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“QUANDO O CÉU E A TERRA MUDARAM DE LUGAR …”
Nunca me preocupo com as revistas que apresentam os programas de TV, para a semana.
Por esse motivo, cheguei uns minutos atrasada ao programa da TVC2, de ontem à noite, que era a projecção do filme de OLIVER STONE, o último da sua TRILOGIA sobre a guerra do Vietname, “ QUANDO O CÉU E A TERRA MUDARAM DE LUGAR…”. Já o vi várias vezes e sempre o voltarei a ver, com o mesmo prazer e a mesma dor. Este filme, talvez pelo intimismo das situações e das personagens, pelo que provoca no espiritual de cada um de nós, prende-me ao “ecrã”, como se da primeira vez se tratasse.
Nos filmes habituais sobre esta terrível e vergonhosa guerra, é normal confrontarmo-nos com o aspecto brutal da mesma, com a ferocidade animalesca de quem usa todo o tipo de armas, como se estivesse numa “feira” de mostra de armas de guerra, as mais sofisticadas possível, para comprador ver… Assemelham-se a um “desfile” onde, sem os vermos, até adivinhamos a cara e os contornos de alma de quem compra…
Neste filme, não, não sinto isso! Centro a minha atenção no drama verdadeiramente vivido e sentido, nas ilusões desfeitas, na brutalidade dos assassínios em massa, na destruição de pessoas, casas, animais, plantas; centro os meus sentidos na cobarde arma que é a violação de mulheres e crianças e no desespero dos seres humanos perante um qualquer deus que não sente, não vê, não intervém e parece de nada saber…E cada vez me sinto mais só, porque penso, amigos, que de todas as “revoluções”que se têm feito, está ainda por fazer a mais importante para o Homem, a do PENSAMENTO, que adeqúe formas de vida e de esperança, que “lave feridas” e distribua Emoções.
Do que conheço de OLIVER STONE, quase podia jurar que o que mais trabalho lhe deu, foi encontrar este título, para este filme, em particular. É um título de grande impacto, que podemos atribuir a toda a história da vida do Homem na Terra: quantos milhões de vezes o céu e a terra já mudaram de lugar! E quando isso aconteceu foi sempre “A BESTA” quem venceu, sempre mais forte que a vontade do tal deus que dizem ser omnipresente e omnisciente. Reparem como ela, “A BESTA”, continua à solta no Irão, no Iraque, no Afeganistão, no Tibete, no Cambodja, no Zimbabué, na Coreia do norte…
Como artistas principais do filme, vimos um TOMMY LEE JONES ,soldado americano em catarse e uma JOAN CHEN que encarnou os sofrimentos de qualquer mulher que se encontre num cenário de guerra brutal. É fácil chegarmos às lágrimas, porque é fácil vivermos, cada um de nós, aquelas tristes situações. São lágrimas de “purga”, são aquelas que toda a HUMANIDADE deveria deixar sair dos olhos… Mas não esqueço que desta“MINHA FLOR DE PESSEGUEIRO”, LE LY, como a tratou o pai quando lhe pediu para fugir daquela hecatombe, esse pai é igualmente uma personagem de referência, marcante por “SER PAI” e estar presente num momento dramático da vida da filha, por quem exprimia AMOR, pelo simples toque das mãos…
Na despedida, deu-lhe a sua alma, que ela voltou a encontrar, no templo budista, no momento em que o velho monge a tratou por “MINHA FLOR DE PESSEGUEIRO”, pedindo-lhe novamente que não desistisse da VIDA, que por ela lutasse, também por amor dos filhos.
Dizia o velho monge que precisamos de ter em conta que o Passado e o Futuro estão sempre juntos, nunca se separam… Quanta verdade! Isso acontece em cada um de nós, no nosso PRESENTE! O que somos hoje, agora, neste milionésimo de segundo…é este Presente passageiro, é este momento em que vivo.
Deitei-me.Não adormeci, logo. “Caía-me, em cima, a chuva de toda a brutalidade da guerra do Vietname; e falo desta porque foi a que mais marcou a minha vida de um tempo como o da idade de LE LY… E muitos serão tentados a dizer:”ó pá, mas aquilo é só um filme!”Pois é, meus amigos… Mas há tantos outros filmes que não podemos ver, sobre situações destas, porque só há um “OLIVER STONE”…E todos os dias nos cruzamos com gente que trava batalhas de que nem suspeitamos.
Chorei, sim. É bom chorar, quando a ALMA se identifica com dores que a moem…
LUSIBERO