VAGUEIO-ME…
... em deambulações peregrinas, nas minhas “COMPOSTELAS”…
Perdida em excursões de índole metafísica, parece-me ouvir, em mim,
um coro de peregrinos arrostando pecados antigos,
para dentro de um santuário…
SOU-ME, ao errar pelas estreitas ruelas,
com a Lua a entrar pelas janelas do meu interior.
Rompe-se-me o dia, na escura noite!
(Ó CESÁRIO dos passos perdidos nas noites,
a ganhar espelhos de vida!)
Parcas luzes estendem-se pelo rio, mostrando –me o deslizar
dos vapores, ao sabor do desvario das águas…
…em desafio do silêncio da tenebrosa solidão escura…
Vielas empedernidas choram as suas feridas, ao som do Fado da vida
e conduzem-me ao cais, donde partem suores de maresia
que se diluem na desarmonia do ar sonoro, dolente, doente…
ABSORVO-ME…
Recarrego-me nas emoções peregrinas,
das vielas estreitas da vida do mar.
( O problema de MIM, está em SER-NA-ÉTICA-DO-SER!)
Carrego-me com a luz do luar, que me penetra
como um rumor de vida,
quando me recorre à memória das Origens…
(REFLICTO-ME e a Natureza vibra!)
Vem até mim um eco longínquo do túnel do silêncio-infância…
Oiço-me a ranger, no mundo que me esfuma
no peregrinar pelas dúvidas…
(Vou contigo, CESÁRIO, meu mestre…)
Vejo redes largadas ao profundo-fecundo
do fundo do mar…
MULHERES-NÃO!-nas esquinas da Vida,
passeiam os saltos altos do desiquilíbrio…
muletas do sustento e da ostentação,
prefiguradas nos carros do cliente-SOFRIMENTO-VÃO!
(Viste, DEUS dos mortais? Ouviste seus ais?)
Os néons indiciam o canto melopeia de falsas sereias…
Dor que me desce ao âmago pleno na autenticidade
do VIVER-faz –de –conta…
Silencio-me ao descer minha escada em caracol
enraivecida de surpresa, no ridículo do mundo imundo,
onde o suor me invade as preocupações , até à medula!
Regresso-me nas avenidas de uma cidade-fantasma- de –valores…
Tenho-me, nas dores de olhos sorridentes, diferentes, perdidos
nas planuras do alcatrão mordaz, silencioso…
(Sou um parafuso que se asfixia na pancada da Verdade!)
(Rodo-me, sobre mim mesma e sinto a náusea dos abismos!)
MAS…entra-me no cérebro dorido o cheiro das glicínias
que começam a florir…
…”o canto da ALEGRIA” de um doce “Circo do Sol”…
…um piano com vida que sente CHOPIN, Nocturno, nº 20…
E quero uma Metáfora da permanência, que desafie a caducidade
da minha errância cósmica,
da minha distância até Mim,
no movimento contínuo do Mundo…
R-C12L-15- (vds) -AGT/011
"As minhas palavras têm memórias ____________das palavras com que me penso, e é sempre tenso _________o momento do mistério inquietante de me escrever"
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domingo, 25 de setembro de 2011
quarta-feira, 24 de março de 2010
"PINGOS DE DOR..."
“PINGOS DE DOR…
A escrita pode funcionar como uma espécie de “purga”, como catarse.
Estou a fazer um esforço supremo para vos dizer alguma coisa de mim, neste momento em que, de todos vós tenho recebido tantas provas de carinho, desinteressado. Nestes momentos, a divagação e a poesia sobrepõem-se à erudição por terem mais que ver com a nossa subjectividade, as nossas emoções, o interior imaterial de qualquer um de nós.
De há quatro meses a esta parte, como vos dei conhecimento, tenho passado por várias fases negativas das quais penso não vos ter dado a exacta medida, mas que só não me transformaram numa estátua, porque Deus nos concedeu a suprema capacidade de chorar…
A vida é uma batalha contínua. Quando menos esperamos, encontramo-nos no meio da refrega mais cruenta, mais árdua que se possa imaginar, perdendo as forças para lutar, precisamente no momento em que mais temos que bracejar contra “as ondas alterosas” de sentimentos, que nos podem conduzir às frustrações.
E, sem contar, vêm do Passado memórias atrozes que se instalam no Presente incauto, para ensombrar um Futuro incerto…
Tenho estado num “promontório rochoso”, negro, áspero, que tenho molhado com lágrimas que surgiam, nem eu sei de onde!- tal o desespero interior que se cravou ,como garras, nas minhas vivências despretensiosas. Foi tal a dor de que me vi possuída sem contar… assim… de um momento para o outro, que vos asseguro, meus amigos, que me senti, espiritualmente, mutilada. Essa, como que amputação, trouxe consigo, inevitavelmente, uma solidão irremediável, uma angústia que me exauria e contra a qual CONTINUO a lutar. “Noites longas” meteram-me medo. “O mar, em tumulto,”batia, furiosamente no meu “promontório” e, do luar possível eu via só as ondas ameaçadoras a debaterem-se, a desfazerem-se em espuma contra a rocha descomunal, no alto da qual eu ia carpindo as minhas dores… pingos de dores…
Vozes quase mágicas, de amigos de todas as horas, apelam ao meu levantar o ânimo, tendo-se colocado numa amorosa situação de apoio, sussurrando palavras amigas e pondo o seu ombro amigo à minha disposição…É por todos vós que entendi ser minha obrigação mostrar-vos que quero recuperar! Não tenho a pretensão de inventar palavras para vos agradecer, amigos! Sou pequena para isso…vejam neste texto o meu sincero “muito obrigada”.
Não estou bem ainda, como calcularão todos e todas as amigas que já passaram ou estão a passar por momentos depressivos; sinto-me como uma águia ferida, caída das alturas, no meio de rochas agrestes e escarpadas, das quais tenho, forçosamente, que fugir, com a ajuda de amigos e familiares.
Que raio de fortaleza somos, que nos desmoronamos ao mais leve sibilar dos ventos? De luar brilhante passamos a noite escura de terrores incertos, fria e húmida, em agonia de soluços tresloucados… E compreendemos, então, que existir é sofrer, é padecer…e que a alma pode cair em abismos aterradores…E, graças a Deus, podemos chorar, como se os ventos estivessem calmos, os mares descansados e como se os fantasmas das dores não existissem… E lavo-me nas saudades que as lágrimas me trouxeram… e não sou nada forte… sou frágil como pena de ave que voga pelo ar…
Penso que a vida será diferente depois desta passagem da “ponte” no meio da qual me encontro. Quero voltar a sorrir despudoradamente! Quero ir POR ALI, E NÃO POR ACOLÁ. QUERO fugir da fileira de gigantes petrificados que, por vezes, sem o contarmos, se alojam no nosso cérebro!
Quero, por fim, agradecer a paciência com que estivestes a “ouvir-me”…
A escrita pode funcionar como uma espécie de “purga”, como catarse.
Estou a fazer um esforço supremo para vos dizer alguma coisa de mim, neste momento em que, de todos vós tenho recebido tantas provas de carinho, desinteressado. Nestes momentos, a divagação e a poesia sobrepõem-se à erudição por terem mais que ver com a nossa subjectividade, as nossas emoções, o interior imaterial de qualquer um de nós.
De há quatro meses a esta parte, como vos dei conhecimento, tenho passado por várias fases negativas das quais penso não vos ter dado a exacta medida, mas que só não me transformaram numa estátua, porque Deus nos concedeu a suprema capacidade de chorar…
A vida é uma batalha contínua. Quando menos esperamos, encontramo-nos no meio da refrega mais cruenta, mais árdua que se possa imaginar, perdendo as forças para lutar, precisamente no momento em que mais temos que bracejar contra “as ondas alterosas” de sentimentos, que nos podem conduzir às frustrações.
E, sem contar, vêm do Passado memórias atrozes que se instalam no Presente incauto, para ensombrar um Futuro incerto…
Tenho estado num “promontório rochoso”, negro, áspero, que tenho molhado com lágrimas que surgiam, nem eu sei de onde!- tal o desespero interior que se cravou ,como garras, nas minhas vivências despretensiosas. Foi tal a dor de que me vi possuída sem contar… assim… de um momento para o outro, que vos asseguro, meus amigos, que me senti, espiritualmente, mutilada. Essa, como que amputação, trouxe consigo, inevitavelmente, uma solidão irremediável, uma angústia que me exauria e contra a qual CONTINUO a lutar. “Noites longas” meteram-me medo. “O mar, em tumulto,”batia, furiosamente no meu “promontório” e, do luar possível eu via só as ondas ameaçadoras a debaterem-se, a desfazerem-se em espuma contra a rocha descomunal, no alto da qual eu ia carpindo as minhas dores… pingos de dores…
Vozes quase mágicas, de amigos de todas as horas, apelam ao meu levantar o ânimo, tendo-se colocado numa amorosa situação de apoio, sussurrando palavras amigas e pondo o seu ombro amigo à minha disposição…É por todos vós que entendi ser minha obrigação mostrar-vos que quero recuperar! Não tenho a pretensão de inventar palavras para vos agradecer, amigos! Sou pequena para isso…vejam neste texto o meu sincero “muito obrigada”.
Não estou bem ainda, como calcularão todos e todas as amigas que já passaram ou estão a passar por momentos depressivos; sinto-me como uma águia ferida, caída das alturas, no meio de rochas agrestes e escarpadas, das quais tenho, forçosamente, que fugir, com a ajuda de amigos e familiares.
Que raio de fortaleza somos, que nos desmoronamos ao mais leve sibilar dos ventos? De luar brilhante passamos a noite escura de terrores incertos, fria e húmida, em agonia de soluços tresloucados… E compreendemos, então, que existir é sofrer, é padecer…e que a alma pode cair em abismos aterradores…E, graças a Deus, podemos chorar, como se os ventos estivessem calmos, os mares descansados e como se os fantasmas das dores não existissem… E lavo-me nas saudades que as lágrimas me trouxeram… e não sou nada forte… sou frágil como pena de ave que voga pelo ar…
Penso que a vida será diferente depois desta passagem da “ponte” no meio da qual me encontro. Quero voltar a sorrir despudoradamente! Quero ir POR ALI, E NÃO POR ACOLÁ. QUERO fugir da fileira de gigantes petrificados que, por vezes, sem o contarmos, se alojam no nosso cérebro!
Quero, por fim, agradecer a paciência com que estivestes a “ouvir-me”…
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