só eu Sinto Bater-lhe o Coração


Dorme a vida a meu lado, mas eu velo.
(Alguém há-de guardar este tesoiro!)
E, como dorme, afago-lhe o cabelo,
Que mesmo adormecido é fino e loiro.

Só eu sinto bater-lhe o coração,
Vejo que sonha, que sorri, que vive;
Só eu tenho por ela esta paixão
Como nunca hei-de ter e nunca tive.

E logo talvez já nem reconheça
Quem zelou esta flor do seu cansaço...
Mas que o dia amanheça
E cubra de poesia o seu regaço!

Miguel Torga, in 'Diário (1946)'-in Net

domingo, 13 de outubro de 2013

SÁ de MIRANDA(1481-1558): O INTRODUTOR DO SONETO, EM PORTUGAL


Sá de Miranda - O sol é grande, caem co'a calma as aves
Francisco de Sá de Miranda nasceu em Coimbra, entre 1481-1485, e morreu no Minho, em 1558, numa quinta à qual se recolheu para afastar-se da vida da corte. É considerado um dos maiores poetas do século XVI (o século de ouro da poesia portuguesa). Tendo vivido cinco anos em Itália, Sá de Miranda foi o principal introdutor em Portugal das novas formas poéticas do Renascimento, a que se convencionou chamar “medida nova” (isto é, uma medida poética mais exigente, introduzindo o decassílabo, que se conjuga com uma maior complexidade dos conteúdos), em contraste com as formas poéticas tradicionais da Península Ibérica (que a partir de então se passaram a designar “medida velha”). Tendo influenciado os demais poetas portugueses, que progressivamente foram adoptando as novas formas poéticas, Sá de Miranda não abandonou por completo, no entanto, a tradição poética peninsular: assim, da sua produção constam, por exemplo, sonetos e éclogas em medida nova (seguindo a lição do dolce stil nuovo italiano) e vilancetes e cantigas em metro tradicional.

No soneto apresentado, um dos mais belos do poeta, o poeta trata o tema da mudança, observando as transições na natureza e comparando-as consigo mesmo (“também mudando-m’eu fiz doutras cores”), verificando que não possui no entanto a mesma capacidade de renovação.


O sol é grande, caem co’a calma as aves,
do tempo em tal sazão, que sói ser fria;
esta água que d’alto cai acordar-m’-ia
do sono não, mas de cuidados graves.

Ó cousas, todas vãs, todas mudaves,
qual é tal coração qu’em vós confia?
Passam os tempos vai dia trás dia,
incertos muito mais que ao vento as naves.

Eu vira já aqui sombras, vira flores,
vi tantas águas, vi tanta verdura,
as aves todas cantavam d’amores.

Tudo é seco e mudo; e, de mestura,
Também mudando-m’eu fiz doutras cores:
E tudo o mais renova, isto é sem cura!"


Sá de Miranda (1481-1558), in nescritas.com/poetasapaixonados


De recordar que este autor foi o introdutor do SONETO, em Portugal .

Página Mãe de Poetas Apaixonadosnescritas.com
Rubrica tematica do projecto nescritas que visa homenagear autores portugueses de todos os tempos sob o tema do amor e da paixao - Poetas Apaixonados

sábado, 12 de outubro de 2013

Poema de DAVID MOURÃO-FERREIRA







Soneto do amor difícil



 A praia abandonada recomeça logo que o mar se vai, a desejá-lo: é como o nosso amor, somente embalo enquanto não é mais que uma promessa... Mas se na praia a onda se espedaça, há logo nostalgia duma flor que ali devia estar para compor a vaga em seu rumor de fim de raça. Bruscos e doloridos, refulgimos no silêncio de morte que nos tolhe, como entre o mar e a praia um longo molhe de súbito surgido à flor dos limos. E deste amor difícil só nasceu desencanto na curva do teu céu.

 David Mourão-Ferreira

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Poema: ROUXINOL





















ROUXINOL





Um mar inundado de azul-turquesa chama pelo poema

que range dentro do poeta.

Chamariz misterioso ,

dança nas orlas das ondas- leito- amniótico da espuma, a dissolver-se

no areal da nostalgia cíclica dos ventos.

A vida das metáforas desenrola-se na concha dos búzios,

­ [ a tropeçar nos versos de areia-neblina,

[ em ditirambos de bucólica saudade.



Na turbulência do timbre filosófico do crepúsculo,

cantam páginas imensas de sílabas intensas,

bagos de branca-rubra - liberdade…



Um rouxinol escorrega em árvores de contradições-da-música-vida,

quando Vivaldi irrompe em erupções de melodias contrastantes

num painel de pautas coloridas, onde os soluços se exprimem

[por inflexões narcisistas…



Os círios das catedrais dissolvem –se nos mitos das mentiras.

Os vitrais recolhem as cores do soar-do-sino das neblinas,

[ de opacas almas, emaranhadas-

[-em -sinestesias-vida…



Poeta-olhos marejados de sussurros crepusculares

em perfumes de magnólias,

à hora da viagem dos moliceiros altaneiros

de cabelos-algas esverdeados, na ria de embustes marinhos,

[traiçoeiros.



(Astrolábios de borrascas enganaram tantos madeiros…)

Bienais das neuroses fundeiam nos lamaçais aquáticos de Veneza…

O poeta repousa à sombra de um pinheiro onde um canto de rouxinol

[lhe leva à alma, a euforia…



Vem o Inverno que lava a terra ********* as laranjas cheiram a poesia…

As árvores apaixonadas por cordões de húmus abraçam as giestas

no repouso das florestas,

num refluxo de ternuras…palavras meigas a nascer O DIA…







Maria Elisa Rodrigues Ribeiro

MERR-REG-CR/4-SET/013 (O.I.)







quinta-feira, 10 de outubro de 2013

REFLEXÃO SOBRE O PORTUGAL DE HOJE,EM QUE O DESGOVERNO CONTINUA A ROUBAR TODOS OS PORTUGUESES POBRES!



REFLEXÃO

Cada vez mais estupefacta com os desmandos de ódio de passos coelho contra o nosso povo, cada vez mais espantada com a coragem da incompetência destes pseudo-políticos e com a insensatez da desumanidade dos seus actos contra todos nós, estive a ver o programa da SIC, em directo, às 17 horas, que contou, como sempre, com um comentador e a intervenção dos telespectadores, que têm a sorte de conseguir estabelecer ligação com este canal de T.V.



Falou-se dos novos impostos que nos vêm empobrecer mais ainda, dos novos cortes brutais nas pensões e reformas, da miséria e da angústia em que vivem os pobres, do facto de nenhuma economia se poder desenvolver num clima de angustiante miséria-não-esperada por quem pagou uma vida para viver a paz da velhice…



Ouvi, pela primeira vez! um telespectador a pedir REVOLUÇÃO IMEDIATA contra estes abutres sem nome digno ,que nos estão a matar! Um militar na reserva perguntou onde estão os generais, pois há homens capazes de pegar em armas contra este estado de coisas a que o país chegou, dado ser impossível viver nesta angústia de nada termos assegurado e de colapsarmos, física e mentalmente, por vontade destes “escombros” da Democracia.



Falou-se da “vontade sacana” destes tipos em confrontarem, sem respeito pela Constituição, o único garante que temos neste momento delicado, que é O Tribunal Constitucional!

Falou-se de toda a falta de respeito para com UM POVO! Fiquei a saber que os espanhóis não tocaram, nem ao de leve, nas pensões e reformas!

A crueldade e a tirania que imperam nestes espíritos -sem-espírito, é o que mais dói!

Nem Salazar fez o que estes malandros nos estão a fazer! Estamos em tempos de escuridão, como vivemos antes dos descobrimentos e depois do século XVIII! A ansiedade tem feito aumentar o uso de ansiolíticos e antidepressivos, pois doutro modo não conseguimos passar os dias!Assiste-se a um desprezo de ditador por tudo quanto são direitos adquiridos. Vendem-se os CTT e as populações perdem direitos; agora, falam no fecho das Repartições de Finanças, onde resolvíamos todos os problemas das gentes, relacionados com impostos, terras, etc.



(Soube, ontem, que querem fechar as Repartições de Anadia e Mealhada e fazer os pobres deslocarem-se para ÁGUEDA, a 20/40 kms, conforme a habitação das gentes das nossas aldeias!)

Como vão fazer os pobres e os idosos que não têm carro, não têm dinheiro para pagar a fortuna que é o uso de um táxi e que não têm dinheiro, pois que nos estão a roubar TUDO?

Há “tambores a rufar” mesmo dentro do psd/cds…

Começam a “rufar tambores” na sociedade massacrada pela má fé, pelo ódio contra os pobres, pela incompetência dos desgovernantes…Como disse Pacheco Pereira: “…as pessoas são tratadas como lixo…este governo não é funcional, excepto para dar cabo da vida das

pessoas…se não fosse o Tribunal Constitucional estaria a imperar a lei da selva…”



NÃO O PERMITAMOS, PORTUGUESES!” ÀS ARMAS! ÀS ARMAS/ CONTRA OS CANHÕES , MARCHAR!”





Maria Elisa Rodrigues Ribeiro



10 de OUTUBRO de 2013

O pensamento de Jacinto Prado Coelho (1920-1984)


(através de 
cvc.instituto-camoes.pt)
...

"
Apesar de o sec. XX ter sido atravessado por inúmeras controvérsias acerca da literatura e das metodologias mais convenientes ao seu estudo, de posse desse conhecimento, J.P.C. manteve princípos e conceitos que orientaram o seu trabalho: a literatura como produção estética em forma de linguagem (sem que isso implicasse aderir a meros formalismos); a literatura como organismo desenvolvido em sistemas - os géneros, por exemplo - sem que isso implicasse a redução da leitura a esquemas sistemáticos; a possibilidade de múltiplas aproximações à literatura e portanto a aceitação de metodologias diversas não exclusivas.


Classificava a sua leitura crítica do texto literário como “leitura imanente” (termo comum no sec. XX em teorias advogadas quer pela Estilística, quer pelo, assim designado, New Criticism, quer pelo Formalismo Russo) o que correspondia a uma consideração da obra literária enquanto tal, e não enquanto documento social ou biográfico, embora considerasse que o conhecimento do autor, da sua biografia, do seu enquadramento cultural, ajudava a essa leitura. Na apreciação e análise dos textos literários reconhecia (como quase inevitável) a qualidade de constituirem um todo coerente e uno. A propósito de Fernando Pessoa, por exemplo, afirmava no prefácio que antecede o estudo que lhe dedicou: “a própria diversidade [...] vale como expressão dramática de identidade”.[...] “expressão dramática” é já em si uma forma de expressão, implica uma representação cénica, a certeza de que a expressão literária (ou poesia) não existe senão em forma de”. Por outras palavras, a coerência e unidade da obra com valor estético não se opõe a uma ambiguidade e fluidez significativa. Ou ainda, a complexidade da literatura é inerente à sua própria condição estética de ser linguagem; sem que, no entanto, essa condição obrigue a um absoluto caráter intransitivo da literatura – o seu ensimesmamento – ou se torne o caminho para uma leitura desconstrutiva que o seu tempo não chegou a conhecer como prática metodológica.


Situado metodologicamente entre a História Literária, tal como o Romantismo e sucedâneos do fim do sec. XIX e primeira metade do sec. XX a foram entendendo, e a reação a essa metodologia, corporizada em todas as teorias do sec. XX que enfatizavam o estudo da literatura em si, J.P.C. esclareceu, mais do que uma vez, mas claramente em ensaio sobremaneira dedicado ao assunto, a importância que dava à questão e o modo como a entendia. Corrigiu qualquer apreço por um biografismo feito de petits faits, bem assim como a utilização pura e simples da literatura como documento de época ou autor. No entanto nunca desligou o conhecimento da literatura do conhecimento da história que a enquadrava.


Interrogando-se sobre a “actualidade” de um poeta do passado – no caso exemplar Camões – admite que a sua qualidade estética lhe permite ascender ao estatuto de ser temporal e intemporal. Digamos que a questão envolve dois atores principais: o autor- texto na sua qualidade estética e o leitor como recetor atual que recria o que recebe. Esta consideração dialogal (no ser bifronte que é a literatura, segundo o seu ponto de vista) levou-o a enquadrar progressivamente a atividade da leitura na perspetiva de uma estética da receção, o que metodologicamente foi colher aos estudos de receção da Escola alemã de Constança, nomeadamente aos trabalhos de Hans Robert Jauss. Esta conceção metodológica levou-o a sublinhar progressivamente a questão do leitor e da leitura ao ponto de ter organizado durante alguns anos um projeto sob o signo da sociologia da literatura (cf. Problemática da Leitura – aspetos sociológicos e pedagógicos).


A última recolha de ensaios, publicada sob o título Camões e Pessoa, Poetas da Utopia, é bem reveladora da atenção que deu aos trabalhos de Jauss, sem contudo aplicar ipsis verbis a sua metodologia. Neste livro, recolha de ensaios vários sob o signo de dois poetas maiores da Literatura Portuguesa, J.P.C. assume a utopia como “categoria mental” e aposta no futuro da literatura tanto quanto nos valores do seu passado. “A literatura é o espaço da utopia” diz, e continua, “Com efeito tal como a utopia, o lugar da poesia ou da ficção é o lugar inexistente em que, de modo implícito ou direto, o lugar-aqui se projeta”.


Quanto à sua Causa, sempre inacabada e também ela utópica, declara nesse mesmo último livro de uma forma quase inédita no seu percurso de recatado estudioso: “Escrevo por necessidade de evasão, para ver mais claro, para prolongar o exercício da leitura, para me aproximar dos outros, para os influenciar, para substituir a vida, para me sentir vivo. [...] Se alguma coisa aprendi (julguei aprender) ao longo dos anos foi a importância do irracional em mim e nos outros, quanto há de imprevisível nos comportamentos, como é problemática toda a possível verdade – e recordei que em mim a tolerância se antecipou a esse aprendizado, em vez de logicamente ir resultando dele. O perspectivismo, o jogo de espelhos ganharam a minha simpatia”.


Morreu muito cedo J.P.Coelho, ele que sentia não ter passado “dos vinte”. Numa interrogação retórica, deixa como herança de juventude uma inextinguível paixão pela literatura e pela vida: “Como é que por fora me podem ver diferente da minha verdade inalterável, tecido que sou de incompletude e esperança, de inquietude e ânsia de mais? Terei construído no subconsciente, para meu próprio uso, uma intemporal imagem utópica? Ou será na chamada utopia que a minha verdade mais autêntica se afirma, contra as ilusórias evidências em que os outros se fundamentam?”a.



Bibliografia das obras principais, por ordem cronológica:


A Educação do Sentimento Poético, Coimbra: Coimbra Editora, 1944.
A Poesia de Teixeira de Pascoaes, Ensaio e Antologia, Coimbra: Atlântida, 1945
Introdução ao Estudo da Novela Camiliana, Coimbra:Col.Atlântida,1946; 2ªed., 2vols., Lisboa: INCM, 1982 e 1983.
Diversidade e Unidade em Fernando Pessoa, Lisboa: Revista Ocidente, 1951; 2ªed., Lisboa: Editorial Verbo, 1963; ... 7ª edição, 1982.
Dicionário das Literaturas Portuguesa, Galega e Brasileira, (Direção J.P.C.), Porto: Liv. Figueirinhas, 1960; 2ªed.,Dicionário de Literatura. Literatura Portuguesa, Literatura Brasileira e Literatura Galega, Estilística Literária, 2vols, 1971; 5vols, 1973; 7ª reimp., 1983.
Camilo Castelo Branco, Obra Seleta, 2 vols., Rio de Janeiro: Editora José Aguilar, 1960.
Poetas Pré-Românticos, Coimbra: Atlântida, 1961.
Problemática da História Literária, Lisboa: Edições Ática, 1961; 2ª ed., s.d.[1972].
Contos de Camilo Castelo Branco, Seleção, prefácio e notas, Lisboa: Editorial Verbo, 1961.
Poetas do Romantismo, Seleção, introdução e notas, 2vols., Lisboa: Liv. Clássica Editora, 1965.
Teixeira de Pascoaes, Obras Completas, Lisboa: Liv. Bertrand, 7 vols – [1965-1975]
Fernando Pessoa, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, (com Georg Rudolf Lind), Lisboa: Ed. Ática, s.d. [1967]
A Letra e o Leitor, Lisboa: Portugália Editora, 1969; 2ªed., Lisboa: Moraes Editores, 1977.
Ao Contrário de Penélope, Lisboa: Livraria Bertrand, 1976.
Matias Aires, Reflexões sobre a Vaidade dos Homens, (com Violeta Crespo Figueiredo), Lisboa: INCM, 1980.
Problemática da Leitura – aspetos sociológicos e pedagógicos, [com AAVV], Lisboa:INIC [InstitutoNacional de Investigação Científica], 1980.
Fernando Pessoa, Livro do Desassossego por Bernardo Soares. Recolha e transcrição dos textos: Maria Aliete Galhoz, Teresa Sobral Cunha, 2vols., Lisboa: Ática, 1982.
Originalidade da Literatura Portuguesa, Lisboa: Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1977; 2ª ed., 1983.
Camões e Pessoa, Poetas da Utopia, Lisboa: Publicações Europa-América, 1984.

Nota: Para uma consulta exaustiva, ver Afeto às Letras. Homenagem da Literatura Portuguesa Contemporânea a Jacinto do Prado Coelho, Lisboa, INCM, 1984. 

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