foto googleMãos enrugadas
molhadas pelo mosto da uva exposta.
Unhas negras, doridas, calejadas,
do esforço moiro a triturar o oiro…
Setembro agreste onde o sol celeste
se move, indiferente ao esforço da gente.
No cesto de vime depostas,
as uvas
libertam o sumo-néctar de BACO…
Na mesa, à noite, contam-se as tarefas
do dia cansado.
Vindimar… é rir e chorar!
apoiar as costas no nada da vida,
sufocar ao sol quente,
partilhar gente com gente
e… mesmo assim,
sentir-se contente!
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Embrenho-me no mosto da uva descarnada,
doçurenta, melosa, quente…
Enterro os pés na poeira quente
do solo
fértil e comovente…
Sei de cor,
o melhor e o pior da uva
a maturar…
Sinto na pele o comichar
do pegajoso contacto
com o vermelho escuro do mosto
abençoado!
Oásis de benesses, as vinhas do meu país!
Que bom nascer, tendo por berço
o cheiro da maresia vínica na raiz!
C6F -148/19 –SET/09