Toalha branca estendida na mesa da pureza
Do linho são…
Coberta de migalhas,
Pão de restos de sustento,
Tapas tristezas tamanhas da brancura,
Com que ofereces o alimento.
Sinto-me pálida, só,
Ao tocar-te, alisando-te.
Sei que, assim, neste dó,
Sou esparso ponto de pó
De um universo imenso
Onde sufoca o mundo, denso…
O vinho,
Rubro sangue sobre a mesa,
É dádiva sã da Natureza…
Sacrifícios de mãos calejadas,
Na crueza da dura vida,
Puseram-no a fulgir.
Ah, mas vale a pena lutar
Para o ver, assim, a brilhar!
Vem do esforço farto, único
Tornado mediúnico…
Fixo os bordados tecidos
Escondidos, na minha mesa.
E, por momentos, regresso àquilo que sou…
Passeei por outras eras.
Temendo lobos e feras…
Bastava uma mesa assim
Branca, vermelha p’ra mim!
E, com meus olhos fechados, atordoados, feridos,
Vi, nesta toalha branca
Salpicada de vermelho,
Os meus segredos escondidos…
C6F- 60/50 – ABL/09