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sábado, 9 de janeiro de 2010

Memória breve de SIMONE de BEAUVOIR (1908/1986)


fotos google




Era o meu ideal de emancipação feminina quando, nos anos setenta do passado século, me comecei a inteirar, com consciência de Mulher, sobre o nosso papel, na sociedade.
Apesar disso, sentia-me sem forças para o proclamar, quer pela minha juventude, quer pelas amarras do casamento quer, ainda, pelo facto de ter nascido numa sociedade atrasada por força do domínio da educação judaico/cristã... Hoje sei que era uma atitude de cobardia... Eu tinha vontade de falar desta Mulher que, vivendo ao lado de SARTRE, nunca viveu à sombra dele ou dos seus ideais, embora comungando de muitos deles, como é sobejamente conhecido.

Sabia que cada um deles tinha um estilo de vida que, para a época, se era condenável pela moral burguesa, não deixava de ser admirável, pela coragem de assunção de um estilo de vidaque desafiava as regras instituídas por uma sociedade com o seu "quê" de medievalizante.Cada um deles entendia "estar"no mundo e na sociedade, sem interferirem com a liberdade um do outro.

Nascida em Paris, a 9 de JANEIRO de 1908, muito cedo Simone começou a escrever, estimulada pela forte personalidade da mãe ,mulher que já via o Futuro diferente daquele Presente em que a criou.
Licenciada em Filosofia pela Universidade da SORBONNE, só aos 41 anos escreveu o seu "livro- escândalo", "O Segundo sexo"; mas já antes disso tinha começado a "tocar" em temas ousados como a vida sexual da Mulher, a sua iniciação no sexo, o aborto, a homossexualidade, masculina e feminina, e tantos outros reportados à liberdade da mulher, que , se chocaram, na altura, as sociedades que viam na fêmea o objecto, simplesmente! da satisfação do macho, não deixaram de abrir as portas à libertação consciente e construtiva da mulher, como metade da outra metade , que faz uma Unidade!

Recordo uma frase sua que não assinalo como citação porque me lembro dela, mais ou menos por estas palavras, de tantas vezes a ter dito perante alunas/os dos 12ºs anos: " É sempre pelo trabalho que a mulher vai diminuindo a dis tância que a separa do homem! Somente pelo trabalho a mulher poderá conseguir uma independência concreta". Pensando na libertação da Mulher face ao Homem que ainda hoje vemos nas nossas sociedades... pobre da mulher que do homem depende para comprar um creme, um bâton ou um par de meias...

A partir dos anos setenta e mais especialmente nos anos oitenta do passado século. depois da entrada na Faculdade,por força da necessidade ,por ser aluna- trabalhadora, vi que nada enriquecia os meus conhecimentos como o hábito da LEITURA.
Entendi que nada eleva um espírito ansioso e livre ,como a Leitura de uma obra certa, no momento certo.
Penso que, pela leitura afirmamos o nosso EXISTIR e tornamo-nos mais livres, uma vez que ,nessa liberdade encontramos a lei, digamos assim, que devemos seguir, a caminho do aperfeiçoamento. "Ingeri", por conseguinte, naqueles tempos e depois, FILOSOFIA, que não pertencia ao meu Curso, especificamente, mas que me deu uma relativa sabedoria humana, que me ajudou na minha profissão e na minha vida. SARTRE, CAMUS, YUNG, DESCARTES, Comte,PLATÃO, ARISTÓTELES, SANTO AGOSTINHO, SÃO TOMÁS DE AQUINO, HEIDEGGER,- sei lá quantos mais!É claro que os livros não ficaram dentro da minha cabeça , em sentido literal, mas os pensamentos dos seus autores deram-me um traquejo que ,hoje, quando preciso ,sei onde ir buscar ajuda para certos trabalhos.

Acho que este artigo, que pretendia ser apenas uma recordação de SIMONE de BEAUVOIR, se alongou tanto ,que só vos vou referir o livro máximo ,em meu modesto entender , " O SEGUNDO SEXO", desta mulher- MULHER, onde ela se refere às injustiças cometidas contra o sexo feminino, fazendo ver que o que se exige da mulher, como ser humano, se assemelha ao esforço de SÍSIFO em levar a sua pedra de condenação eterna, pela montanha acima, sem nunca acabar o seu trabalho. São assim as tarefas da mulher, no contexto doméstico , em muitas sociedades modernas, ainda!

Todos os livros que possuo desta autora são da chancela da EDITORIAL BERTRAND.
Chocante de se ler, pela actualidade do tema é "LA VIEILLESSE"( A VELHICE") mais actual do que se possa pensar , pelo que vemos nos jornais, todos os dias, sobre o modo como são tratados os nossos velhinhos, em certos sítios e pelas próprias famílias. TRISTE CONDIÇÃO HUMANA!