
Seguro-me, tenazmente, às tábuas
Do meu navio naufragado,
Ciente do perigo que espreita,
Se não fugir já das águas,
De modo desembaraçado.
Naufraguei dentro de mim,
Quando quis questionar-me.
Foi um sofrimento, ímpar!
Hoje, o que quero do mundo
É, apenas, encontrar-me
E ser “eu”, sem vacilar…
Há tempestades terríveis:
As que se travam cá dentro!
Podem tornar-se temíveis,
Se não estivermos atentos!
As tábuas a que me agarro,
São fiáveis…
Por enquanto…
Com elas me prendo e nado
Para não sofrer o espanto
De ver chegar a resposta…
Que sei estar cá por dentro!
C2B» C5E -45» 36-OTB/07