"As minhas palavras têm memórias ____________das palavras com que me penso, e é sempre tenso _________o momento do mistério inquietante de me escrever"
terça-feira, 16 de abril de 2013
sábado, 13 de abril de 2013
POEMA : ENTREGA
ENTREGA
Enlaça-me...
Rodeia meu corpo
com teus braços fortes...
Prende-me ao teu hálito...
Deixa-me sentir o teu refúgio...
Percorre meu corpo
com teus dedos ...passa-os
pelas minhas costas
expostas ao teu desejo.
Vá...retoma o abraço insatisfeito...
Beija meu pescoço...
...assim...lentamente...
Deixa que sinta o quente calor
do vulcão em que me estreito...
...tua boca quente a arder de desejo...
Assim...
Desfaz meus cabelos
entre teus olhos...
Deixa-me olhar o céu...
ver as estrelas no dia escuro
do nosso quarto...
Deixa que perca os sentidos
antes de me perder em ti!
Sôfrego! ESPERA...
Chove em mim...
A janela do quarto
entreaberta,
permite sentir
os odores do salgueiro,
matreiro...
que exala odores genesíacos...
embriagantes...
Teu corpo morre
a viver em mim...
que morro a viver em ti...
Deixa-me fazer assim:
...engulo teus beijos
carentes de VIDA/MOMENTO
no leito quente...
escorregadio...
...incapaz de permanecer
sereno, no seu lugar!
"TUDO PÁRA QUANDO A GENTE FAZ AMOR!"
Vá...vive-me!
Deixa que te viva
no suor natural
que faz tremer
nosso olhar!
Puxa-me, agora,
quando desprendo de mim,
para me segurar em ti...
E...
a semente lançada à TERRA
remexe-se, numa guerra violenta
a viver o desabrochar!
A VIDA revolve o nosso viver...
Só assim me posso DAR...
Sonho noites ímpares de
revolução ....
erótico/sentimental!
MAU SINAL...
Ficou teu cheiro no AR-DO-MEU-SONHAR...
ASPIRO-O...A
ARFAR...
C10J-2--JAN/011
(mqc)
segunda-feira, 8 de abril de 2013
O "CHUMBO" DE ÁREAS DO ORÇAMENTO, PELO TRIBUNAL CONSTITUCIONAL.
O “CHUMBO” do TRIBUNAL CONSTITUCIONAL …
Como era esperado, o Tribunal Constitucional (TC) “chumbou”
algumas das medidas de passos coelho, apresentadas no Orçamento de Estado, para
o ano em curso.
Já no passado ano o tinha feito, perante o mesmo tipo de
medidas gravosas da vida dos portugueses, tendo, no entanto, deixado passar
prazos para que a acção governativa pudesse continuar: não deixou, apesar de
tudo, de sublinhar que o povo estava a sofrer com tais medidas dando a entender
que o (des)governo deveria implementar políticas que não atingissem tão arduamente os mais
pobres e desprotegidos.
Coelho, com o seu carácter medíocre, míope e prepotente,
voltou a desafiar o TC com o mesmo tipo de Orçamento, em parte como causa das
constantes e sistemáticas falhas de previsões do seu ministro das finanças, que
continua a não acertar uma! Pôs-se, por conseguinte, a jeito de levar “mais uma
tareia” dos juízes que zelam pelo cumprimento das regras constitucionais,
mostrando não ser capaz de aprender as lições que lhe são ensinadas,
diariamente, pelos portugueses que o não suportam, que não podem ver a sua
cara, que o mandam ir-se embora e que mostram não querer desarmar perante os
seus tiques ditatoriais.
Custa-lhe digerir a Democracia! Vai daí, ontem, rodeado de
dezenas de fotógrafos, o “grande homem”, na sua pequenez de carácter, ditou
para a imprensa um furibundo comunicado contra o TC, que mostrou o seu carácter
de ditador que não aceita as regras e o seu ódio mais que evidente, contra os
pobres, trabalhadores, reformados e pensionistas, desempregados, gente em tal
difícil situação que não pode mais com estas “caras de pau”! O homem “espumou”
ódios e ameaças num contentamento serôdio de quem não aprende nada, porque
precisa de tratamento urgente!
Este seguidor das políticas restritivas de MERKEL para a
EUROPA esfrangalhada, nem sequer aprendeu a lição que a mesma deu ao mundo
europeu, há dias, ao afirmar que nunca lhe passaria pela cabeça contestar o
tribunal constitucional do seu país! Falta-lhe a grandeza intelectual para ver
que não é o TC que se deve subordinar ao seu governo, mas este que deve estar
atento aos avisos e conselhos do TC.! Que democracia pode existir se todos os “passos
coelhos” do mundo se esquecerem desta regra e quiserem “meter os TCs nas
gavetas”?
Por seu lado, o Presidente da República que temos, abrigado
no conforto dos muros do palácio de Belém, também não vê nada da miséria do povo,
porque , com todas as suas pensões, não passa fome, não paga luz nem água nem
gás, viaja em carros indignos da pobreza deste país, tal como os membros do seu
governo, não visita a miséria “in loco”, não tem noção das famílias
desagregadas que vêem os filhos e parentes fugirem de Portugal ,para verem se
vivem!
Quem ontem e anteontem olhasse para as movimentações do
governo ,pensaria que se estava a assistir a uma passagem de modelos de carros
de alto luxo!
O homem coelho já não tem ideias! Não sabe salvar a face dos
desastres em que tem mergulhado o país; alguns dos seus ministros, sabe-se
agora, têm vontade de fugir e, cobardes como são, vão abandonar o “barco”
quando menos esperarmos. O das finanças, como erra todas as previsões, quer
ir-se embora; a da Justiça, quer dar “à sola”; relvas, o dr sem estudos nem “canudo”
já se demitiu…Estejamos atentos que o “cortejo” vai continuar! ´
Pois o nosso grande primeiro-ministro, dizem os jornais e os
habituais comentadores, já está a preparar mais cortes nos ordenados dos
pobres, mais cortes nas reformas e pensões, atrás dos quais o precipício se vai
alargando com mais desemprego, menos poder de compra e consequentes baixas da
receita fiscal neste país quase todo fechado por conta dos (des) governantes!
Como refere o comentador Rui Tavares no seu “Consoante muda”,
no jornal “PÚBLICO” de hoje, “ Debaixo
da sua cuidada apresentação, pedro passos coelho esconde uma profundíssima
incultura política, económica, jurídica e histórica. Há também ignorância que
não só é atrevida, mas ousada mesmo.”É que além de mau e cínico, não
aprende com os erros e condenou um país à miséria mais extrema que os leitores
podem imaginar! Já não há possibilidades de ajudar quem tem fome! As
instituições de caridade não conseguem dar vazão a tanto sofrimento! As nossas
crianças passam fome e vão para a escola a desmaiar de fome! QUEM PODE PERDOAR
ESTE ESTADO DE COISAS A ESTES TIPOS?OS NOVOS CORTES VÃO SER SOBRE A EDUCAÇÃO, A
SAÚDE, O FUNCIONALISMO PÚBLICO, a SEGURANÇA SOCIAL QUE JÁ QUASE NÃO EXISTE, O
DESPEDIMENTO DE PROFESSORES E DE FUNCIONÁRIOS…
QUEM SOBRA PARA PAGAR????????????????’
Voltarei , dentro de dias… vou ver o que isto vai dar, para
além do afundamento em que nos encontramos.
Mealhada,8 de ABRIL de 2013-04-08
Maria Elisa R. Ribeiro
sexta-feira, 5 de abril de 2013
PELO PAÍS...
PELO PAÍS…
1-José Sócrates, o anterior primeiro- ministro que se deu ao
trabalho de ir para PARIS “estudar Filosofia”, com um empréstimo
bancário!-regressou a Portugal, para ser comentador na RTP, a convite (dizem…)
de Miguel relvas, o ministro ontem demitido , sem honra nem vergonha.
Com o ar arrogante, vaidoso , narcisista e mentiroso que lhe
conhecemos , durante seis penosos anos, assim se voltou a apresentar ao povo, “dando
uma carga de pancada” no Presidente da República acusando-o de falsidade
institucional, de má-fé no trato com os seus governos desgovernados e não dando
com todas as suas balofas afirmações, qualquer prova de lhe ter valido de algo
o que “estudou” na cidade-luz!
Diz quem assistiu ao “circo” que o homem continua sem
perceber nada disto , de tal modo que quis conduzir as suas afirmações sem
querer “passar cavaco” aos jornalistas que conduziam a “entrevista”!
2-Assistimos , há dias, à apresentação no Parlamento, por parte do PS, de mais uma
moção de censura ao desgoverno de passos coelho, quase um “alter-ego” de Sócrates!
Os votos de todos os partidos de Esquerda não bastaram-como se sabia, aliás!-
para derrotar passos e os seus apaniguados. Igual a Sócrates, também este está
doentiamente convencido de que é a Salvação de Portugal e, por isso, continuam
os roubos indignos das pensões dos pobres e remediados, que trabalharam dezenas
de anos para viver um fim de vida digno, de acordo com o que descontaram.
O que se passa em Portugal com todos os seres da política,
faz-nos compreender que nos devemos sentir, todos os dias e apesar da sua (deles)
existência, mais inteligentes e dignos do que realmente somos, mesmo que miseráveis
no contexto desta EUROPA à beira do fim!
3-Não acabam os aumentos de impostos! O imposto sobre os
imóveis aumentaram, tão assustadoramente, que não sabemos como pagá-los;
pessoalmente e só como exemplo, o meu subiu mais de 400%!Tenho que o pagar
agora, em Abril! A segui, vem o IRS com um aumento tão brutal que,mais uma vez,
não sei como pagá-lo depois de me ver roubada todos os meses, a partir de
agora, em mais 175Euros! Passo a passo, para além dos desempregados que são
assunto que não preocupa o desgoverno, vamos começando a “vegetar” pois não
podemos viver! E o chamado ministro das finanças continua a FALHAR todas as
suas previsões!
Entretanto, os portugueses, nomeadamente os jovens,
continuam a emigrar para longes terras sem certezas de emprego ou bem-estar.
4-Mas, amigos, a notícia do dia é, verdadeiramente, a
demissão do ministro de passos coelho e seu “cérebro pensante”, Miguel relvas,
o tal que se fazia chamar de DR sem ter a licenciatura, que comprou parece, com
créditos de uma vida dedicada a causas públicas!???????????????
No seu discurso de demissão disse que “a História provará
que foi um homem recto”!!!!!!!!
Disse , igualmente, “que não tinha força anímica” para
continuar…isto no momento em que a Inspecção Geral do Ensino se preparava para
mandar a Tribunal a questão da sus “licenciatura”! Já foi tarde porque a sua
vida no governo tem sido marcada por episódios tão chocantes como a censura na
RTP e no trabalho de jornalistas, o desmantelamento das Freguesias de Portugal,
as ligações a ditos espiões…Foi-se , sem honra nem dignidade!E foi-se num
momento em que o TRIBUNAL CONSTITUCIONAL está para se pronunciar sobre os
aspectos inconstitucionais do ORÇAMENTO DE passos coelho! Os ratos começam a
abandonar o navio, que já está tão esburacado que não se sabe quanto vai
resistir.Deve dizer-se , em abono da verdade, que este tipo tem sido contestado
pelo povo e por gente do PSD como nunca antes acontecera!A pasta que detinha, a
da Comunicação Social, foi o trampolim para projectar a sua vaidade balofa,
censurando , cortando a direito nos direitos de tudo e de todos, derrubando uma
administração da RTP, dois directores de informação, o director da RTP2, um
programa de opinião e cinco comentadores da ANTENA1!
Sendo este artigo uma resenha simples dos factos, aconselho
a leitura dos jornais, para uma completa e detalhada informação, impossível de
levar a cabo ,neste espaço, por motivos óbvios.
Mealhada, 5 de Abril de 2013-04-05
Maria Elisa R. Ribeiro
quinta-feira, 4 de abril de 2013
quarta-feira, 3 de abril de 2013
POEMA: A VESTE DOS DIAS
A VESTE DOS DIAS
Muitos dias se vestiram de cheiro a terra molhada.
Outros tantos se despiram, de calor, na alvorada.
À janela da vida
inclinados, os poemas absorvem o ouro do corpo das montanhas,
banhado de alvas madrugadas.
Transpiro-os,
por sobre o rumor das vagas deitadas na areia…
No cosmos,
as flores penteiam odores
de alvoradas labirínticas
nos vapores-húmus-da-
terra- semeada.
Ares esbranquiçados de nuvens carregadas, estendem-se
por sobre matas e vales de orgiástica beleza,
encobertos por véus
de algodão branco, em toda a sua pureza.
Passa por mim o ar
do teu vital respirar
a caminho de segredos que não sei adivinhar …
Repousam, serenas , as pedras do areal, vestidas de
tempos-eras a
deslocar conchas,
confundindo búzios do alto –mar…
E vestem-se os dias de flores…
…e cheiram as flores a amores dispersos no teu suave
universo-poema…
O vento é uma epopeia da terra a caminho de
ilhas-de-tantos-rumores
de paz
numa eterna guerra, que ampara lexemas-maiores…
Cilícios de goivos e grinaldas de lírios vestem buganvílias
que se desprendem dos olhos
dos Amores.
Na memória de teu rosto-poema vou pendurando quadros…
…catedrais de sonhos que choram vitrais do silêncio
das noites em que-tu-não-És
e uma ferida solar chora o Tempo-Devagar…
…este Presente do
Passado,
a caminho de um
Futuro de nada-saber
da veste dos dias-em-que-te-não-Fui…
Maria Elisa R.
Ribeiro
(Marilisa Ribeiro)
CQ16-OUT/012-VDS
domingo, 31 de março de 2013
sábado, 30 de março de 2013
MEDITANDO...(REP)
MEDITANDO…
“Esta viagem não
responde às minhas perguntas.
(…)
Vítima da memória,
nenhum deus me acolhe à chegada.”
Do POEMA “ESTA VIAGEM”, in “O País de AKENDENGUÊ”, de
Conceição Lima-Editora “CAMINHO” .
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Medito…E se medito, penso…Logo, existo! E é esta existência
que, por vezes, me leva a sentar numa cadeira, cómoda e relaxante, para, ao som
da música, neste ambiente que respira a mim,”limpar, reavivando-as, memórias do
que fui e do que sou. Como é impossível controlar o que vem à memória, vou ao
meu silêncio interior, minha catedral espiritual para poder
ser-eu-comigo-própria.
As memórias da vida são sempre um factor de tensão do
sujeito pensante; tensão positiva, porque o impele a reconhecer-se, ao ver-se
ao “espelho” da Verdade de si próprio; factor de tensão negativa, porque a
verdade de nós requer coragem para lidarmos com os nossos defeitos, as nossas
paixões…a nossa realidade como seres, enfim.
Sendo a vida a maior verdade do homem que nasceu, à qual ele
deve o maior respeito e amor, no cumprimento implícito da fidelidade aos princípios,
ela é, igualmente, um projecto traçado para cada um de nós, que devemos
respeitar, realizando-nos.
Cada vez mais consciente dessa realidade, sinto que estou em
contínua aprendizagem a qualquer momento em que respiro, em que vibro com o
sol, as estrelas e a lua, seja qual for o espaço ou o lugar em que me encontre.
Oiço os “PINK FLOYD”, essa maravilha da arte musical que se entranha em mim,
ajudando-me a ter ideias e a sentir a força da mensagem!
E deambulo por cima de “um castelo de algodão”, chamado
“Revolução dos cravos” que, ao longo das últimas décadas se foi diluindo nos
ares do autoritarismo e da militância corrupta, do carreirismo capaz de
desbancar um país e de o levar à mais vergonhosa miséria, a da fome, que se vê
nos olhos silentes de crianças e idosos! Passo por florestas, outrora
majestosas, onde as árvores cantavam de alegria ao lado de aves primorosas e de
rios caudalosos…Recordo DINIS, rei –trovador- lavrador a sonhar mundos de
espuma…Lembro Alcácer-Quibir, onde um rei foi morrer em areais ensopados de
sangue…Vejo uma “orquídea”no cabelo de AUUN SUNGSUKY, que nunca renunciou à sua
natureza humana…Passam-me os olhos, pelo que sei de memória, de TREBLINKA, de
DACHAU, de AUSCHWITZ…Vejo o “ENOLA GAY” a vomitar fogo nuclear sobre milhares
de seres inocentes…Vejo PASTEUR a criar raízes contra males da humanidade…
Continuo a sentir como meus, os caminhos do mundo; a mente
escorre dores e desafios, quando escrevo. Sendo livre, viaja, à vontade nas
memórias chocantes que não pretendo nimbar, com fantasias delirantes. Há
memórias que devemos pôr num canto do COSMOS MENTAL, afastando-as do âmago de
cada um de nós, para termos a força de continuar “viagem”…Apesar de tudo,
dialogo com esses horrores para não arrasar o meu moral…
A caneta puxa por mim e, então, descubro que, sendo a caneta
quem escreve a PALAVRA, nela está impressa a letras, ora de oiro, ora de
amargura, a marca da minha identidade e da minha personalidade…Então, a PALAVRA
é formada numa teia do pensamento que me constrange ao tecer tramas de dor
nessas recordações, que se transformam em memórias…
Não tenho memórias de amor paternal ou maternal…Por isso, há
paredes sem janelas dentro de mim…janelas de carinhos, de afagos, de família,
de amor pelo que é UMA CRIANÇA…
Hoje, há um ir-aparecendo-diferente, de ano para ano…Há
memórias de maturidade na infância do medo…Há um eu, sempre a querer fugir da mediocridade,
para saltar barreiras, a caminho do possível aperfeiçoamento…
E não há memórias boas? Oh…se há…Embora pretenda “apenas”
reflectir, sem fazer biografia da auto- biografia, há momentos de encontro com
presentes que são passado, lembranças de pedaços de vida impagáveis…os meus
filhos…os meus estudos…os meus livros…a minha música…a paixão pelos alunos e
pelas Letras e Filosofias…a minha POESIA…
Ao começar a escrever poemas, sem o imaginar, estava a
comemorar a minha Vida…Foi como se tivesse pegado num “espelho de registos” que
o Passado me entrega a todo o momento, para exorcizar tempos que me fizeram
sentir um frio diferente. Nessas memórias reflexivas, que são os meus poemas,
sinto que se tornam mais claras muitas das nuvens cinzentas do viver, porque as
enfrento na força da Palavra. Momentos há, em que pareço retida nas teias da
infância, sem ser capaz de fugir dessas lembranças, para, como navio
aparelhado, partir para a “rota” da “actualidade seguinte”, o novo
“EU”refugiado em espaços desabitados por outros que não eu. É AÍ que sei SER-ESTAR!
AÍ, encontro-me e lavro as ideias em folhas de caderno, com a ajuda do
Dicionário. AÍ, no POEMA, ACONTEÇO, sem cobardia. Aí, apanho a coragem e a
determinação como motores de arranque para a descoberta do que ainda não ME
conheço!
Dizia ANTERO DE QUENTAL no Soneto “TESE E ANTÍTESE”:
(…) “TU, pensamento,
não és fogo, és luz!”
Atrevo-me a responder-lhe: Não, Antero…O meu pensamento é
luz…mas é FOGO, também!
Mealhada, 10 de Novembro de 2012-11-09
Maria Elisa Rodrigues Ribeiro
http: //lusibero.blogspot.com
POEMA:SENTIDOS
SENTIDOS
Minha cabeça apoiava-se nas saudades que tinha de ti,
enquanto uma comunhão de anseios te retinha
na alquimia das cores e dos sabores que eu-te-vivi.
Nos olhos tenho o vento que trazia o odor dos teus sentidos,
amadurecidos…
Desse vento, chegam fragmentos de farrapos das nuvens
em que nos afundávamos, num recanto do jardim…
Agora…
do alto de uma pétala roxa, é hora da melancolia chamar as
lembranças
vermelhas-rubras de
um Acontecer
que sereno, em mim resplandecia…
Os pássaros continuam a murmurar a liberdade de voar…
Os astros iluminam as noites de Lua Cheia,
enquanto a fecundação das pérolas fecha ,na concha,
o seu grão -de-areia.
As flores dispersam nos ventos
sinais de cio das minhas pálpebras ,
cerradas aos simulacros de cintilação.
Meus sentidos andam à deriva na recordação-de-ti,
dentro da poesia que ‘inda não escrevi…
Meu fogo parou, quando um vulcão vomitou magma-fervente
na cintura que te oferecia pulsações ascendentes
de permanente euforia …
Ciciam sementes, contentes por germinarem na terra que as
cobre
com litanias,
que despertam como as flores, ao nascer do dia!
Vou construindo um poema de teus olhos
numa mágica ilha de orlas sensuais,
onde seremos um teorema de luz no caos das sensações
da natural geometria dos temporais…
Um realismo de seiva quente corre pelas veias das plantas
outonais…
No mar, por trás dos montes, cantam ventos imemoriais…
C14P-11-NOV/012
Maria Elisa R. Ribeiro
(Marilisa Ribeiro)
quinta-feira, 28 de março de 2013
VISITA ÀS NOSSAS ALDEIAS...
Chove em Portugal; chove muito e tão sistematicamente que os nossos lavradores vêem, com apreensão,este contínuo acumular de águas nos terrenos que vai levar ao apodrecimento das sementes.
Aproveitei a tarde para ir dar uma volta pelas aldeias do Concelho de ANADIA, a que pertenço. Passei pela CURIA, minha terra, que ficou mais "limpa" e atractiva depois das obras que a Câmara lá mandou realizar. Mas com tanta chuva nem dá para apreciar e usufruir das mesmas.
Fui à MATA...continuei por Óis do Bairro, São Lourenço e Couvelha. Notei o envelhecimento e o abandono triste a que estes lugares estão votados, pelo envelhecimento das populações e pela nova onda de emigração a que os portugueses estão a ser obrigados, em consequência da catástrofe a que estamos condenados com as políticas deste governo de passos coelho.
Entrei na Igreja de TAMENGOS e na de VILARINHO do BAIRRO.O período pascal faz-se sentir na costumada ornamentação das mesmas. O roxo impera, como é tradição num lugarejo católico. Mas sente-se igualmente o cheirinho dos "folares" da Páscoa, tradição desta região bairradina...caseirinhos, amassados com o suor da força das nossas mulheres que mantém viva a tradição do bolo da páscoa que se oferece aos afilhados ,no próximo Domingo.
Fui até SAMEL... Não vi muitas mudanças , em relação a tempos idos... Há tanto a fazer!
Resolvi fazer este passeio em vosso nome, amigos que sois, destas aldeias.
Notícias boas?
Senti-as em Vilarinho do Bairro onde, tendo família, pude sentir as saudades e a tristeza de ver fora do país, em longínquos horizontes, os nossos familiares. Senti também, não posso deixar de o dizer, a ideia determinada de jovens primos que afirmam que vão emigrar...
Uma Páscoa diferente, esta...pela muita chuva e pela angústia em que se vive...
FELIZ PÁSCOA, MEUS AMIGOS E CONTERRÂNEOS!
Maria Elisa- 28 de Março de 2013
SAUDAÇÃO DE PÁSCOA
Estamos às portas de um novo período pascal.
Com tantos amigos e visitantes do meu Blog espalhados pelo mundo, venho, por este meio , desejar uma Páscoa muito feliz a todos os que comungam da paz desta época do ano e a todos, em geral, que estão em união, fora do país!
Muita Paz para todos os meus bons amigos!
Maria Elisa Ribeiro
domingo, 24 de março de 2013
"NOSTALGIAS"----PARQUE DA CURIA
IDEIAS POR PALAVRAS…
“NOSTALGIAS…
O grande Mahatma
Gandhi, filósofo e pacifista indiano do séc. passado, dizia do ser humano:”A indolência
é um estado maravilhoso, mas perturbante. Temos que fazer alguma coisa para
sermos felizes.”
Talvez por isso e
talvez, também, por uma questão de carácter, dei comigo, depois de me
aposentar, a fazer pequenas viagens pelo território das minhas raízes, esta
ímpar região bairradina, a procurar motivos de recordação de épocas
passadas…nunca longínquas precisamente porque, sempre presentes. A “Bairrada”é,
para além do mais que se possa dizer, uma página da História de Portugal, da
antiga e da mais recente! É uma página de grandiosidade dum povo que sempre
viveu da terra e do mar, da agricultura, pesca, turismo, artes, livros,
monumentos, gastronomia, sublevações contra regimes…tudo me vem à cabeça no
momento em que procuro motivos de sublimação da terra e das gentes.
Nostalgia é o nome
abstracto através do qual, em todo o mundo, se pretende dar um significado ao
estado de espírito que, nós, portugueses, tão bem conhecemos como SAUDADE. Isto
para vos dizer, leitores, que o tempo passa de tal modo veloz como o espaço de
um “ai”…quase não dá por ele! Ainda “ontem”, menina de 14/15 anos, “vivia “o
PARQUE da CURIA. Por lá passaram tantas das minhas ilusões, tantas alegrias e
tantas tristezas, também (por que não admiti-lo?); tudo fez parte da criação do
meu ser, ora brincando com as minhas irmãs e as minhas companheiras de escola,
ora namoriscando, naquela idade em que a Primavera de cada um de nós começa a
florescer…Nem tudo na vida são alegrias…As rosas têm espinhos e a infância que
deveria ser um espaço/tempo de alegria, não o é, para todos…Não é disso, no
entanto, o assunto das minhas lucubrações de hoje. O estar aposentada
proporciona, a quem não sente a velhice, oportunidades únicas de ver a vida com
outros olhos. Tenho-me dedicado, como dizia Garrett, no capítulo 49 de “Viagens
na minha terra”, a procurar revisitar espaços onde não ia, há muitos anos:”De
todas quantas viagens, porém, fizeram, as que mais me interessaram sempre foram
as viagens na minha terra.”
Ora, meus amigos, eu
fui ao…PARQUE da CURIA! E não se riam… que é verdade!
Passaram anos, desde a
última vez que lá tinha ido; com tantas proibições de andar por aqui e por ali,
confesso que desmotivei …Quando lá entrei, na passada semana, não encontrei o
parque dos meus encantos! Vi um lago quase totalmente pantanoso, arvorezitas
sem a pujança de outrora, desbastadas, carreiritos e atalhos cobertos de
vegetação rasteira que reclamou o que era seu, cadeados por tudo quanto é lado,
parecendo querer impedir-nos de testemunhar a degradação, meia dúzia de patitos
dando, ao que já foi o maior lago natural de Portugal, um ar da vida que ele
perdeu…e carpas, muitas carpas, enormes, com a barriga cheia de lodo e de
algumas migalhas de pão, que lhes vão atirando para aquela água paúlica!
Nesse lago, montavam-se,
nos anos 50/60, enormes palcos, que serviam à actuação de artistas da rádio, no
auge da fama; lá se faziam festivais de folclore e de outras artes. Era o tempo
da Simone de Oliveira, do António Calvário, da Madalena Iglésias, do Henrique
Mendes, Artur Garcia…
Era ainda o tempo em
que a volta a Portugal tinha uma etapa, que partia do Largo da Rotunda e em que
o PALACE HOTEL organizava o, então famoso, “Baile das Rosas”, para o qual, como
é lógico! só as elites eram convidadas. Parecendo que não, isso eram eventos
que davam à Curia um ar fino e …um pouco de cultura e animação.Vi, de relance,
na realidade e na imaginação, um pouco desse lago, de então…Nos mais recônditos
cantinhos, hoje, o lago é ,quase todo, um potencial pântano.
Na entrada do parque,
apesar de tudo, as árvores dão já um ar da sua graça, com aragens primaveris;
as flores desabrocham, por todo o lado; os trabalhadores fazem a poda e limpam
aquilo que ainda podemos visitar…Os patitos nadam e refugiam-se na “ilha”.
Resta-nos a recordação
desanimada daquilo que a Curia já foi…Que pena!
Diz o filósofo
SAVATER:” Viver com coragem inteligente na ausência de certezas absolutas.”
Ao ver o Parque da
Curia, a única certeza absoluta é a do nosso envelhecimento com ele, com as
memórias e os, -ainda-sonhos!
Atrevo-me a falar para
os meus conterrâneos: devemos preferir o melhor de tudo, para o
rejuvenescimento do espaço ímpar que é o parque! Exige-o a consciência pública,
exigem-no as memórias das nossas vidas, exige-o a ideia que se tem do paraíso
na terra…A Natureza, nossa única casa, exige-o, também!
Responda quem puder, se
puder, como puder…Mas respondam ao parque da Curia, verdadeiro património
bairradino!
Mealhada,13 de Março de
2013
Maria Elisa Rodrigues
Ribeiro
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