quinta-feira, 11 de julho de 2013

RECORDAR A HISTÓRIA DE PORTUGAL(IN WIKIPÉDIA)








Afonso I de Portugal

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D. Afonso I
Armoiries Portugal 1180.svg
Rei de Portugal
Governo
Reinado05 de dezembro de 1143 —
6 de dezembro de 1185
Coroação1139
ConsorteD. Mafalda de Saboia
AntecessorFundação da nacionalidade
HerdeiroD. Henrique (filho)
D. Sancho I (filho)
SucessorD. Sancho I
DinastiaBorgonha
TítulosO Conquistador
Vida
Nascimento1109
GuimarãesCoimbra ou ViseuPortugal
Morte6 de dezembro de 1185 (76 anos)
CoimbraPortugal
SepultamentoMosteiro de Santa Cruz, Coimbra
FilhosD. HenriqueD. MafaldaD. Urraca, D. Sancha, D. Sancho I, D. João, D. Teresa, D. Urraca, D. Teresa, D. Fernando, D. Pedro
PaiD. Henrique de Borgonha
MãeD. Teresa de Leão
D. Afonso I de Portugal, mais conhecido por D. Afonso Henriques (GuimarãesCoimbra ou Viseuca. 1109 – Coimbra6 de Dezembro de 1185) foi o fundador do Reino de Portugal e o seu primeiro rei, com o cognome O ConquistadorO Fundador ou O Grande pela fundação do reino e pelas muitas conquistas. Era filho de D. Henrique de Borgonha e de D.Teresa de Leãocondes de Portucale, um condado ´vassalo do reino de Leão.1 Após a morte de seu pai, Afonso tomou uma posição política oposta à da mãe, que se aliara ao nobre galego Fernão Peres de Trava. Pretendendo assegurar o domínio do condado armou-se cavaleiro e após vencer a sua mãe na batalha de São Mamede em 1128, assumiu o governo.1 Concentrou então os esforços em obter o reconhecimento como reino. Em 1139, depois da vitória na batalha de Ourique contra um contingente mouro, D. Afonso Henriques proclamou-se rei de Portugal com o apoio das suas tropas. Ao contrário do que dizem sobre o Tratado de Zamora só tornou o Condado Portucalense independente do Reino de Leão. A independência portuguesa foi reconhecida, em 1179, pelo papa Alexandre III, através da bula Manifestis Probatum e ganhou o título de rex (rei).1 Com o apoio de cruzados do norte da Europaconquistou Lisboa em 1147. Com a pacificação interna, prosseguiu as conquistas aos mouros, empurrando as fronteiras para sul, desde Leiria ao Alentejo, mais que duplicando o território que herdara. Os muçulmanos, em sinal de respeito, chamaram-lhe Ibn-Arrik («filho de Henrique», tradução literal do patronímicoHenriques) ou El-Bortukali («o Português»).

quarta-feira, 10 de julho de 2013

REFLEXÃO: QUANDO A PROSA ME INVADE A POESIA





REFLEXÃO


QUANDO A PROSA ME INVADE A POESIA…

Penso que há lugares diferentes nos nossos corações onde podemos encontrar um espaço para voltar a dançar, pois que a música atravessa os tempos em sementes de flores azuis no pó dos caminhos andados, com a força das orações inocentes dos meninos.

Gostos da palavra “azul”, das ideias azuis, porque me ficam na memória da língua, a saber a tinta da cor do céu. Adoro “semente”, porque me sabe a vida, a rejuvenescimento, ao trigo a desabrochar, no cumprir-a- criação
.
Amo as margens do rio onde, deitada na relva macia, olho o céu e oiço os feitiços da natureza que flutuam, livres como borboletas sedentas de néctares, cor, luz e amor.

(ALBERTO CAEIRO MEU MESTRE -DE-VIVER!)

Enfeitiçam-me, na memória, os laçarotes brancos que prendia os cabelitos loiros como um trigal, a adornar os sonhos cor de magia de cada dia e que, num “flash” de tempo, iria perder…

No fundo da objectiva com que revejo o Passado, encontro a infância, que deu tal salto na vida, que me sinto um estranho lugar neste Presente-de-um-Futuro-tão provável-quanto-improvável, da tessitura do tempo.
Ao ouvido, sussurram-me todas as sensações que ordenam o espaço molecular do mistério percorrido…Fui vivendo as gerações ao som de um ciciar permanente de quem é humano, de quem é “PESSOA”, que não se desliga dos sons do vento a tocar CHOPIN nas ramas das árvores, que oscilam perto das flores a emergir, como notas de sinfonia-a-sorrir.
.
Não pára a vida interior…Os sentimentos brotam como orvalho que rebenta, ao deslizar pela folha de uma planta, que a não aguenta.
Há coisas mágicas…são a minha noese…só eu as sei …Então, faço de conta que sou POETA e invento uma “criação”…Teço os meus noemas à boleia das palavras de que o meu conhecimento dispõe e sinto-me um tecelão de ideias, que coso numa manta de retalhos a que chamo “a minha doce canção”…Poeta-tecelão! Hábil como pássaro que guarda na sua genética o segredo da construção do ninho, semente de uma verdade, única e inconfundível, que resulta de uma luta metafísica, invencível mas tão vulnerável, como as notas de uma canção.

Uma semente de trigo não se confunde com outra, de milho, por exemplo! Em cada uma há um brilho inconfundível, que vive na escuridão-a-pensar no melhor modo de dar pão…

(SINTO-TE CANTAR -DE-DOR, FLORBELA, ÁVIDA DE AMOR!)

Há coisas mágicas, dizia, que nasceram para permanecerem inteiras e que não podemos observar por partes, senão desaparecem… escorrem pela genética do nosso mistério-sempre-a-SER.
Respeito, amando-os, os meus sonhos velhos, que se Foram.Hoje, posso dar-me ao luxo de estar feliz por tê-los sonhado-a-crescer, porque vivi! Eles estabeleceram pontes de contacto com o presente, de tal modo que a Poesia permite à Prosa que, impunemente, invada o seu território expressivo, sem EU -DEIXAR-DE -SER-EU.

(“A nortada encheu de ilhas o horizonte
olhando bem nenhuma é verdadeira
mas cada uma em mim tem porto e monte
que eu sou homem que vê de outra maneira.”
Vitorino Nemésio)

Ao entardecer, o horizonte enche-se de sombras vermelhas de um amarelo-dourado. No Silêncio, parecem um coro de violinos que se derramou no dia, com as horas-Todas  nas minhas mãos.
Amo a Poesia que sai desta imagem e reflecte a minha pessoalidade, sem abafar a música que engrandece as sinfonias de todos nós… de cada um de nós… quando elevamos o cálice para um brinde de grandeza.
Um suave perfume de óleo de jasmim entrou-me no corpo…E dizia, assim:

“ FUI AO JARDIM DA CELESTE/
GIROFLÉ, GIROFLÁ/
FUI AO JARDIM DA CELESTE/
GIROFLÉ, FLÉ, FLÁ…”

Os poros cantam ainda… O jardim continua LÁ… A dança mudou…
A Vida está onde está e eu continuo a cantar enganos e desenganos…poema atrás de poema…texto atrás de texto-no-contexto-místico-do-que-sou…
… passado no Presente, nas flores que vivem morrendo-a-desabrochar…nas pegadas deixadas no areal de SOPHIA, que o mar levou para as ondas de ANTIOQUIA …nos caminhos percorridos-a-percorrer que,
 dentro de mim,
 sinto que Continuam-a-SER…

“ …GIROFLÉ- GIROFLÁ/
…GIROFLÉ-FLÉ-FLÁ…”
………………….………………..~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~


Maria Elisa Rodrigues Ribeiro
MEALHADA, 9 de JULHO de 2013

REG: C13-VDS-MST-(1632)

O PENSAMENTO DE JOSÉ RÉGIO (1901-1969)








Originalidade Verdadeira e Originalidade FalseadaEm Arte, é vivo tudo o que é original. É original tudo o que provém da parte mais virgem, mais verdadeira e mais íntima duma personalidade artística. A primeira condição duma obra viva é pois ter uma personalidade e obedecer-lhe. Ora como o que personaliza um artista é, ao menos superficialmente, o que o diferencia dos demais, (artistas ou não) certa sinonímia nasceu entre o adjectivo original e muitos outros, ao menos superficialmente aparentados; por exemplo: o adjectivoexcêntrico, estranho, extravagante, bizarro... Eis como é falsa toda a originalidade calculada e astuciosa. 
Eis como também pertence à literatura morta aquela em que um autor pretende ser original sem personalidade própria. A excentricidade, a extravagância e a bizarria podem ser poderosas - mas só quando naturais a um dado temperamento artístico. Sobre outras qualidades, o produto desses temperamentos terá o encanto do raro e do imprevisto. Afectadas, semelhantes qualidades não passarão dum truque literário. 

José Régio, in 'Presença, Folha de Arte e Crítica, 1927-1940




POEMA DE MIGUEL TORGA(1907-1995)







POEMA de MIGUEL TORGA (1907-1995):


Ode

Eis-me nu e singelo! 
Areia branca e o meu corpo em cima.
Um puro homem, natural e belo,
De carne que não peca e que não rima.

A linha do horizonte é um nível quieto;
As velas, de cansaço, adormeceram;
E penas brancas, que eram luto preto,
Perderam-se no azul de onde vieram.

Sol e frescura em toda a grande praia
Onde não pode haver agricultura;
Esterilidade limpa, que não caia
De pão e vinho a cósmica fartura.

Dançam toninhas lúdicas no céu
Que visitam ligeiras e felizes;
Uma força sonâmbula as ergueu,
Mas seguras à seiva das raízes.

Nem paz, nem guerra, nem desarmonia;
O sexo alegre, mas a repousar;
Um pleno, largo e caudaloso dia,
Sem horas e minutos a passar.

Vem até mim, onda que trazes vida!
Soro da redenção!
Vem como o sangue doutra mãe pedida
Na hora de dar mundo ao coração!

Miguel Torga, in 'Diário (1946)'-

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Maria Elisa R. Ribeiro

segunda-feira, 8 de julho de 2013

POEMA : REDENÇÃO

                                                            



 REDENÇÃO



Meu país!
Meu novo-
-triste- exílio de Mim.

Águas de um mar revolto em pose de sonhar-Só…
Melancolia, amargura e luto,
 de uma saudade vivida
em espumas de utopia.

Meu país! Pátria pobre!
Pobre Pátria do “Anto” de António Nobre.

Desalento de te ver
em nudez disforme e escura.
Meu  Eclipse de um Outrora…

Sorriso retorcido
na boca infeliz-de-Agora!
Pranto de ti-em-mim…
Naufrágio da madrugada envergonhada de Abril.

Árvore alquebrada ao peso dos danos.
Rio a secar, na dura infância enganada…

Esfrego os olhos!
Quero acordar da vontade de Fugir!
Descerro as pálpebras e pressinto, ainda,
cravos a florir!

                                                                       “É A HORA”!

(Marilisa Ribeiro)-lusibero 
Maria Elisa Rodrigues Ribeiro

Julho/o13- OI



(Imagem NET da TORRE D'ANTO, em COIMBRA, onde viveu o grande poeta ANTÓNIO NOBRE)

LITERATURA: SOBRE O "PARNASIANISMO" (XIX)

ATRAVÉS DE PESQUISA, EM WWW. edtl.com.pt


PARNASIANISMO

Trata-se de um movimento literário surgido em França na primeira metade do séc. XIX, constituindo uma reacção contra o romantismo, contra o excesso de sentimentalismo, visando despersonalizar ou objectivar a poesia. Já Vigny e Vitor Hugo, reagindo contra o excesso de sentimento romântico, se tinham lançado no tratamento de temáticas de âmbito geral, e não individual, rejeitando métodos pessoais e íntimos de expor o sentimento, como a confidência amorosa. Pretendia, também, este movimento, reagir contra a anarquia formal, propondo o regresso às formas clássicas da poesia, consideradas perfeitas. O retorno à Antiguidade Clássica é uma característica comum aos parnasianos, valorizando as formas fixas, as rimas invulgares.
Esta reacção teve como lema «a arte pela arte», ou seja, a arte como um fim em si mesma, colocando-a ao serviço da sociedade. A poesia era quase considerada uma religião. O nome deste movimento deriva do título dado a uma colectânea feita por Lemerre ( Parnase Contemporain ), na qual reuniu os poetasnovos. Como seus fundadores, consideram-se Théophile Gautier (1811-72) e Leconte de Lisle (1818-94).
Em Portugal, esta corrente só se começou a sentir na segunda metade do séc. XIX e nunca chegou a assumir-se verdadeiramente. As ideias novas, tendo chegado ao nosso país tardiamente, confluiram com ideias que entretanto floresciam. Eça de Queirós e Antero de Quental chamavam a atenção, nesta altura, para o papel intervencionista do escritor, com a função de interagir na cultura e no pensamento da população, como uma missão social que lhe é atribuída, o que se pode relacionar com o ideal da «arte pela arte» já referenciado. O parnasianismo foi colidindo com o realismo, com o simbolismo, tendo como aspecto comum a todos eles a renúncia ao sentimentalismo e ao egocentrismo românticos resultando em alguns autores, como Gomes Leal, Guerra Junqueiro, Guilherme Azevedo, Cláudio José Nunes, Alexandre da Conceição, Cândido Figueiredo, uma poesia multifacetada, entendida como sendo ora de influência parnasiana, ora aflorando a temática simbolista. Teófilo Braga reuniu muita desta poesia híbrida no Parnasso Português Moderno (1877).
Como parnasianos genuínos, temos a considerar João Penha (1838 - 1919) que fez coexistir a observação do real quotidiano com o rigor rimático e que, como director da revista «A Folha» reuniu, em Coimbra, alguns escritores, quer parnasianos, quer realistas, que formaram o primeiro grupo de parnasianos, tais como: Gonçalves Crespo, Guerra Junqueiro, Antero de Quental, Teófilo Braga, entre outros. João Penha nunca pretendeu imitar os parnasianos franceses, deixando claros os seus objectivos ao afirmar:
Eu nunca os segui [os nefelibatas], como também nunca segui os parnasianos, ou outros quaisquer metrificadores de pensamentos. Tenho-me seguido a mim mesmo, não por orgulho, mas porque nunca me senti com tendências para andar na rectaguarda de pessoa alguma […]. A estética dos parnasianos resume-se em que toda a produção poética deve ser uma obra de arte. Quanto ao mais, não vejo entre eles o mais insignificante ponto de contacto.
A estética que sigo é realmente aquela, mas com as modificações que, se me não engano, são minhas próprias.
(Ap. Maria Virgínia Veloso, O Parnasianismo em Portugal, 2ª parte «O parnasianismo português», p.86).
Tais afirmações foram reforçadas por Pierre Hourcade, ao dizer que o grupo parnasiano português trabalhava de forma autónoma e original:
On a d’ailleurs cherché à l’époque, selon une habitude qui est presque devenue un rite, à apparenter João Penha et ses amis à un mouvement littéraire français: le Parnasse. Malheureusement, mis à part Gonçalves Crespo qui faisait les délices de Théophile Gautier et du Parnasse Contemporain, la lecture attentive de la Folha nous révèle un culte profond des lyriques romantiques, et une indiférence non moins profonde à l’égard de Leconte de Lisle et de ses amis. Le terme de “parnassienne” apliqué à la génération de la Folha ne peut donc définir que son souci incessant d’une forme travaillée.
(Ibid., O Parnasianismo em Portugal, 2ª parte «O parnasianismo português», p.87).
Para João Penha, o poeta vai-se construindo a si próprio, chamando a atenção para a necessidade de criar uma grande harmonia entre as palavras, como som, e as palavras, como pensamento. Toda a obra de João Penha se explica pela atitude que tomou em face do ultra-romantismo. A mulher, que até aí fora adorada como uma deusa, foi tratada por ele com vulgaridade e a sua poesia tem um carácter material e prosaico. Gonçalves Crespo acrescentou à sua poesia o gosto pelo descritivo.
Nos anos 80, o parnasianismo encontrou um novo impulso: o segundo grupo de poetas parnasianos em que, ao nível de Luís de Magalhães e de Manuel da Silva Gaio, com características verdadeiramente simbolistas, se destacou António Feijó (1859 - 1917) que representou a influência das teorias parnasianas numa outra geração. Há neste poeta vestígios da pintura artística de Crespo, mas os seus textos não conseguem ser puramente objectivos, devido à sua grande sensibilidade lírica.
Entre os poetas da segunda fase parnasiana, salienta-se, também, Cesário Verde (1855-86), considerado o mais significativo poeta parnasiano português e o poeta do quotidiano que procura reflectir a realidade concreta, poetizando as profissões mais humildes, elevando a nível poético aspectos vulgares e seus respectivos protagonistas: os transeuntes, as vendedeiras, a engomadeira, etc. A variedade de tipos urbanos, na poesia cesariana, encontra-se a par de estados de alma nos quais predominam o tédio da cidade e da vida diária, ao lado das evocações nostálgicas do passado e do campo como refúgio.
No Brasil, o parnasianismo teve maior repercussão do que em Portugal e teve um nascimento mais faseado: desacreditou-se o romantismo, pois, apesar do grande entusiasmo que a poesia romântica ganhara junto do público leitor, também foi vítima do descrédito lançado por aqueles que defendiam ideias novas, os realistas, sobretudo entre 1878-80. Dentro deste grupo de opositores, salientam-se Sílvio Romero, Machado de Assis e Raimundo Correia; conseguiram, assim, destronar a sentimentalidade, o egotismo, porque estes aspectos se alheavam dos factos e problemas da vida social, mais importantes, graves e abrangentes do que o sofrimento, angústia, dor, desgosto de cada um individualmente, que constituía o fulcro do romantismo. O versilibrismo foi igualmente destronado por ser responsável por uma anarquia geral a nível da forma e da linguagem usada. Numa segunda fase, experimentou-se uma «poesia científica», centrada no cientificismo, uma «poesia socialista», focalizada em preocupações revolucionárias e uma «poesia realista», dominada por temas do quotidiano.
Artur de Oliveira (1851-82) que estivera em Paris, divulgou no Brasil as teorias parnasianas francesas. Um artigo escrito por Machado de Assis, «A Nova Geração», e publicado em 1879, foi decisivo no arranque do Parnasianismo. Porém, nem as poesias científica, socialista, nem realista conseguiram cativar os poetas de maiores recursos, pelo que o caminho mais atraente a seguir era o Parnasianismo, onde se destacaram Olavo Bilac (1865-1918), Alberto de Oliveira (1857-1937), Raimundo Correia (1860-1911) e Vicente Carvalho (1866-1924). Quanto às temáticas comuns a estes poetas, registam-se o realismo (o Homem é um ser integrado na realidade, na vida, na sociedade), o universalismo (busca dos valores/ aspectos gerais e intemporais da realidade, quer estética, quer moral e do Homem enquanto ser universal) e esteticismo (perfeição quanto à sintaxe, ao léxico, ao ritmo). Este tópico é basilar dentro da teoria parnasiana, para a qual a perfeição formal é necessária para a expressão da realidade.
A diferença entre os parnasianos e os realistas é que os primeiros valorizam apenas os aspectos que podem ser esteticamente reproduzidos ou dão um tratamento poético, pela primeira vez na poesia, de temas do quotidiano, enquanto os segundos tratam sem distinção todos os aspectos da realidade, preferindo, por vezes, as suas vertentes mais sombrias. O Parnasianismo valoriza, pois, a estética, a serenidade, o equilíbrio, aproximando-se assim do espírito clássico, servindo-lhe até de exemplo o nome grego de «Parnasso», monte dedicado a Apolo, inspirador de poetas, evocando assim o ideal apolíneo.
Bibliografia
Maria Virgínia Veloso, O Parnasianismo em Portugal, (1943); Hernâni Cidade,O Conceito de Poesia como Expressão da Cultura, Coimbra, (1957); Óscar Lopes,Realistas e Parnasianos (1860-1890), s.d.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

O Pensamento do poeta DAVID MOURÃO FERREIRA












A Maravilha que Deve Ser Escrever um Livro


(...) a maravilha que deve ser escrever um livro: a invenção dentro da memória; a memória dentro da invenção; e toda essa cavalgada de uma grande fuga, todo esse prodígio de umas poligâmicas núpcias, secretas e arrebatadas, com a feminina multidão das palavras: as que se entregam, as que se esquivam; as que é preciso perseguir, seduzir, ludibriar; as que por fim se deixam capturar, palpar, despir, penetrar e sorver, assim proporcionado, antes de se evaporarem, as horas supremas de um amor feliz. Não há matéria mais carnalmente incorpórea; nem outra mais disposta a por amor ser fecundada.
Como se pode interpretar de outro modo esse velho lugar-comum de ter um filho, plantar uma árvore, escrever um livro? Só se em todos os casos se tratar de grandes e inevitáveis actos de amor: com a Mulher, com a Terra, com a Língua. Mas de plantar árvores e ter filhos haverá sempre muita gente que se encarregue. De destruir árvores também; de estragar filhos igualmente. Em compensação, um livro, um livro que viva, multiplicado, durante alguns anos ou alguns séculos, e que depois vá morrendo, sem ninguém dar por isso, mas nunca de uma só vez, até ser enterrado na maior discrição ou até se ver de súbito renascido, inesperadamente ressuscitado, um livro com semelhante destino - luminoso por mais obscuro, obscuro por mais luminoso -, isto é que foi sempre o que me empolgou.

David Mourão-Ferreira(1927-1996), in 'Um Amor Feliz'-in www.ocitador.pt

POEMA "SE"...(PUBLICADO NA COLECTÂNEA "PALAVRAS DE CRISTAL", DE MONOCROMIA EDITORES








POEMA: SE...

de Maria Elisa Ribeiro (Notas) - Sexta-feira, 15 de Março de 2013 às 17:28
SE…


Se ao menos uma palavra iluminada soubesse
ensinar-me o caminho…
Se as flores não desmaiassem de cor perante
o  brilho quente do sol…
Se ao menos o vento te fechasse na força
de um abraço, contra meu peito…
Se teus dedos soletrassem os meus sentidos, perdidos
 no magma de  sulcos de lava…

                                                 …as areias do mar, ao longe, perder-se-iam no canto
                                                  das sereias prateadas…
                                                   ...os rios deslizariam por cima de seixos quentes, obstinados,
                                                    sempre presentes na trajectória dos dias…
                                                  …o orvalho sensual perdido nas folhas das árvores, escorreria ,
                                                  natural, pela folha de papel onde me escondo-a-  sentir
                                                  a fugaz, pálida , luz do teu olhar, ao encontro do viver…

Oh, se caminhássemos nesta bruma, que anuncia o dia onde já nos perdemos…

Talvez tivéssemos mudado a mão do vento que sufoca as árvores…
E outros poderiam ter sido ser os rios, as montanhas, as florestas dos desertos
onde o desalento e a erosão dão as mãos…
e talvez, das nossas memórias se tivesse ausentado o esquecer-as-flores-rubras a vicejar…

………………………………………………Se não tivéssemos sido pedra-arruinada-entre-ruínas
………………………………………………talvez o sangue continuasse a fluir  no corpo dos cactos
……………………………………………..e voltássemos a ouvir um piano no meio das águas
……………………………………………..um violino a dançar num céu de espumas esbranquiçadas
……………………………………………..uma sonata de amor num poema de noites exaustas….   



Maria Elisa R. Ribeiro
(Marilisa Ribeiro)
CQ16-ERTs-OUT/012 

quinta-feira, 4 de julho de 2013

O PENSAMENTO DE UMBERTO ECO (1932- )-in O Pensador







É Virtude Dissimular a Virtude- Vede, caro Roberto, o senhor de Salazar não diz que o sensato deve simular. Sugere-vos, se bem entendi, que deve aprender a dissimular. Simula-se o que não se é, dissimula-se o que se é. Se vos gabardes do que não fizestes, sois um simulador. Mas se evitardes, sem fazê-lo notar, mostrar em pleno o que fizestes, então dissimulais. É virtude acima de todas as virtudes dissimular a virtude. O senhor de Salazar está a ensinar-vos um modo prudente de ser virtuoso, ou de ser virtuoso de acordo com a prudência. Desde que o primeiro homem abriu os olhos e soube que estava nu, procurou cobrir-se até à vista do seu Fazedor: assim a diligência no esconder quase nasceu com o próprio mundo. Dissimular é estender um véu composto de trevas honestas, do qual não se forma o falso mas sim dá algum repouso ao verdadeiro.
A rosa parece bela porque à primeira vista dissimula ser coisa tão caduca, e embora da beleza mortal costume dizer-se que não parece coisa terrena, ela não é mais do que um cadáver dissimulado pelo favor da idade. Nesta vida nem sempre se deve ser de coração aberto, e as verdades que mais nos importam dizem-se sempre até meio. A dissimulação não é uma fraude. É uma indústria de não mostrar as coisas como são. E é indústria difícil: para nela ser excelente é preciso que os outros não reconheçam a nossa excelência. Se alguém ficasse célebre pela sua capacidade de camuflar-se, como os actores, todos saberiam que ele não é o que finge ser. Mas dos excelentes dissimuladores, que existiram e existem, não se tem notícia alguma. 
- E notai - acrescentou o senhor de Salazar -, que convidando a dissimular não vos convidamos a permanecer mudo como um parvo. Pelo contrário. Deveis aprender a fazer com a palavra arguta o que não podeis fazer com a palavra aberta; a mover-vos num mundo que privilegia a aparência, com todos os desembaraços da eloquência, a ser tecelão de palavras de seda. Se as flechas perfuram o corpo, as palavras podem trespassar a alma. 

Umberto Eco, in 'A Ilha do Dia Antes'

terça-feira, 2 de julho de 2013

REFLEXÃO SOBRE...









REFLEXÃO:

OS ACONTECIMENTOS DAS ÚLTIMAS HORAS, EM PORTUGAL, TÊM SIDO DE TAL ESTUPEFACÇÃO, QUE É HORA DE PÔR ALGUMAS QUESTÕES: 

HÁ DIAS, EDITE ESTRELA, MEMBRO DO PS, DIZIA QUE "PAULO PORTAS É O HOMEM MAIS PODEROSO DE PORTUGAL, QUE É ELE QUEM DETÉM A CHAVE DO GOVERNO."

NÓS , PORTUGUESES, TAMBÉM O SABÍAMOS!

VERGONHOSO , PORQUE CARICATO, FOI O ACTO DE TOMADA DE POSSE DA NOVA MINISTRA DAS FINANÇAS, MARIA LUÍS ALBUQUERQUE,. MINUTOS DEPOIS DE PORTAS SE TER DEMITIDO...ACTO CIRÚRGICO DA CONSCIÊNCIA DE PAULO PORTAS...

É SABIDO QUE O GOVERNO DE PASSOS ACABOU! SÓ ELE AINDA NÃO PERCEBEU NADA DO QUE SE ESTÁ A PASSAR E NÃO TEM A HOMBRIDADE DE SE DEMITIR!

NEM SEMPRE "OS HOMENS GRANDES SÃO GRANDES HOMENS"... PASSOS CONTINUA, DE BRAÇO DADO COM CAVACO, A NÃO ENTENDER QUE SE TORNOU TÃO ODIADO COMO ODIOSO, NESTE SEU CONVENCIMENTO DE UMA AUTORIDADE QUE ACABA DE PERDER,NUMA GREVE GERAL, EM MILHARES DE MANIFESTAÇÕES DE ÓDIO POPULAR, EM MILHENTOS APUPOS DE INCITAÇÃO A TORNAR-SE UM HOMEM, DEMITINDO-SE!

HÁ POUCOS MINUTOS, ANTÓNIO CAPUCHO, (DO PSD!) DIZIA NA TVI 24 QUE A SAÍDA DE PORTAS ERA O FIM DESTE GOVERNO, QUE TEM ARRUINADO A NOSSA CONFIANÇA E A NOSSA ECONOMIA!

COMO É QUE SUA EXa , O SR, PRESIDENTE DA REPÚBLICA, PARTICIPOU NA TOMADA DE POSSE DA NOVA MINISTRA, IMPÁVIDO E SERENO COMO SE NÃO SOUBESSE DA DEMISSÃO DO MINISTRO PORTAS, QUE SE CONHECIA , NOS CÍRCULOS DO GOVERNO, DESDE O MEIO-DIA DE HOJE?

É QUE , ÀS 16 HORAS , OUVI-O DIZER À COMUNICAÇÃO SOCIAL, "QUE DEVIA SER A ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA A RESOLVER, MEDIANTE A APRESENTAÇÃO DE UMA MOÇÃO DE CENSURA, A DEMISSÃO DO GOVERNO!"

ACABO DE OUVIR QUE OS MERCADOS REAGIRAM BEM À SAÍDA DE PAULO PORTAS!

PASSOS DIZ QUE VAI FALAR AO PAÍS , ÀS 20 HORAS...O QUE TERÁ ESTE HOMEM A DIZER, ESTE HOMEM QUE TEM RIDICULARIZADO PERMANENTEMENTE AS INSTITUIÇÕES DO ESTADO DEMOCRÁTICO? SERÁ QUE VAI DIZER QUE "DAQUI NINGUÉM O TIRA"????

VEJAMOS, NAS PRÓXIMAS HORAS, QUANTOS MINISTROS DO CDS VÃO SAIR...

E REZEMOS PARA QUE SUA EXa VEJA QUE ISTO JÁ NÃO É A REPÚBLICA DAS BANANAS...QUE O POVO ESTÁ FARTO DE TODOS ELES... DESTA TRUPE QUE NOS TEM CONDUZIDO À MAIS INDIGNA MISÉRIA...

NUNCA OS PORTUGUESES SE FURTARAM A CONTRIBUIR, COM O SEU SUOR E OS SEUS SACRIFÍCIOS , PARA A GRANDEZA DA PÁTRIA.

POR QUE TÊM SIDO TÃO MALTRATADOS SOB O MAGISTÉRIO DESTA PRESIDÊNCIA?



MEALHADA, 2 de JULHO de 2013


Maria Elisa Ribeiro

DEMISSÃO DE PAULO PORTAS

Gosto ·  · Promover · 

CRISE POLÍTICA, EM PORTUGAL







PAULO PORTAS PEDIU A DEMISSÃO, "POR RAZÕES DE CONSCIÊNCIA", DO GOVERNO DE PASSOS COELHO!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Política: o ministro das finanças demitiu-se...





NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA:

O MINISTRO DAS FINANÇAS, O TAL QUE NÃO ACERTOU EM NADA DO QUE SE DECIDIU LEVAR A CABO, COMO TAL, ACABA DE PEDIR A SUA DEMISSÃO DO GOVERNO DE passos coelho E DE SER SUBSTITUÍDO PELA SECRETÁRIA DE ESTADO MARIA LUÍSA ALBUQUERQUE! OU SEJA: DRAMÁTICO GESTO DE UM PRIMEIRO-MINISTRO DE CABEÇA PERDIDA, COM A VONTADE EXPRESSA DE NADA MUDAR A FAVOR DOS PORTUGUESES E PRONTO A SER ELE PRÓPRIO O NOVO homem das suas HEDIONDAS ATITUDES CONTRA O POVO! PENSO QUE ESTAMOS , CADA VEZ MAIS PERTO DE NOVAS ELEIÇÕES.PENSO QUE É HORA DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA TER DUAS PALAVRAS COM ESTE POVO! DE NÃO ESQUECER QUE ESTA SENHORA , DESDE ONTEM, É CHAMADA DE MENTIROSA PELOS ECONOMISTAS QUE SABEM DAS SWAPS, FOI ADMINISTRADORA DA REFER QUE DEU MILHÕES A QUEM SE "SERVIU", SÁBIA E LAUTAMENTE, E NÃO MERECE DOS PORTUGUESES A MENOR CREDIBILIDADE! PORTUGAL ESTÁ ESTARRECIDO! O PRIMEIRO- MINISTRO DEVE SAIR! O PRESIDENTE DEVE SAIR , PORQUE NÃO ACREDITAMOS NELE! O POVO NÃO ESTÁ A DORMIR, EXa, ! ACORDE E TENHA PENA DO POVO QUE EM SI CONFIOU! É HORA!

OPINIãO DO PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE CONTAS GUILHERME DE OLIVEIRA MARTINS





PRESIDENTE DO CONSELHO DE PREVENÇÃO DA CORRUPÇÃO

Oliveira Martins insatisfeito com situação da corrupção

por Lusa, texto publicado por Paula Mourato05 dezembro 2012
O presidente do Conselho de Prevenção da Corrupção (CPC), Oliveira Martins, afirmou hoje a sua insatisfação com a persistência de corrupção em Portugal e defendeu que é preciso aumentar a investigação criminal e a prevenção.
"Estamos insatisfeitos com a situação, isso tem que ser dito muito claramente", afirmou Guilherme de Oliveira Martins à agência Lusa, comentando assim o facto de Portugal estar em 33.º lugar entre 176 países, no relatório anual da agência Transparency International.
Na opinião do presidente do CPC e antigo governante, o combate à economia paralela e o aumento da eficiência da cobrança de impostos precisam de mais trabalho.
O também presidente do Tribunal de Contas, junto de quem o CPC funciona, comentava os resultados de Portugal no Índice de Perceção da Corrupção de 2012, em que o país aparece em 33º lugar numa lista de 176 países ordenada do mais limpo para o mais corrupto.
"Peço aos cidadãos e responsáveis que leiam este relatório e o comparem com outros países", apelou, afirmando-se "muito preocupado com a necessidade de reforçar a prevenção e a investigação".
Oliveira Martins salientou que nos últimos meses foram dados passos importantes no combate à corrupção, principalmente no aumento da colaboração entre o CPC, o Ministério Público e a investigação criminal.

POEMA: AMOR

                                                        






  AMOR


Minhas mãos divagam, cegas, por entre os teus cabelos.
São aves de asas perdidas,
decididas a encontrar um ninho nos teus desvelos.

Fazem secretas viagens nas tempestades de verão
                                                                                          -no inferno dos meus sentidos.

Movem-se, minhas mãos, em madrugadas secretas
escondidas no alvorecer,
 no meio de folhas erectas da glória de viver.

Ocultas e atrevidas, foram tocar-te, imprudentes,
ao nocturno seio das luzentes estrelas,
deitadas num areal de espuma, a saborear uma língua de mar…

…e dou-te o olhar molhado de labaredas, ao luar…
…dou-te, ainda, o canto do meu corpo
                                                                                             -em sinfonia de amor…

A noite, apressada, transmite-se corpo-a-corpo
em acordes musicais,
 que cheiram a maresia,
na revolta das  ondas de espuma
em maré de Lua-Cheia,
 da concha dos meus ouvidos, a sentir-te ciciar…

O Sol parou
                     nas encostas
                                             dos horizontes dormentes
                                                                                               das escarpas decididas
                                                                                                                 a manterem-se insistentes …




Maria Elisa Rodrigues Ribeiro

(Marilisa Ribeiro)-MQC-MRÇ/013