sábado, 4 de maio de 2013

A IMPRENSA FAZ-SE ECO DO DISCURSO ULTRAJANTE DE PASSOS COELHO, DE ONTEM


Função Pública fortemente afetada pelos cortes a anunciar hoje pelo primeiro-ministro

Função Pública fortemente afetada pelos cortes a anunciar hoje pelo primeiro-ministro

Veja o vídeo em: http://bit.ly/111YMZ7

quinta-feira, 2 de maio de 2013

ALBERTO CAEIRO(HETERÓNIMO DE PESSOA): MATÉRIA PARA O EXAME NACIONAL/12º ANO/013







FONTE DA PESQUISA: WWW.BLOG PROF2000-NET

ALBERTO CAEIRO – O MESTRE INGÉNUO
(1889 - 1915)

 
         Fernando Pessoa explicou  a “vida”de cada um de seus heterónimos. Assim apresenta a vida do mestre de todos, Alberto Caeiro:        "Nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão, nem educação quase alguma, só instrução primária; morreram-lhe cedo o pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia avó. Morreu tuberculoso."
        Pessoa cria uma biografia para Caeiro que se encaixa com perfeição na sua poesia, como podemos observar nos 49 poemas da série O Guardador de Rebanhos. Segundo Pessoa, foram escritos na noite de 8 de Março de 1914, de um só fôlego, sem interrupções. Esse processo criativo espontâneo traduz exactamente a busca fundamental de Alberto Caeiro: completa  naturalidade.
     “Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
       Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.
       Mas porque a amo, e amo-a por isso,
       Porque quem ama nunca sabe o que ama
       Nem por que ama, nem o que é amar...”


     Nasceu em em 1889, em Lisboa, e morreu em 1915, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão, nem educação quase nenhuma: apenas a instrução primária. era de estatura média, frágil, mas não o aparentava. Era louro, de olhos azuis. Ficou órfão de pai e mãe muito cedo e deixou-se ficar em casa a viver dos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia-avó. Escrevia mal o Português. É o pretenso mestre de A. de Campos e de R. Reis.  É anti-metafísico; é menos culto e complicado do que R. Reis, mas mais alegre e franco. É sensacionista. Alguns temas de eleição:
  • Negação da metafísica e valorização da aquisição do conhecimento através das sensações não intelectualizadas.; é contra a interpretação do real pela inteligência; para ele o real é a exterioridade e não devemos acrescentar-lhe as impressões subjectivas. Os poemas O Mistério das coisas, onde está ele? e Sou um guardador de rebanhos mostram-nos estas ideias.
  • Negação de si mesmo, projectado em Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois;
  • Atracção pela infância, como sinónimo de pureza, inocência e simplicidade, porque a criança não pensa, conhece pelos sentidos como ele, pela manipulação dos objectos pelas mãos, como no poema Criança desconhecida e suja brincando à minha porta;
  • Poeta da Natureza, na sua perpétua renovação e sucessão, da Aurea Mediocritas, da simplicidade da vida rural;
  • A vivência da passagem do tempo não existe, são só vivências atemporais: o tempo é ausência de tempo.
Alberto Caeiro apresenta-se como um simples “guardador de rebanhos”, que só se importa em ver de forma objectiva e natural a realidade, com a qual contacta a todo o momento. Daí o seu desejo de integração e de comunhão com a natureza.
Para Caeiro, “pensar” é estar doente dos olhos. Ver é conhecer e compreender o mundo, por isso, pensa vendo e ouvindo. Recusa o pensamento metafísico, afirmando que “pensar é não compreender”. Ao anular o pensamento metafísico e ao voltar-se apenas para a visão total perante o mundo, elimina a dor de pensar que afecta Pessoa.
Caeiro é o poeta da Natureza que está de acordo com ela e a vê na sua constante renovação. E porque só existe a realidade, o tempo é a ausência de tempo, sem passado, presente ou futuro, pois todos os instantes são a unidade do tempo.
Mestre de Pessoa e dos outros heterónimos, Caeiro dá especial importância ao acto de ver, mas é sobretudo inteligência que discorre sobre as sensações, num discurso em verso livre, em estilo coloquial e espontâneo. Passeando a observar o mundo, personifica o sonho da reconciliação com o universo, com a harmonia pagã e primitiva da Natureza.
É um sensacionista a quem só interessa o que capta pelas sensações e a quem o sentido das coisas é reduzido à percepção da cor, da forma e da existência: a intelectualidade do seu olhar volta-se para a contemplação dos objectos originais. Constrói os seus poemas a partir de matéria não-poética, mas é o poeta da Natureza e do olhar, o poeta da simplicidade completa, da objectividade das sensações e da realidade imediata (“Para além da realidade imediata não há nada”), negando mesmo a utilidade do pensamento.
Vê o mundo sem necessidade de explicações, sem princípio nem fim, e confessa que existir é um facto maravilhoso; por isso, crê na “eterna novidade do mundo”. Para Caeiro o mundo é sempre diferente, sempre múltiplo; por isso, aproveita cada momento da vida e cada sensação na sua originalidade e simplicidade.
“Alberto Caeiro parece mais um homem culto que pretende despir-se da farda pesada da cultura acumulada ao longo dos séculos.”
“Poeta bucólico de espécie complicada.”
“Pastor metáfora.”
Para Caeiro fazer poesia é uma atitude involuntária, espontânea, pois vive no presente, não querendo saber de outros tempos, e de impressões, sobretudo visuais, e porque recusa a introspecção, a subjectividade, sendo o poeta do real objectivo.
Caeiro canta o viver sem dor, o envelhecer sem angústia, o morrer sem desespero, o fazer coincidir o ser com o estar, o combate ao vício de pensar, o ser um ser uno, e não fragmentado.
·  Discurso poético de características oralizantes (de acordo com a simplicidade das ideias que apresenta): vocabulário corrente, simples, frases curtas, repetições, frases interrogativas, recurso a perguntas e respostas, reticências;
·  Apologia da visão como valor essencial (ciência de ver)
·  Relação de harmonia com a Natureza (poeta da natureza)
·  Rejeita o pensamento, os sentimentos, e a linguagem porque desvirtuam a realidade (a nostalgia, o anseio, o receio são emoções que perturbam a nitidez da visão de que depende a clareza de espírito)
·  Objectivismo
-   apagamento do sujeito
-   atitude antilírica
-   atenção à “eterna novidade do mundo”
-   integração e comunhão com a Natureza
-   poeta deambulatório
·  Sensacionismo
-   poeta das sensações tal como elas são
-   poeta do olhar
-   predomínio das sensações visuais (“Vi como um danado”) e das auditivas
-   o “Argonauta das sensações verdadeiras”
·  Anti-metafísico
(“Há bastante metafísica em não pensar em nada.”)
-   recusa do pensamento (“Pensar é estar doente dos olhos”)
-   recusa do mistério
-   recusa do misticismo
·  Panteísmo Naturalista
-   tudo é Deus, as coisas são divinas (“Deus é as árvores e as flores/ E os montes e o luar e o sol...”)
-   paganismo
-   desvalorização do tempo enquanto categoria conceptual (“Não quero incluir o tempo no meu esquema”)
-   contradição entre “teoria” e “prática”
CARACTERÍSTICAS ESTILÍSTICAS
- Discurso em verso livre, em estilo coloquial e espontâneo. Proximidade da linguagem do falar quotidiano,  fluente, simples e natural;
- Pouca subordinação e pronominalização
- Ausência de preocupações estilísticas 
- Versilibrismo, indisciplina formal e ritmo lento mas espontâneo.  
- Vocabulário simples e familiar, em frases predominantemente coordenadas, repetições de expressões longas, uso de paralelismo de construção, de simetrias, de comparações simples.
- número reduzido de vocábulos e de classes de palavras: (dando uma impressão de pobreza lexical) pouca adjectivação, predomínio de substantivos concretos, uso de verbos no presente do indicativo (acções ocasionais)  ou no gerúndio. (sugerindo simultaneidade e arrastamento).
    Frases predominantemente coordenadas, uso de paralelismos de construção, de comparações simples
-   Verso livre
-   Métrica irregular
-   Despreocupação a nível fónico
-   Pobreza lexical (linguagem simples, familiar)
-   Adjectivação objectiva
-   Pontuação lógica
-   Predomínio do presente do indicativo
-   Frases simples
-   Predomínio da coordenação
-   Comparações simples
-   Raras metáforas
Alberto Caeiro
- Vê a realidade de forma objectiva e natural
- Aceita a realidade tal como é, de forma tranquila; vê um mundo sem necessidade de explicações, sem princípio nem fim; existir é um facto maravilhoso.
- Recusa o pensamento metafísico (“pensar é estar doente dos olhos”), o misticismo e o sentimentalismo social e individual.
- Poeta da Natureza
- Personifica o sonho da reconciliação do Universo, com a harmonia pagã e primitiva da Natureza
- Simples “guardador de rebanhos”
- Inexistência de tempo (unificação do tempo)
- Poeta sensacionista (sensações): especial importância do acto de ver
- Inocência e constante novidade das coisas
- Mestre de Pessoa e dos outros heterónimos
- Relação com Pessoa Ortónimo – elimina a dor de pensar
- Relação com Pessoa Ortónimo, Campos e Reis – regresso às origens, ao paganismo primitivo, à sinceridade plena
Mestre do ortónimo e dos heterónimos
A partir da carta a Adolfo Casais Monteiro
*nasceu em Lisboa (1889);
*morreu tuberculoso em 1915;
*viveu quase toda a sua vida no campo;
*só teve instrução primária;
*não teve educação, nem profissão;
*escreve por inspiração;
Filosofia de Caeiro:
*é anti-religião;
*é anti-metafísica;
*é anti-filosofia;
Fisicamente:
*estatura média;
*frágil;
*louro, quase sem cor;
*olhos azuis;
*cara rapada;
Características:
Importância dos sentidos, nomeadamente a visão;
O incomodo de pensar associado à tristeza;
Ele não quer pensar, mas não o consegue evitar;
Escreve intuitivamente;
Para ele a natureza é para usufruir, não é para pensar;
Desejo de despersonificação (de fusão com a natureza);
Ligação das orações por coordenações e subordinações;
Poeta bucólico, do real e do objectivo;
Valorização das sensações;
Amor pela vida e pela natureza;
Preocupação apenas com o presente;
Critica ao subjectivismo sentimentalista;
Na Linguagem:
Predomínio do Presente do Indicativo;
Figuras de estilo muito simples;
Vocabulário simples e reduzido; (pobreza lexical);
Uso da coordenação para a ligação das orações;
Frases incorrectas;
Aproximação à linguagem falada, objectiva, familiar, simples;
Repetições frequentes;
Uso do paralelismo;
Pouca adjectivação;
Uso dos substantivos concretos;
Ausência da rima;
Irregularidade métrica;
Discurso em verso livre;
Estilo coloquial e espontâneo;

quarta-feira, 1 de maio de 2013

DIA INTERNACIONAL DO TRABALHADOR




AOS AMIGOS DE TODO O MUNDO



É DIA DO TRABALHADOR, POR TODO O MUNDO LIVRE.

DESEJO QUE, EM PORTUGAL E NESSE MUNDO QUE TEM EM ATENÇÃO OS DIREITOS DE QUEM TRABALHA, O "CAPITAL" VEJA QUE , SEM OPERÁRIOS NÃO HÁ A   RIQUEZA QUE ENGROSSA AS CONTAS DE QUEM É RICO.

HÁ, PORTANTO, UMA GRANDE URGÊNCIA EM RESPEITAR A DIGNIDADE E OS DIREITOS HUMANOS DE QUEM PRODUZ.

A SOCIEDADE PORTUGUESA, EMPOBRECIDA DE MODO ASSUSTADOR, NOS ÚLTIMOS DOIS ANOS, CLAMA POR JUSTIÇA E TRABALHO, HOJE E SEMPRE, NAS RUAS DESTE PAÍS QUE DEU "NOVOS MUNDOS AO MUNDO" E SE ENCONTRA , HOJE, TREMENDAMENTE EMPOBRECIDA, SEM DIREITOS, COM UM MILHÃO DE DESEMPREGADOS, SEM DIREITOS COMO O DIREITO À JUSTIÇA, À SAÚDE, AO TRABALHO, À EDUCAÇÃO, AO PÃO!

ESTE É UM DIA DE LUTA NAS RUAS DE PORTUGAL! LUTA, IGUALMENTE CONTRA UM GOVERNO SEM NORTE , ONDE O CHAMADO MINISTRO DAS FINANÇAS NÃO TEM ACERTADO NENHUMA DAS METAS QUE DEVERIAM PÔR EM MOVIMENTO A FORÇA DA ECONOMIA E SÓ ABRE A BOCA PARA DIZER QUE VAI IMPLANTAR AINDA MAIS MEDIDAS CONTRA OS REFORMADOS E OS TRABALHADORES!

LUTEMOS, PORTUGUESES, CONTRA A EXISTÊNCIA DESTE DESGOVERNO QUE ESTÁ A PÔR POBRES A "VASCULHAR" CONTENTORES DO LIXO À PROCURA DE COMIDA...CRIANÇAS A CHEGAREM ÀS ESCOLAS COM FOME, A DESMAIAREM NAS AULAS COM FOME, POBRES A COMEREM A SOPITA DOS RESTOS DOS VIZINHOS...

É ESTE O PORTUGAL QUE ABRIL PRECONIZAVA?

NÃO!

LUTEMOS, ENTÃO!

VIVA PORTUGAL!

Maria Elisa Ribeiro
1 de MAIO/013

terça-feira, 30 de abril de 2013

EÇA de QUEIRÓS E A POLÍTICA (no século XIX)






Política de InteresseEm Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações. 
A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse. 
A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos; há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio. A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva. 
À escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (...) todos querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos, ávidos de consideração e de dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade. 

Eça de Queiroz, in 'Distrito de Évora (1867)

POEMA: AROMAS














AROMAS


AROMAS

Dorme o Mar, ao longe.
Estendeu línguas de azul quente, por pontais de areia lúbrica…
…silente…ansiosa por sensações ardentes…
Uma luz de azulado anil toca meu corpo, febril,
espraiado entre místicas palmeiras,
na sombra ramosa de cocos das descobertas.
Afundo-me, completamente, no desvario das alegorias
do pecado,
ao sentir a espuma maliciosa aflorar-me a pele sedenta, de tão macia…
E sinto o odor das flores abertas
do meu jardim, escondido…minha Pedra de Roseta
nunca decifrada…segredo de sereia mutilada
no NADA que finge TUDO…

Trespassada pelo canto estranho
das aragens marinhas que falam,
mergulho no centro das águas do mar, ali…
naquele ponto, onde as vejo a respirar…

Cheirou-me a ti! Chegaste, disfarçado
nos ares da maresia, em pontos de sensual euforia!
E cheira a tudo…a violetas bravias, a camélias fugidias
da madeira oriental!
PARA MEU BEM…ÉS MEU MAL!
Tudo em redor murmura e suspira!
E a harmonia da humanidade está nesta doce verdade,
do ouvir-não ouvindo…do sentir-fazendo de conta…
…do reagir à vontade do QUERER-SER!

Estou em peregrinação numa romaria de paixão!



Sinto que esperas as poeiras de oiro das estrelas fumegantes,
junto do meu rio de margens húmidas,
para onde me empurra Florbela…alma do Alentejo errante
que, no vento me mostra o amor , em hino de dor…



“SE TU VIESSES VER-ME HOJE À TARDINHA…
…E ME PRENDESSES TODA NOS TEUS BRAÇOS…”

O Sol, superior, bate na água da terra
numa orgia de calor…








Maria Elisa R. Ribeiro

Marilisa
R/CL 11/36 (mqc)-ABR/011
 

sábado, 27 de abril de 2013

LITERATURA PORTUGUESA-CESÁRIO VERDE







LITERATURA PORTUGUESA

 CESÁRIO VERDE (1855-1886)---------------(REP)

“…E que misterioso o fundo unânime das ruas, /
Das ruas ao cair da noite, ó CESÁRIO VERDE, ó MESTRE…/
ÁLVARO de CAMPOS (heterónimo de FERNANDO PESSOA)




“VERDE” de NOME… bem MADURO, por sinal…pois a sua poesia é das coisas mais lindas que se podem encontrar no Género Lírico, na poesia dos finais do Século XIX! E vejam como o próprio FERNANDO PESSOA se inclina, reverentemente, perante a grandiosidade da literatura de CESÁRIO VERDE (C.V):
“…E que misterioso o fundo unânime das ruas, /Das ruas ao cair da noite, Ó CESÁRIO VERDE, Ó MESTRE…!” (Heterónimo ÁLVARO DE CAMPOS).
Nasceu C.V. em LISBOA; seu pai, comerciante do ramo das ferragens, possuía uma quinta em LINDA-A – PASTORA que produzia tão bela fruta quanto saúde e paz com a Natureza, de que o poeta tanto precisava dado o cansaço que a capital nele causava. C.V ainda chegou a frequentar o Curso Superior de Letras, do qual cedo desistiu, mas onde conheceu o escritor Silva Pinto, que foi o amigo que publicou, depois da sua morte, as poesias deste génio lírico, num livro a que deu o nome de “Livro de CESÁRIO VERDE”.
Foi C.V. um poeta do período REALISTA/PARNASIANISTA, século XIX, que deixou o mundo tão cedo, que nos privou de tanta maravilhosa poesia quanto a que escreveu. E deu-nos o que o Supremo permitiu… A tuberculose era a doença da moda, neste período de intensa industrialização da nossa sociedade, e quase toda a sua família morreu, como ele, dessa terrível doença, num tempo em que ainda se não falava de antibióticos.
Na sua curta vida, não conseguiu o grande poeta ver publicados os seus poemas por nenhuma editora. Lamentava-se desse facto que o humilhava e fazia sofrer. Eis como a isso alude, no poema “CONTRARIEDADES”: “ (…) EU nunca dediquei poemas às fortunas… só a amigos ou a artistas. Independente! Só por isso os jornalistas/Me negam as colunas. / (…) Agora sinto-me eu cheio de raivas frias, /Por causa dum jornal me rejeitar, há dias, /Um folhetim de versos (…)”
 A sua grande preocupação era passar, em verso, a realidade da vida do mundo que o circundava, errando, vagueando, pela cidade, em diferentes momentos do dia e da noite, contando, com o recurso ao visualismo e através de inúmeras SINESTESIAS, as misérias da vida citadina, os podres da civilização, a doença, o trabalho das classes desfavorecidas, a exploração de todos por muitos, neste tempo da expansão da industrialização na EUROPA e, mais particularmente, em PORTUGAL. É realista, porque descreve e narra, em verso, a realidade da vida da LISBOA do seu tempo; é parnasianista, pois como os poetas gregos do MONT/cidaddeE PARNASO (o monte dos poetas), se preocupava com a forma correcta de poetar, sem obedecer a regras, para que, deste modo, conseguisse abrir à poesia as portas da vida e nela permitir que entrassem os ruídos, os cheiros e a linguagem das ruas. O REALISMO de CESÁRIO VERDE reflecte, no entanto, um afastamento marcante do naturalismo e um desencanto com o próprio movimento realista, pois que ele pôs nos seus poemas todo o seu SENTIR, a sua subjectividade, o seu modo de viver os problemas. No poema “NÓS”, afirma:” (…) ao meu olhar/tudo tem um certo espírito secreto/ (…). O pronome possessivo “meu”confirma o subjectivismo, sempre que o encontrarmos nos seus poemas… Pode dizer-se que o Realismo está na narração, em verso, do que ele, realmente, observa, vê…
Os temas mais importantes da estética Cesariana são três, essencialmente: a dicotomia campo/cidade, a mulher, a realidade da vida dura do povo, bem como, por consequência, a crítica às injustiças sociais.
Apesar de o poeta adorar LISBOA, a cidade era, para ele, o símbolo do mal, da doença, da infelicidade, das injustiças, da exploração… Ao contrário, o campo representava a saúde, o bem, a vida sã, as virtudes, o paraíso da saúde, do viver simples e são. Ao lermos o poema “NUM BAIRRO MODERNO”, vemos como C.V. dramatiza a invasão simbólica da cidade pelo campo, através de uma pequena vendedeira de frutas e legumes que depõe a sua giga, “como um retalho de horta aglomerada”, numa escadaria de mármore de uma casa apalaçada. E o amor pelo campo contribui para que, numa atitude perfeitamente surrealista, ele “visse” os frutos e os legumes transformados “num ser humano”: “Eu descia/sem muita pressa, para o meu emprego, / (…) notei de costas uma rapariga pousar, ajoelhando, a sua giga…/(…)tamancos, …esguedelhada, feia(…)seus bracinhos brancos…/Subitamente que visão de artista!-/ Se eu transformasse os simples vegetais,/…Num ser humano que se mova e exista/Cheio de belas proporções carnais?!/…
A escrita de Cesário parte sempre das sensações para terminar em IMAGENS, proporcionando ao leitor a LEITURA-VISÃO da realidade observada, numa perfeita atitude de pintor impressionista! Ele próprio o reconhece quando diz: ”PINTO QUADROS COM LETRAS”. O uso de todos os sentidos da condição humana, está de tal modo disseminado pela sua obra, que o leitor pode “VER” situações que ele poetiza, como se pode ver nos versos seguintes, tirados de vários poemas: ”…Foi quando tu, descendo do burrico, /Foste colher…a um granzoal azul de grão-de-bico, /Um ramalhete rubro de papoulas. / (…) E houve talhadas de melão, damascos/ E pão-de-ló molhado em malvasia./
No que diz respeito ao papel da mulher na sua poesia, deve dizer-se que a mulher superior o irritava, porque o fazia sentir-se humilhado. Um pouco complexado perante a grandiosidade da mulher que o não olhava, chegou a fazer poemas extremamente duros, sobre esse tipo de mulher. Isso pode ver-se em vários versos de outros tantos poemas como “DESLUMBRAMENTOS”, em que afirma: ” O seu olhar possui, num jogo ardente/Um arcanjo e um demónio a iluminá-lo; /Como um florete, fere agudamente (… )”; no poema “ESPLÊNDIDA”: (…) Ei-la! Como vai bela (…) É fidalga e soberba, (…) Tem a altivez magnética e o bom-tom/ Das cortes depravadas. / (…) E eu vou acompanhando-a, corcovado, /…como um doido, em convulsões, /Febril, de colarinho amarrotado…”
No poema “HUMILHAÇÕES”, o sujeito poético, “ignorado e só”, repara na mulher superior, distante, fria, altiva, mas aqui já com uma superioridade que advém da condição económica e social: ” Esta aborrece quem é pobre! EU, quase JOB, /Aceito os seus desdéns, seus ódios idolatro-os; /…a mulher nervosa e vã… saltou soberba…As outras ao pé delas imitam as bonecas; / Eu ocultava o fraque usado nos botões (….).
Mas a visão que tem da mulher que não é “MILADY”, da mulher que trabalha para viver e da mulher que sofre a miséria e a doença, é outra, muito humana, muito sentida.
 Sofre, por isso, perante a mulher que vive degradada e miseravelmente, vítima da opressão social da cidade e vai denunciando as circunstâncias sociais injustas, como no poema “Contrariedades”, onde nos familiarizamos com uma pobre engomadeira, tuberculosa, sozinha, que se mantém “a chá e pão”: “Ali defronte mora/Uma infeliz, sem peito, os dois pulmões doentes; /Engoma para fora. /Pobre esqueleto branco…. /Tão lívida! O doutor deixou-a…”. E no poema “Humilhações” aparece uma infeliz, no meio da grandiosidade e do fausto da burguesa: ”de súbito, fanhosa, infecta, rota, má, /Pôs-se na minha frente uma velhinha suja…olhos de coruja….” .
JACINTO DO PRADO COELHO, in “Problemática da História Literária”, 2ª edição, Edições ÁTICA- 1961, refere: ”…C.V. é um dos grandes iniciadores do moderno na poesia portuguesa. Contemporâneo de um DEGAS, de um RENOIR, Cesário alargou o âmbito do poético à representação pictórica das pessoas e das coisas humildes, quotidianas…”
Cesário ensinou-nos a poesia de respirar, de caminhar observando, de ver com amor e pormenor, quase com ingenuidade e fê-lo com uma linguagem nova, tanto de raiz burguesa como popular, rica em termos concretos, por vezes, atrevida, para sugerir mistura de sensações no físico e no anímico, uma linguagem impressionista e fantasista, como atrás referi, mas, ao mesmo tempo sacudida e coloquial.
Para começar a orientar este artigo para o fim, quero falar-vos do poema “CRISTALIZAÇÔES”, obra-prima da nossa Literatura, que o próprio poeta classificou, numa linguagem matemática, como um poliedro, uma figura sólida com muitas faces, pois nele conseguiu mostrar o sofrimento de imensas classes trabalhadoras. Vejamos:  “De cócoras, em linha, os calceteiros, (…) Disseminadas, gritam as peixeiras (…) Homens de carga! Assim as bestas vão curvadas, (…) Povo! No pano-cru rasgado das camisas/ Uma bandeira (…) e os suspensórios traçam-lhe uma cruz!” Tanta coisa mais que fica por dizer!
Inúmeros vultos da LITERATURA Nacional e internacional se vergaram perante a grandiosidade da obra do pobre POETA: JACINTO PRADO COELHO, CLARA ROCHA; MÁRIO CESARINY DE VASCONCELOS, DAVID MOURÃO – FERREIRA, GEORG RUDOLF LIND, FERNANDO PESSOA ORTÓNIMO E HETERÓNIMO, …
Deixo este autor com uma frase de GEORG R. LIND, in Revista COLÓQUIO/LETRAS, nº 93, SET/1986: “LER a obra de Cesário VERDE, nomeadamente “O Sentimento de um ocidental” equivale a ler um EÇA de QUEIRÓS transformado em poeta; significa entrar em contacto com uma poesia realista”.


NOTA: este artigo, embora preocupado em dar uma ideia da obra de CESÁRIO VERDE, como se pode calcular não o consegue fazer, dadas as restrições de espaço. Devem os alunos do ENSINO SECUNDÁRIO estar atentos, primeiro que tudo, às aulas de PORTUGUÊS, onde esta matéria é alargadamente tratada pelos seus Professores, caso ainda faça parte dos PROGRAMAS.


Mealhada, 28 de  Novembro de 2010
Maria Elisa  Rodrigues Ribeiro
lisitarodrigues@gmail.com


POEMA :SILABÁRIO





SILABÁRIO

Medito a dois passos da indefinição…

Afundo-me no ar volátil que se dilui nas vagas que respiro,
nas nuvens que se movem empurradas por ímpetos,
nas folhas das árvores tocadas por movimentos místicos…

Brincam comigo, às escondidas, sons de flauta e violino
que, difundidos no FADO,
ajudam a minha construção do cosmos.
São acordes divinais…perdidos no meu deserto…
e vogam ao sabor do céu aberto.

Tomo conta de mim
no orgulho vibrante, poderoso,
da consciência da pedra bruta que luta,
que se aproxima e se afasta, do Monossílabo que SOU…

(Escrevo-me cartas de amor…conto-me os meus defeitos e aceito-os…
Amo-te mais no DEPOIS…comigo própria…
É quase um diário que escrevo, onde me lamento num refúgio…
Sou um paradoxo…oponho-me ao meu oposto!
Sou música –física, num recomeço constante do bamboleio hesitante
da alma!
Vejo que, nos teus olhos, reside o segredo do meu olhar, que escondeste
Na fortaleza do teu brilhar…

Desagrego-me e grito…)

Onde será o espaço do coração?
Dói-me a noite…
Dói-me o dia…
No meio deste vazio…confio!
Se ao menos o sol abrisse a porta fechada do meu estar
num solo definido…
Mergulharia no teu mar_________
Sorveria as sensações __________
E sempre que a vida te escolhesse, como ao virar uma folha,
seria eu o teu palco de emoções!

Rasgarei a mordaça da rotina da inquietação
E saltarei aquele velho muro da indecisão
Que me impede de mostrar êxtases…
na melancolia do medo de não poder chegar
ao mapa do teu coração…

(AMO…
Se vivo…?

OH, pássaro louco, em desvairada correria!
A Noite, azulada e eterna, é a da minha fantasia…)

MARILISA RIBEIRO
R/CL/11/ 30-MRÇ-( mqc)011

sexta-feira, 26 de abril de 2013

POEMA "ACASO" de ÁLVARO DE CAMPOS (HETERÓNIMO DE PESSOA)






AcasoNo acaso da rua o acaso da rapariga loira. 
Mas não, não é aquela. 

A outra era noutra rua, noutra cidade, e eu era outro. 
Perco-me subitamente da visão imediata, 
Estou outra vez na outra cidade, na outra rua, 
E a outra rapariga passa. 

Que grande vantagem o recordar intransigentemente! 
Agora tenho pena de nunca mais ter visto a outra rapariga, 
E tenho pena de afinal nem sequer ter olhado para esta. 

Que grande vantagem trazer a alma virada do avesso! 
Ao menos escrevem-se versos. 
Escrevem-se versos, passa-se por doido, e depois por gênio, se calhar, 
Se calhar, ou até sem calhar, 
Maravilha das celebridades! 

Ia eu dizendo que ao menos escrevem-se versos... 
Mas isto era a respeito de uma rapariga, 
De uma rapariga loira, 
Mas qual delas? 
Havia uma que vi há muito tempo numa outra cidade, 
Numa outra espécie de rua; 
E houve esta que vi há muito tempo numa outra cidade 
Numa outra espécie de rua; 
Por que todas as recordações são a mesma recordação, 
Tudo que foi é a mesma morte, 
Ontem, hoje, quem sabe se até amanhã? 

Um transeunte olha para mim com uma estranheza ocasional. 
Estaria eu a fazer versos em gestos e caretas? 
Pode ser... A rapariga loira? 
É a mesma afinal... 
Tudo é o mesmo afinal ... 

Só eu, de qualquer modo, não sou o mesmo, e isto é o mesmo também afinal. 

Álvaro de Campos, in "Poemas" 
Heterónimo de Fernando Pessoa
Tema(s): Acaso 

Testemunho de HELDER MACEDO SOBRE O PENSADOR EDUARDO LOURENÇO








TESTEMUNHO

Eduardo Lourenço, o poeta do pensamento


Nunca sei o que mais me deslumbra em Eduardo Lourenço: se a
lógica rigorosa do seu pensamento, se a metamorfose do
pensamento em metáforas, se a construção de uma narrativa que,
simultaneamente, se remete a si própria e à matéria exterior que
recupera. Tudo o que Eduardo Lourenço escreve tem uma
integridade própria, é inequivocamente Eduardo Lourenço, escreva
ele sobre Luís de Camões, ou sobre Fernando Pessoa, ou sobre a
ambígua nação em permanente trânsito entre o ser e o não ser que é
o Portugal do seu imaginário transformado na imaginação do que
nós somos. Os poetas usam imagens e metáforas, são o seu
alfabeto; os romancistas transformam as suas personagens em
imagens e metáforas; os filósofos pensam o pensamento. Eduardo
Lourenço é um filósofo que pensa em metáforas e um poeta que
transforma as metáforas em personagens. As suas personagens são
os textos que lê e que nos ensina a ler como se fossem gente:
Camões, Pessoa, Portugal, o que fomos, o que somos, o que ainda
poderemos querer ser.


Helder Macedo- via NET

quinta-feira, 25 de abril de 2013

PORTUGUESE POETRY(POESIA PORTUGUESA)






DAVID MOURÃO-FERREIRA (1927-1996)


O Corpo Os CorposO teu corpo         O meu corpo       E em vez dos corpos 
que somados seriam nossos corpos 
implantam-se no espaço novos corpos 
ora mais ora menos que dois corpos 

Que escorpião de súbito estes corpos 
quando um espelho reflecte os nossos corpos 
e num só corpo feitos os dois corpos 
ao mesmo tempo somos quatro corpos 

Não indagues agora se o meu corpo 
se contenta só corpo no teu corpo 
ou se busca atingir todos os corpos 

que no fundo residem num só corpo 
Mas indaga sem pausa além do corpo 
o finito infinito destes corpos 

David Mourão-Ferreira, in “Obra Poética”

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